segunda-feira, 5 de setembro de 2016

SALMO 23.1 - O Cuidado Pastoral de Deus



O Senhor é o meu Pastor

Vivemos a era do MEDO! Em nenhum outro tempo vivemos tão assustados e acuados como nestes anos iniciais do século XXI.
Nosso coração se atemoriza com medo de doença, de sofrimento, de abandono e de solidão; medo daqueles queridos que saíram para suas atividades diárias e ainda não retornaram; medo da violência urbana, medo de guerras e de cataclismos da natureza, provocado ambos pela ganância desenfreada do ser humano; medo de perder o emprego, de perder o nível social, de perder os bens tão duramente conquistados ou de perder a pessoa amada...
O medo revela a nossa real condição humana nos paradoxos contínuos de medos e esperança, de desamparo e busca por segurança. Assim, tomamos consciência de que não somos senhores de nós mesmos, de nossa vida, do nosso presente ou do nosso futuro. Estamos continuamente à mercê de forças e circunstâncias às quais não temos o mínimo controle.
O medo rouba a nossa alegria, limita a nossa liberdade e torna nebuloso o nosso futuro.
Quem nos libertará deste medo?
Davi, o cantor de Israel, a mais de três mil anos atrás descobriu a resposta para esta pergunta e sem qualquer egoísmo ele compartilhou com todas as pessoas, através de sua música: “O Senhor é o meu Pastor”.
Esta foi a grande descoberta de Davi! Ele como nós sabia da fragilidade de sua vida diante de inumeráveis circunstâncias às quais não tinha qualquer controle; ele sabia que a vida humana não era constituída apenas de pastos verdejantes e águas tranquilas, de maneira que não deixa de colocar em seu salmo o tenebroso vale da sombra da morte...
Mas Davi e todos e todos aqueles que tem experimentado de um relacionamento pessoal com Deus, por meio de Jesus Cristo, sabem que podem tranquilizar seu coração e fazer sossegar sua alma, pois, “O Senhor (Yahweh/Yeshua) é o meu Pastor”. O Deus criador e sustentador de todas as coisas; o Deus Todo Poderoso; o Deus de toda Graça e Misericórdia, o Deus da Aliança (Yahweh) é o meu Pastore por isso não preciso ter medo de coisa alguma, pois Ele cuida de tal maneira de mim, que nada me faltara, daquilo que é necessário e daquilo que realmente eu preciso.
Jesus para acalmar e fazer sossegar o coração acelerado dos seus discípulos declara: “Eu sou o Bom Pastor”. Eu haverei de cuidar e suprir todas as necessidades de vocês, pois eu conheço voces e voces me conhecem. Nenhuma daqueles que o Pai me deu se perderá ou será arrancado de minhas mãos.
Quem é o seu Pastor?
Quem tem cuidado de você?
Quem é o Senhor de sua vida?

Nada me faltará
Com o passar do tempo alguns textos ou expressões bíblicas parece ser auto evidente, ou seja, já compreendemos o seu sentido e apreendemos todas as suas implicações... ledo engano!
Uma destas expressões pouco ou quase nada analisada pelos comentaristas bíblicos é a segunda parte do verso primeiro do salmo 23 – NADA ME FALTARÁ.
Aqui nestas poucas palavras esconde-se o fundamento da fé e da entrega incondicional do salmista em e ao seu Deus. Sem esta expressão, a declaração anterior de fé – O Senhor é o meu Pastor – se tornaria palavras lançadas ao vento e o restante do Salmo perderia totalmente o senso da realidade vivencial do salmista.
Ao fazer esta declaração “nada me faltará” o salmista está dizendo que estando ele debaixo dos cuidados pastorais de Deus, ele se sente totalmente seguro e saciado, pois absolutamente nada do que ele venha a necessitar ou precisar lhe faltara.
Mas esta declaração não é apenas uma frase de uma fé gospel, resultante de uma religiosidade estéril, de um cultuar interesseiro e frívolo; ao fazer esta declaração Davi lembra-se de tantas e tantas vezes em que Deus agiu em seu favor; ele recorda os inumeráveis momentos de comunhão a sós com Deus; Davi recorda do prazer e da alegria de estar na companhia de seus irmãos e irmãs, no Templo, oferecendo seus holocaustos e adoração de todo o seu coração e com toda a sua alma.
Evidente que esta frase, como tantas outras, tem sido completamente distorcida pelos pseudos comunicadores evangélicos. As palavras do salmista não significam de maneira alguma que Deus é nosso serviçal e fica de plantão vinte e quatro horas por dia para atender todos os nossos pedidos e caprichos.
A expressão "nada me faltará" implica em que Deus em nenhum momento deixara faltar para nós aquilo que nos necessitamos ou precisamos. Este é o ponto de discórdia entre nós e Deus, pois na maioria das vezes o que desejamos e pedimos, é o que queremos, mas não é o que de fato e de verdade o que precisamos.
Tiago em sua carta vai direto no ponto quando diz que não pedimos (oramos) e quando pedimos (oramos) o fazemos mal, pois almejamos apenas a nossa autossatisfação, desejamos apenas aplacar os desejos desvairados de nosso coração tremendamente corrupto.
E de nada terei falta...daquilo que é necessário para minha vida;
E de nada terei falta ... daquilo que vai contribuir para uma vida cristã de melhor qualidade;
E de nada terei falta ... daquilo que vai contribuir para a glória de Deus....
            O fim principal (a razão) pela qual eu existo ...é a glória de Deus
            Todas as bênçãos que Deus me dá ...é para o Louvor de Sua Glória..
            Os céus e a terra se movem em favor da minha vida...
                        Para que todo louvor, honra, poder e glória
                                   Sejam dadas...unicamente a Deus.
Nestes dias de um evangelicalismo esvaziado, de uma fé na fé, de cultos antropocêntricos, nunca necessitamos tanto de experimentarmos a realidade de um relacionamento pessoal com Deus, para podermos declarar como o salmista:
O Senhor é o meu Pastor, e de mais nada tenho necessidade.


Utilização livre desde que citando a fonte
Guedes, Ivan Pereira Mestre em Ciências da Religião.
Universidade Presbiteriana Mackenzie
me.ivanguedes@gmail.com
Outro Blog
Historiologia Protestante
http://historiologiaprotestante.blogspot.com.br/

Artigos Relacionados
Salmos – Diversos Artigos


Nenhum comentário:

Postar um comentário