segunda-feira, 6 de agosto de 2018

TAV (ת) - Última Letra do Alfabeto Hebraico


Alef e Tau - Primeira e Última letra do alfabeto hebraico
A última (ou seja, 22ª) letra do alfabeto hebraico é "tav” (ת) também considerada uma forma sintética de “tau”, que tem o som de "t". No hebraico moderno essa letra pode aparecer em três formas:
No quadro abaixo podemos observar o desenvolvimento dessa última letra do alfabeto hebraico:
O quadro antigo  é um tipo de "marca", provavelmente de dois paus cruzados para marcar um lugar, semelhante ao hieróglifo egípcio, uma figura de dois bastões cruzados. Esta letra tem os significados de "marca", "sinal", "assinatura" e “monumento”.
Nota: A letra Tav também pode ter um ponto ou marca תָּ. No hebraico antigo, um Tav sem o ponto era pronunciado "th" (por exemplo, como em Sabbath), mas no hebraico moderno, Tav com ou sem o dagesh (ponto) é pronunciado simplesmente como "t".
No hebraico não há números de maneira que cada letra do alfabeto representa um numeral, no caso de Tav = 400.
A palavra Tav ocorre apenas três vezes no Primeiro Testamento, duas no livro de Ezequiel (9.4,6) onde é traduzida por “marca”; a terceira referência está no livro de Jó (31.35) e preferivelmente deve ser traduzida por “marca” ou “assinatura” pessoal.
No livro de Jó a palavra aparece sem o sufixo (meu, minha) e refere-se a um documento legal, provavelmente um tablete de argila, onde a pessoa que se defendia de alguma acusação deixava sua assinatura ou marca – “defesa assinada”.
“Ah! quem me dera um que me ouvisse! Eis a minha defesa, que me responda o Todo-Poderoso! Oxalá tivesse eu a acusação escrita pelo meu adversário!” (Revisada)
“(Ah, se alguém me ouvisse! Agora assino a minha defesa. Que o Todo-poderoso me responda; que o meu acusador faça a denúncia por escrito” (NIV).
A versão Corrigida Fiel opta por uma tradução diferente:
“Ah! quem me dera um que me ouvisse! Eis que o meu desejo é que o Todo-Poderoso me responda, e que o meu adversário escreva um livro”.
De fato, muitos comentaristas concordam que uma tradução melhor da expressão inglesa é “eis minha marca” ou “eis minha assinatura”. Isso se reflete até mesmo em algumas das traduções mais recentes:
Oh, que eu tivesse um para me ouvir! Aqui está a minha marca. Oh, que o Todo-Poderoso iria me responder, que meu promotor havia escrito um livro! (Nova Versão do Rei Jaime, 1982).
Oh que eu tivesse um para me ouvir! Eis aqui a minha assinatura; Deixe o Todo Poderoso me responder! E a acusação que meu adversário escreveu (New American Standard Bible, 1995).
Quando chegamos ao capítulo 31, chamada de “Aliança de Jó”, temos uma virada na narrativa como Matthew Henry em seu comentário nos informa:
Jó frequentemente protestou contra sua integridade em geral; aqui ele o faz em casos particulares, não de maneira elogiosa (pois ele não proclama aqui suas boas ações), mas em sua própria justa e necessária justificativa, para se livrar dos crimes com os quais seus amigos o acusaram falsamente, que é uma dívida que todo homem deve à sua própria reputação.
Jó havia feito desde muito tempo um pacto com seus próprios olhos (31.1), ou seja, consigo mesmo, em obedecer à vontade de Deus, expressa em uma forma de conduta moral e religiosa – na abertura do livro temos a cena em que ele está fazendo sacrifícios por si mesmo e pelos seus filhos. Se no vigésimo nono capítulo, ele se defende mostrando sua retidão na vida pública, aqui neste capítulo ele reivindica seu caráter na vida privada. 
Depois de sua argumentação agora Jó está pronto para “assinar”, para deixar sua “marca” nos autos de sua defesa, a marca da assinatura era originalmente uma cruz (cf. acima) e daí a letra Tau, que devem ser “entregue” ao Juiz de todos – o seu Senhor e Soberano, o Todo Poderoso. As Notas de Tradução da Bíblia de Genebra registram a intenção de Jó:
Este é um sinal suficiente da minha justiça, que Deus é minha testemunha e justificará minha causa.
Assim como no Segundo Testamento temos a expressão “Alfa e Ômega”, a primeira e última letra do alfabeto grego, que significa o princípio e o fim e está intimamente relacionado à pessoa e obra de Jesus Cristo, no Primeiro Testamento temos a referência “Alef e Tav” que representam a primeira e última letra do alfabeto hebraico e que está relacionado diretamente à obra da Criação efetuada por Deus no princípio (Gn 1.1):
בְּרֵאשִׁ֖ית בָּרָ֣א אֱלֹהִ֑ים אֵ֥ת הַשָּׁמַ֖יִם וְ אֵ֥ת הָאָֽרֶץ
Quando se lê da direita para a esquerda temos "no começo criado, Elohim, 'et' Aleph-Tav em negrito) os céus e 'et' ( Aleph-Tav em negrito) a terra".
Assim, temos a Bíblia começando com o Aleph e Tav (Gênesis) e terminando com o Alfa e o Ômega (Apocalipse).
Outra vez que "Aleph-tav" aparecem juntas é encontrado em Êxodo nas instruções referidas ao exercício sacerdócio (Êxodo 28.29-30). O interessante aqui é que "Urim" começa com um "aleph" e "Tumim" começa com um "tav". A palavra "Urim" significa "luzes" e "Tumim" está enraizado em uma palavra que significa "conclusão perfeita". Nós entendemos que a luz é o elemento inicial do relato da criação e pode ser tranquilamente relacionado com Jesus, a Luz do Mundo, e Jesus é também o autor e consumador de nossa salvação.


Utilização livre desde que citando a fonte
Guedes, Ivan Pereira
Mestre em Ciências da Religião.
me.ivanguedes@gmail.com
Outro Blog
Historiologia Protestante
http://historiologiaprotestante.blogspot.com.br/

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