sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Primeiro Testamento: Literatura Histórica 1º Samuel – A Oração de Ana (1.9-11)


Um cântico evangélico que se tornou muito popular um tempo atrás inicia com a seguinte frase: “Há momentos que, na vida, pensamos em olhar atrás / É preciso pedir ajuda para poder continuar...”. As doenças psicossomáticas tornaram-se verdadeira epidemia no século XXI e as indústrias farmacêuticas lucram bilhões vendendo remédios paliativos que transformam milhões de pessoas viciados dependentes desta medicação tudo isso com a complacência dos médicos que os receitam.
Uma exposição pessoal exponencial nas mídias tem alimentado o narcisismo das pessoas, mas os efeitos colaterais podem ser visto no número de suicídios que tem aumentado assustadoramente neste século cibernético em virtude da desilusão e do vazio que estas pessoas sentem mesmo tendo milhares de “amigos” no facebook e milhares de seguidores no instagram.
Para aqueles que acusam as narrativas bíblicas de ser misoginia (do grego μισέω, transl. miseó, "ódio"; e γυνὴ, gyné, "mulher") ou “androcentrista” este capítulo inicial de Primeiro Samuel realça o valor e relevância perene da mulher no projeto de Deus. Ambas as histórias, da moabita Rute que antecede a história mais curta de Ana, revelam o quanto a mulher é protagonista na realização da História divina. Deus criou a mulher à sua imagem semelhança porque sabia que sem elas não haveria História.
Ana foi uma mulher que viveu em um período de transição da história israelita, quando mudanças profundas e significativas aconteceriam – será estabelecido o governo monárquico. Ela tinha um marido que a amava muito, mas não podia gerar filhos e na cultura israelita que ela estava inserida a esterilidade era considerada como um castigo divino. Deus havia prometido abençoar Seu povo com muitos descendentes se eles obedecessem a Ele ( Dt 28.11 ), consequentemente, muitos israelitas viram a incapacidade de uma mulher de ter filhos não apenas como uma questão natural, mas também como uma maldição de Deus.
Para complicar seu marido tomou uma segunda esposa (permitido pela cultura), mas em completa desarmonia com projeto original de Deus. Penina a segunda esposa gerou filhos e isso ampliou o sofrimento e humilhação de Ana. Essa situação durou por anos e a cada ocasião festiva Penina fazia questão de expor publicamente a situação humilhante de Ana, ainda que seu marido nessas ocasiões lhe desse uma porção dobrada para ofertar, demonstrando desta forma publicamente seu amor especial por ela.
Em uma dessas ocasiões religiosa festiva toda a família sai de sua residência em Rama e se dirigem até a cidade de Silo onde se celebrava a Deus e ali a família oferecia suas ofertas e sacrifícios conforme a Lei mosaica. Mas o coração e a alma de Ana contrastavam com todo aquele ambiente festivo. Vendo os filhos de Penina e as demais crianças brincando, cantando e correndo por todos os lados, contristava ainda mais seu coração e durante uma das refeições Ana optou por solitariamente se refugiar no santuário e ali derramar todas suas ansiedades e tristezas declarando sem qualquer subterfúgio toda sua insuficiência diante de Deus (Jó 3016; Sl 62.8; Sl 142.2, Lm 2.19; Tg 5.16).
Ela ora muito baixo (com o coração), pois quem deveria ouvir sua oração era o seu Deus, mas o idoso sacerdote Eli esta ali observando a jovem mulher balbuciando palavras e conclui equivocadamente que ela havia ingerido bebida fermentada (vinho) logo no primeiro período do dia e se aproxima exortando-a com firmeza, mas Ana explica sua situação ao ancião que se compadece dela e torna-se solidário com sua triste situação e abençoa sua vida dizendo que Deus haveria de ouvir aquela oração dela e quando ali retornasse o faria com uma criança em seus braços. Uma narrativa que iniciara tão tensa e triste, agora se transforma em motivo de louvor e gratidão. Um tempo na presença de Deus vale mais do que milhões em conta bancária. Buscar a presença de Deus é muito melhor do que buscar a compreensão das pessoas.
            Vejamos o conteúdo da oração de Ana, pois ela se constitui em um bom modelo de como podemos e devemos nos dirigir a Deus quando o nosso coração e a nossa alma estão dilacerados pela dor e frustração e precisamos pedir ajuda para poder continuar.
 1 Samuel 1.9-18
A oração de Ana é simples e objetiva, ela deseja um filho e sabe que somente Deus é capaz de atender seu pedido, pois seu marido por mais que a ame não tem como ajuda-la. Enquanto não nos esvaziamos de nós mesmos não somos capazes de orar corretamente. Tão somente quando esgotamos todos os nossos recursos e tomamos consciência de nossa completa insuficiência, haveremos de orar da forma correta.
A jovem mulher não dissimula seus sentimentos - estava sentindo uma profunda angústia e chorava amargamente, enquanto fazia sua oração ao Senhor. Uma oração que não envolva a alma e o coração torna-se uma sucessão de frases bem elaboradas, mas destituída de vida. A genuína espiritualidade jamais está desassociada de sentimentos igualmente genuínos. Os orientais sabiam muito bem extravasar sua dor e sofrimento – Jacó quando recebe a “fake news” de que seu amado filho José havia morrido, rasga suas vestes, cobre-se de saco e cinza e chora dias afio sem querer receber consolo.
Ana não esconde sua dor, sofrimento e humilhação pelo fato de não poder gerar um filho e entre angustia e lágrimas ela faz sua oração. Ninguém é capaz de entender completamente nossa situação do que o Deus que sonda mente e corações e que conhece nossos dias antes mesmo de nascermos. Assim como Jó não compreendia a razão e os motivos pelos quais ele e sua família passavam por tão grande aflição, apesar de seu cuidado em fazer continua oferta diante do Senhor, Ana também não conseguia entender por que ela não podia gerar um filho mesmo sendo saudável e temente a Deus.
Ela tinha diante de si duas alternativas: se deixar consumir completamente pela dor e frustração ou se derramar diante de Deus em uma completa submissão à sua vontade. A primeira alternativa certamente a consumiria até a morte, mas ao optar pela segunda Ana abriu a porta da fé e esperança no “Senhor dos Exércitos”. Este nome passou a expressar os infinitos recursos e poder à disposição de Deus, enquanto Ele luta por Seu povo. Portanto, a oração dela é dirigida ao Deus eterno que trouxe à existência tanto os céus como a terra; Ele é o Deus que transforma o caos em algo maravilhosamente bom; Àquele que detêm todo o poder nos céus e na terra; aquele que vence os inimigos mais implacáveis; assim, Ana sabe que sua única esperança é recorrer ao seu Deus!
O voto que Ana inclui em sua oração é extremamente significativo, mas precisa ser entendido corretamente, pois ela não o faz em espírito de barganha ou qualquer forma de pressionar Deus a atender sua oração. Há duas expressões na sua oração que deixa sua submissão evidenciada - "Ó Senhor dos Exércitos, se tu deres atenção à humilhação de tua serva, [se] te lembrares de mim e não te [se] esqueceres de tua serva, mas lhe deres um filho, então eu o dedicarei ao Senhor por todos os dias de sua vida, e o seu cabelo e a sua barba nunca serão cortados" (1.11). Esse triplo “se” (אִם) não denota qualquer dúvida ou exigência, mas reforça a certeza e confiança dela no cuidado de Deus que tem seus olhos fixos nela e por isso intervirá positivamente na sua história. Essa pequena partícula faz toda a diferença, pois ela se coloca à mercê da vontade e propósito de Deus, sem deixar de expressar abertamente seu desejo da maternidade. E como expressão de sua gratidão ela oferece essa criança ao Senhor. Outra repetição tripla que reforça o aspecto humilde de sua oração é a expressão “tua serva” que exprime a profunda submissão e resignação com as quais ela faz sua petição ao Senhor.
É provável que ela tinha conhecimento da história dos pais de Sansão (Jz 13.2-5) de quando um anjo apareceu-lhes e declarou que a esposa estéril (como ela) seria mãe, mas que o menino deveria ser nazireu desde seu nascimento. Assim, ao declarar a Deus que em sendo atendida em sua oração e gerando um filho homem o consagraria integralmente ao Senhor através do voto de nazireu, Ana está deixando claro que deseja um filho não apenas para sua autossatisfação e nem para cessar as humilhações provocadas por Penina, mas antes de qualquer outra coisa, ela deseja um filho para glorificar a Deus! Ana vai além dos pais de Sansão, pois ela oferece antecipadamente o filho que ainda não têm, mas que acalenta ardentemente conceber por tantos anos desde o dia em que havia se casado, cheia de planos e sonhos, que dolorosamente ainda não se haviam concretizados. Ana quer um filho, mas ao mesmo tempo, está pronta para devolvê-lo integralmente ao Senhor.
É muito interessante percebermos uma significativa mudança de perspectiva da narrativa: na primeira cena o problema da esterilidade é uma questão de conflito familiar (1.3-8); nesta segunda cena (1.9-18) o problema é de ordem de necessidade, submissão e confiança nos recursos e vontade de Deus. A oração na bíblia jamais foi um instrumento de barganha ou coação, mas de submissão, pois o propósito maior dela é nos capacitar para fazermos a vontade de Deus e jamais pressiona-Lo a fazer a nossa (Mt 6.9-10) e quando oramos corretamente Deus mesmo faz sossegar nossa alma e nos esvazia de toda ansiedade doentia (Fp 4.6-7).
É verdade que naqueles dias os primogênitos descendentes da tribo de Levi ao completarem vinte e cinco anos de idade deveriam se apresentar para o serviço sacerdotal e ficavam disponíveis até os cinquenta anos. Mas a consagração de nazireu[1] (hebraico nazir, derivada de nazar, «separar», «consagrar», «abster-se»).  O voto de nazireu podia ser efetuado pelos pais ou pela própria pessoa; podia ser por um período especifico ou por um período indefinido e no caso de Sansão e Samuel (posteriormente de João Batista) a iniciativa foram dos pais e por tempo indeterminado – os três o mantiveram até a morte. Fosse por tempo definido ou indefinido a consagração deveria ser plena, incluindo uma vida cotidiana diferenciada dos demais como não tomar bebida fermentada, não tocar em mortos, não cortar os cabelos (cf. história de Sansão), características que não continham em si qualquer implicação sobrenatural ou mística, mas servia apenas para distingui-los dos demais jovens ou pessoas.
Enquanto Ana esta completamente absorvida em sua oração o sacerdote Eli (que será sucedido posteriormente pelo próprio Samuel) a esta observando e interpreta equivocadamente que ela estivesse sob o efeito do vinho e chama-lhe atenção. Mas Ana respeitosamente conta sua história e a razão pela qual esta se derramando diante do Senhor “Por favor, senhor! respondeu ela, não estou embriagada! Estou muito triste, isso sim, e estava abrindo meu coração diante do Senhor. Por favor, não pense que sou apenas uma mulher embriagada [sem valor]! Oro assim por sofrer grande preocupação e aflição", assim como o voto que fez de consagrar seu filho integralmente como nazireu desde o nascimento. O ancião se compadece da jovem mulher estéril, pois sabia muito bem a pressão familiar e social que ela estava vivenciando ao longo daqueles anos todos e agora Eli certamente orientado pelo Espírito Santo pronuncia uma bênção sobre a vida dela – vá em paz – a palavra “paz” (shalom) trás a ideia de “prosperidade/sucesso naquilo que desejas” e complementa – “e que o Deus de Israel lhe conceda o que você pediu” - de maneira que o ancião expressa a concordância de que a oração de Ana seja atendida.
Ana a considerou as palavras do velho sacerdote Eli à luz de uma profecia que apontava para a realização de seu sincero desejo, de maneira que sua profunda tristeza se dissipa completamente e é substituída por uma esperança renovadora (1.18). Nem o experiente sacerdote e nem a piedosa Ana poderiam imaginar o que Deus haveria de fazer na vida e através da vida daquela criança a ser gerada, portanto, tudo que estará por acontecer é suficiente para tornar o nascimento desta criança um assunto adequado para a profecia.
E seu semblante já não era triste” – o tempo na presença de Deus transforma a vida e a narrativa destaca o notável contraste entre a Ana que, angustiada e sem apetite que buscou refugio e consolo na presença de Deus e a Ana que retorna ao convívio familiar. Ainda que naquele momento não houvesse nenhum sinal externo de que sua situação havia mudado em seu coração ela sabia que sua oração fora atendida. Ana se constitui em uma ilustração prática da natureza da genuína fé: “QUE É A FÉ? É a convicção segura de que alguma coisa que nós queremos vai acontecer. É a certeza de que o que nós esperamos está nos aguardando, ainda que o não possamos ver adiante de nós.” (Hb 11.1). Mas em meio às gerações de incrédulos que como Tomé necessita ver para crer, Ana é uma mulher bem aventurada, pois não vendo creu! Seu coração se alegrou porque creu! E como seu antepassado e modelo de fé Abraão, ela creu contra toda a esperança (Rm 4.18). Quando de fato e de verdade começarmos a crer, veremos acontecer transformações nas nossas vidas, bem como na vida desta Nação brasileira.
Uma leitura superficial pode nos induzir a pensar que o personagem central destas narrativas seja a pessoa de Ana, todavia, quando examinamos mais cuidadosamente constataremos que Deus é o personagem central destes acontecimentos e de seus futuros desdobramentos. Ana fez sua petição justamente por ser temente a Deus. O velho sacerdote Eli só pode dar a ela consolo e esperança por que falou em nome de Deus. A criança foi gerada e nasceu porque Deus atendeu a oração de Ana. Tudo depende de orar a Deus e ter resposta de Dele.

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Guedes, Ivan Pereira
Mestre em Ciências da Religião.
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Referências Bibliográficas
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TENNEY, Merrill C. (Org.). Enciclopédia da Bíblia. São Paulo. Cultura Cristã, 2008.






[1] Maimônides, um sábio judeu sefardi (falecido em 1204), referiu-se à dignidade dos nazireus como equivalente à de um sumo sacerdote.

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

A Síndrome da Cegueira (Reflexão)



Gênesis 27.1; 1 Samuel 3.2; Juízes 16.21
Encontraremos em diversos textos bíblicos e em momentos distintos um diagnóstico de cegueira. Está cegueira é recorrente no final da vida de muitos dos personagens bíblicos conforme constatamos nos exemplos abaixo.
Nos tempos dos Patriarcas: Isaque ao final de sua vida foi acometido de uma cegueira (Gn 27.1) que acabou por comprometer seu discernimento, da qual se aproveitaram Rebeca e Jacó para receber a primogenitura em lugar de seu irmão Esaú. Posteriormente Jacó também experimentou a cegueira em sua velhice (Gn 48.10). Os habitantes de Sodoma foram cegados no dia anterior à destruição da cidade, pelos anjos que visitaram a família de Ló, sobrinho de Abraão, para adverti-los para saírem rapidamente, pois a ira de Deus seria derramada sobre aquela sociedade depravada.
Nos tempos dos Juízes e Samuel: o último dos juízes foi Sansão, que vivendo displicentemente seu ministério de nazireu (consagração) acabou sendo seduzido e enganado por uma mulher filisteia e depois de ter seus cabelos raspados também teve seus olhos vazados pelos inimigos (Jz 16.21) e posteriormente teve uma morte violenta. Após os Juízes sobressaem a figura dos sacerdotes, dentre os quais temos o envelhecido Elias que também foi acometido de cegueira (1Sm 3.2), tanto física quanto moral e espiritual que o impedia de ver a maldade e depravação de seus próprios filhos.
Nos dias dos Reis: O último rei de Judá foi Zedequias que como a maioria de seus antecessores não andou em conformidade com a vontade de Deus. O final de sua vida foi trágico, após uma tentativa frustrada de fugir dos soldados babilônicos foi preso e após contemplar a execução de seus filhos, teve seus olhos queimados a ferro em brasas (2Rs 25.7).
Cegueira Nacional: Os israelitas no transcorrer de sua história demonstra uma total cegueira em relação aos preceitos estabelecidos por Deus na Aliança que havia sido estabelecido com eles. Primeiramente caiu o Reino do Norte (Israel) e posteriormente da mesma fora e pelas mesmas razões caiu o Reino do Sul (Judá).
Nos tempos de Jesus: A cegueira predominante neste período do ministério de Jesus foi a cegueira do legalismo e da hipocrisia religiosa. Os maiores representantes desta categoria foram certamente os fariseus e escribas, que apesar de terem conhecimento da Lei de Moisés, nunca foram capazes de enxergarem o valor espiritual delas e nem de discernirem nela a pessoa de Jesus Cristo como o Messias. Juntamente com eles podemos incluir a completa cegueira espiritual de toda classe sacerdotal do Templo de Jerusalém, que tramaram nos bastidores a prisão e a morte de Jesus Cristo, unicamente para poderem manter seu status quo.
Nos dias do Apocalipse: Mas infelizmente, antes mesmo de terminar o primeiro século do cristianismo, Jesus Cristo escreve uma carta dirigida a uma das Igrejas estabelecidas na Ásia Menor – Laodicéia, que afirmavam não precisar de absolutamente nada, mas na verdade estavam completamente cegos em suas estultícias e pecados, e necessitavam urgentemente do colírio para seus olhos proveniente do próprio Cristo glorificado (Ap. 3.17).

Como está nossa visão? Como podemos evitar que sejamos acometidos de tão grave cegueira espiritual? O único antidoto é nos apossarmos do colírio provindo da graça maravilhosa de Jesus, mediante a fé diligente, acompanhadas da virtude, conhecimento, autocontrole, perseverança, piedade e amor fraternal (2Pe 1.5-8).

(Texto adaptado de Marco Leßmann)

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Guedes, Ivan Pereira
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Primeiro Testamento: Literatura Histórica 1º Samuel – Elcana e Ana (1.1-8)


Esboço (1 Samuel 1.1-2.11)
História de Samuel
v  Nascimento e Consagração (1.1-2.11)
o   Elcana e Ana (1.1-8)
A figura de Samuel é certamente uma das mais relevantes na literatura do Primeiro, assim com Moisés, Josué que o antecederam e Davi, Elias e Eliseu que o precederam. Ainda que nos livros bíblicos que levam o seu nome ele seja o protagonista em parte do primeiro e provavelmente não tenha escrito nenhum dos dois volumes, sua participação no desenvolvimento da história israelita é fundamental.
Ele será um dos poucos a exercer uma tripla função: foi o último dos juízes, sacerdote e exerceu também a função de profeta. Mesmo contrariado foi o instrumento de Deus para fazer a transição de um modelo de governo teocêntrico para um governo monárquico. Não se trata de uma simples mudança de modelo de governo, mas retrata a desvalorização que os israelitas deram em relação a aliança estabelecida com Yahvé. Quando Deus quebra a resistência de Samuel para que faça a transição, promovendo a unção (ordenação, posse) do primeiro rei (Saul), o Senhor deixa claro: eles não estão rejeitando você Samuel, mas rejeitam a Mim. Esta rejeição do governo divino será a marca nefasta dos governos subsequentes, com raríssimas exceções e o preço será sempre muito alto a ser pago por todo o povo (qualquer semelhança com a situação da história brasileira não será mera coincidência).
Conforme o esboço acima, o primeiro livro inicia com os relatos que envolveram a concepção, nascimento e consagração do menino Samuel, deixando claro que esse menino esta destinado a grandes coisas.
Houve certo homem
Estas palavras introdutórias não significam que esta história é a continuação cronológica do Livro dos Juízes ou de qualquer outro escrito anterior. É uma fórmula introdutória histórica comum ao inicio de uma nova narrativa: Josué, Juízes, Rute, 1 Reis, Ester, Esdras, Ezequiel, etc.
Elcana e Ana (1.1-8)
            Elcana é um descendente piedoso da tribo de Levi, que vive na região montanhosa de Efraim. Por causa de seu local de residência, ele é conhecido como um efraimitas, embora ele seja realmente da tribo de Levi (cf. 1Cr 6.33-38). Os sacerdotes e levitas estavam mais preocupados do que quaisquer outros israelitas, em preservar sua descendência clara e em ser capaz de prová-la; porque todas as honras e privilégios de seu cargo dependiam de sua descendência. O comentário de Richard Pratt Jr sobre o texto de Crônicas é esclarecedor: “A menção do bem conhecido Elcana (6.25) e Samuel (6.27,28) focaliza a linhagem coatita sobre o homem que ungiu Davi como rei de Israel (ver ISm 1.20; 16.7,12,13). Em 1 Samuel 1.1, Elcana é identificado como o efraimita, mas o cronista esclareceu aqui que Elcana e seu filho Samuel eram levitas vivendo entre os efraimitas” (2008, p. 116).
A região de Ramataim-Zofim[1] deve ser entendida como Ramá na terra de Zufe na região montanhosa de Efrata como se referindo que a cidade havia sido edificada sobre dois montes (Ramataim) e seus moradores eram uma espécie de vigias/atalaias (Zofim), perfazendo um dual de Ramá nome pelo qual ficou conhecida posteriormente (1.19; 2.11). Interessante o fato de que na cidade dos vigias/atalaias (Ramá) veio a ser estabelecida uma escola de profetas.[2] Sua localização especifica é muito discutida e não há um consenso sendo oferecidas diversas localizações. O mais provável é que estava localizada entre os montes de Efraim, que se estendia ao território de Benjamim, em cuja tribo ficava a cidade de Ramá.[3] Havia cinco cidades com esse nome, todas em terreno alto, de maneira que a expressão do “Monte Efraim” é acrescentada para distingui-la de outras “Ramás” em várias tribos, como em Benjamim, Naftali, etc.
            O nome Elcana significa literalmente «Deus se apossou ou Deus criou», era levita (1Cr 6.33-38) da família de Coate[4] descendentes da tribo de Efraim, portanto, um efratita, ou habitante de Belém (1Sm 17.12; Rt 1.2) e do território da tribo de Efraim (1Rs 11.26). Há razão para acreditar que Elcana o pai de Samuel, representa a quinta geração de israelitas em Canaã e, portanto, Samuel nasceu cerca de 130 anos após a entrada em Canaã – quatro gerações completas, ou 132 anos - e cerca de 40 anos antes de Davi. Também pode ser vista certa ironia divina no fato de que Samuel era descendente de Coré (1Cr 6.33-38), que fez um levante e foi punido com morte porque se opôs a decisão do Senhor  de escolher como sacerdotes os descendentes de Arão (cf. Nm 16). Mais uma vez Deus deixa claro que os filhos não herdam os pecados de seus pais, mas cada um morre em decorrência de seu próprio pecado (Dt 24.16).
            Elcana tinha duas esposas uma chamava-se Ana (graça, graciosa, bonita, encantos) e a outra Penina (pérola, joia, pedra preciosa – um nome muito popular nas mulheres do Oriente). “Ana parece ter sido sua primeira esposa; e como ela se mostrou estéril, ele foi induzido, é provável, através de seu sincero desejo de filhos, tomar outro, como Abraão, pelo consentimento de Sara” (Comentário de Benson). Uma situação muito semelhante à de Abraão e Sara.
Antes de qualquer crítica é preciso lembrar que naqueles tempos alguns costumes eram tolerados e até protegido pela Lei (Dt 14.26),[5] o que limitava a pratica apenas àqueles que podiam cumprir com todas as responsabilidades familiares. Mas tudo que foge ao padrão estabelecido por Deus em Gênesis – um homem e uma mulher – acaba gerando muito mais problemas do que benefícios (é só olhar a realidade social atual). A prática da poligamia com frequência produzia muitas complicações, ciúmes e fracassos tanto nos haréns reais quanto nas famílias, como Elcana descobriu. Esta pratica “gradualmente se tornou menos frequente, e nenhum caso está registrado na história bíblica após o Cativeiro [Babilônico], mas foi reservado para o cristianismo restabelecer o ideal primevo” (Cambridge Bible for Schools and Colleges). Nas literaturas paulinas do Segundo Testamento quando orienta as lideranças das comunidades cristãs resgata-se o princípio da monogamia estabelecida em Gênesis e rejeita-se qualquer tipo de poligamia (1Tm 3.2, 12).
            Elcana morava não muito distante do tabernáculo de Silo e como era levita certamente participava das três principais festas anuais do calendário religioso israelita (cf. Ex 23.14-17; Lv 23.2), sendo a primeira e mais importante a páscoa (primavera do hemisfério norte). Era o momento de se resgatar a identidade nacional, pois relembrava o resgate efetuado por Deus através de Moisés. Posteriormente essa festa da páscoa foi moldando a mensagem messiânica e o cordeiro que era sacrificado durante a principal refeição da festa se revestiu da tipologia do Cordeiro messiânico que haveria de surgir e que se cumpre plenamente no sacrifício de Jesus Cristo na cruz do calvário e assim como Moisés havia libertado os israelitas da escravidão do Egito, Jesus Cristo haveria de libertar os pecadores da escravidão do pecado (1Co 5.7).
Silo (descanso) tornou-se o ponto de referência religioso de Israel ainda nos dias de Josué (14.6; 18.1) que armou a tenda do Tabernáculo ali. Desta forma Silo se constituiu em sede permanente da Arca e do Tabernáculo e assim se constituindo no primeiro centro religioso de Israel durante todo o período dos juízes (18.31). Em raras ocasiões, o Tabernáculo e toda ou parte da mobília sagrada parece ter sido temporariamente transferida para lugares como Mispá e Betel, mas seu lar habitual sempre foi Silo.
            Embora não fossem necessários seus serviços de levita Elcana subiu ao local de culto com sua família como um exemplo para as demais famílias da sua vizinhança. Como vimos uma maioria dos israelitas havia se “esquecido” de seus compromissos religiosos e se ajustados à religiosidade ao se derredor (contexto do livro de Juízes). Mas Elcana permaneceu fiel aos seus princípios religiosos e observações da Lei mosaica e fazia questão de ir às festas para oferecer suas ofertas e adoração. Em Silo as coisas não estavam bem, pois Hofni e Finéias, filhos do velho sacerdote Eli, eram corruptos e depravados e este comportamento deles era notório a todos os moradores da região. A espiritualidade de Elcana e sua família se destacavam neste ambiente religioso decadente, assim como a fé de Rute, a narrativa que antecede, e posteriormente a fé e esperança messiânica de Ana e Simeão que se sobressai na religiosidade secularizada e politizada dos dias de Jesus Cristo.
            Além de sua própria oferta Elcana distribuía para todos os membros de sua família uma porção para que eles pudessem também sacrificassem ao Deus dos Exército[6](Yahweh sebã’ôt) é usada aqui pela primeira vez nos textos veterotestamentário em ligação com o santuário de Silo, ocorrendo depois frequentemente nos livros de Samuel (cf. 1 Sm 1.11; 4.4; 15.2; 17.45; 2 Sm 5.10; 6.2, 18; 7.8, 26, 27). Mas como que para consolar Ana, pelo fato de ser estéril, lhe dava uma porção dobrada,[7] como se ela tivesse um filho, demonstrando assim todo seu carinho para com ela. Como Von Gerlach coloca, “Tu és tão querida para mim como se tu tivesses me dado um filho”.
            Provavelmente por causa desta demonstração pública de Elcana para com Ana, a outra esposa Penina enciumada não perdia oportunidade para zombar (extremamente barulhenta e clamorosa com suas repreensões e zombarias) e humilhar Ana pelo fato dela ser estéril. As versões antigas, a Septuaginta, a siríaca e a Vulgata, que são todas três mais antigas que as vogais massoréticas, traduzem: “E assim ela (Penina) fez ano após ano”. Com que facilidade fazemos das bênçãos de Deus (Penina tinha filhos) uma arma para ferir e humilhar aqueles que não receberam as mesmas bênçãos. A exultação pelo infortúnio de outrem é uma das formas mais detestáveis ​​de malícia e o orgulho espiritual é tão infernal quanto qualquer outro tipo de orgulho carnal.
Por isso Ana chorou e não comeu - sentindo-se oprimida pela tristeza ela não estava disposta a comer nessa ocasião festiva, nem se considerava preparada para partilhar da comida consagrada, tomada que estava pela tristeza e pela humilhação continua de Penina. Muitas são as ocasiões em que nos deixamos tomar pela tristeza e frustrações da vida ou pelas críticas e humilhações impostas (Sl 42.3), de maneira que deixamos de nos alegrarmos na presença de Deus, o que não nos trás nenhum beneficio e ainda aumenta a nossa dor.

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Rute: Sumário e Reflexão (Capítulo 1)

Referências Bibliográficas
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[1] Ramathaim-zophim pode significar "as duas colinas (cf.1Sm 9. 11-13) dos vigias", assim chamado por ser um posto de onde os vigias observavam.
[2] O Targum faz uma interpretação interessante no qual as palavras são parafraseadas assim, "e havia um ‘homem de Ramá’, dos discípulos dos profetas;”.
[3] Cidade situada a 8 quilômetros ao norte de Jerusalém; local onde Raquel, mãe de José, e, portanto das tribos de Efraim e de Manassés foi sepultada (Gn 35.19 e 48.7; Mt 2.18).
[4] A família dos coatitas, tinha o mais alto nível sacerdotal, sendo a família que fornecia os sumos sacerdotes (cf. 1 Crônicas 6: 2). 15 ).
[5] As leis de Moisés - como no caso de outra prática universalmente aceita, a escravidão - simplesmente procuram restringi-la e limitá-la por meio de regulamentos sábios e humanos.
[6] O Senhor dos Exércitos - Este título de Yahweh que, com algumas variações, é encontrado mais de 260 vezes no Primeiro Testamento, ocorre aqui pela primeira vez. Inclui todas as miríades de santos anjos que povoam as esferas celestes (1Rs 22.19). “Esta expressão, que não foi usada como um nome divino até a idade de Samuel tinha suas raízes em Gênesis 2:1, embora o título em si fosse desconhecido no período Mosaico e durante os tempos dos juízes. Representava Jeová como governante das hostes celestes (isto é, os anjos, de acordo com Gênesis 32.2, e as estrelas, de acordo com Isaías 40.26), que são chamados de "exércitos" de Jeová no Salmo 103.21; Salmos 148.2; ... É simplesmente aplicado a Jeová como o Deus do universo, que governa todos os poderes do céu, visíveis e invisíveis, como Ele governa no céu e na terra” (KEIL e DELITZSH, 1857). Ezequiel é o único profeta que não o usa, assim também como não aparece no livro de Jó. No Segundo Testamento, a frase só ocorre uma vez que (Tg 5.4).
[7] Uma escolha maior, de acordo com o costume oriental de demostrar respeito a convidados queridos ou distintos. (Veja em [232] 1Sa 9:24; veja também em [233] Gên 43:34).