quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Jonas - Leitura Devocional – A Grande Tempestade [1.4-6]

 Imagem digital fictícia de personagem de desenho animado

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Na devocional anterior entramos no navio junto com Jonas em direção à cidade de Tarso, que ficava na direção oposta de Nínive. Parece que tudo vai bem com o profeta desobediente. Ele se acomoda no fundo do barco e consegue até mesmo cair em sono profundo. Mas...

“Mas o Senhor enviou ao mar um grande vento, e fez-se no mar uma grande tempestade, de modo que o navio estava a ponto de se despedaçar. Então os marinheiros tiveram medo, e cada um clamava ao seu deus, e lançaram ao mar a carga que estava no navio, para aliviar a carga. Mas Jonas havia descido às partes mais baixas do navio, deitou-se e dormia profundamente. Então o capitão veio até ele e disse: ‘O que você quer dizer, dorminhoco? Levante-se, invoque o seu Deus; talvez o seu Deus nos considere, para que não pereçamos’.”

O Senhor enviou um grande vento ao mar. A soberania de Deus não se limita aos seres humanos, mas inclui toda a criação. As tempestades da nossa vida estão sempre sob o controle de Deus. No entanto, em vez de confiarmos em Seu poder, agimos como os discípulos no barco da Galileia: desesperamos e cobramos de Deus por não agir em nosso favor – “quer que morramos?”.

Na maior parte do tempo somos crentes de pequena fé.

As tempestades surgem para provar os fundamentos da nossa fé: “...de modo que o navio estava prestes a ser quebrado.” Há pequenas tempestades que não causam muitos danos, mas esta era uma das grandes; parecia que o navio iria partir ao meio.

Por mais incrível que pareça, Deus não estava fazendo isso para punir Jonas, mas para manifestar Seu amor para com o profeta desobediente. Ele queria deixar claro que a ordem recebida era a manifestação de Seu amor gracioso, e que a desobediência de Jonas não impediria o cumprimento da vontade divina para com os ninivitas.

Na escola de Deus não há aulas virtuais; são presenciais e práticas.

Depois de lavar os pés dos discípulos, Jesus disse: “Vocês viram o que eu fiz; façam o mesmo.” O Evangelho é para ser vivido, praticado e manifestado. O genuíno evangelismo é aquele que é pregado e visto na vida cotidiana.

As tempestades fazem parte da pedagogia de Deus para ensinar Seu profeta – e também a nós. Quando o enorme navio Titanic estava para iniciar sua primeira (e única) viagem, alguém perguntou ao engenheiro responsável pela construção: “Não há perigo de um navio tão grande naufragar no mar?” Ele respondeu: “Nem Deus afunda este navio!” Todos riram. O Titanic não chegou a completar sua primeira viagem.

Então os marinheiros ficaram com medo; e cada um clamava ao seu deus...Onde depositamos a nossa fé?

É no meio das tempestades que descobrimos em quem realmente cremos. Os profetas cansaram de exortar o povo para que não buscassem outros deuses, mas servissem e adorassem somente Yahweh. Eles não ouviram... então veio o exército assírio; ainda não aprenderam... veio o exército babilônico... e quarenta anos de cativeiro... somos crentes difíceis de aprender...

“...e lançaram ao mar a carga que estava no navio, para aliviar a carga.” O navio estava carregado de mercadorias valiosas, mas diante da morte iminente o valor delas tornou-se insignificante. Lançaram tudo ao mar. Jesus disse ao jovem rico: “Vai, vende tudo o que tens e depois vem e segue-me.” O rapaz se afastou triste, pois tinha muitos bens. Veja a diferença do apóstolo Paulo: “Abri mão de tudo para ter a Cristo.”

Onde estava Jonas em meio a tudo isso? Mas Jonas desceu às partes mais baixas do navio, deitou-se e dormiu profundamente.” Quando nos afastamos da vontade de Deus, tornamo-nos alienados dos perigos ao nosso redor. Mesmo grandes tempestades não são suficientes para nos acordar. Aqui não é o sono do justo (vida), mas o sono do desobediente/negligente (morte).

A Bíblia nos ensina com clareza que Jesus Cristo está voltando, mas a maioria das pessoas está tão absorta em seus planos, correndo atrás de seus sonhos, que dorme... Assim como as cinco virgens adormeceram despreocupadamente, até que se ouviu o grito: “O noivo está chegando!” Desesperadas, saíram atrás de mais óleo. Quando retornaram, as portas da boda estavam fechadas definitivamente...era tarde demais!

Noé trabalhou quarenta longos anos. As pessoas faziam seus negócios, casavam-se, assistiam aos campeonatos...pulavam seus carnavais... então Deus fechou a porta da arca, e as águas desceram até que toda vida fosse exterminada. Noé nada podia fazer por elas, pois foi Deus quem fechou as portas.

No Apocalipse, Jesus diz: “Eu sou aquele que abre e ninguém fecha, mas também sou aquele que fecha e ninguém pode abrir.”

Então o capitão veio até Jonas...” – “Acorda, dorminhoco!” Jonas é questionado sobre a razão de dormir enquanto todos estavam prestes a morrer. Isso nos lembra uma cena lamentável: no Getsêmani, por três vezes Jesus acordou Seus discípulos, que não puderam orar com Ele nem por um pouco de tempo.

Meus amados, o sono não pode prevalecer; a inércia não pode prevalecer.

Hino
Despertai-vos! Levantai-vos!
Não há tempo a perder.
Se quereis servir a Cristo,
Tendes muito que fazer.
Meditai no Seu amor,
Meditai no que Ele fez.
Pela morte no Calvário,
Resgatou-nos de uma vez!

Levanta-te, invoca o teu Deus; talvez o teu Deus nos considere, para que não pereçamos.” Para vergonha de Jonas, é o comandante do navio quem vem despertá-lo.

Vigiai e orai... mas nós estamos dormindo!

O Senhor nos dá a Sua Palavra como espelho para vermos na apatia de Jonas...a nossa própria. Ele dormia tranquilamente enquanto todos corriam risco de morte. John Knox orava todas as noites: “Senhor, dá-me a Escócia, senão eu morro!” Jesus disse: “A seara é grande, está pronta para a ceifa; rogai ao Senhor da seara que envie mais ceifeiros.”

Vamos acordar!    

Perguntas Para Reflexão

1. Onde está a nossa confiança em meio às tempestades?

Resposta: Muitas vezes, como os marinheiros, buscamos soluções humanas ou clamamos a outros “deuses”, mas somente o Senhor tem poder sobre o vento e o mar.

Referência: “Mas o Senhor enviou ao mar um grande vento, e fez-se no mar uma grande tempestade...” (Jonas 1.4)

2. O que revelam as tempestades sobre o valor que damos às coisas?

Resposta: Elas expõem que bens materiais e conquistas humanas não têm valor diante da vida e da eternidade.

Referência: “...e lançaram ao mar a carga que estava no navio, para aliviar a carga.” (Jonas 1.5)

3. Qual é o perigo de nos afastarmos da vontade de Deus?

Resposta: Tornamo-nos insensíveis e alienados, incapazes de perceber os riscos ao nosso redor, como Jonas que dormia em meio ao caos.

Referência: “Mas Jonas havia descido às partes mais baixas do navio, deitou-se e dormia profundamente.” (Jonas 1.5)

4. Quem nos desperta quando estamos espiritualmente adormecidos?

Resposta: Muitas vezes, Deus usa até mesmo pessoas inesperadas, como o capitão que acordou Jonas, para nos chamar de volta à vigilância e oração.

Referência: “Então o capitão veio até ele e disse: ‘O que você quer dizer, dorminhoco? Levante-se, invoque o seu Deus; talvez o seu Deus nos considere, para que não pereçamos’.” (Jonas 1.6)

Utilização livre desde que citando a fonte

Guedes, Ivan Pereira

Mestre em Ciências da Religião.

me.ivanguedes@gmail.com

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terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Peregrino – Capítulo 1 - O Início da Jornada [Frases Relevantes-série]

Desenho de uma pessoa

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Uma Breve Introdução do Livro

A primeira edição de O Peregrino [The Pilgrim’s Progress from This World, to That Which Is to Come], de John Bunyan, foi publicada em 1678 e, ao longo dos séculos, tornou-se a mais conhecida alegoria da vida cristã já escrita. Por meio da jornada do personagem central – Cristão, o autor retrata o caminho da salvação desde o despertar espiritual (conversão) até a entrada na Cidade Celestial (glorificação).

Engana-se quem pensa ou trata a obra apenas como literatura; trata-se de uma narrativa imersa em uma teologia vivencial. Cada personagem, lugar e evento é representativo de realidades espirituais vivenciadas por cada crente em seu próprio contexto, de maneira que a obra se torna universal em sua aplicação. O tema central é a perseverança da fé em meio às lutas, tendo Cristo como único fundamento da salvação.

Bunyan escolhe desenvolver sua história utilizando a linguagem alegórica, ou seja, uma narrativa simbólica em que:

  • Personagens representam verdades espirituais
  • Lugares representam estados da alma
  • Eventos representam experiências da vida cristã

A título de exemplo:

  • O fardo = culpa do pecado
  • A Cidade da Destruição = o mundo caído
  • A Cidade Celestial = o céu
  • O personagem Cristão = todo verdadeiro convertido

Dessa forma, no desenvolver da história, nada é meramente literal; tudo tem como objetivo ensinar teologia na prática e não em dogmas doutrinários.

O livro foi escrito com o propósito devocional, a fim de conduzir o leitor à conversão, ao fortalecimento da fé e ao estímulo à perseverança. Durante séculos, tem sido utilizado em cultos domésticos, em classes de novos convertidos e no discipulado, tornando-se uma obra de referência para a vida devocional cristã. Infelizmente, os ávidos por novidades o descartaram e o substituíram por literaturas pueris e supérfluas, sem profundidade espiritual e sem confrontação com o pecado em suas múltiplas formas.

A proposta desta série é abordarmos algumas frases relevantes de cada capítulo, visto que o espaço utilizado tem suas limitações. É evidente que muitas outras declarações importantes contidas na narrativa ficaram de fora; por isso, peço antecipadamente desculpas e incentivo você, leitor, a procurá-las e desenvolvê-las como exercício devocional, que muito o enriquecerá.

A Cristo toda glória!

Capítulo 1 – O Início da Jornada

No primeiro capítulo o autor apresenta o momento da conversão (despertar espiritual) de Cristão. Este momento único, pois a conversão não se repete, é demarcado pelo peso insuportável do fardo (pecado) em suas costas e pela consciência da ira vindoura (juízo de Deus).

A narrativa passa a mostrar sua profunda angústia diante da condenação e sua decisão de abandonar a Cidade da Destruição em busca da salvação. É o início da jornada, onde a urgência da fé e o desejo de libertação do pecado o impulsionam a seguir por um caminho desconhecido, mas necessário.

“Fé é certeza do que esperamos e convicção do que não vemos.”

Hebreus 11:1

 

O autor inicia sua história no momento decisivo em que Cristão, lendo o Livro [bíblia], toma consciência de sua real condição diante de Deus. Até então, vivia como todos os habitantes da Cidade da Destruição: distraído, ocupado, aparentemente seguro. Mas enquanto lê as Escrituras seus olhos se abrem para duas verdades que não podem mais ser ignoradas: ele está perdido e o juízo de Deus é uma realidade.

Deste modo, a frase “Fugi da ira vindoura” é a expressão do clamor existencial de uma alma que finalmente enxerga a gravidade do pecado e a realidade da condenação eterna. Ele não teme apenas os problemas desta vida, mas o juízo que virá sobre todos os que permanecem indiferentes, recusando-se afrontosamente a arrepender-se de seus pecados e a crer no Evangelho.

Assim, a expressão constitui-se no ponto de ruptura entre a indiferença e a conversão. Então, ele sente como que um pesado fardo em suas costas, simbolizando a culpa (o pecado) que não pode mais ser ignorada. Ao tomar a decisão de partir, mesmo sem ter todas as respostas, revela a determinação de quem, uma vez tocado pela graça, não consegue mais permanecer na mesma condição, vivendo no mesmo estilo de vida pecaminoso em que estava. O hino, abaixo, transcrito em parte realça esse momento de cada Cristão:

Algemado por um peso

Oh, quão triste eu andei

Até sentir a mão de Cristo

Não sou mais como era, eu sei

Tocou-me, Jesus tocou-me

De paz Ele encheu meu coração

Quando o Senhor Jesus me tocou

Livrou-me da escuridão

Tocou-me

(Composição original: William Gaither

e Interpretado por Luiz de Carvalho)

A expressão “Fugi da ira vindoura” revela que a verdadeira conversão não começa com promessas de glória ou visões celestiais, ou como é moda hoje, com promessas de prosperidade e/ou cura, mas com a consciência do eminente juízo de Deus. Enquanto isso não ocorre, a pessoa pode ser religiosa (até mesmo evangélica), moralmente ilibada (nunca matou, nunca roubou...), mas ainda está espiritualmente morto. É exatamente isso que aconteceu com Cristão - o que o despertou não foi a esperança imediata da Cidade Celestial, mas a realidade do juízo que se aproximava.

Ele não correu em direção a algo, mas fugiu de algo. Fugiu da ira. Esse movimento revela uma verdade bíblica profunda:

ninguém busca verdadeiramente a salvação

até compreender verdadeiramente sua perdição.

Enquanto o pecado é visto algo pequeno, um mal menor, um desvio de personalidade, e cousas semelhantes, Cristo torna-se desnecessário. Mas quando o pecado é reconhecido com suas consequências eternas, Cristo se torna absolutamente indispensável.

Assim sendo, esta fuga de Cristão é, na verdade, seu primeiro ato de fé. Não é ainda descanso, mas é um desespero cheio de esperança. É o momento em que a alma, tocada pela graça, percebe que não pode mais permanecer na mesma condição e se lança em busca de refúgio.

Podemos encontrar essas mesmas sensações no testemunho de Agostinho, em suas Confissões -  onde ele descreve a experiência de estar aprisionado pelo pecado, inquieto e incapaz de encontrar paz em si mesmo. Sua célebre frase — “Nos fizeste para Ti, e inquieto está o nosso coração enquanto não repousa em Ti” — revela que o despertar espiritual nasce da percepção da própria miséria e da necessidade de Deus. Ambos tomam consciência de que não podem permanecer como estão. E a fuga não é apenas afastar-se do perigo [medo do juízo eterno], mas muito mais do que isso, é correr em direção ao único refúgio seguro: Cristo. Uma das cenas mais lindas de “Peregrino” é quando cristão finalmente contempla a cruz e o seu pesado e insuportável peso, cai de suas costas. Vamos chegar lá, aqui estamos apenas no início da jornada.

Portanto, o desespero de Cristão e a inquietação de Agostinho são faces da mesma realidade espiritual: o evangelho da graça desperta, expõe a perdição e conduz ao primeiro passo de fé. Não é ainda o descanso pleno, mas é o início da jornada gloriosa que culminara na paz verdadeira.

Neste paralelo precioso somos lembrados de que todo coração que desperta para a gravidade do pecado e para a certeza do juízo encontra em Cristo não apenas uma possibilidade e/ou probabilidade, mas a única esperança real e verdadeira. É no reconhecimento da própria perdição que nasce a fé genuína, e é nesse movimento de fuga e busca que se experimenta a verdadeira conversão.

Aqui podemos ouvir o eco das palavras de Jesus: “Quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, porém, não crê no Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus (João 3:36). A fuga não é apenas um gesto de medo, mas o reconhecimento de que fora de Cristo não há esperança.

Em perfeita harmonia com as palavras de Cristo, temos as afirmações de Paulo em sua epístola aos Romanos. O despertar de Cristão em O Peregrino encontra paralelo direto na Epístola aos Romanos: “A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e injustiça dos homens” (Rm 1:18) e “Todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Rm 3:23). É essa percepção que rompe a indiferença; o fardo que Cristão sente em suas costas é a tradução existencial dessa verdade. Ele ainda não compreende plenamente o Evangelho, mas já reconhece a gravidade de sua condição.

Assim, Bunyan está fundamentado no ensino bíblico, pois, o início da jornada espiritual não é marcado pelo descanso, mas pela consciência da perdição. É o momento em que a alma, tocada pela graça, percebe que não pode mais permanecer como está.

Assim também deve ser conosco: o caminho da fé começa quando entendemos que não há segurança fora de Cristo. O peso da condenação do pecado deve nos impulsionar – “Fugi da ira vindoura”. Que possamos ouvir a mensagem do Evangelho e respondermos com passos firmes rumo à Cristo e à vida eterna.

 

Utilização livre desde que citando a fonte

Guedes, Ivan Pereira

Mestre em Ciências da Religião.

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domingo, 22 de fevereiro de 2026

Notas sobre Lucas

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Lucas é tradicionalmente identificado como médico (Colossenses 4:14) e companheiro próximo do apóstolo Paulo, sendo reconhecido como autor do terceiro evangelho e do livro de Atos dos Apóstolos. Seu nome, de origem grega (Loukas), sugere associação com “luminosidade”, o que se coaduna com a função de seu escrito: lançar luz sobre a vida e obra de Jesus Cristo, especialmente em perspectiva universal.

O evangelho de Lucas apresenta-se como resultado de investigação cuidadosa e sistemática, conforme o prólogo (Lc 1:1–4), em que o autor declara ter reunido informações de testemunhas oculares e organizado os fatos em ordem. Tal introdução revela não apenas preocupação histórica, mas também intenção teológica de oferecer segurança e clareza ao destinatário, identificado como Teófilo.

Entre os evangelhos, Lucas distingue-se pela ênfase na misericórdia divina e na inclusão dos marginalizados. O autor dedica atenção especial a pobres, mulheres, estrangeiros e enfermos, destacando o caráter abrangente da salvação. Parábolas exclusivas, como o Bom Samaritano (Lc 10:25–37) e o Filho Pródigo (Lc 15:11–32), exemplificam essa perspectiva universal e compassiva.

Outro traço característico é a recorrência da oração. Lucas registra Jesus em momentos de súplica e comunhão com o Pai, sublinhando a dimensão espiritual de sua missão. A genealogia apresentada (Lc 3:23–38) remonta até Adão, reforçando a universalidade da obra redentora de Cristo, que transcende fronteiras étnicas e históricas.

O papel do Espírito Santo é igualmente central. Desde a concepção virginal até o Pentecostes, o Espírito é descrito como agente da missão divina. Essa ênfase se prolonga em Atos, onde Lucas demonstra a continuidade da obra de Cristo por meio da Igreja, impulsionada pelo Espírito.

A formação médica de Lucas pode ser percebida na atenção aos detalhes humanos e nas descrições de curas, enquanto sua formação literária se evidencia na qualidade estilística e na organização narrativa. O resultado é uma obra que combina rigor histórico, sensibilidade pastoral e profundidade teológica, consolidando Lucas como historiador e teólogo da fé cristã primitiva.

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