segunda-feira, 9 de março de 2026

Apocalipse - Os Nicolaítas em Éfeso e Pérgamo e o Sincretismo Religioso

 

Os nicolaítas aparecem no livro do Apocalipse como um grupo que influenciava negativamente as comunidades cristãs de Éfeso e Pérgamo. Eles são mencionados em conexão com práticas como comer alimentos sacrificados a ídolos e imoralidade sexual [normalmente relacionadas aos cultos greco-romano], condutas que os apóstolos já haviam advertido os cristãos a evitarem (Atos 15:28-29).

A identidade exata dos nicolaítas é debatida: alguns estudiosos os relacionam ao diácono Nicolau de Atos 6, enquanto outros sugerem que o termo pode ter origem em um hebraísmo que significa “vamos comer”, indicando permissividade quanto ao consumo de alimentos ligados ao culto pagão.

Todavia, o que o escritor de Apocalipse deseja deixar claro que as práticas nicolaítas se constituíam em atrações comprometedoras da genuína fé cristã. Pior do que a incredulidade é uma fé cristã destituída de seus fundamentos. Aqui está o terrível perigo do sincretismo religioso que deforma a verdade do Evangelho e contamina a mensagem da salvação única e exclusivamentepela fé em Jesus Cristo.

A mensagem de João, o último remanescente do grupo apostólico, é enfática: Cristo chama sua igreja a permanecer fiel, rejeitando a idolatria e a imoralidade, e promete ao vencedor o verdadeiro alimento — a Árvore da Vida no paraíso de Deus (Apocalipse 2:7).

Então ele faz uma advertência e encorajamento às igrejas. À Igreja em Éfeso ele adverte e em seguida encoraja: “Mas eles têm uma coisa: odeiam as práticas dos nicolaítas, que eu também odeio.” (Apocalipse 2:6). Cristo elogia os efésios por rejeitarem essas obras. Para entender melhor, João escreve também à igreja de Pérgamo: “Eu sei onde você mora, onde está o trono de Satanás... comer coisas sacrificadas aos ídolos e cometer atos imorais. E você também tem aqueles que seguem a doutrina dos nicolaítas.” (Apocalipse 2:13-15). Enquanto os crentes da igreja em Éfeso são elogiados, os crentes da cidade de Pérgamo são advertidos.

Quando nos voltamos para o AT vemos duas figuras perniciosas: Balaão e Balaque, que foram instrumentos malignos para induzir Israel ao pecado (Números 22–24). As práticas envolviam idolatria e imoralidade sexual — exatamente os pecados que o Concílio de Jerusalém havia proibido aos cristãos (Atos 15:28-29).

No mundo greco-romano, quase todos os alimentos vendidos nos mercados eram previamente dedicados a divindades. Os judeus, por sua vez, mantinham regras próprias e viviam em relativo isolamento nesse aspecto. Paulo, em suas cartas, mostra que essa questão continuava a preocupar os cristãos gentios (1 Coríntios 8–10). Entretanto, muitos cristãos pensavam que poderiam comer sem culpa, mas Paulo reafirma que, por causa da ligação com o culto pagão, deveriam ser prudente e se absterem, principalmente por causa dos débeis na fé.

No esforço de identificar quem era há uma interpretação tradicional que liga esses “nicolaítas” ao diácono Nicolau de Atos 6. Porém, John Lightfoot [indicar bibliografia] sugeriu outra possibilidade: que o termo seja um hebraísmo transliterado para o grego, derivado do verbo hebraico נאכל (nokhal), “vamos comer”. Nesse caso, “nicolaítas” significaria “aqueles que dizem: vamos comer”, em referência ao desejo de consumir alimentos sacrificados a ídolos.

Apocalipse 2:7 conclui: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao vencedor darei o direito de comer da Árvore da Vida que está no paraíso de Deus.” Aqui há um jogo de palavras: “ao vencedor” (to nikōnti) soa semelhante a “nicolaítas” (nikolaitēs). Se o lema dos nicolaítas era “queremos comer” alimentos sacrificados a ídolos, Deus promete ao vencedor o verdadeiro alimento: a Árvore da Vida.

Deste modo, os nicolaítas parecem representar uma corrente permissiva dentro da igreja, que relativizava a idolatria e a moralidade sexual.

Cristo, porém, chama sua igreja a viver em santidade, rejeitando a idolatria e a imoralidade. O vencedor não será aquele que cede às pressões culturais, mas aquele que permanece fiel. A promessa é clara: quem persevera comerá da Árvore da Vida e viverá para sempre na presença de Deus.

Estes nicolaítas continuam atuando persistentemente atravessando os séculos: o nome atual deles é sincretismo religioso, a antiga tentativa de misturar o cristianismo com outras crenças ou ideologias contrárias ao evangelho.

No contexto de Éfeso e Pérgamo, os nicolaítas representavam essa corrente permissiva que relativizava a fé cristã, permitindo práticas comuns no mundo greco-romano — como comer alimentos sacrificados a ídolos e a imoralidade sexual. Esse movimento não era apenas uma questão cultural, mas uma tentativa de amalgamar o Evangelho com valores pagãos, criando uma fé híbrida que negava a santidade exigida por Cristo.

Esse esforço de sincretismo nunca desapareceu. Ao longo da história, o cristianismo foi constantemente pressionado a se adaptar, seja por filosofias humanistas, ideologias políticas ou espiritualidades alternativas. Mas o perigo é sempre o mesmo: diluir a mensagem central da cruz e da ressurreição, transformando o evangelho em algo palatável ao mundo, mas esvaziado de sua verdade e poder.

Em hipótese alguma devemos cedermos à tentação de moldar a fé bíblica cristã segundo os padrões deste século. Guardemos com firmeza a essência do evangelho, que não é uma opinião de múltipla escolha, mas a Verdade que liberta. O mundo pode oferecer atalhos e discursos sedutores, mas somente Cristo é o Caminho, a Verdade e a Vida.

A advertência às igrejas de Apocalipse continua atual: Cristo chama sua igreja a rejeitar compromissos com a idolatria e a imoralidade, e a permanecer fiel à sua Palavra. O vencedor não é aquele que se deixa seduzir pelo sincretismo, mas aquele que persevera na pureza da fé. A promessa é clara: quem resiste receberá o verdadeiro alimento, a Árvore da Vida, e viverá para sempre na presença de Deus.

Devemos permanecer vigilantes, convictos e inabaláveis, para que a chama da fé não seja apagada pela acomodação, mas brilhe com intensidade diante de todos.

O Evangelho não precisa de adições ou misturas para ser relevante.

Ele é suficiente em Cristo.

O desafio da igreja, ontem e hoje, é permanecer firme diante das pressões culturais e ideológicas, guardando a fé que uma vez foi entregue aos santos.

 

Utilização livre desde que citando a fonte

Guedes, Ivan Pereira

Mestre em Ciências da Religião.

me.ivanguedes@gmail.com

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Referências Bibliográficas

Beale, G. K. The Book of Revelation: A Commentary on the Greek Text. Grand Rapids: Eerdmans, 1999

Hemer, Colin J. The Letters to the Seven Churches of Asia in Their Local Setting. Grand Rapids: Eerdmans, 2001

Hendriksen, William. Mais que Vencedores: Uma interpretação do Apocalipse. São Paulo: Cultura Cristã, 2004

MacArthur, John. Comentário Bíblico MacArthur: Novo Testamento. São Paulo: Thomas Nelson Brasil, 2011

Mounce, Robert H. The Book of Revelation. Grand Rapids: Eerdmans, 1998

Ryrie, Charles C. Revelation. Chicago: Moody Press, 1996

Swete, Henry Barclay. The Apocalypse of St. John. London: Macmillan, 1906

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sexta-feira, 6 de março de 2026

Páscoa: Caminhando com Jesus em Seus Últimos Momentos - (Getsêmani)

Foto de uma loja

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Quinta-feira à noite – Oração no Getsêmani

Estamos Caminhando com Jesus em seus últimos momentos antes da Cruz. Estamos utilizando o roteiro exposto na gravura acima e utilizando, para cada ponto, a seguinte estrutura:

  • Leitura bíblica
  • Comentário
  • Pergunta para reflexão

É importante ressaltar que não se trata de comentários extensos, pois o objetivo desta série é torná-la um roteiro devocional para o tempo da Páscoa, mais precisamente na semana derradeira, criando a sensação de estarmos vivenciando estes momentos com Jesus. Apesar da concisão, manteremos a fidelidade à exposição exegética e expositiva, respeitando as perícopes e, sempre que possível, as interconexões entre os evangelistas e suas respectivas narrativas.
Que o Espírito Santo nos guie na compreensão e aplicação de Sua Palavra em nossas mentes e corações. Amém!

Leitura: Os textos apresentados abaixo são paráfrases, ou seja, traduções livres mas sempre fiéis ao sentido dos textos gregos.

 

Mateus 26:36-46

Marcos 14:32-42

Lucas 22:39-46

Jesus foi com seus discípulos a um lugar chamado Getsêmani. Ele pediu que se sentassem enquanto ia orar, levando consigo Pedro, Tiago e João. Começou a sentir uma tristeza profunda e disse a eles que sua alma estava angustiada até a morte, pedindo que permanecessem acordados com Ele. Então, afastou-se um pouco, caiu com o rosto em terra e orou: “Pai, se possível, afasta de mim este cálice; mas que seja feita a tua vontade, não a minha.” Voltando, encontrou os discípulos dormindo e perguntou a Pedro: “Vocês não puderam vigiar comigo nem por uma hora? Vigiem e orem para não caírem em tentação; o espírito está disposto, mas a carne é fraca.”

Ele se afastou novamente e orou pela segunda vez, repetindo sua entrega à vontade do Pai. Ao voltar, os encontrou dormindo outra vez, pois estavam exaustos. Pela terceira vez, orou com as mesmas palavras. Depois, retornou e disse: “Vocês ainda dormem e descansam? Chegou a hora: o Filho do Homem está sendo entregue nas mãos dos pecadores. Levantem-se, vamos! Aquele que me trai já está chegando.”

 

Jesus foi com seus discípulos a um lugar chamado Getsêmani e disse: “Sentem-se aqui enquanto eu vou orar.” Levou consigo Pedro, Tiago e João, e começou a sentir grande angústia e tristeza. Ele lhes disse: “Minha alma está profundamente triste, quase até a morte. Fiquem aqui e vigiem.”

Então, afastou-se um pouco, caiu no chão e orou: “Pai, se possível, afasta de mim este cálice; mas que seja feita a tua vontade, não a minha.” Voltando, encontrou os discípulos dormindo e disse a Pedro: “Simão, você está dormindo? Não conseguiu vigiar nem por uma hora? Vigiem e orem para não caírem em tentação. O espírito está disposto, mas a carne é fraca.”

Ele se afastou novamente e orou, repetindo as mesmas palavras. Ao voltar, encontrou-os dormindo outra vez, pois seus olhos estavam pesados. Eles não sabiam o que responder. Pela terceira vez, Jesus voltou a orar e, ao retornar, disse: “Vocês ainda dormem e descansam? Basta! Chegou a hora: o Filho do Homem está sendo entregue nas mãos dos pecadores. Levantem-se, vamos! O traidor já está chegando.”

 

Jesus saiu e foi, como costumava fazer, para o monte das Oliveiras, e os discípulos o acompanharam. Ao chegar, disse a eles: “Orem para não caírem em tentação.” Então, afastou-se um pouco, ajoelhou-se e orou: “Pai, se quiseres, afasta de mim este cálice; contudo, que seja feita a tua vontade, não a minha.”

Um anjo do céu apareceu para fortalecê-lo. Em profunda angústia, Jesus orava com ainda mais intensidade, e seu suor caía como gotas de sangue que escorriam até o chão. Depois, levantou-se da oração, voltou até os discípulos e os encontrou dormindo, exaustos de tristeza. Ele lhes disse: “Por que estão dormindo? Levantem-se e orem, para que não caiam em tentação.”

 

 

Chegou a hora! Após comer a ceia no Cenáculo com os discípulos e lhes ensinar as últimas lições do discípulo, Jesus sai em direção ao Monte das Oliveiras (cerca de 1 km, o que corresponde a uma caminhada de aproximadamente 10 a 15 minutos), pois ali havia um jardim chamado Getsêmani onde poderia orar tranquilamente (provavelmente já havia feito isso antes).

Ao chegarem no jardim Ele separa Pedro, Tiago e João para estarem mais próximos enquanto ora. Tomado por profunda angústia, declara: “A minha alma está profundamente triste até à morte.”

Jesus então se afasta um pouco mais e ora ao Pai pedindo, se possível, que o cálice [da cruz] passe dele, mas reafirma sua submissão: “Contudo, não seja como eu quero, mas como tu queres.”

Enquanto isso, os discípulos, se entregam ao cansaço e dormem. Jesus volta três vezes, encontra-os dormindo e os exorta: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação.”

Lucas acrescenta que sua agonia era tão intensa que seu suor se tornou como gotas de sangue caindo ao chão, e que um anjo lhe apareceu para fortalecê-lo. Ao final, Jesus desperta os discípulos e anuncia que chegou a hora: o Filho do Homem está sendo entregue nas mãos dos pecadores.

Comentário:

A narrativa e/ou relatos do Getsêmani representa um dos momentos mais profundos da revelação da humanidade de Cristo. Após ensinar, curar e demonstrar autoridade divina, Jesus agora se apresenta em extrema vulnerabilidade diante de todas as atrocidades que haverá de ser submetido.

Os evangelistas que escrevem em momentos distintos suas narrativas, e registram apenas o essencial dentro de suas perspectivas. O cenário é comum aos três: Jesus entra no jardim para orar antes da traição e aprisionamento. O lugar não é casual. O Getsêmani (do hebraico/aramaico gat-šĕmānê, “prensa de azeite”) torna-se simbolicamente o lugar onde o Messias é “pressionado” pela agonia espiritual. Assim como as azeitonas eram esmagadas para produzir óleo, Cristo é esmagado pela antevisão da cruz. Tem plena consciência dos detalhes do que está por vir.

Mateus e Marcos coloca em destaque a agonia profunda de Jesus. As expressões gregas usadas indicam angústia intensa, quase esmagadora. Não se trata de medo comum da morte, mas da consciência do peso do pecado que ele carregaria. O “cálice” mencionado na oração é uma metáfora veterotestamentária frequentemente associada ao juízo divino. Jesus contempla não apenas a dor física da crucificação, mas o peso do julgamento que recairia sobre ele em favor da humanidade. O Rev. Lloyd-Jones seguindo a tradição reformada afirma que o Getsêmani não é apenas preparação, mas já o início da expiação, pois Cristo enfrenta a realidade do juízo divino.

Lucas, por sua vez, acrescenta dois detalhes importantes: a presença de um anjo fortalecendo Jesus e o suor como gotas de sangue. Os comentaristas reformados concordam que os dois detalhes de Lucas não são meras notas históricas, mas revelam a profundidade da batalha espiritual e humana de Jesus: o anjo como expressão do sustento divino e o suor como sangue como expressão da intensidade da agonia interior. Lucas deseja enfatizar a intensidade da luta espiritual e física travada naquele momento. O Salvador enfrenta ali uma batalha interior (mental) decisiva antes da batalha externa da cruz.

Ao mesmo tempo, o contraste com os discípulos é evidente. Enquanto Jesus vigia e ora, eles dormem. A exortação “vigiai e orai” revela uma verdade espiritual permanente: a fraqueza humana torna a vigilância espiritual indispensável. Em sua narrativa Lucas repete a exortação em duas ocasiões: antes de Jesus se afastar para orar e novamente quando retorna, reforçando o chamado à vigilância. O espírito pode estar disposto, mas a natureza humana é fraca [como vemos na traição de Iscariotes, na negação de Pedro e na fuga dos demais discípulos].

O ponto culminante do texto não é a angústia, ainda que seja intensa, mas a submissão. A oração de Jesus expressa a perfeita obediência filial: “não seja feita a minha vontade, mas a tua.” A luta interior intensa culmina na vitória da submissão. A redenção não se dá apenas na cruz, mas já aqui, quando Cristo se submete plenamente a sorver cada gota do cálice da ira de Deus, em favor daqueles que haverão de serem salvos. Aqui se revela o coração da redenção. O Jesus Cristo, segundo Adão, escolhe obedecer onde o primeiro falhou.

Assim, o Getsêmani nos ensina que a vitória espiritual nasce no secreto da oração [entra em teu quarto, fecha a porta e ore em secreto]. Antes da cruz pública, houve a rendição silenciosa no jardim. A vitória na cruz foi alcançada primeiro no coração obediente do Filho.

Reflexão

1. O que Jesus nos ensina no Getsêmani sobre enfrentar a angústia?
Resposta: Que devemos levar nossas dores e temores a Deus em oração, confiando em sua vontade.

2. O que significa o “cálice” que Jesus menciona em sua oração?
Resposta: O sofrimento da cruz e o juízo de Deus que Cristo carregaria pelos pecados da humanidade.

3. Por que Jesus ordena aos discípulos que vigiem e orem?
Resposta: Porque o espírito pode estar disposto, mas a carne é fraca, e somente a vigilância em oração nos guarda da tentação.

4. Qual é a principal lição da oração de Jesus: “não seja feita a minha vontade, mas a tua”?     
Resposta: Que a verdadeira obediência consiste em submeter plenamente nossa vontade à vontade de Deus.

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Guedes, Ivan Pereira
Mestre em Ciências da Religião.
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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Jonas - Leitura Devocional – A Grande Tempestade [1.4-6]

 Imagem digital fictícia de personagem de desenho animado

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Na devocional anterior entramos no navio junto com Jonas em direção à cidade de Tarso, que ficava na direção oposta de Nínive. Parece que tudo vai bem com o profeta desobediente. Ele se acomoda no fundo do barco e consegue até mesmo cair em sono profundo. Mas...

“Mas o Senhor enviou ao mar um grande vento, e fez-se no mar uma grande tempestade, de modo que o navio estava a ponto de se despedaçar. Então os marinheiros tiveram medo, e cada um clamava ao seu deus, e lançaram ao mar a carga que estava no navio, para aliviar a carga. Mas Jonas havia descido às partes mais baixas do navio, deitou-se e dormia profundamente. Então o capitão veio até ele e disse: ‘O que você quer dizer, dorminhoco? Levante-se, invoque o seu Deus; talvez o seu Deus nos considere, para que não pereçamos’.”

O Senhor enviou um grande vento ao mar. A soberania de Deus não se limita aos seres humanos, mas inclui toda a criação. As tempestades da nossa vida estão sempre sob o controle de Deus. No entanto, em vez de confiarmos em Seu poder, agimos como os discípulos no barco da Galileia: desesperamos e cobramos de Deus por não agir em nosso favor – “quer que morramos?”.

Na maior parte do tempo somos crentes de pequena fé.

As tempestades surgem para provar os fundamentos da nossa fé: “...de modo que o navio estava prestes a ser quebrado.” Há pequenas tempestades que não causam muitos danos, mas esta era uma das grandes; parecia que o navio iria partir ao meio.

Por mais incrível que pareça, Deus não estava fazendo isso para punir Jonas, mas para manifestar Seu amor para com o profeta desobediente. Ele queria deixar claro que a ordem recebida era a manifestação de Seu amor gracioso, e que a desobediência de Jonas não impediria o cumprimento da vontade divina para com os ninivitas.

Na escola de Deus não há aulas virtuais; são presenciais e práticas.

Depois de lavar os pés dos discípulos, Jesus disse: “Vocês viram o que eu fiz; façam o mesmo.” O Evangelho é para ser vivido, praticado e manifestado. O genuíno evangelismo é aquele que é pregado e visto na vida cotidiana.

As tempestades fazem parte da pedagogia de Deus para ensinar Seu profeta – e também a nós. Quando o enorme navio Titanic estava para iniciar sua primeira (e única) viagem, alguém perguntou ao engenheiro responsável pela construção: “Não há perigo de um navio tão grande naufragar no mar?” Ele respondeu: “Nem Deus afunda este navio!” Todos riram. O Titanic não chegou a completar sua primeira viagem.

Então os marinheiros ficaram com medo; e cada um clamava ao seu deus...Onde depositamos a nossa fé?

É no meio das tempestades que descobrimos em quem realmente cremos. Os profetas cansaram de exortar o povo para que não buscassem outros deuses, mas servissem e adorassem somente Yahweh. Eles não ouviram... então veio o exército assírio; ainda não aprenderam... veio o exército babilônico... e quarenta anos de cativeiro... somos crentes difíceis de aprender...

“...e lançaram ao mar a carga que estava no navio, para aliviar a carga.” O navio estava carregado de mercadorias valiosas, mas diante da morte iminente o valor delas tornou-se insignificante. Lançaram tudo ao mar. Jesus disse ao jovem rico: “Vai, vende tudo o que tens e depois vem e segue-me.” O rapaz se afastou triste, pois tinha muitos bens. Veja a diferença do apóstolo Paulo: “Abri mão de tudo para ter a Cristo.”

Onde estava Jonas em meio a tudo isso? Mas Jonas desceu às partes mais baixas do navio, deitou-se e dormiu profundamente.” Quando nos afastamos da vontade de Deus, tornamo-nos alienados dos perigos ao nosso redor. Mesmo grandes tempestades não são suficientes para nos acordar. Aqui não é o sono do justo (vida), mas o sono do desobediente/negligente (morte).

A Bíblia nos ensina com clareza que Jesus Cristo está voltando, mas a maioria das pessoas está tão absorta em seus planos, correndo atrás de seus sonhos, que dorme... Assim como as cinco virgens adormeceram despreocupadamente, até que se ouviu o grito: “O noivo está chegando!” Desesperadas, saíram atrás de mais óleo. Quando retornaram, as portas da boda estavam fechadas definitivamente...era tarde demais!

Noé trabalhou quarenta longos anos. As pessoas faziam seus negócios, casavam-se, assistiam aos campeonatos...pulavam seus carnavais... então Deus fechou a porta da arca, e as águas desceram até que toda vida fosse exterminada. Noé nada podia fazer por elas, pois foi Deus quem fechou as portas.

No Apocalipse, Jesus diz: “Eu sou aquele que abre e ninguém fecha, mas também sou aquele que fecha e ninguém pode abrir.”

Então o capitão veio até Jonas...” – “Acorda, dorminhoco!” Jonas é questionado sobre a razão de dormir enquanto todos estavam prestes a morrer. Isso nos lembra uma cena lamentável: no Getsêmani, por três vezes Jesus acordou Seus discípulos, que não puderam orar com Ele nem por um pouco de tempo.

Meus amados, o sono não pode prevalecer; a inércia não pode prevalecer.

Hino
Despertai-vos! Levantai-vos!
Não há tempo a perder.
Se quereis servir a Cristo,
Tendes muito que fazer.
Meditai no Seu amor,
Meditai no que Ele fez.
Pela morte no Calvário,
Resgatou-nos de uma vez!

Levanta-te, invoca o teu Deus; talvez o teu Deus nos considere, para que não pereçamos.” Para vergonha de Jonas, é o comandante do navio quem vem despertá-lo.

Vigiai e orai... mas nós estamos dormindo!

O Senhor nos dá a Sua Palavra como espelho para vermos na apatia de Jonas...a nossa própria. Ele dormia tranquilamente enquanto todos corriam risco de morte. John Knox orava todas as noites: “Senhor, dá-me a Escócia, senão eu morro!” Jesus disse: “A seara é grande, está pronta para a ceifa; rogai ao Senhor da seara que envie mais ceifeiros.”

Vamos acordar!    

Perguntas Para Reflexão

1. Onde está a nossa confiança em meio às tempestades?

Resposta: Muitas vezes, como os marinheiros, buscamos soluções humanas ou clamamos a outros “deuses”, mas somente o Senhor tem poder sobre o vento e o mar.

Referência: “Mas o Senhor enviou ao mar um grande vento, e fez-se no mar uma grande tempestade...” (Jonas 1.4)

2. O que revelam as tempestades sobre o valor que damos às coisas?

Resposta: Elas expõem que bens materiais e conquistas humanas não têm valor diante da vida e da eternidade.

Referência: “...e lançaram ao mar a carga que estava no navio, para aliviar a carga.” (Jonas 1.5)

3. Qual é o perigo de nos afastarmos da vontade de Deus?

Resposta: Tornamo-nos insensíveis e alienados, incapazes de perceber os riscos ao nosso redor, como Jonas que dormia em meio ao caos.

Referência: “Mas Jonas havia descido às partes mais baixas do navio, deitou-se e dormia profundamente.” (Jonas 1.5)

4. Quem nos desperta quando estamos espiritualmente adormecidos?

Resposta: Muitas vezes, Deus usa até mesmo pessoas inesperadas, como o capitão que acordou Jonas, para nos chamar de volta à vigilância e oração.

Referência: “Então o capitão veio até ele e disse: ‘O que você quer dizer, dorminhoco? Levante-se, invoque o seu Deus; talvez o seu Deus nos considere, para que não pereçamos’.” (Jonas 1.6)

Utilização livre desde que citando a fonte

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