
Autor
O livro é atribuído ao profeta Obadias, cujo nome significa “servo
do Senhor”. Pouco se sabe sobre sua vida pessoal, e não há informações
adicionais fora deste livro. Alguns estudiosos sugerem que Obadias pode ter
sido contemporâneo de Jeremias, devido às semelhanças de linguagem e temas (cf.
Jeremias 49:7-22). Entretanto, como observa Copeland (2001, p. 1), o fato do nome
do profeta não seja mencionado diretamente no texto, não enfraquece sua
mensagem, pois na literatura profética (e nas Escrituras de forma geral) a
mensagem tem primazia em relação ao mensageiro.
Data
A datação de Obadias é debatida entre os estudiosos. A posição conservadora
mais aceita situa o livro entre 586 e 553 a.C., logo após a queda de
Jerusalém, quando Edom se aproveitou da derrota de Judá para
saquear e perseguir o povo (CRABTREE, 1971, p. 45; LASOR; HUBBARD; BUSH, 1999,
p. 388). Já os críticos liberais tendem a postergar a data, situando o
texto em períodos pós-exílicos, geralmente em torno de 450 a.C. ou até
mesmo 350 a.C., atribuindo sua composição a diferentes redatores e
fragmentando a autoria (WALVOORD; ZUCK, 1983, p. 1456).
Para aqueles que não gostam de “gastar tempo” com a questão de data
dos livros bíblicos, gostaria que investisse alguns minutos neste ponto.
Os conservadores afirmam que as teses liberais, ao
deslocarem a data para séculos posteriores (450–350 a.C.) acabam por fragmentarem
a autoria e por conseguinte, minimizando a inspiração e a unidade da Bíblia.
Quadro Comparativo
|
Posição |
Data sugerida |
Argumento principal |
Autores |
Inspiração |
Unidade da Escritura |
Autoridade Profética |
|
Conservadora (mais aceita) |
586–553 a.C. |
Após a queda de Jerusalém; Edom saqueou Judá |
Crabtree (1971); Lasor, Hubbard e Bush (1999) |
Obadias é profeta histórico, denunciando Edom em tempo real |
Bíblia coerente e contínua, revelação única de Deus |
Voz imediata e autêntica, autoridade direta |
|
Liberal/crítica |
450–350 a.C. |
Texto tardio, editado em camadas, autoria fragmentada |
Walvoord; Zuck (1983) |
Profecia entendida como construção tardia da comunidade |
Fragmentação compromete a unidade, vista como coleção de
tradições |
Denúncia transformada em releitura posterior, menos vinculada ao
evento |
Título do Livro
O título deriva do nome do profeta. Na tradição hebraica, o livro é
chamado simplesmente de ʿObhadhyāh (עֹבַדְיָה), que significa “servo
de Yahweh”. Esse nome reflete a identidade do profeta como alguém
totalmente dedicado ao serviço de Deus. É o menor livro do Antigo Testamento,
com apenas 21 versículos, mas sua mensagem é poderosa e direta. Como destacam
Walvoord e Zuck (1983, p. 1456), a brevidade não diminui sua relevância, pois
concentra em poucas linhas uma denúncia contundente contra Edom e uma esperança
para Israel.
A razão da denúncia contra Edom está enraizada em uma
rivalidade antiga, como mencionada acima. Os edomitas eram descendentes de Esaú,
irmão de Jacó (Israel). Desde o episódio em que Esaú vendeu seu direito de
primogenitura e perdeu a bênção paterna (Gênesis 25:29-34; 27:1-40), a relação
entre os dois povos foi marcada por tensão e hostilidade.
Tema e Propósito
O tema central é o julgamento de Edom pela sua arrogância e
violência contra Judá. Obadias denuncia a postura de orgulho dos edomitas,
descendentes de Esaú, que se alegraram com a queda de Jerusalém e
participaram de sua destruição. O propósito é mostrar que Deus não ignora a
injustiça: a soberba de Edom seria abatida, e o Senhor restauraria Sião.
Copeland (2001, p. 2) enfatiza que o livro também aponta para o “Dia do
Senhor”, quando todas as nações seriam julgadas.
Essa mensagem ganha força quando lembramos que a rivalidade entre
Edom e Israel não surgiu apenas no século VI a.C., mas remonta às origens da
família patriarcal. Essa tensão histórica se manifestou em momentos decisivos:
- Durante o Êxodo,
Edom recusou passagem a Israel (Números 20:14-21).
- Nos tempos da monarquia, Edom frequentemente se aliou a inimigos
de Judá (2 Reis 8:20-22; Salmos 137:7).
- Na queda de Jerusalém em 586 a.C., Edom não apenas se alegrou com a
derrota, mas também participou do saque e perseguição (Obadias 1:10-14).
Portanto, o propósito de Obadias não é apenas denunciar um ato
isolado, mas mostrar como a arrogância e a hostilidade de Edom contra Judá
culminaram em juízo divino. Ao mesmo tempo, o profeta amplia a visão para o
futuro: o “Dia do Senhor” não se restringe a Edom, mas
alcança todas as nações, revelando que a justiça de Deus é universal e que a
restauração de Sião aponta para a vitória final do Reino de Deus.
Palavra-chave
A palavra-chave é “orgulho”, pois a soberba de Edom é a raiz
de sua queda (v. 3-4).
Versos-chave
- Obadias 1:3-4: “A
soberba do teu coração te enganou, ó tu que habitas nas fendas das rochas,
na tua alta morada; que dizes no teu coração: Quem me derribará em terra?
Ainda que te eleves como águia e ainda que ponhas o teu ninho entre as
estrelas, de lá te derribarei, diz o SENHOR.”
- Obadias 1:15: “Porque o
dia do SENHOR está perto, sobre todas as nações; como tu fizeste, assim se
fará contigo; a tua maldade cairá sobre a tua cabeça.”
Capítulos-chave
Como o livro possui apenas um capítulo, o texto inteiro é
essencial. Contudo, destacam-se:
- Versos 1-9: O anúncio
do julgamento contra Edom.
- Versos 10-14: A acusação
contra Edom por sua violência contra Judá.
- Versos 15-21: O “Dia do
Senhor” e a restauração de Israel.
Pessoas-chave
- Obadias
(profeta).
- Edom
(descendentes de Esaú).
- Judá (o povo
de Deus, alvo da violência edomita).
Cristo como Visto em Obadias
Obadias aponta para Cristo como o Juiz das nações e o Restaurador
do Reino de Deus. O “Dia do Senhor” anunciado por Obadias encontra
seu cumprimento escatológico em Cristo, que virá em glória para julgar e
estabelecer o Seu reino eterno (cf. Mateus 25:31-46). Walvoord e Zuck (1983, p.
1457) observam que a vitória final de Israel sobre Edom antecipa a vitória de
Cristo sobre todos os inimigos no fim dos tempos.
Esboço
O livro pode ser dividido em duas seções principais:
- Juízo contra Edom (1:1-14)
A.
Orgulho e queda de Edom (1:1-9)
B.
Violência contra Judá (1:10-14)
- O Dia do Senhor e a restauração de Israel (1:15-21)
A.
Julgamento das nações (1:15-18)
B. O
reino será do Senhor (1:19-21)
Utilização livre desde que citando a fonte
Guedes, Ivan Pereira
Mestre em Ciências da Religião.
me.ivanguedes@gmail.com
Outro Blog
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Bibliografia Citada no Artigo
COPELAND, Mark A Studies in the Minor Prophets
ExecutableOutlines.com, 2001
CRABTREE, A. R Profetas Menores, v.1 Casa Publicadora
Batista, Rio de Janeiro, 1971
LASOR, William S; HUBBARD, David A; BUSH, Frederic W Introdução
ao Antigo Testamento Tradução Lucy Yamakamí São Paulo: Vida Nova, 1999
WALVOORD, John F; ZUCK, Roy B (Editors) The Bible Knowledge
Commentary Wheaton: Victor Books, 1983
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