segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

FARISEUS - Verbete [ampliado]

É possível que o nome seja derivado da expressão hebraica que significa “ser separado”, no caso, das práticas e conceitos pagãos; outros optam pela tradução “expositor” dos textos bíblicos e da lei oral. Seus oponentes os chamavam de “persa” ou “inovadores” por causa de suas interpretações teológicas que tinham pontos em comum com o pensamento persa (como a crença em anjos e demônios).

Durante o cativeiro babilônico, quando o sacerdócio perdeu influência, surgiram leigos que passaram a exercer a função de intérpretes e guardiões da Lei. Segundo Josefo, já atuavam no tempo de Jonatas (160–143 a.C.), mas aparecem na história judaica em conflito com João Hircano (134–104 a.C.). Após a rebelião dos Macabeus, ganharam maior prestígio.

Não constituíram um partido político, mas uma seita religiosa leiga, formada sobretudo pela classe média, em contraste com os saduceus aristocráticos. Nos dias de Jesus, eram a maior seita e a de maior influência, com forte presença nas sinagogas e lares. Aceitavam o cânon completo do Antigo Testamento, interpretando-o de forma alegórica, e davam grande importância à lei oral, que consideravam parte da revelação divina. Criam em anjos, espíritos, imortalidade da alma e ressurreição.

Alguns estudiosos, como Hastings (1906), descrevem os fariseus como comparáveis, em certo sentido, a grupos posteriores que buscavam pureza religiosa — uma metáfora para indicar seu zelo pela pureza cerimonial na vida cotidiana, semelhante ao cuidado dos sacerdotes no Templo. Ele também observa que sua separação do partido sacerdotal sob João Hircano lhes deu o nome de “separados”. Hastings ressalta ainda que muitas práticas e doutrinas do judaísmo posterior refletem fortemente a tradição farisaica, o que evidencia sua influência duradoura na formação do judaísmo rabínico e, indiretamente, no ambiente da igreja primitiva.

Jesus criticou duramente o legalismo e a hipocrisia farisaica (Mt 23; Lc 18). Paulo, por sua vez, ao recordar sua formação como fariseu (At 22), não o faz para endossar suas doutrinas, mas para mostrar sua trajetória e destacar como sua fé em Cristo o levou a contestar e superar esse legado. Assim, embora existam pontos de contato entre certas convicções farisaicas e a igreja primitiva, Paulo se coloca em posição crítica frente ao sistema. O judaísmo ortodoxo posterior, e não o cristianismo, é que preserva muitas das ideias e doutrinas farisaicas (HASTINGS, 1906).


Referência

HASTINGS, James (Ed.). Dictionary of Christ and the Gospels. Edinburgh: T. & T. Clark, 1906.

Me. IPG

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