É possível que o nome seja derivado da expressão hebraica
que significa “ser separado”, no caso, das práticas e conceitos pagãos; outros
optam pela tradução “expositor” dos textos bíblicos e da lei oral. Seus
oponentes os chamavam de “persa” ou “inovadores” por causa de suas
interpretações teológicas que tinham pontos em comum com o pensamento persa
(como a crença em anjos e demônios).
Durante o cativeiro babilônico, quando o sacerdócio perdeu
influência, surgiram leigos que passaram a exercer a função de intérpretes e
guardiões da Lei. Segundo Josefo, já atuavam no tempo de Jonatas (160–143
a.C.), mas aparecem na história judaica em conflito com João Hircano (134–104
a.C.). Após a rebelião dos Macabeus, ganharam maior prestígio.
Não constituíram um partido político, mas uma seita
religiosa leiga, formada sobretudo pela classe média, em contraste com os
saduceus aristocráticos. Nos dias de Jesus, eram a maior seita e a de maior
influência, com forte presença nas sinagogas e lares. Aceitavam o cânon
completo do Antigo Testamento, interpretando-o de forma alegórica, e davam
grande importância à lei oral, que consideravam parte da revelação divina.
Criam em anjos, espíritos, imortalidade da alma e ressurreição.
Alguns estudiosos, como Hastings (1906), descrevem os
fariseus como comparáveis, em certo sentido, a grupos posteriores que buscavam
pureza religiosa — uma metáfora para indicar seu zelo pela pureza cerimonial na
vida cotidiana, semelhante ao cuidado dos sacerdotes no Templo. Ele também
observa que sua separação do partido sacerdotal sob João Hircano lhes deu o
nome de “separados”. Hastings ressalta ainda que muitas práticas e doutrinas do
judaísmo posterior refletem fortemente a tradição farisaica, o que evidencia
sua influência duradoura na formação do judaísmo rabínico e, indiretamente, no
ambiente da igreja primitiva.
Jesus criticou duramente o legalismo e a hipocrisia
farisaica (Mt 23; Lc 18). Paulo, por sua vez, ao recordar sua formação como
fariseu (At 22), não o faz para endossar suas doutrinas, mas para mostrar sua
trajetória e destacar como sua fé em Cristo o levou a contestar e superar esse
legado. Assim, embora existam pontos de contato entre certas convicções
farisaicas e a igreja primitiva, Paulo se coloca em posição crítica frente ao
sistema. O judaísmo ortodoxo posterior, e não o cristianismo, é que preserva muitas
das ideias e doutrinas farisaicas (HASTINGS, 1906).
Referência
HASTINGS, James (Ed.). Dictionary of Christ and the
Gospels. Edinburgh: T. & T. Clark, 1906.

Nenhum comentário:
Postar um comentário