Todo estudante que começa a estudar
o Antigo
Testamento de maneira mais organizada acaba encontrando uma pergunta
inevitável: por onde começar?
A quantidade de livros, autores,
períodos históricos, gêneros literários, personagens, acontecimentos e debates
acadêmicos pode produzir a impressão de que estamos diante de um território
grande demais para ser percorrido. E, de fato, o Antigo Testamento é um
território vasto.
É justamente por isso que começamos
esta Biblioteca pela Introdução ao Antigo Testamento. Pois, a
proposta desta série não é apresentar uma lista definitiva de livros que todos
deveriam ler, muito menos estabelecer uma única maneira correta de estudar as
Escrituras. Queremos fazer outra coisa: abrir as estantes, apresentar os
caminhos e ajudar o estudante a aprender a pesquisar,
comparar, discernir e aproveitar.
Aqui, “estudante” deve ser
entendido em sentido amplo. Pode ser alguém que está começando seus estudos
teológicos, um seminarista, pastor, professor, líder de Escola Bíblica,
pesquisador ou simplesmente um leitor interessado em compreender melhor a
Bíblia.
A Biblioteca procura reunir obras de
diferentes épocas, tradições e perspectivas. Algumas serão mais acessíveis;
outras exigirão maior preparação. Algumas representam a tradição evangélica;
outras pertencem a diferentes correntes da pesquisa bíblica. Algumas são
recentes; outras atravessaram décadas e continuam sendo úteis para compreender
como o estudo do Antigo Testamento foi construído.
Nosso princípio é simples:
pesquisar,
comparar, discernir e aproveitar.
Não precisamos concordar
integralmente com um autor para reconhecer o valor de uma obra. Da mesma
maneira, o fato de um livro pertencer à nossa tradição não significa que ele
deva ser aceito sem leitura crítica.
A Biblioteca
pretende ser, portanto, ampla sem ser pesada, acadêmica sem ser
academicista, acessível sem ser superficial.
O que é uma
Introdução ao Antigo Testamento?
É uma obra que procura oferecer ao
leitor uma visão de conjunto do Antigo Testamento e das principais
questões necessárias para sua leitura.
Dependendo da obra e da época em que
foi escrita, ela pode tratar da formação do cânon, transmissão do texto,
contexto histórico e cultural, autoria e composição dos livros, gêneros
literários, estrutura, temas, teologia e história da interpretação. É
importante perceber de que não existe uma única maneira de fazer uma introdução
ao Antigo Testamento.
As obras mais antigas frequentemente
dedicavam grande atenção à autoridade, autenticidade, autoria e estrutura dos
livros. Com o desenvolvimento da pesquisa bíblica, ganharam espaço questões
históricas, literárias, linguísticas e arqueológicas. Obras mais recentes
procuram combinar algumas dessas perspectivas com questões de leitura canônica,
teologia bíblica, contexto cultural e relação entre os diferentes conjuntos
literários do Antigo Testamento. É justamente essa variedade que torna uma
biblioteca interessante.
Assim, em vez
de esconder as diferenças, vamos colocá-las na estante.
A estante em
português
Para o leitor brasileiro, esta é a
primeira margem do nosso rio. E ela é muito mais rica do que poderia parecer à
primeira vista. Há introduções evangélicas de referência, obras acadêmicas
clássicas, trabalhos recentes e livros que representam perspectivas diferentes
da pesquisa bíblica.
Para começar ...
BILLON, Gérard.
Introdução ao Antigo Testamento. Petrópolis: Vozes, 2020.
Uma obra relativamente breve,
concebida como uma espécie de caixa de ferramentas para a leitura do Antigo
Testamento. Pode funcionar como porta de entrada para quem ainda não está
familiarizado com os principais problemas históricos, culturais e literários
relacionados ao texto bíblico.
Não ocupa o mesmo espaço de uma
grande obra de referência, mas pode cumprir uma função pedagógica importante: ajudar
o iniciante a entrar no território antes de percorrê-lo em profundidade.
ARNOLD, Bill
T.; BEYER, Bryan E. Descobrindo o Antigo Testamento: uma perspectiva cristã.
São Paulo: Cultura Cristã, 2001.
Uma introdução de caráter
pedagógico, especialmente útil para estudantes que precisam de uma apresentação
organizada do conteúdo, contexto e mensagem dos livros do Antigo Testamento. A
obra utiliza recursos didáticos que ajudam a aproximar o leitor do texto e de
seu ambiente histórico e literário.
É uma boa lembrança de que uma
introdução não precisa ser apenas um tratado acadêmico: ela também pode ser uma
ferramenta de aprendizagem.
SICRE DÍAZ,
José Luis. Introdução ao Antigo Testamento. 4. ed. rev. e ampl.
Petrópolis: Vozes, 2024.
Aqui encontramos uma obra que merece
atenção especial. A quarta edição foi revista e ampliada e atualizou
informações e bibliografia que haviam ficado defasadas nas edições anteriores.
A estrutura percorre grandes conjuntos do Antigo Testamento e procura oferecer
ao leitor as informações necessárias para sua leitura.
Sicre representa uma tradição
acadêmica diferente de algumas das introduções evangélicas presentes nesta
estante. É justamente por isso que sua presença é valiosa. O leitor não precisa
escolher uma tradição antes de conhecer as demais.
Obras de
referência
LASOR, William
S.; HUBBARD, David A.; BUSH, Frederic W. Introdução ao Antigo Testamento.
São Paulo: Vida Nova, 2002.
Uma das grandes obras de referência
disponíveis em português. Com aproximadamente 880 páginas, oferece tratamento
detalhado dos livros do Antigo Testamento, envolvendo ambiente histórico,
conteúdo, perfil literário, mensagem, arqueologia, mapas, gráficos e outros
recursos.
É uma obra para ter na estante e
consultar repetidamente. Não necessariamente para começar pela primeira página
e terminar na última.
DILLARD,
Raymond B.; LONGMAN III, Tremper. Introdução ao Antigo Testamento. São
Paulo: Vida Nova, 2006.
Outra referência importante para o
estudante evangélico. Os autores combinam pano de fundo histórico, análise
literária, mensagem teológica e relação dos livros com o cânon e com o Novo
Testamento, dialogando também com questões do método crítico.
É uma obra especialmente útil para
perceber como uma introdução evangélica pode dialogar com a pesquisa acadêmica sem
abandonar suas convicções teológicas.
MERRILL, Eugene
H.; ROOKER, Mark F.; GRISANTI, Michael A. Introdução ao Antigo Testamento: o
mundo e a Palavra. São Paulo: Vida Nova, 2025.
Esta é uma das grandes novidades da
nossa estante.
Publicada em português em 2025, a
obra apresenta uma abordagem ampla das Escrituras, articulando contexto
histórico, composição e teologia do Antigo Testamento. Com quase 900 páginas,
entra na Biblioteca não como simples repetição das obras anteriores, mas como
uma referência evangélica contemporânea que merece ser conhecida e comparada
com as demais.
Sua presença também nos lembra de
uma coisa importante: uma biblioteca não deve ficar congelada no passado.
BELCHER JR.,
Richard P.; CURRID, John D.; FULLILOVE, William B.; et al. Introdução
bíblico-teológica ao Antigo Testamento. São Paulo: Fiel, 2024.
Uma obra coletiva com participação
de diversos estudiosos evangélicos, publicada em português em 2024. Seu eixo é
explicitamente bíblico-teológico e cristocêntrico, procurando compreender o
Antigo Testamento dentro do desenvolvimento do plano divino de redenção.
Aqui é necessário fazer uma
distinção importante: esta não é simplesmente uma introdução
histórico-literária neutra. Ela representa claramente uma determinada
abordagem teológica do Antigo Testamento.
E exatamente por isso ela merece
estar na estante. Pois, o estudante deve conhecer não apenas informações sobre
o AT, mas também como diferentes comunidades interpretativas organizam essas
informações.
ARCHER JR.,
Gleason L. Panorama do Antigo Testamento. 4. ed. São Paulo: Vida Nova,
2012.
Uma obra importante da tradição
evangélica conservadora, originalmente publicada em inglês como A Survey of
Old Testament Introduction. As edições brasileiras anteriores circularam
sob o título Merece Confiança o Antigo Testamento?, antes de receberem o
título Panorama do Antigo Testamento na edição revisada e ampliada.
Archer percorre questões como
inspiração, manuscritos, versões antigas, crítica textual, cânon e introdução
aos diferentes livros do Antigo Testamento. Sua proposta é oferecer ao
estudante uma visão geral da discussão introdutória, tratando também das principais
posições críticas.
Sua presença é especialmente
importante porque permite ao leitor comparar uma abordagem evangélica
conservadora com as diferentes perspectivas representadas nas demais obras
desta estante.
YOUNG, Edward
J. Introdução ao Antigo Testamento.
Um clássico da tradição conservadora
de estudos do Antigo Testamento. A obra percorre os principais problemas
introdutórios e apresenta uma leitura marcada pela convicção acerca da unidade
e autoridade das Escrituras.
Sua importância não está apenas no
conteúdo, mas também na história da pesquisa evangélica do século XX. Young
ajuda o estudante a perceber como uma determinada tradição teológica respondeu
aos desafios levantados pela crítica bíblica moderna.
Clássicos
acadêmicos
SELLIN, Ernst;
FOHRER, Georg. Introdução ao Antigo Testamento. São Paulo: Academia
Cristã, 2025.
Uma obra clássica da tradição
acadêmica alemã, novamente disponível em português em edição de 2025. A obra
trabalha formação, história, literatura e questões críticas relacionadas aos
livros do Antigo Testamento.
Não é necessariamente a primeira
obra que indicaremos ao iniciante. Mas é uma daquelas que ajudam o estudante a
compreender a história da própria pesquisa do Antigo Testamento.
RENDTORFF,
Rolf. Antigo Testamento: uma introdução. 2. ed. São Paulo: Academia
Cristã, 2025.
Outra obra importante para a
compreensão de abordagens acadêmicas do Antigo Testamento. A perspectiva de
Rendtorff oferece ao estudante uma maneira diferente de organizar o material
bíblico e de compreender a formação e a estrutura do Antigo Testamento.
Sua presença amplia o diálogo com a
tradição acadêmica europeia e oferece mais uma oportunidade para comparação.
ZENGER, Erich. Introdução
ao Antigo Testamento. São Paulo: Loyola.
Uma obra que acrescenta à estante
uma perspectiva acadêmica católica contemporânea. Seu valor está também na
possibilidade de perceber como questões históricas, literárias e teológicas
podem ser organizadas dentro de uma tradição confessional diferente.
SCHMIDT, Werner
H. Introdução ao Antigo Testamento. São Leopoldo: Sinodal, 1994.
Um clássico da pesquisa acadêmica em
língua portuguesa, originalmente publicado no Brasil pela Sinodal. A estrutura
começa com um esboço geral do Antigo Testamento, aborda cânon, períodos da
história de Israel, sociedade e, posteriormente, os diferentes conjuntos
literários.
É outra obra que merece permanecer
na estante como testemunho de uma importante tradição acadêmica.
BENTZEN, Aage. Introdução
ao Antigo Testamento. 2 vols. São Paulo: ASTE, 1968.
Uma obra histórica, hoje encontrada
sobretudo em acervos, bibliotecas e sebos. Sua presença não se justifica pela
atualidade de cada uma de suas posições, mas pelo valor histórico e acadêmico
que possui.
Para quem quiser conhecer como
determinadas gerações de estudiosos organizavam a introdução ao Antigo
Testamento, Bentzen oferece uma janela para o passado.
Uma perspectiva
diferente
CERESKO,
Anthony R. Introdução ao Antigo Testamento numa perspectiva libertadora.
São Paulo: Paulus.
A obra acrescenta à estante uma
abordagem que procura relacionar a leitura do Antigo Testamento às condições
sociais e históricas nas quais seus textos foram produzidos e recebidos.
Não está aqui para definir a
perspectiva da Biblioteca, mas para permitir que o estudante conheça uma
abordagem diferente e possa avaliá-la em diálogo com as demais.
É exatamente aqui que nosso
princípio de comparar e discernir deixa
de ser apenas uma frase bonita e se transforma em método.
A estante em
espanhol
O espanhol abre outro trecho
importante do rio.
Para o leitor brasileiro, essa
estante tem uma vantagem especial: aproxima-nos de uma produção bíblica muito
ampla do mundo hispânico, incluindo obras que nem sempre circulam com a mesma
facilidade em português.
Mas aqui precisamos respeitar uma
regra estabelecida desde o início do projeto:
quando uma obra
importante em espanhol possui edição portuguesa adequada, ela será colocada
prioritariamente na estante em português, evitando duplicações desnecessárias.
É o caso de José Luis Sicre. Sua Introdução
ao Antigo Testamento está hoje representada na estante portuguesa pela
edição brasileira revista e ampliada de 2024.
A estante espanhola, portanto, não
deve ser uma repetição da portuguesa. Ela deve trazer novos veios.
Entre as obras e autores que merecem
ser procurados nesse trecho do rio estão trabalhos de introdução geral ao
Antigo Testamento que permanecem disponíveis em espanhol e acrescentam
perspectivas ou abordagens não representadas adequadamente em português.
A lógica continuará sendo a mesma: não
acumular títulos por quantidade, mas selecionar obras que acrescentem alguma
coisa à formação do estudante.
Isso será ainda mais importante à
medida que avançarmos para outras estantes da Biblioteca, porque o mundo
hispânico possui uma produção muito ampla em história de Israel, literatura
profética, Pentateuco, literatura sapiencial, hermenêutica e teologia bíblica.
Nem tudo precisa entrar aqui. Cada
pepita deve encontrar a estante certa.
A estante em
inglês
Se o português é a margem mais
próxima e o espanhol amplia nosso horizonte, o inglês abre um dos maiores veios
bibliográficos da pesquisa bíblica moderna.
Mas também aqui vale o princípio da
peneira. Não precisamos colocar nesta estante tudo o que encontramos em inglês.
Quando uma obra importante já possui uma edição portuguesa adequada, ela
permanece na estante portuguesa.
É o caso de Archer, Young, LaSor,
Dillard & Longman, Arnold & Beyer e outras obras que já encontramos em
português.
O inglês entra especialmente para
acrescentar obras históricas, clássicas ou contemporâneas que ainda não
possuem representação adequada em português.
Clássicos
históricos
JAHN, Johann. An
Introduction to the Old Testament.
Uma obra representativa da tradição
de introdução ao Antigo Testamento do início do século XIX. Sua presença
interessa menos pela utilização direta como manual contemporâneo e mais pela
possibilidade de observar como a disciplina estava sendo construída.
DAVIDSON,
Samuel. An Introduction to the Old Testament: Critical, Historical, and
Theological.
Uma obra importante para acompanhar
o desenvolvimento da abordagem crítica, histórica e teológica do Antigo
Testamento no século XIX.
KEIL, Carl
Friedrich. Manual of Historico-Critical Introduction to the Canonical
Scriptures of the Old Testament.
Representa uma vertente conservadora
da tradição histórico-crítica alemã e oferece ao estudante uma oportunidade de
perceber que a relação entre crítica e compromisso com a tradição cristã não
foi simplesmente uma história de oposição.
BLEEK,
Friedrich. An Introduction to the Old Testament.
Outra obra histórica que ajuda a
acompanhar o desenvolvimento da disciplina no século XIX.
Esses livros antigos não são
colocados aqui para substituir as introduções atuais.
Eles estão aqui porque uma
biblioteca também ensina a história das perguntas que os estudiosos fizeram ao
texto bíblico.
Obras modernas
MCFADYEN, John
Edgar. Introduction to the Old Testament.
Uma representação importante da
produção introdutória do início do século XX e uma peça interessante para
acompanhar a transição entre diferentes momentos da pesquisa bíblica.
HARRISON, R. K.
Introduction to the Old Testament.
Uma das grandes introduções do
século XX, representativa de uma abordagem evangélica conservadora ampla e
profundamente informada pelo estudo histórico, cultural e arqueológico do mundo
bíblico.
Sua presença é importante também por
permitir a comparação com outras introduções evangélicas e acadêmicas da
estante.
CHILDS, Brevard
S. Introduction to the Old Testament as Scripture.
Uma obra decisiva para compreender
uma mudança importante na própria disciplina. Childs propõe um modelo diferente
de introdução, procurando compreender a Bíblia Hebraica não apenas em sua
formação histórica, mas também em sua forma e função como Escritura.
Sua presença abre espaço para uma
questão que será cada vez mais importante em nossa Biblioteca: como
relacionar história, literatura, cânon e teologia na leitura do Antigo
Testamento?
WRIGHT,
Christopher J. H. The Old Testament in Seven Sentences: A Small Introduction
to a Vast Topic.
Uma proposta contemporânea e
deliberadamente sintética. O título já revela sua intenção: apresentar um
grande território por meio de algumas grandes linhas de compreensão.
É uma obra útil para perceber como
uma introdução pode ser construída não pelo acúmulo de informações, mas pela
identificação de grandes eixos de leitura.
GOLDINGAY,
John. An Introduction to the Old Testament: Exploring Text, Approaches &
Issues.
Uma obra contemporânea que merece
atenção especial por oferecer ao estudante uma introdução articulada com
questões atuais da pesquisa do Antigo Testamento.
Sua presença ajuda a aproximar nossa
estante das discussões mais recentes em língua inglesa.
O que não
colocamos nesta estante
Uma boa biblioteca também se
constrói pelo que fica de fora. Durante a garimpagem encontramos muitas
obras importantes. Algumas, porém, pertencem a outras estantes.
Não colocamos aqui simplesmente
porque são livros famosos sobre o Antigo Testamento. O que esclarece a razão de
muitas obras muito conhecidas não estarem em nossa estante.
Não estamos construindo uma lista de
livros sobre o Antigo Testamento, mas, sim, montando nesta primeira prateleira
uma Introdução ao Antigo Testamento.
Isso significa que obras
fundamentais sobre história de Israel, Pentateuco, profetas, literatura
sapiencial, arqueologia, Oriente Próximo antigo, teologia do Antigo Testamento
ou hermenêutica poderão aparecer mais adiante, em estantes próprias.
Como usar esta
estante?
Esta é uma questão relevante. Como
estudante, não é necessário adquirir ou ler todas essas obras publicadas. A
estante está sendo elaborada para permitir que cada estudante encontre
diferentes alternativas de acordo com sua necessidade e seu nível de formação.
Quem está iniciando no campo da
pesquisa bíblica pode escolher uma obra introdutória mais acessível e, depois,
avançar para uma referência mais extensa. Aquele que já possui alguma formação
pode começar pelas obras de referência. Outra possibilidade é explorar os
clássicos. E aquele que deseja comparar perspectivas pode colocar lado a lado
autores de diferentes tradições.
Se você estiver preparando uma aula,
estudo bíblico, artigo ou pesquisa, poderá utilizar a estante como ponto de
partida para descobrir outras fontes.
A Biblioteca não pretende entregar
uma resposta pronta; pretende ensinar o estudante e/ou pesquisador a fazer boas
perguntas e encontrar boas fontes.
A Biblioteca
como um rio
Aqui creio ser oportuno explicar por
que escolhemos a imagem do rio para acompanhar esta Biblioteca.
Um rio tem um curso.
Recebe afluentes.
Passa por terrenos diferentes.
Carrega sedimentos.
Às vezes corre sobre pedras
visíveis; outras vezes esconde riquezas debaixo delas.
E continua avançando...
Uma biblioteca viva funciona de
maneira semelhante. À medida que avançamos, novas estantes aparecerão. Algumas
obras dialogarão com as anteriores. Outras apresentarão perspectivas
completamente diferentes. Algumas serão clássicas; outras, recentes. Algumas
estarão muito próximas da nossa tradição; outras nos obrigarão a ampliar o
olhar ou exercer o senso crítico.
Esta é a razão pela qual não se deve entrar nesta
Biblioteca como quem recebe um catálogo fechado, mas como quem chega à margem
de um rio. Assim, entre na Biblioteca como quem entra num rio: procure,
peneire, compare e descubra suas pepitas.
Nós ajudamos a mapear o rio, e você,
estudante, aprende a percorrê-lo.
E o garimpo continua...
Primeira
estante, primeiro trecho do rio
Começamos pela Introdução ao Antigo
Testamento porque precisamos primeiro conhecer o território antes de percorrer
suas diferentes regiões.
A partir daqui, a Biblioteca poderá
avançar para outros veios: história, Pentateuco, literatura histórica, poesia e
sabedoria, profetas, arqueologia, contexto do antigo Oriente Próximo, teologia
do Antigo Testamento, hermenêutica e tantos outros campos que formam o grande
universo dos estudos veterotestamentários.
Não é necessário nos apressarmos. Um bom garimpeiro sabe que a pressa pode fazer passar despercebida
justamente a pepita que estava procurando. Por isso, esta primeira estante não
pretende encerrar o assunto, mas abrir o caminho para muitas outras
possibilidades.
Entre.
O rio está correndo.
A pesquisa apenas começou...
Utilização
livre desde que citando a fonte
Guedes, Ivan
Pereira
Mestre em
Ciências da Religião.
me.ivanguedes@gmail.com
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