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quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Rute (Capítulo 2) Sumário e Reflexão


No transcorrer das colheitas as famílias deveriam trazer suas ofertas de cereais e oferecer um novilho sem defeito como sacrifício ao Senhor (Lv 23.10-12). E pelo fato da história de Rute e Noemi ocorrer durante um destes períodos de colheita, posteriormente a leitura desta narrativa passou a ser feita dentro do calendário religioso israelita/judaico no transcorrer dos dias da Festa do Pentecostes, que originalmente era Festa das Colheitas, que acontecia cinquenta dias após a Festa da Páscoa.  A referência no último verso do capítulo primeiro “e chegaram [Noemi e Rute] a Belém no principio da sega da cevada” abre o caminho para a narrativa dos acontecimentos seguintes, pois é justamente nos dias desta colheita que Rute haverá de sair para conseguir o alimento necessário para a sobrevivência delas.

Sumário
1- 7 Rute colhe no campo de Boaz. Quando Deus promulga a Lei que regeria as relações sociais deles, se faz provisão para o pobre e para a viúva. Todos os proprietários de terra foram instruídos para não colherem integralmente seus campos. Todas as espigas e frutas caídas eram deixadas para os desvalidos, que após o cessar dos trabalhadores podiam entrar e recolhe-las para seu sustento (Lv 19.9 ss). Rute toma seu lugar entre os desprovidos e no final de cada dia ela vai apanhar as espigas que haviam caído e deixadas para trás.
8-16 Rute é tratada amavelmente por Boaz. Em uma dessas tardes o dono das terras foi verificar como estava transcorrendo sua colheita e sua atenção foi atraída para a pessoas de Rute. Informado de que se tratava da nora de uma parenta próxima (Noemi) e tomando conhecimento da atitude de Rute em não abandonar a sogra à própria sorte, sensibiliza-se e a convida para que fizesse a refeição do dia juntamente com os seus trabalhadores e mais ainda, Boaz orienta seus ceifeiros para deixassem cair mais espigas nos corredores onde Rute haveria de colher no final do dia.
17-23 Naomi toma conhecimento da bondade de Boaz. O resultado do trabalho de Rute nos campos de Boaz trouxe grão suficiente para atender às necessidades imediatas das duas mulheres. Noemi agradece a Deus que Rute tenha recebido um tratamento tão gentil e a encoraja a trabalhar apenas nos campos de Boaz. Por essa razão, Rute ficou com os trabalhadores nos campos de Boaz até o final da colheita.

Lições para Reflexão
1. Trabalhadores e Patrões são compatíveis (2.4). Quando Boaz veio verificar o trabalho da sua colheita, ele cumprimenta seus trabalhadores declarando que o Senhor estaria com eles e os trabalhadores respondem declarando que Deus abençoaria seu patrão. Aqui está uma relação trabalhista que deveria servir de modelo para todas as demais relações semelhantes.
2. Uma boa reputação é o melhor cartão de visita. Quando Boaz foi conversar com Rute, ela foi humilde diante dele. Ela ficou surpresa de que ele tenha prestado atenção nela, visto que ela era uma estrangeira. Boaz respondeu que ele tinha ouvido de como ela havia tratado gentilmente sua sogra após a morte do marido dela. Ele tinha tomado conhecimento de como Rute escolheu voluntariamente deixar seu pai e mãe e a sua terra para vir com Noemi para uma terra estrangeira. Tudo isso demonstrava o caráter de Rute, ou seja, o tipo de pessoa que ela era.
3. Conflitos de gerações não precisam ocorrer. Muito se discute hoje sobre a questão dos adolescentes. Eles acreditam que entram em uma momento mágico da vida, pois não são mais crianças, mas também ainda não são adultos. Essa fase trás inúmeros embates com os mais velhos, que são vistos com desconfiança por parte destes jovens e por isso se recusam a ouvir os conselhos dos mais velhos que são mais sábios e experientes na vida. Rute não tomou essa atitude. Ela tinha em Noemi uma conselheira. Ela ouviu e fez conforme a orientação da mais velha. O filho de Salomão ao assumir o trono do pai desprezou o conselho dos mais velhos e se associou com a turma de sua geração, acabou dividindo a nação. Cada geração deve olhar para outra com amor e respeito, tanto dos jovens para com os mais velhos, quanto dos mais velhos para com os jovens – assim todos acabam ganhando.


Utilização livre desde que citando a fonte
Guedes, Ivan Pereira
Mestre em Ciências da Religião.
me.ivanguedes@gmail.com
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quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Rute (Capítulo 1) Sumário e Reflexão


Sumário
1- 5 Dez anos trágicos em Moabe. Elimeleque e sua esposa Noemi, juntamente com seus dois filhos Malom e Quiliom, deixaram a vila de Belém (Judá) em decorrência de uma forte seca que a terra mais nada produzia e a família não tinha como se manter. Conforme informação do texto eles habitaram em Moabe por um período de dez anos. Mas foi um tempo de perda! Primeiramente morre Elimeleque. Seus dois filhos haviam se casado com moças moabitas: Malom casou-se com Rute e Quiliom com Orfa. Mas ambos morreram de maneira que Noemi ficou sozinha com as duas jovens viúvas, sem filhos.
6-14 Diante de um quadro tão deprimente Noemi  toma a decisão de retornar à sua terra natal a pequena e singela Belém de Judá. Ela encoraja as duas noras a permanecerem em Moabe junto aos seus familiares, pois nada mais tinha a oferecer a elas em termos de amparo. Depois de um tempo Orfa resolver permanecer e beijando Noemi se separaram.
15-22 Apesar da desistência de Orfa a outra nora Rute permanece resoluta em viajar com sua sogra, e suas palavras amorosas tem ressoado como votos em muitos casamentos. O amor de Rute por Noemi é um modelo de um amor persistente que não se rompe pelas circunstâncias extremas e nem pelas perspectivas das lutas e dificuldades que se anteveem. Assim elas empreendem sua longa e solitária jornada desde a  Jordânia até Belém de Judá.

Lições para Reflexão
1. Sem pão na "casa do pão". Belém significa "casa do pão". Houve uma fome na terra, e não havia pão na "casa do pão". Muitas situações da vida são semelhantes a esta. Quanta decisão se toma forçada pelas circunstâncias adversas. Noemi havia perdido tudo em Moabe e retornar à casa do pão era a melhor perspectiva que Noemi tinha apesar de ser vergonhoso para ela retornar nessas circunstâncias. Retornar a casa nos faz lembrar a parábola do “Filho Pródigo” que depois de perder tudo, restou-lhe apenas uma esperança: retornar à casa do pai!
2. "O teu Deus será meu Deus". Rute encontrou mais em Naomi do que uma sogra preocupada e conscienciosa. Na sua convivência com a família de Elimeleque, especialmente seu casamento com Malom, ela havia chegado ao ponto de romper com sua herança familiar, seus amigos e sua religião. Ela havia encontrado o Deus verdadeiro e não haveria de abrir mão dessa nova fé. Quando os membros de uma família são convictos de sua fé e mantém sua relação firme com Deus, nenhuma circunstância é suficiente para desanima-los. Enquanto os israelitas abriam mão facilmente de seu Deus, Rute torna-se um modelo de crente genuína.
3. Chame-me de "Mara". Quando Naomi chegou a sua vila de Belém-Judá, muitos membros mais velhos da comunidade lembraram-se dela e a se alegraram com o retorno dela. Mas diante dos acontecimentos – viúva e sem filhos – eles perguntavam se era de fato a mesma Noemi de dez anos atrás. Assim, ela resolve mudar seu nome de Noemi par Mara (amarga). De alguma maneira ela entendia que Deus havia tratado ela de forma muito dura. É sempre difícil entendermos e aceitarmos as adversidades que nos sobrevém, e sempre acabamos direcionando nossa frustração para Deus (infelizmente não fazemos o mesmo quando as coisas vão bem). Poucos crentes são capazes de mediante as perdas declararem como Jó: “Deus deu, Deus tirou, BENDITO SEJA O NOME DO SENHOR!”. Noemi como a grande maioria de nós optou pelo caminho mais fácil – mudar o nome – e assumirmos nossa amargura!

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Guedes, Ivan Pereira
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sábado, 16 de abril de 2016

SÍNTESE BÍBLICA – Profeta Joel

            Os livros proféticos que compõem a primeira parte da Bíblia Cristã, que chamamos de Antigo Testamento, e que também se constitui na Bíblia Hebraica, não foram organizados de forma cronológica, mas foram colocados em uma ordem lógica. Desta forma temos os profetas que produziram mais material escrito (Isaías a Daniel) denominados de Profetas Maiores e depois na sequência temos doze profetas que deixaram menos material escritos (Oséias a Malaquias) denominados de Profetas Menores. Portanto, a única distinção entre eles é somente a quantidade de material escrito que deixaram e jamais a qualidade e valor de suas mensagens proferidas.
            Nestas sínteses haveremos de seguir uma ordem cronológica, esclarecendo de antemão que é uma proposta dentre tantas outras possíveis de serem estabelecidas, diante da enorme dificuldade de datar alguns destes escritos. Mas creio que mediante uma pesquisa acadêmica consistente é possível nos aproximarmos muito das datas originais quando essas mensagens foram anunciadas.
            Uma última observação geral é que todos os livros proféticos foram produzidos no período histórico quando a nação israelita já estava dividida em dois reinos: Israel era o Reino do Norte, cuja capital era Samaria; Judá era o Reino do Sul, cuja capital era Jerusalém.

Profeta Joel
           
Joel nasceu em Judá (Reino do Sul) e muito provavelmente tenha ouvido ou tomado conhecimento do profeta Elias e suas contundentes mensagens dirigidas ao rei Acabe e mais precisamente à rainha Jezabel, que haviam introduzido e proliferado, por toda nação, o famigerado culto ao deus Baal. E com certeza acompanhou o ministério profético de Eliseu que o sucedeu. Estes dois profetas de Judá tornaram-se o protótipo de oficio profético bíblico. E foi espelhando-se nesses antecessores que Joel proclama sua mensagem advinda da parte de Deus para os moradores de Judá.
            Sua famosa visão da praga de gafanhotos (2.2), compartilhada também por Sofonias (1.14-16), que sobreviria sobre a nação desobediente, tornou-se símbolo da manifestação do juízo divino, e apontava desde então para o vindouro grande e terrível “Dia do Senhor” (cf. Is 2.10).
            Diversos estudiosos localizam o ministério profético de Joel entre 835-796 a.C., durante o reinado de Joás, inicialmente tutelado pelo sumo sacerdote Jeoiada (2Rs 11.1 – 12.21; 2Cr 22 a 24). Corrobora esta data o fato de que diversos profetas fazem citação da mensagem de Joel (Am 9.13 e Jl 3.18; Is 13.6, 9, 10 e Jl 1.15; 2.1, 10; Sf 1.14, 15 e JI 2.1, 2; Ez 47.1 e Jl 3.18; Ob 17 e Jl 2.32). Ainda um último argumento para definir a data dessa profecia está no fato de que Joel registra como inimigos da nação os fenícios (3.4), os edomitas, e os egípcios (3.19), mas não faz nenhuma referência aos assírios ou aos babilônios, o que pode indicar que ele escreveu antes destas potências terem exercido seu domínio sobre a região, de maneira que ele pode ser colocado entre os primeiros profetas, como contemporâneo de Oséias e Amós.
Há pouco informação pessoal sobre o profeta, o que é uma característica da maioria dos escritos bíblicos, pois mais importante do que o porta-voz é a mensagem e aquele que lhe comunica a mensagem a ser proclamada. Seu nome Amós é um nome comum, amplamente difundido entre as tribos de Israel, mas teologicamente importante quando considerado em sua etimologia “Yahweh é Deus” tornando-se também o indicativo da vocação e da mensagem do profeta. Seu pai chama-se Petuel [Deus liberta] (Jl 1.1)[1] e suas diversas referências a Sião, Judá e Jerusalém (2.15, 23, 32; 3.1) indicam que era morador e exerceu seu oficio profético em Judá.
Sua mensagem aponta para uma perspectiva escatológica. Ele de forma peculiar e poeticamente bela parte de uma catástrofe muito natural naquela região e época no Oriente – a invasão de gafanhotos – para ilustrar o juízo eminente que estava por vir sobre a nação judaica rebelde e apostata no que concerne à Aliança que Deus havia estabelecido com ela. Para o profeta a devastação inigualável produzida pelas hordas de gafanhotos, pois deixavam a terra totalmente assolada, era o retrato perfeito do que haveria de ser para Judá e as demais nações ao redor o que ele denomina de o “Grande e Terrível Dia do Senhor” (Jl1.15; 2.1, 2, 11 e 31). Quando a graça e o amor não são suficientes para motivar o povo de Deus à obediência e conformidade com o padrão estabelecido quando da Aliança, resta somente o último recurso da manifestação de Seu juízo sobre eles, para que se arrependam e convertam-se à Deus.
Esse “Dia” escatológico é um período de tempo não delimitado e que posteriormente será retomado por Daniel (9.24-27) e também referido por Jesus (Mt 24.29-30); Pedro (2Pe 3.10-13) e João (Ap 7 ss.).[2] Sua mensagem pode ser dividida em duas partes: (1.1-2.17) exortação quanto ao julgamento eminente de Deus, um apelo ao arrependimento e a consequente promessa de restauração; (2.18-3.21) alerta que a praga de gafanhotos, por mais horrível e devastadora que pode ser, não é nada comparada ao julgamento de Deus que está por vir se não se arrependerem. O profeta afirma que esse tempo de juízo de Deus não será somente sobre Judá, mas também sobre todas as nações do mundo, pois todos terão que comparecer diante de Deus.

Esboço Básico
1.    A primeira divisão da profecia (1:1-2:27)
a.    Arrependimento: o profeta pede que o povo se desperte, chore e lamente (1:5-12)
b.    Função dos sacerdotes: conclamar o povo para um arrependimento nacional (1:13-14). Então o profeta menciona a tese da sua mensagem, o dia do senhor está perto (1:15).
c.    Alerta Geral: a trombeta deve ser tocada em Sião, para que o povo seja alertado de que o dia do senhor já está próximo (2:1-2).
d.    Conversão Genuína: o povo é convidado a converter-se ao Senhor de todo coração; a rasgar o coração, e não as suas vestes (2:12-14).
O Senhor sempre estará disposto a exercer sua compaixão, mediante um arrependimento sincero e se compromete a remover os gafanhotos, suprir suas necessidades e retirar seu opróbrio de diante das nações.
2.    Segunda divisão da sua mensagem (2:28 – 3:21)
a.    O derramamento do Espírito do Senhor; os sinais do dia do Senhor; o livramento dos fiéis de Jerusalém; o julgamento divino das nações, e as bênçãos divinas de Judá.
b.    Nos versículos 28 e 29, o Senhor promete derramar do seu Espírito sobre todas as idades e todas as classes do seu povo.

Joel segue o modelo dos profetas contemporâneos, olhando sempre com esperança para o futuro. Nas descrições das circunstâncias históricas das duas partes da mensagem percebe-se a unidade do livro.

Estatísticas:
O livro de Joel é o 29º livro da Bíblia; 7º dos livros proféticos [Isaías-Malaquias]; 2º dos 12 profetas menores [Oséias-Malaquias]; contém 3 capítulos; 73 versículos; 2.034 palavras.

Cronologia[3] Histórica
A elaboração de uma cronologia dos fatos históricos da bíblia é sempre um exercício difícil, pois nem sempre os acontecimentos são demarcados com indiscutível exatidão. Mesmo com o avanço expressivo da ciência arqueológica há muito que ignoramos da época Patriarcal (Genesis), dos primórdios de Israel e seu estabelecimento em Canaã (Êxodo-Rute). A partir da Monarquia (Davi) a cronologia começa a ter maior grau de exatidão e conciliação com a História geral da época.
Uma cronologia dos profetas encontra as mesmas dificuldades acima mencionada, pois raramente o redator da mensagem estabelece marcos cronológicos indiscutíveis, mas abaixo indicamos uma cronologia mais conservadora e indicando quando necessário outras opções abalizadas.
Cronologia Profetas
História a.C.
História Geral a.C.
O Reino Unido
Período Média da Assíria[1] (1273 – 1076)
Tukulti- Ninurta I (1244 – 1208)
- Promoveu um saque à Babilônia (1235)

Tiglate-Pileser I (1115 – 1076)
- Ampliou os domínios assírios até o Líbano, mas após sua morte o império declina.

Renascimento do Império Assírio (1076 – 750)
Este ciclo é o apogeu do poder Assírio quando domina a Mesopotâmia, a Síria, a Fenícia, a Palestina (Israel), o Egito.

Adad-nirari II (....) assume o trono dos assírios e inaugura uma dinastia que se preocupa com o fortalecimento do reino, preparando as bases para o estabelecimento de um poderoso Império Assírio, que viria a se concretizar cerca de 200 anos mais tarde.

Assurbanipal I (883 – 859)
- grande expansão ao sul e ao oeste da Mesopotâmia

Salmaneser II (859 – 823)
- a partir da batalha de Carca, em 853, dominou diversas áreas a oeste, inclusive Israel.


Reinado de Saul (1050 – 1010)
Reinado de Davi (1010 – 970)
Reinado de Salomão (970 – 931)
O Reino Dividido
JUDÁ (Jerusalém)
Reino do Sul
ISRAEL (Samaria)
Reino do Norte
Roboão (931 – 913)
Abias (913 – 911)
Asa (911 – 870)
Jeroboão I (931 – 910)
Nadabe (910 – 909)




Josafá (870 – 848)
Baasa (909 – 886)
Elá (886 – 885)
Zinri (885)
Onri (885 – 874)
Acabe (874 a 853)

[Profeta Elias]

Acazias (853 – 852)

[Profeta Eliseu]

Jeorão (848 – 841)
Acazias (841)
Atalia (841 – 835)
Joás (835 – 796)

[Profeta Joel]
Jorão (852 – 841)
Jeú (841 – 814)

Jeoacaz (814 a 798)

Amazias (796 - 781)
Uzias (781 – 740)



[Profeta Isaías]

Jeoás (798 – 783)
Jeroboão II (783 – 743)

[Profeta Jonas]
[Profeta Amós]
[Profeta Oséias]



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Guedes, Ivan Pereira
Mestre em Ciências da Religião.
Universidade Presbiteriana Mackenzie
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[1] A Septuaginta e a Peshita traduzem por Betuel (cf. Gn 2.7-9).
[2] Esse espaço não possibilita a discussão dessa profecia.
[3] A palavra portuguesa “cronologia” vem da grega khro·no·lo·gí·a (de khró·nos, tempo e lé·go, dizer ou contar), isto é, “o cômputo do tempo”.
[4] Os assírios eram um povo semita estabelecido, originalmente, no norte da Mesopotâmia, na região do alto Rio Tigre. Nesta época, sua principal cidade era Assur e eles alternavam períodos de independência com outros em que eram rebaixados a um mero estado-vassalo.

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

SÍNTESE BÍBLICA – Rute

            Este pequeno e singelo livro é de uma beleza encantadora. É impossível para qualquer leitor não se envolver nesta história de duas mulheres, sogra e nora, que privadas de tudo que lhes pudesse dar algum conforto, aprendem a viver dia a dia na dependência dos recursos de Deus. O testemunho de fé de Rute, uma moabita, é um raio de sol na escuridão da incredulidade dos israelitas, chamados de povo de Deus.
O escritor constrói a história de forma delicada e discreta. É possível encontrar ao menos quatro cenas centrais, com suas respectivas interligações, de maneira que não seria difícil transformar a história em um drama (peça) em quatro atos.
O autor recria uma atmosfera de vila interiorana, onde todos se conhecem e compartilham da vida uns dos outros. O tempo é medido pelas atividades agrícolas, e termina com o ápice da fecundidade humana. Nesse ambiente se desenvolve o processo de profunda tristeza [doença/morte] para a extrema felicidade [nascimento/vida], da perda à plenitude.
            O livro recebeu o título do personagem central da narrativa – Rute. O cenário histórico é determinado no primeiro verso: “Nos dias em que julgavam os juízes”, ou seja, em um dos períodos mais decadentes da fé israelita, destaca-se a fé de uma mulher estrangeira, que apesar de todos os infortúnios que a vida lhe reservou, em nenhum momento barganha com Deus ou se põe a lamentar contra Deus, ao contrário, em todo o tempo ela mantém-se firme em sua convicção de que o único Deus verdadeiro e no qual pode esperar auxílio é o Deus de Israel (Noemi).
            Enquanto na Bíblia Cristã esse pequeno livro vem logo após o de Juízes, na Bíblia Hebraica ele é deslocado para a terceira e última parte do cânon, denominado de Escritos, juntamente com outras literaturas produzidas em um período posterior. Esse pequeno livro era lido no transcorrer da festa de Pentecostes, uma das mais importantes do calendário religioso israelita.
            A história de Rute não é apenas um registro histórico do povo israelita durante o período dos juízes, mas contém alguns princípios relevantes da teologia bíblica do Antigo Testamento. Começa por inserir a figura de outras nacionalidades, no caso especifico os cidadãos de Moabe, na Aliança inicialmente estabelecida por Deus com a nação de Israel. E mais ainda, Rute não apenas entra na Aliança, como vai ser inserida na linhagem direta do Messias, pois seu filho com Boaz será o avó do rei Davi, cujo o trono será estabelecido para sempre, conforme promessa divina e do qual haverá de vir (veio) o Messias que reinará para sempre sobre todas as nações. E por fim, a figura de Boaz (gaal) “parente próximo” que detinha o direito de resgatar a dívida e assim restituir à Noemi/Rute o direito de sua propriedade, tipifica a pessoa e obra de Jesus, que como nosso “parente próximo” (quando de sua encarnação – assumindo a plenitude de nossa humanidade) resgata as nossas dívidas e nos dá o direito de usufruirmos das bênçãos eternas.
            Nestes dias de tanta tensão e violência em relação à religião, esse pequeno livro torna-se um oásis de amor em meio ao deserto do ódio e violência. O amor sincero de Rute (moabita) por sua sogra Noemi (israelita) e a decisão de permanecerem juntas e professarem uma mesma fé, é algo extremamente significativo. Por mais de uma vez Noemi tenta dissuadir Rute de sua resolução, argumentando inclusive que ao retornarem para Belém a jovem viúva não deveria esperar mais do que repúdio e desconfiança em relação à sociedade israelita, pelo simples fato dela ser uma estrangeira. Entretanto, Rute permanece resoluta em sua decisão e reiterada vezes professa sua fé no Deus de Israel.
            Por fim, nesses últimos tempos, em que a “fé cristã” tornou-se um balcão de negócios; em que poucas pessoas demonstram genuína convicção naquilo que professam crer; em que se busca a todo custo a autossatisfação e o prazer hedonista é o deus principal no panteão vigente da sociedade brasileira, ler a história de uma jovem mulher que está disposta a crer contra todas expectativas é algo que deveria nos fazer refletir e reavaliar que tipo ou qual a qualidade da nossa fé.

Esboço Básico
I. Mudança da família de Noemi para Moabe (1.1-5)
Morte do marido e dos filhos de Noemi
II. Decisão de Noemi em retornar para Belém (1.6-17)
            Decisão de Rute e Orfa em ir com ela (1.8-10)
            Orfa decide retornar à casa de seus pais (1.11-14)
            Rute ratifica sua fé e permanece com Noemi (1.15-17)
III. A chegada e dificuldades para sobreviverem (capto 2)
            A bondade de Boaz para com Noemi e Rute
IV. A decisão de Rute em buscar ajuda de Boaz (capto 3)
            Boaz aceita reivindicar o direito de “parente próximo”
V. Boaz torna-se o resgatador de Noemi e Rute
            Casamento de Boaz e Rute (4.13)
            Nascimento de Obede [avó de Davi] (4.17)

Estatísticas: 8º livro da bíblia; 4 capítulos; 85 versos; não contém nenhuma mensagem específica de Deus.

Cronologia História
            A elaboração de uma cronologia dos fatos históricos da bíblia é sempre um exercício difícil, pois nem sempre os acontecimentos são demarcados com indiscutível exatidão. Mesmo com o avanço expressivo da ciência arqueológica há muito que ignoramos da época Patriarcal (Genesis), dos primórdios de Israel e seu estabelecimento em Canaã (Êxodo-Rute). A partir da Monarquia (Davi) a cronologia começa a ter maior grau de exatidão e conciliação com a História geral da época.
Cronologia Histórica
História de Israel
Historia Geral
Egito-Palestina na época do Bronze Antigo

Império Antigo (2600-2500)

Império Médio (2100-1730)

Mesopotâmia
3ª dinastia de Ur (2100-2000)

Código de Hammurabi
rei de Babilônia
(1800)

Patriarcas
Época do Bronze Médio
Chegada de Abraão em Canaã
(próximo de 1850)

Jacó e sua família sobem para o Egito
(próximo 1700)
Opressão dos israelitas no Egito
Moisés e Josué


Egito – Ramsés II

(1304-1238)
Batalha em Cades (1286)

Saída dos israelitas do Egito
A Promulgação da Lei – Monte Sinai
(próximo de 1250)

Me. ipg

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