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sábado, 4 de abril de 2026

Notas Sobre Marcos

Marcos é tradicionalmente identificado com João Marcos, personagem mencionado no Novo Testamento como colaborador dos apóstolos, tendo cooperado com Paulo em suas viagens missionárias e mantido estreita proximidade com o apóstolo Pedro, de cuja pregação recebeu influência decisiva na composição de seu evangelho. Segundo a tradição cristã, sua mãe teria oferecido o cenáculo de sua casa, em Jerusalém, como local da Última Ceia e também das primeiras reuniões da comunidade cristã após a ressurreição, incluindo o acontecimento de Pentecostes, com a descida do Espírito Santo. Seu nome latino, Marcus, reflete o ambiente cultural diversificado do cristianismo primitivo, marcado pelo encontro entre as tradições judaica e greco‑romana. O Evangelho segundo Marcos é amplamente reconhecido como o mais breve e, possivelmente, e muitos defendem que seja o mais antigo dos quatro evangelhos, destacando‑se por seu estilo direto, dinâmico e centrado na ação de Jesus Cristo, o Filho de Deus.

O evangelho de Marcos distingue-se por sua narrativa dinâmica, marcada por objetividade, urgência e movimento. O autor conduz o leitor com rapidez pelos acontecimentos, recorrendo frequentemente a expressões que indicam continuidade imediata da ação (“imediatamente”, “logo”). Tal característica confere vigor ao relato e enfatiza que a missão de Jesus se desenvolve com autoridade e propósito, desde o início de seu ministério até a consumação de sua obra.

Entre os evangelhos, Marcos destaca-se pela apresentação de Jesus como o Servo poderoso de Deus. Mais do que longos discursos, o texto privilegia ações, milagres e confrontos que revelam sua autoridade sobre enfermidades, espíritos malignos, a natureza e até sobre a morte. Ao mesmo tempo, essa autoridade é acompanhada de sofrimento, pois Marcos ressalta o caminho da cruz como parte central da identidade messiânica de Cristo.

Outro traço característico é a ênfase no chamado ao discipulado. Em Marcos, seguir Jesus implica renúncia, fidelidade e disposição para sofrer por causa do evangelho. Os discípulos são apresentados com suas limitações e incompreensões, o que reforça tanto a paciência do Mestre quanto a seriedade do aprendizado espiritual. O evangelista mostra que compreender Jesus plenamente exige contemplá-lo não apenas em seus feitos poderosos, mas também em sua entrega sacrificial.

O chamado “segredo messiânico” também ocupa lugar relevante na narrativa. Repetidas vezes, Jesus recomenda silêncio acerca de sua identidade e de seus milagres, sugerindo que sua pessoa só pode ser entendida corretamente à luz da cruz e da ressurreição. Assim, Marcos evita interpretações superficiais do messianismo e conduz o leitor à percepção de que a glória de Cristo se manifesta paradoxalmente no sofrimento redentor.

A tradição cristã reconhece em Marcos um escritor sóbrio, direto e profundamente comprometido com a proclamação da fé. Sua obra combina concisão literária, intensidade narrativa e profundidade teológica, oferecendo um retrato vívido de Jesus como Filho de Deus e Servo sofredor. Desse modo, Marcos permanece como testemunha essencial da fé da Igreja primitiva e da centralidade da cruz na mensagem do evangelho.

Utilização livre desde que citando a fonte
Guedes, Ivan Pereira
Mestre em Ciências da Religião.
me.ivanguedes@gmail.com
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sexta-feira, 28 de março de 2025

Harmonia dos Relatos Evangélicos da Crucificação - Jesus chega ao Gólgota

 

Mateus 27.33 - Chegaram a um lugar chamado Gólgota, que quer dizer lugar da Caveira,

Marcos 15.22 - E levaram-no ao lugar do Gólgota, que se traduz por lugar da Caveira.

Lucas 23.33 - E, quando chegaram ao lugar chamado a Caveira, ali o crucificaram, e aos malfeitores, um à direita e outro à esquerda.

João 19.17 - "E, levando ele às costas a sua cruz, saiu para o lugar chamado Caveira, que em hebraico se chama Gólgota."

Análise e Comentário dos Textos

Mateus - Podemos incluir esse verso 33 em uma pequena perícope (32-34) onde Mateus acompanha Jesus no chamado caminho do Gólgota (em latim, Calvário). Após ser traído por Iscariotes, Jesus é conduzido à casa de Anás, sogro de Caifás, e depois a Caifás, o sumo sacerdote, onde é interrogado e enfrenta falsas acusações. É aqui também que Pedro o negará por três vezes sucessivas.

A noite vai passando e Jesus é levado de um para outro lugar: Conselho do Sinédrio, Pilatos, Herodes Antipas, que o devolve a Pilatos. É aqui, já pela manhã que a sentença é proferida: conforme a prática romana da época, Ele foi açoitado em 39 vezes. Depois dos açoites implacáveis, os soldados romanos passaram a zombar dele e confeccionando uma coroa de espinhos, e gravando na cabeça dEle, se curvavam e o chamavam zombeteiramente de o “rei dos judeus”.

Então lhe entregam a trava horizontal da cruz, chamada patibulum, pois a parte vertical já estava no local da sentença. Essa trava pesava aproximadamente 30 a 50 quilos, e a pessoa deveria levá-la em todo o trajeto, que ficou conhecido como Via Dolorosa ou Via Crucis, que significa "Caminho da Dor" ou "Caminho da Cruz", em uma extensão de aproximadamente 600 metros.  A noite não dormida, os flagelos físicos sofridos, debitaram fisicamente Jesus e no meio do caminho o soldado ordena que um expectador, Simão de Cirene, para ajudá-Lo até chegar ao Gólgota.

Depois de mais de uma hora “Eles chegam ao lugar chamado Gólgota, que recebia a alcunha de “Lugar da Caveira”, pois a rocha que compunha o local tinha um formato semelhante. Era o lugar estabelecido para a crucificação dos criminosos mais perigosos, após a sentença definitiva.

O local é fora dos muros da cidade, mas todo o trajeto era percorrido por pessoas que entrava e saiam pelos portões da cidade, de modo que a crucificação se tornava um “espetáculo público”. Gólgota é o nome aramaico do local, mas no grego é κρανίον (kranion) quer foi traduzido para o latim como “calvaria”, de onde vem a transliteração para “calvário”.

Marcos - Calvário é uma palavra latina e Gólgota sua versão hebraica. Esse pequeno verso é a dobradiça das eras; tudo que foi escrito no Primeiro Testamento e/ou Antigo Testamento e tudo que será escrito no Segundo Testamento e/ou Novo Testamento, tem sua apoteótica no Calvário. Como escreve de forma contundente Erich Sauer: “...é o ponto de virada; de todo amor é o ponto mais alto, e de toda salvação é o ponto de partida, de todo culto é o ponto central". Um detalhe sublime é que as palavras "Calvário" e "eternidade" são encontradas apenas uma vez, mas elas fazem toda diferença na nossa história, pois no Calvário toda a nossa eternidade foi transformada. Estávamos destinados a uma eternidade sem Deus, mas por causa do Calvário (Cristo) estaremos eternamente com Ele. As versões que trocam o uso de Calvário, por “a Caveira”, lamentavelmente empobrece a mensagem teológica do texto.

O Calvário é o centro da História da Humanidade. O nascimento e a crucificação de Cristo são o epicentro em torno do qual giram todos os acontecimentos históricos dos séculos. O Calvário mostra até onde os homens irão em seu estado de pecado e miséria, mas também revela até onde Deus irá pela salvação do ser humano pecador.

Mas uma das coisas mais extraordinárias que acontece no Calvário é que não havia apenas três cruzes ali, mas sim milhares/milhões de cruzes ali representadas. O apostolo Paulo entendeu isso como poucos, como ele expõe em suas epistolas: “Ora, se morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos,” (Rm 6.8); “Fui crucificado com Cristo; e já não sou eu que vivo, mas Cristo vive em mim;” (Gl 2.20).

Quando você perguntar quem O crucificou, olhe para sua mão, e verá o martelo.

Uma peculiaridade da narrativa de Marcos é que menciona o tempo em que Jesus Cristo fica crucificado. Quem pode penetrar esses profundos mistérios ou profundezas dos sofrimentos do Cordeiro de Deus, quando Ele foi obediente até a morte, a morte da Cruz! Longas e intermináveis seis horas, equivalentes a 360 minutos...e durante todo esse tempo Ele poderia ter descido da Cruz... mas não o fez... ficou pendurado lá, bebendo gota a gota o cálice da morte... horas e minutos carregados de dor e sofrimento... mas Ele permaneceu ali... pregado... unicamente por amor de mim e de você!

O desfio que Jesus lançou para aqueles que queriam segui-Lo foi: “... tome a cruz... e siga-Me”. O caminho percorrido por Cristo é uma ilustração real daqueles que se dispõem a crer Nele como único e suficiente Salvador e Senhor. Milhares de cristãos “caminharam” para a morte (muitas vezes em desfiles abertos) para satisfazer a crueldade das multidões que os escarneciam e amaldiçoavam, até chegarem aos Coliseus Romanos espalhados pelo Império.

Com sua ressurreição Jesus transformou a cruz de símbolo de morte, para símbolo de esperança e salvação para cada que Nele crê. Muitas vezes temos que enfrentarmos nossos próprios "Gólgotas", e devemos sempre nos lembrarmos que nossas lutas e dores (traições, abandono) podem nos levar a um profundo crescimento e transformação pessoal. Da mesma forma que o sacrifício de Jesus trouxe a salvação, nosso sofrimento pode ser a ponte para aprofundar nossa comunhão com Deus e fortalecer no esperança Nele.

Lucas - Deveríamos ler os relatos da crucificação com temor e tremor. Quem está sendo crucificado ali é o Filho Amado de Deus! A indiferença e frieza com que os cristãos evangélicos tratam essas narrativas é assustadoramente preocupante, pois revela muito da falta de essência em suas profissões de fé. Vivemos dias em que para alguns os cultos são cátedras para expor seus pontos teológicos e para outros shows para satisfazerem suas necessidades de exposição e notoriedade. É preciso urgentemente lermos esses textos com alma e coração, e nos jogarmos aos pés da cruz e clamarmos por perdão e graça!

“E eles o crucificaram” – ainda que pensássemos uma eternidade nesta frase não alcançaríamos a profundidade e a altura do significado dela para pessoas pecadoras como nós.  Essas 3 palavras são encontradas em todos os quatro relatos evangélicos. Mas a peculiaridade é que pouco se fala do tamanho da cruz, dos pregos, do esforço para empurrar Suas pernas, das feridas em Suas costas esfregando contra a madeira áspera da Cruz; da Sua dificuldade em respirar...sucintamente... “E eles o crucificaram”.

O escritor romano Cícero descreveu a crucificação como "a punição mais cruel e hedionda possível". Esse tipo de morte tem sua origem aparentemente na Pérsia, sendo adotada posteriormente pelos cartagineses e gregos, finalmente pelos romanos. O dissuadir rebeliões e aumento dos crimes. Se as autoridades judaicas odiavam e condenavam Jesus por causa de Seus ensinos, os romanos que não tinham qualquer interesse religioso, estava condenando-O como agitador político e possível fomentador de rebeliões.

Ao recusar a bebida oferecida pelos executores romanos (vinho misturado com mirra), Jesus estava apenas refirmando o que havia dito a Pedro: "O cálice que o Pai me deu, não o beberei?" (Jo 18.11, cf. Mt 26.39). Esse cálice cheio ilustrava a ira total de Deus que seria derramado totalmente sobre Ele - "aquele que não conheceu pecado foi feito pecado por nós, para que nele nos tornemos justiça de Deus" (2Co. 5.21). Amor Imensurável!  

Os dois personagens que ladeiam Jesus na cruz são representativos de toda a humanidade. O deboche e a ironia de um são semelhantes às reações daqueles que viram o julgamento e estão assistindo à crucificação d'Ele com o mesmo espírito de desprezo. O outro, que inicialmente expressa a mesma atitude, diante da postura de Jesus, repensa e, ao fazer uma autoanálise, expressa sua conclusão ao outro: “Eu e você merecemos estar aqui, pois temos consciência das ações erradas que temos feito; mas Este nada fez para merecer uma morte tão cruel”. Infelizmente, muitos chegam a este ponto e param. Mas aquele homem, depois de olhar para si e perceber seu estado miserável de pecado, olha para Jesus, e isso faz toda a diferença em sua vida – e conclui com uma das orações mais curtas da Bíblia: “Lembra-Te de mim quando entrares em Teu reino”. Ó glória! Quem dera todos os pecadores no mundo inteiro pudessem olhar para Jesus e fazer a mesma oração!

A resposta de Jesus foi imediata, e, como a oração, a resposta é curta e direta: “Hoje mesmo estarás comigo no paraíso” (vv. 39-43). Este verso não é apenas sobre a crucificação, mas é Deus escancarando o coração. Seu amor gracioso e imensurável pelo ser humano feito à Sua imagem e semelhança resplandece em todo o seu esplendor e poder. Hoje e não talvez, ou quem sabe, ou mais tarde...Hoje estará Comigo...para sempre!

João - João não registrou muitos detalhes encontrados nas anteriores redações de seus colegas. Este versículo é tudo o que João relatou da Via Dolorosa. Uma das razoes é que ele, por escrever em tempo bastante posterior, tinha conhecimentos do material produzido pelos evangelistas que o antecederam. O Espírito Santo não é repetitivo ou enfadonho e ao inspirar os escritores o faz com sabedoria e discernimento, registrando os detalhes que realmente fossem relevantes e edificantes para todos os leitores futuros, pois nem um dos evangelistas, incluído João, poderia imaginar que no século 21 estaríamos lendo suas narrativas.

 “Então Ele saiu para um lugar...” uma frase tão simples reveste-se de um valor extraordinário. Tudo o que aconteceu com Jesus até este ponto ocorreu dentro dos muros da cidade de Jerusalém e, portanto, nas proximidades do templo. A nossa “justiça e/ou justificação” precisa ser buscada em Cristo e em Seu sacrifício. E, para tirar qualquer dúvida de que Ele é, de fato, o sacrifício em nosso favor, para remissão de nossos pecados, Jesus precisa ser levado para fora da cidade e ser levantado no madeiro, como prescrito em Levítico (6.30).

Segundo a prescrição da Lei, o sacrifício cujo sangue fosse derramado pelo pecado deveria ser levado para fora do acampamento, e a mesma Lei declara que aquele que está pendurado no madeiro é amaldiçoado. Ambas as prescrições foram literalmente cumpridas em Jesus Cristo, que se submeteu à maldição para nos redimir da maldição da Lei que nos condenava.

O escritor de Hebreus (12.12) entendeu perfeitamente esta cena: “Que Ele foi levado para fora da cidade a fim de levar consigo e tirar as nossas contaminações que foram colocadas sobre Ele”. A perfeita harmonia de todas as partes das Escrituras é maravilhosa.

Ao sair carregando a cruz, Jesus sabia que Seu destino era o Gólgota. Lembrando-se de Sua oração no horto do Getsêmani, cuja agonia verteu-se em gotas de sangue, Jesus mantém-se firme e resoluto em cumprir plenamente a vontade do Pai, e não a Sua. Diferentemente de Isaque, que não sabia, Jesus sabe que Ele próprio é o Cordeiro e que não aparecerá outro cordeiro para substituí-Lo – “Cumpra-se em mim a Tua vontade, ó Pai” (Mt 26.39; Lc 22.42). Temos fé suficiente para fazer essa declaração em todos os momentos da nossa vida?

A caminhada de Jesus é também a nossa. Haveremos de enfrentar as mais difíceis e dolorosas circunstâncias. Seremos incompreendidos muitas vezes, perseguidos e até mortos. Mas, assim como Jesus, devemos nos manter firmes e resolutos em fazer toda a vontade de Deus, sorvendo até a última gota do cálice das aflições. Ele não é apenas o nosso modelo, mas também a nossa força na tribulação, o nosso abrigo no temporal e a nossa esperança eterna. Bendito seja o nosso Deus, que nunca nos desampara. Amém!

 

Utilização livre desde que citando a fonte
Guedes, Ivan Pereira
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Referências Bibliográficas

MAGGIONI, Bruno. Os relatos evangélicos da Paixão. Tradução Bertilo Brod. São Paulo: Paulinas, 2000. (Coleção: Espiritualidade sem fronteiras).

SAUER, Errich. The Triumph of the Crucified - A Survey of the History of Salvation in the New Testament. Translated by G. H. Lang. Eerdmans Publishing, 1985. [p. 22 versão PDF].

SAULNIER, Christiane & ROLLAND, BernardA Palestina nos tempos de Jesus. 7ª ed. São Paulo: Paulinas, 1983.

SCHUBERT, Kurt. Os Partidos Religiosos Hebraicos da época Neotestamentária. 2 ed. São Paulo: Paulinas, 1979.

SPEIDEL, Kurt A. A sentença de Pilatos. São Paulo: Paulinas, 1982.


quarta-feira, 24 de janeiro de 2024

EVANGELHOS EM IMAGEM – Parábola do Semeador


Os três primeiros relatos evangélicos contidos no nosso Novo Testamento (Segundo Testamento) são chamados de “sinóticos”, pois os escritores registram o mesmo acontecimento, mas cada um deles o faz por uma ótica distinta, utilizando um vocabulário próprio (ainda que bastante semelhante) e o faz dentro da organização literária própria. Portanto, eles não utilizam apenas tipo - cópia e cola -, mas na leitura de cada uma temos lições próprias a serem extraídas (para isso é necessário examinar atentamente o contexto em que são inseridas).

PARABOLA DO SEMEADOR

Mateus 13.1-9

Marcos 4.1-9

Lucas 8.4-8

1-No mesmo dia, tendo Jesus saído de casa, sentou-se à beira do mar

2-e reuniram-se a ele grandes multidões, de modo que entrou num barco, e se sentou e todo o povo estava em pé na praia.

3-E falou-lhes muitas coisas por parábolas, dizendo: Eis que o semeador saiu a semear.

4-e quando semeava, uma parte da semente caiu à beira do caminho, e vieram as aves e comeram.

5-E outra parte caiu em lugares pedregosos, onde não havia muita terra: e logo nasceu, porque não tinha terra profunda

6-mas, saindo o sol, queimou-se e, por não ter raiz, secou-se.

7-E outra caiu entre espinhos e os espinhos cresceram e a sufocaram.

8-Mas outra caiu em boa terra, e dava fruto, um a cem, outro a sessenta e outro a trinta por um.

9-Quem tem ouvidos, ouça.

 

1-Outra vez começou a ensinar à beira do mar. E reuniu-se a ele tão grande multidão que ele entrou num barco e sentou-se nele, sobre o mar e todo o povo estava em terra junto do mar.

2-Então lhes ensinava muitas coisas por parábolas, e lhes dizia no seu ensino:

3-Ouvi: Eis que o semeador saiu a semear

4-e aconteceu que, quando semeava, uma parte da semente caiu à beira do caminho, e vieram as aves e a comeram.

5-Outra caiu no solo pedregoso, onde não havia muita terra: e logo nasceu, porque não tinha terra profunda

6-mas, saindo o sol, queimou-se e, porque não tinha raiz, secou-se.

7-E outra caiu entre espinhos e cresceram os espinhos, e a sufocaram e não deu fruto.

8-Mas outras caíram em boa terra e, vingando e crescendo, davam fruto e um grão produzia trinta, outro sessenta, e outro cem.

9-E disse-lhes: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

 

4-Ora, ajuntando-se uma grande multidão, e vindo ter com ele gente de todas as cidades, disse Jesus por parábola:

5-Saiu o semeador a semear a sua semente. E quando semeava, uma parte da semente caiu à beira do caminho e foi pisada, e as aves do céu a comeram.

6-Outra caiu sobre pedra e, nascida, secou-se porque não havia umidade.

7-E outra caiu no meio dos espinhos e crescendo com ela os espinhos, sufocaram-na.

8-Mas outra caiu em boa terra e, nascida, produziu fruto, cem por um. Dizendo ele estas coisas, clamava: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

 

 

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sexta-feira, 15 de setembro de 2023

Evangelho Segundo Marcos. Três Grandes Eixos Temáticos


O Evangelho escrito por João Marcos pode ser o menor entre as quatro narrativas evangélicas, todavia seu conteúdo é tão abrangente quanto ao dos seus colegas. E uma característica peculiar dele é o seu ritmo empolgante. Nele encontramos um Jesus Cristo em constante ação e movimento. A ideia é de que Jesus tinha plena consciência do pouco tempo, para tanto que Ele tinha a realizar.

Muitos estudiosos, entre os quais eu me incluo, entendem que esse foi a primeira narrativa a circular entre as comunidades cristãs espalhadas por quase todo território do Império Romano. E seu propósito é oferecer um material seguro para os novos cristãos, principalmente aqueles que não tinha nenhum conhecimento da região da Palestina Judaica e menos ainda do conteúdo das Escrituras do Primeiro Testamento (Antigo Testamento).

Outro proposito é de oferecer um material seguro para que esses novos cristãos não viessem a serem iludidos por outras versões apócrifas que já começavam a circular ou mesmo das transmissões orais que corriam o grande perigo de aumentarem ou minimizarem os acontecimentos relacionados a Jesus Cristo e seu ministério.

Por fim, João Marcos, assim como seus três companheiros evangélicos, quer deixar claro para seus leitores neófitos que tudo que envolve a pessoa e obra de Jesus nunca foram aleatórios, mas tudo e todos os detalhes estão vinculados e subordinados ao Projeto Salvífico estabelecido por Deus e registrados nas Escrituras veterotestamentária. Seus milagres, seus ensinamentos em forma parabólico ou discursos diretos (sermões), incluindo todos os detalhes da sua morte e ressurreição expressão em grau, gênero e número seu compromisso com a vontade do Pai.

João Marcos utiliza três eixos narrativos que se amalgamam ou se entrelaçam como fios coloridos nos proporcionando um texto colorido e lindo, conforme abaixo podemos perceber.

TRÊS EIXOS NARRATIVOS

Milagres

Ensinos Parabólicos

Discursos e/ou Sermões

1. Libertação endemoniado Cafarnaum 1.23-28

2. Cura da sogra de Pedro1.29-31

3. Cura de um leproso 1.40-45

4. Cura de um paralítico 2.3-12

5. Cura de uma mão ressequida 3.1-5

6. Domínio sobre uma tempestade 4.35-41

7. Libertação do endemoniado de Gadara 5.1-20

8. Ressurreição da filha de Jairo 5.22-24,35-43

9. Cura de uma mulher com um problema de fluxo de

sangue 5.25-34

10. Alimentação de cinco mil pessoas 6.35-44

11. Caminhando no mar 6.45-52

12. Cura da filha da mulher Sirofenícia 7.24-30

13. Cura do Homem Surdo e Mudo 7.31-37

14. Alimentação de Quatro Mil 8,1-9

15. Cura do Cego em Betsaida 8.22-26

16. Livramento do Menino Lunático 9.14-29

17. Cura do cego Bartimeu 10.46-52

18. Maldição da Figueira 11.12-14

1. Pescadores de Homens 1.16-17

2. O doente e o médico 2.17

3. O Noivo 2.19-20

4. Pano Novo e Velho 2.21

5. Vinho Novo e Barril Velho 2.22

6. O Reino Dividido 3.24

7. A Casa Dividida 3.25

8. Superando o Homem Forte 3.27

9. O Semeador 4.2-8

10. A Lâmpada 4.21-22

11. A Semente crescendo secretamente 4.26-29

12. Grão de Mostarda 4.30-32

13. Contaminação Interna 7.14-23

14. Membros Infratores 9.43,45,47

15. Lavradores perversos 12.1-9

16. A Pedra Rejeitada 12.10-11

17. A Figueira 13.28-29

18. O Porteiro 13.34-37

 

1. O Dia do Senhor 2.23-28

2. O Pecado Imperdoável 3.28-29

3. "Quem é Minha Mãe e Meu Irmão?" 3.33-35

4. Adoração Cerimonial 7.1-23

5. Condição para segui-lo 8.34 - 9.1

6. Humildade, Tolerância e Ofensas 9.33-50

7. Divórcio 10.1-12

8. Riquezas, Autos sacrifício e Recompensa 10.17-31

9. Verdadeira Grandeza 10.13-16,35-45

10. Fé e Oração 11.23-26

11. Tributos a César 12.13-17

12. A Ressurreição 12.18-27

13. Os Grandes Mandamentos 12.28-36

14. "Cuidado com os escribas" 12.34-40

15. Ofertas 12.41-44

16. A Segunda Vinda 13.1-27

17. A Instituição da Última Ceia 14.22-25

18. A Grande Comissão 16.15-18

 

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sábado, 22 de julho de 2023

EVANGELHO SEGUNDO MARCOS – Síntese por Capítulos

 

               Todos os esboços se constituem em uma forma de leitura rápida de um livro bíblico (ou não). Aqui temos os pontos centrais da narrativa capítulo a capítulo nos permitindo ter uma visão panorâmica de cada um. Evidente que está leitura não substitui a leitura integral do texto, mas ajuda a localizar os diversos temas dentro da narrativa e assim facilitar a identificação dos temas centrais e seus subtemas. Boa leitura!

Capítulo

 

1

A Missão de João Batista. Sua pregação no deserto. Seu Batismo no rio Jordão. O Batismo de Jesus e a Manifestação do Pai e do Espírito. A tentação. Início ministério de Cristo na Galileia começou. O Chamado dos primeiros discípulos. A expulsão de um espírito impuro. A fama de Jesus aumenta em toda Galileia. Cura da sogra de Pedro. Jesus retira-se para orar. Pregação por toda a Galileia. A cura de um leproso.

2

A cura de um homem paralítico. Jesus é acusado de blasfêmia. O Chamado de Mateus. A refeição na casa de Mateus. Os são não precisam de um médico, mas sim os doentes. Jesus fala sobre o jejum. Parábola: Vinho Novo em barris velhos. Colher milho no dia de sábado. O Filho do Homem, Senhor do sábado.

3

Cura de um homem da mão ressequida. Os fariseus e herodianos se unem. Jesus nomeia o grupo dos Doze. A blasfêmia de atribuir seu poder divino a Belzebu. O pecado que não tem perdão. A mãe e irmãos de Jesus.

4

Parábola do Semeador a boa semente, os tipos de solo - duro, pedregoso, espinhoso e o bom solo. A explicação da parábola. A vela debaixo de um alqueire. Parábolas: da semente crescendo secretamente, grão de semente de mostarda. A tempestade no mar.

5

Jesus na região dos Gadarenos. O rapaz possesso. Os Demônios entram nos suínos. Os Gadarenos expulsam Jesus. O jovem liberto prega na região de Decápolis. Jesus retorna para cidade de Cafarnaum. A ressurreição da filha de Jairo, chefe da sinagoga. A cura da mulher com a fluxo de sangue.

6

Cristo em Nazaré, ensina na Sinagoga e é rejeitado pelos nazarenos. Os Doze são enviados para pregar e trazem o relatório de sua pregação e trabalho. A opinião do rei Herodes sobre Jesus. Relato da morte de João Batista. Alimentando Cinco Mil pessoas em lugar ermo. Jesus vai orar no monte sozinho. Os discípulos enfrentam uma grande tempestade e Jesus vem ao encontro deles e acalma a tempestade. Jesus realiza diversas curas.

7

Os escribas e fariseus de Jerusalém observam todos os movimentos de Jesus. É acusado de não efetuar a lavagem cerimonial de lavar as mãos antes de comer. Jesus os acusa de tornarem nula a lei de Deus pela tradição. Ensina que o que contamina uma pessoa é o que sai do coração. Jesus sentindo ameaças de morte vai para as fronteiras de Tiro e Sidon. A Mulher Siro-Fenícia. Cura em Decápolis.

8

Uma vez mais Jesus se compadece e alimenta uma grande multidão. Líderes religiosos judaicos pedem um Sinal do Céu. Um cego é curado em Betsaida. Confissão de Pedro em Cesareia de Filipe. Jesus fala de sua morte e sepultamento como cumprimento da profecia relacionada ao Filho do Homem. É preciso tomar a Cruz para poder seguir a Cristo.

9

A transfiguração. Os ensinamentos sobre Elias. A cura do menino lunático. Jesus lhes fala novamente sobre o que vai lhe acontecer em Jerusalém. Os discípulos discutem sobre quem era o maior. Uma pessoa desconhecida expulsa demônios em nome de Jesus. Uma coleção de máximas independentes proferidas por nosso Senhor conclui o capítulo.

10

Jesus passa pela região da Jordânia e inicia sua última subida à Jerusalém. A polêmica dos fariseus com Jesus sobre o divórcio. A Lei de Moisés e a de Cristo. Jesus abençoa as criancinhas. O Jovem Rico se afasta triste e o alerta do perigo das riquezas. Recompensa daqueles que tudo abandonam pelo evangelho. O pedido ambicioso da mãe de Tiago e João. Novamente Jesus alerta os discípulos sobre o que vai lhe acontecer em Jerusalém. Ao passar por Jericó o cego Bartimeu é curado.

11

A Entrada triunfal em Jerusalém. A figueira estéril amaldiçoada. A segunda purificação do Templo. A indignação dos governantes judeus. O Poder da Fé. A exigência dos governantes para saber de onde vem a autoridade de Jesus. Seus opositores se calam quando Jesus lhes pergunta de onde vinha a autoridade de João Batista.

12

A Parábola da Vinha e os Lavradores Perversos. Profecia da inclusão dos Gentios. Os herodianos e fariseus tramam contra Jesus. A questão do tributo [imposto] a César. Polêmica dos Saduceus sobre a Ressurreição dos mortos. Qual é o maior mandamento? Cuidado com fermento dos escribas. A oferta da viúva.

13

A Destruição do Templo e sua reconstrução em três dias [referindo-se à sua própria morte e ressurreição]. A Perseguição aos discípulos. O Evangelho pregado a todas as nações. As terríveis calamidades da nação judaica. A retorno de Cristo para julgar. O seu retorno em poder e glória está definido somente pelo Pai. Vigiai, orai e estai prontos.

14

O Sinédrio (autoridade máxima do judaísmo] determina matar Jesus. A Unção em Betânia (dois dias antes de sua morte). Judas vende seu Mestre. O Dia do Pão Ázimo. A Páscoa do Senhor. O Senhor estabelece a Ceia. A negação de Pedro revelada. A agonia no Jardim. Cristo traído e preso pelos Soldados da Guarda do Templo. Cristo diante do Sinédrio. A Confissão e a Condenação. Pedro negando-o três vezes, e arrepende-se amargamente.

15

Jesus enviado pelo Sinédrio a Pilatos. A multidão, instigada pelos sacerdotes, clama por sua morte. Eles rejeitam Jesus e exigem a liberdade de Barrabás. Jesus entregue para Ser Crucificado. A coroa de espinhos, cuspido e zombado. Crucificado no Gólgota entre ladrões. Ridicularizado pelos sacerdotes. Jesus morre. O Véu do Templo rasga-se de alto a baixo. A Confissão do Centurião romano. O corpo de Jesus é sepultado no túmulo de José de Arimatéia.

16

As Mulheres vão ao Túmulo. O SEPULCRO ESTÁ VAZIO. A Mensagem do Anjo. Maria Madalena vê o Senhor ressuscitado. A Mensagem aos Discípulos. Visto por dois discípulos de Emaús. Aparece ao onze. Repreende sua incredulidade. Ordena que preguem o Evangelho em todo o mundo. Ascensão de Jesus diante dos olhos atônitos dos discípulos.

 

Utilização livre desde que citando a fonte

Guedes, Ivan Pereira

Mestre em Ciências da Religião.

Universidade Presbiteriana Mackenzie

me.ivanguedes@gmail.com

Outro Blog

Historiologia Protestante

http://historiologiaprotestante.blogspot.com.br/

 

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