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terça-feira, 5 de agosto de 2025

Leitura Devocional - Levítico: O Coração do Antigo Testamento (1.1-17)


 

Se você costuma pular o livro de Levítico na leitura bíblica, este artigo é para você. Frequentemente negligenciado, Levítico é na verdade o coração do Pentateuco. Veja sua posição central:

👉 Gênesis, Êxodo – Levítico – Números, Deuteronômio

🏕️ O Tabernáculo e a Dinâmica da Adoração

Levítico revela a rotina do Tabernáculo, recém-construído no final do livro de Êxodo. Mais que regras, ele apresenta a maneira certa de se aproximar de Deus. O livro mostra que a adoração não é uma improvisação humana, mas uma resposta obediente à vontade divina.

Infelizmente, muitos acreditam erroneamente que, por Jesus ter cumprido a Lei, não é necessário estudar Levítico. Mas Paulo lembra que “por intermédio da Lei vem o conhecimento do pecado” (Rm 3.20). E o profeta Jeremias já alertava: “enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente perverso” (Jr 17.9). Levítico expõe o pecado, tanto interno quanto externo, e aponta o caminho para a restauração.

🔥 Os Sacrifícios e a Comunhão com Deus

Nos cinco primeiros capítulos, Deus instrui como manter comunhão com Ele por meio de sacrifícios — sempre baseados em obediência e não em criatividade pessoal.

A adoração verdadeira é relacional: “a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo” (1Jo 1.3). Deus não aceita qualquer oferta, mas aquelas que refletem reverência, entrega total e obediência.

O Holocausto

  • Natureza voluntária: o sacrifício era oferecido espontaneamente.
  • Oferta pessoal e valiosa: o animal deveria ser perfeito.
  • Envolvimento íntimo: o adorador colocava a mão sobre o animal — simbolizando identificação e entrega.
  • Local exato: na entrada da Tenda do Encontro, destacando a importância do lugar e da forma corretos.

Paulo orienta que os crentes sejam “sacrifícios vivos” (Rm 12.1), enquanto Malaquias adverte contra ofertas imperfeitas (Ml 1.8). Já o sacrifício substituto de Abraão — quando Deus provê um carneiro no lugar de Isaque — aponta diretamente para Jesus, o Cordeiro que tira o pecado do mundo (Is 53.4–6).

✝️ Jesus: O Sacrifício Supremo

Esfolar e cortar o animal era mais que ritual — era símbolo da dor e entrega que culminariam em Cristo. O sofrimento físico e emocional de Jesus conecta-se ao rigor dos sacrifícios levíticos. O holocausto, descrito como “aroma agradável ao Senhor”, mostra que Deus se agrada da obediência sincera e da adoração moldada por Sua Palavra.

Jesus reforça essa verdade em Mateus 7.21–23: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos Céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus.”

✝️ Pare & Pense: Clique aqui para refletir sobre as perguntas do artigo.
  • Jesus anulou ou cumpriu o livro de Levítico?
  • O que este livro nos revela?
  • A sua adoração expressa sua vida?
  • Sua adoração tem sido total ou parcial? 


Utilização livre desde que citando a fonte
Guedes, Ivan Pereira.
Mestre em Ciências da Religião.
me.ivanguedes@gmail.com
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domingo, 31 de dezembro de 2023

Jesus Cristo nas Escrituras (Levítico)

 E o sacerdote queimará tudo isso no altar. É um holocausto, oferta preparada no fogo, de aroma agradável ao Senhor — Levítico 1.9, NVI

          No livro de Gênesis temos o quadro terrível da queda da raça humana. O ser humano criado à imagem e semelhança de Deus escolhe confrontá-lo e acaba rompendo sua comunhão com seu Criador. Mas Deus já de antemão providencia um caminho de volta Gn 3.15. Esta promessa será o fio condutor de toda a história bíblica sendo concluída apenas no livro do Apocalipse onde o ser humano é reinserido no Jardim de Deus.

          No livro do Êxodo temos a formação da nação de Israel e por meio dela Deus efetivará seu plano redentor. O simbolismo salvífico de Deus está presente em todo o desenvolvimento deste livro tendo sua apoteose no sacrifício do cordeiro pascoal – o qual Jesus Cristo – o cordeiro pascoal definitivo vai se revestir integralmente na cruz do calvário.

          O livro de Levítico segue o fim condutor estabelecido nos livros anteriores. Em Gênesis o ser humano afasta-se de Deus; em Êxodo Deus resgata o ser humano escravizado pelo pecado e em Levítico esse ser humano resgatado é capacitado a se relacionar novamente com seu Criador.

O livro de Levítico somente faz sentido para aqueles que foram reconciliados com Deus. Seu ensino, à luz do Novo Testamento, é para aqueles que já reconheceram seu estado de pecador, que reconheceram Cristo como seu resgatador e agora estão habilitados buscarem a presença de Deus. O livro nos mostra a perfeita santidade divina e a absoluta impossibilidade do pecador se aproximar de Deus, exceto por meio da expiação.

Uma vez estabelecido o tema central o livro passa a ilustrá-lo. Ele nos coloca frente a frente com a grande questão do sacrifício em prol do pecado. A ênfase continua no sacrifício destina-se a impactar fortemente o leitor/ouvinte sobre o quão terrível é o pecado aos olhos de Deus. Para aqueles que não entendem a seriedade do pecado e quão terrível são suas consequências, o livro não passa de uma lista interminável e horrenda de sacrifícios.

Como um grande farol construído sobre a rocha que é Cristo, o livro conduz o ser humano entre os rochedos do pecado de maneira que suas vidas não sejam despedaçadas e venham a naufragar no mar da vida.

          O que só temos em ilustrações virtuais em Levítico, vemos em realidade na cruz de Cristo. A cruz torna-se verdadeiramente uma manifestação do amor imensurável de Deus; O amor de Deus Pai revelado em plenitude por meio do Filho que, "Por um espírito eterno, ofereceu-se imaculado a Deus" Hebreus 9.14. Mas ela fez mais do que isso, pois revela que Deus está de fato e de verdade comprometido em resgatar o pecador.

A Cruz de Cristo revela as duas faces do pecado humano: revela a total aversão que Deus tem do pecado (em todas as suas nuances) o que fica evidente no calvário; e o amor imensurável de Deus que vai às últimas consequências para, entregando-se a si mesmo no Filho, para salvar o pecador João 3.16.

Embora nosso intelecto não possa compreender o mistério da Expiação, nossos corações e consciências são habilitados a proclamá-la com eficiência. Tendo reestabelecido a paz pelo sangue de sua cruz Colossenses 1.20. Consolo sem medida tem sido estas palavras para as almas em aflição em todos os lugares e épocas! Somente aqueles que experimentam verdadeiramente toda a agonia e dor produzida pelo pecado, que tão tenazmente nos acedia, reconhece o valor imensurável da Cruz de Cristo.

Os primeiros capítulos de Levítico descrevem cinco tipos de ofertas. Uma apenas não seria suficiente para renderizar a ideia da perfeição do sacrifício do Cristo.

O primeiro aspecto que atrai a nossa atenção é que em cada oferta, temos três objetos distintos: a oferta, o sacerdote, e o ofertante (aquele que traz a oferta). Portanto, é preciso compreender-se o significado ou abrangência destas três figuras, pois Jesus Cristo está representado em cada uma delas:

·       Cristo é a oferta. "A oferta do corpo de Jesus Cristo, uma vez por todosHebreus 10.10.

·       Cristo é o sacerdote. "Temos um Sumo Sacerdote, Jesus, o Filho de DeusHebreus 4.14.

·                 Cristo é quem oferece. "Ele se entregou para nós, a fim de nos redimir de todos iniquidade" Tito 2.14.

As ofertas são divididas em duas classes principais: aromas suaves/agradáveis, entre os quais o holocausto (o sacrifício consumido pelo fogo) é o mais importante, pois era oferecido em expiação pelo pecado. A vítima era completamente queimada no altar no pátio do Tabernáculo. Era um sacrifício integral, completo, inteiro – nada era reservado. 

Aqui temos a representação da vida de perfeita obediência de Cristo à vontade de seu Pai, em favor de nós, não apenas como Aquele que carrega nossos pecados, mas como Ele próprio se constituindo na oferta perfeita a Deus que é suficiente para satisfazer plenamente a justiça de Deus: uma vida de completo abandono, coração, mente e vontade, oferecidos sem reservas a Deus Efésios 5.2. Na oferta, de farinha fina e do óleo representa-se o cumprimento do dever ao próximo.

Jesus, como Homem, cumpriu estas duas oferendas em sua vida humana perfeita na terra. Na flor de farinha triturada, reduzida a pó e oferecida pelo fogo, vemos uma imagem de Jesus, machucado, dia após dia, por aqueles a quem Ele fez o bem, pelo qual se doou continuamente, suportando a contradição dos pecadores.

A oferta pelo pecado se distingue do holocausto. Ela era especificamente oferecida em expiação pelo pecado. A gordura queimada no altar de brasa, mostrava que o sacrifício fora aceito, mas todo o resto era queimado fora do acampamento indicando a extrema gravidade do pecado aos olhos de Deus. O Senhor Jesus tornou-se está "oferta pelo pecado" por nós: "Agora, no final dos tempos, apareceu apenas uma vez para abolir o pecado por seu sacrifício. Hebreus 9.26. Jamais poderemos imaginar a angústia desse contato com o pecado para a alma imaculada do nosso Redentor, a angústia causada pelo abandono de Deus, quando Ele foi "feito pecado por nós". (Ele Coríntios 5:21).

Na consagração de Arão como Sumo Sacerdote e em seus deveres ao longo deste livro, temos um símbolo do nosso grande soberano Sacerdote. Na consagração de seu filho e dos levitas, devemos ver o sacerdócio de todos os verdadeiros crentes em Jesus. Na terrível cena em que dois filhos de Arão Nadab e Abihu não levam a sério as ordenanças em relação ao tabernáculo e oferecem fogo estranho em seus incensários e ali são consumidos pelo fogo do altar, fica o alerta para todos aqueles que acham que podem adorar a Deus de qualquer maneira.

Os incensários dos sacerdotes deveriam ser acesos no altar dos holocaustos cf. Levíticos 16.12 e Números 16.46, somente esta era a forma correta pela qual eles deveriam servir no altar do Senhor. Da mesma forma somente com base na obra expiatória de Cristo as orações podem subir a Deus como perfume agradável a Ele. No culto quem deve ser agradado não é o ofertante, mas aquele que está sendo adorado.

Muitos capítulos de Levítico são relacionados às leis da vida cotidiana dos israelitas. Aqui temos duas verdades paralelas – essas leis revelam o quanto Deus se preocupa com o bem-estar físico e moral de seus filhos. Mas também demonstraram que o serviço do Senhor extrapola os espaços do tabernáculo e invadem os espaços cotidianos dos ofertantes. A expressão tão cara ao livro de Levítico - "Sereis santos, pois eu, o SENHOR, teu Deus, eu sou santo" - implica que santidade não apenas momentos estáticos de culto, mas um estilo de vida que deve distinguir aqueles que tem um compromisso com Deus e aqueles que vivem descompromissados Dele. As palavras santo e santidade, permeia toda a narrativa deste livro. O apostolo Paulo compreendeu muito bem este princípios e escreve aos cristãos em Corinto: “Assim seja se você está comendo, bebendo ou fazendo qualquer outra coisa, tudo deve ser feito como que para a glória de Deus. Tendo, portanto, tais promessas, Amados, vamos nos purificar de todos contaminação da carne ou do espírito, na conclusão do Nossa santificação no temor de Deus1Coríntios 7.1.

No símbolo da lepra (Capítulos 13 e 14), temos o alerta de que o pecado nos priva da comunhão com Deus. Somente depois de ter sido examinados e constatado de que não há quaisquer vestígios da doença (da cabeça aos pés, ou seja, em sua totalidade) é que a pessoa era declarada limpa e apta para oferecer sacrifícios ao Senhor e estaria livre para participar das celebrações. João escreve de forma maravilhosa esse princípio com base no sacrifício remidor de Jesus Cristo: “Se confessarmos os nossos pecados (declararmos que somos de fato e de verdade culpados), Ele [Cristo] é fiel e justo para nos perdoar os pecados (todos e cada um) e nos purificar de toda injustiça1João 1.9.

Assim como o sacerdote tinha que sacrificar os dois pombos ou passarinhos como ofertas pelo pecador purificado, assim Jesus Cristo morreu por nossas transgressões e ressuscitou por nossas ofensas, para a nossa justificação. Quanto a previsão divina é Misericordiosa! Os pardais estavam ao alcance dos mais pobres: assim o ato de fé está disponível a todos igualmente.

Todavia, antes do leproso já purificado retomar seu lugar na comunidade ele precisa tomar um banho completo. O simbolismo de consagração e separação de toda imundícia do pecado. Agora ele estava livre para se apresentar diante do Senhor e lhe oferecer seu sacrifício.

De todo calendário religioso contido no livro de Levítico – o grande Dia da Expiação (Capítulo 16) é sem dúvida alguma o ápice. Era um Dia da humilhação. Todo o povo era conclamado a confessar a Deus os seus pecados. Só acontecia uma vez por ano, igualmente, registra o escritor de Hebreus 9.28 "Cristo ofereceu-se uma única vez para carregar [sobre si] os pecados de muitos [os nossos pecados]”. O sacrifício de Jesus Cristo não será repetido jamais.

Neste dia o Sumo Sacerdote adentrava ao Santos dos Santos e ali oferecia sacrifício [sangue de touro] por si mesmo, por sua família.  A oferta pelo Pecado do povo consistia em dois bodes. Lançada sorte um era imolado e o sangue dele era aspergido no propiciatório e diante do propiciatório, por sete vezes (número do completo). O outro bode, denominado de emissário, o Sacerdote colocava a mão sobre a cabeça dele confessando o pecado do povo, e depois era conduzido para o deserto "com a ajuda de um homem que tinha esse cargo – ouçamos as palavras testemunhais de João Batista em relação a Jesus Cristo - "Eis que o Cordeiro de Deus tira os pecados do mundo;”; agora as palavras do profeta Isaías “o SENHOR pôs sobre Si a iniquidade de Todos nósJoão 1.29; Isaías 53.6.

Evidente que nenhum animal grande ou pequeno (ou mesmo milhares) poderiam substituir perfeitamente o pecador. Mas todo o livro de Levito é sombra daquele sacrifício perfeito que Jesus Cristo ofereceria em nosso favor. Por esta razão ele assume a plenitude de nossa humanidade - "Deus em Cristo reconciliando o mundo consigo mesmo 2Coríntios 5.19. Assim Cristo como sendo perfeitamente humano e perfeitamente divino expiou os nossos Pecados de uma vez por todas Hebreus 1.2-3 e 2.14.

A nossa salvação e o perdão de nossos pecados estão relacionados diretamente com o sacrifício de Jesus Cristo no calvário. Não sem motivo o apostolo Pedro escreve: “Pois vocês sabem que não foi por meio de coisas perecíveis como prata ou ouro que vocês foram redimidos da sua maneira vazia de viver, transmitida por seus antepassados, mas pelo precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro sem mancha e sem defeito1Pedro 1.18-19.

O PRECIOSO SANGUE DE CRISTO
Redenção através do sangue - 1 Pedro 1.18-19.
Perdão através do sangue - Efésios 1.7.
Justificação pelo sangue - Romanos 5.9.
Paz através do sangue - Colossenses 1.20.
Purificação pelo sangue - 1 João 1.7.
A Libertação do pecado pelo sangue - Apocalipse 1.5.
Santificação pelo sangue - Hebraico 13.12.
Entrada gratuita pelo sangue - Hebreus 10.19.
Vitória através do sangue - Apocalipse 12.11.
Glória Eterna através do sangue - Apocalipse 7.14-15.

 

Utilização livre desde que citando a fonte

Guedes, Ivan Pereira

Mestre em Ciências da Religião.

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quinta-feira, 3 de março de 2022

Levítico Capítulo 1 – A Genuína Adoração e Comunhão com Deus

Especificações Concernentes às Ofertas e Sacrifícios

Síntese do Livro

O Livro de Levítico pode ser dividido em duas seções principais contendo um capítulo que faz uma transição entre os dois.

Primeiro, os capítulos 1-16 tratam de regulamentos rituais sobre ofertas quais e como deveriam ser oferecidas; o sacerdócio especificando as diversas funções deles e o Dia da Expiação que se constitui no coração do sistema sacrificial e por conseguinte do próprio livro de Levítico. O capítulo 17 faz a transição entre as duas divisões principais e trata sobre a importância do sangue na adoração de Israel [somente na festa da Páscoa  eram mortos milhares de cordeiros]. Na segunda divisão, os capítulos 18-27 é tratada a temática do cotidiano vivencial dos israelitas, pois como povo de um Deus santo era necessário que está santidade permeasse todas as esferas da vida pessoal, familiar e social deles.  Há uma ordem bem clara para que eles respeitassem o calendário das Festas estabelecidas por Deus e por fim há os pronunciamentos de bênçãos e maldições.

O Livro de Levítico ensina os israelitas em termos práticos o que significa para eles serem um reino de sacerdotes e uma nação santa, razão pela qual foram resgatados (Êxodo 19.6; cf.   1 Pedro 1.15-16; Romanos  12.1).

Este capítulo inicial abre tratando das ofertas e sacrifícios a serem oferecidas a Deus como expressão de adoração e louvor.  Mais especificamente, trata das "ofertas queimadas". As normativas de Levítico regiam os regulamentos para adoração no Tabernáculo e posteriormente no Templo e que envolvem não apenas os sacerdotes e levitas, mas todos israelitas, pois todos são chamados a adorar e louvar a Deus.

A tribo de Levi foi separada de todas as demais tribos para não apenas prepararem os animais e ofertas para o sacrifício e zelarem para que as ofertas fossem oferecidas dentro das especificações estabelecidas pelo próprio Deus (hoje seria a teologia bíblica correta), mas para ensinarem e conduzirem todo o povo a uma conscientização da santidade e glória de Yavhew (o Deus da Aliança). Infelizmente hoje o culto tornou-se entretenimento e perdeu a sua função fundamental de produzir uma conscientização crescente da santidade e glória de Deus, perdeu-se aquela sensação de temor e tremor que se constitui na verdadeira sabedoria.

O ofertante tinha que trazer uma das suas próprias ovelhas, gado ou cabras de seu rebanho. Ele deveria oferecê-lo voluntariamente perante a congregação no Tabernáculo e diante do Senhor. Os ofertantes tinham que ter plena consciência de sua pecaminosidade e não comparecerem diante de Deus com base em sua justiça própria. Esta é outra faceta cúltica atual que está completamente fora do contexto das Escrituras, pois grande parte dos que adentram os templos acham que Deus precisa deles e se sentem no direito de exigirem e ate mesmo emitirem ordem de comando para que Deus faça o que eles estão ordenando – como dizia o profeta e foi endossado por Jesus Cristo - erram por não conhecerem [obedecerem] as Escrituras.

 A Integridade Física dos Animais Para o Sacrifício

Contexto do  Capítulo

O livro de Levítico é parte integrante do conjunto de leis que Deus deu a Moisés. Deus não apenas deve ser adorado,  como estabeleceu a forma correta de como isso deve ser feito.  

O livro primeiramente trata das leis de consagração relativas aos sacrifícios, que estão relacionadas com a disposição divina para aproximar o povo de Yahweh no culto. Cinco sacrifícios são nomeados.

O primeiro, destes sacrifícios especificados, é o holocausto, que fala da necessidade de consagração pessoal a Deus. Pois aqueles que devem adorar são aqueles que falham continuamente em viver de acordo com os termos da Aliança estabelecida entre Deus e eles. Por conseguinte, o sacrifício que oferecem deve ser morto e queimado. Neste esquema, a verdade sobre a substituição como única forma do ser humano pecador se aproximar do culto é exposta. O sentido espiritual o leitor verá, ao longo do livro, de como esses sacrifícios estabelecidos no Antigo Testamento encontraram a sua plena  realização em Cristo.

 

Fica muito claro nas especificações relacionadas às ofertas de animais que Deus exige que eles sejam sem qualquer tipo de defeitos inclusive estéticos – sem manchas. Animais como ovelhas e bovinos devem ser machos que não estavam doentes, machucados ou aleijados da mesma forma os pássaros também devem ser apresentados em perfeitas condições.

 O animal deveria ser levado à porta do Tabernáculo e depois que o animal fosse examinado e declarado dentro das especificações o ofertante colocava a mão sobre a cabeça do animal enquanto este era imolado. A parte do adorador é colocar a mão na vítima, imola-la, esfola-la, cortá-la e lavá-la, ao lado do altar; o sacerdote faz o resto no próprio altar, derramando o sangue, trazendo o fogo, organizando as partes do animal anteriormente cortadas (para detalhes mais específicos 15.1-16). Deus estabeleceu instruções ainda mais específicas para o fogo e a colocação da madeira, bem como o que deveria ser feito com a cabeça e a gordura do animal, uma vez que esse sacrifício é feito para o Senhor.

Outra característica muito relevante é que quaisquer destes sacrifícios tinham que ser feitos voluntariamente a partir do desejo do ofertante de expressar o seu amor e adoração ao Senhor. Os sacrifícios queimados eram símbolos de uma fé e obediência pessoal (familiar) aos termos da Aliança e da relação (comunhão) deste ofertante e Deus. Jó que fora contemporâneo dos patriarcas Abraão, Isaque e Jacó já tinham esta prática, provavelmente recebida pela tradição oral desde Adão e a linhagem de Sete, que substituiu Abel que fora assassinado, de maneira que logo pela manhã Jó oferecia sacrifícios a Deus em favor dele e de sua família.

Evidentemente que eles não ofereceram nada menos do que o melhor. Deus não merece o resto, as sobras, o que não nos faz falta, como tão bem expressou Abraão – não oferecerei ao meu Deus o que não me custa nada - pois o Senhor não precisa de coisa alguma, mas Ele quer saber se de fato entendemos quem Ele é e o quanto Ele fez, faz e fará em nosso favor. No caso especifico dos israelitas haviam sido tirados da escravidão do Egito e estavam sendo supridos e guardados em pleno deserto [por quarenta longos anos].

No nosso caso é ainda mais extraordinário, pois Deus se deu a si mesmo por nós na cruz, na pessoa do Filho Jesus Cristo [ninguém toma a minha vida, eu a dou voluntariamente], para que nossos pecados fossem perdoados e a nossa divida no tribunal divino, fosse integralmente quitada, de maneira que pudéssemos ser tornados justos.

Levítico e Nós

O que este livro de Levítico tem haver conosco crentes do século XXI – tudo! Como procurei deixar claro nas pequenas inserções do texto acima, quando fazemos os links percebemos que os princípios que regem nossa relação pessoal com Deus permanecem a mesma, pois temos que nos oferecer como ensina Paulo, como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o nosso culto de adoração e louvor.

Em Levítico a Lei expressa a maravilhosa Graça de Deus que aceita provisoriamente o sacrifício dos animais no lugar do pecador, que tipifica a morte do Cordeiro Santo de Deus que haveria de vir e assumir a plenitude de nossa humanidade, e no Evangelho temos a Graça que na Cruz cumpre todos os requisitos da Lei em Cristo e resgata todo aquele que crê do juízo condenatório do tribunal de Deus. A Lei perfeita de Deus e a Sua Graça maravilhosa caminharam, caminham e caminharão juntas em perfeita sintonia até o juízo final.

Finalmente, há uma ilusão incutida na mente das pessoas de que podem se relacionar com Deus de qualquer jeito. Infelizmente para tais pessoas isso não corresponde com o ensino estabelecido nas Escrituras. Depois da Queda a raça humana, corrompida pelo pecado, torna-se incapaz de se relacionar corretamente com Deus. Como uma criança os israelitas, arrancados de um meio completamente idolatra, precisa aprender a adorar a um Deus que é totalmente santo. Portanto, Levítico é um manual para aqueles que desejam aprender como oferecer a Deus um culto que possa ser aceito por Ele.

Muitos restringem este manual para uso exclusivo dos sacerdotes e levitas que eram os responsáveis por todas as atividades cúltica no Tabernáculo e posteriormente no Templo, o que não corresponde ao conteúdo geral do livro onde o orfante tinha uma participação ativa em relação aos sacrifícios e principalmente a última parte do livro trata das relações intersociais cotidianas de todos os israelitas. Mas principalmente à luz do sacrifício de Jesus Cristo e do ensino neotestamentário todos aqueles que creem em Cristo tornam-se parte integrantes do sacerdócio real e nação santa e podem adentrar ao Santo dos Santos, pois não há mais separação, e podem oferecer seu culto em espírito e em verdade, como ensinou o próprio Jesus à mulher samaritana. Desta forma o livro de Levítico tem muito a nos ensinar de como podemos de fato e de verdade nos relacionar com Deus e oferecer-lhe uma adoração que Lhe seja aceitável.

 

 

Utilização livre desde que citando a fonte
Guedes, Ivan Pereira.
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Referências Bibliográficas

ALLEN, C. J. (Ed.). Comentário Bíblico Broadman: Levítico-Rute. v. 2. 2. ed. Rio de Janeiro: JUERP, 1994.
CLINES, D. J. A. The Theme of the Pentateuch. Sheffield: JSOT Press, 1984.
HARRISON, R. K. Introduction to the Old Testament. Grand Rapids: Eerdmans, 1969.
__________. Levítico: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1983.
HOFF, P. O Pentateuco. 1. ed. São Paulo: Editora Vida, 2007.
LASOR, W. S.; HUBBARD, D. A.; BUSH, F. W. Introdução ao Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1999.
MESQUITA, A. N. Estudo no Livro de Levítico. 2. ed. Rio de Janeiro: Casa Publicadora Batista, 1971.
SCHULTZ, S. J. The Gospel of Moses. Chicago: Moody, 1979.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

SÍNTESE BÍBLICA – Levítico

O livro de Levítico está em relação ao livro de Êxodo, assim como as Epístolas estão para os Evangelhos. Para melhor apreender sua mensagem é preciso conectá-lo aos dois anteriores: em Gênesis temos um povo escolhido por Deus (Eleição); em Êxodo temos um povo libertado/salvo por Deus (Salvação); e em Levítico temos um povo se relacionando com Deus (Culto/Adoração). Portanto, em Levítico temos os detalhes de como se relacionar correta e harmoniosamente com Deus. Enquanto no Êxodo Deus está no alto do Monte e distante do povo, em Levítico Ele está no meio do povo, no Tabernáculo e providência tudo que é necessário para que o povo possa permanecer em Sua presença e usufrua de comunhão com Ele.
Como ocorre com os dois livros anteriores este também é conectado pela conjunção "e" [pois] demonstrando que os fatos aqui registrados não são soltos ou isolados do que aconteceu anteriormente. Também pressupõe que os livros que compõem o Pentateuco sempre estiveram reunidos em um único volume dividido em cinco partes.
A palavra chave de Levítico é “santidade” ocorrendo 87 vezes em todo o livro e o verso chave é 19.2 “Sede santos porque eu sou santo”. Para que o povo possa andar com Deus é necessárias duas coisas: os sacrifícios propiciatórios e uma vida em santificação (separado) para obediência.

Esboço Básico
I. Como se aproximar de Deus mediante o Sacrifício (1 a 10)
1. A Lei das Ofertas – Oblação (1-7)
            Holocausto, Manjares, Pacifica, Pecado e Transgressão
2. A Lei do Sacerdócio – Mediação (8-10)
            Consagração (8); Inicio (9); Transgressão (10)
II. A Comunhão com Deus pela Santificação (11 a 25)
1. A Lei da Pureza – Separação (11-16)
a) O Requerimento (11-15)
b) O Fornecimento (16)
2. A Lei da Santidade – Santificação (17-25)
a) O Requerimento (17-24)
b) O Fornecimento (25)
Conclusão (26) – Referência à Aliança
Apêndice (27) – Referência aos Votos

Link com o Novo Testamento
            O tema central do livro “Sede santos, porque Eu (Yavé) sou santo” (11.44,45; 19.2; 20.7,26) é citado na 1Pe (1.16) com a formula “Está escrito”.
            O mandamento “Amarás a teu próximo como a ti mesmo” (19.18) foi citado por Jesus quando resume toda a Lei de Deus em apenas dois: amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo (Mt 19.19; 22.39; Mc 12.31; Lc 10.27); como também nas Epístolas (Rm 13.9; Gl 5.14; Tg 2.8).
            Alguns sacrifícios são citados especificamente: um par de passarinhos em relação à purificação (12.6, 8 – Lc 2.22, 24); o novilho e o bode para expiação do pecado (16.18, 27 – Heb 9.12,13, 10.4; 13.11-13) os sacrifícios de louvor ou de ação de graças (7.12 –Heb 13.15).
            Em Levítico Deus faz uma promessa especial de que haveria de estabelecer seu Tabernáculo definitivamente no meio do seu povo (26.11, 12 [Ez 37.27] – João 1.14; 2Co 6.18; Ap 7.15; 21.3).
            O único nome usado para se referir a Deus em Levítico é “Javé” (transliterado YaHWeH ou JaHVéH – hebraico YHWH - יהוה ), que passou a ser substituído na leitura pela palavra “Senhor” (Adonai). “Javé” é encontrado 305 vezes nesse livro.

Estatística: 3º livro da bíblia; 27 capítulos; 859 versos; contém 795 mandamentos; há 36 vezes em que “o Senhor falou” diretamente ou especificamente.

Cronologia História
            A elaboração de uma cronologia dos fatos históricos da bíblia é sempre um exercício difícil, pois nem sempre os acontecimentos são demarcados com indiscutível exatidão. Mesmo com o avanço expressivo da ciência arqueológica há muito que ignoramos da época Patriarcal (Genesis), dos primórdios de Israel e seu estabelecimento em Canaã (Êxodo-Rute). A partir da Monarquia (Davi) a cronologia começa a ter maior grau de exatidão e conciliação com a História geral da época.

Cronologia Histórica
História de Israel
Historia Geral
Egito-Palestina na época do Bronze Antigo
Império Antigo (2600-2500)

Império Médio (2100-1730)

Mesopotâmia
3ª dinastia de Ur (2100-2000)

Código de Hammurabi
rei de Babilônia
(1800)
Patriarcas
Época do Bronze Médio
Chegada de Abraão em Canaã
(próximo de 1850)
Jacó e sua família sobem para o Egito
(próximo 1700)
Opressão dos israelitas no Egito
Moisés e Josué


Egito – Ramsés II

(1304-1238)
Batalha em Cades (1286)

Saída dos israelitas do Egito
A Promulgação da Lei – Monte Sinai
(próximo de 1250)

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