sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Gálatas: Introdução Geral


            O apóstolo Paulo certamente ficaria horrorizado com as igrejas cristãs atuais, pela facilidade e naturalidade com que elas trocaram o genuíno Evangelho por outros pseudo evangelhos  forjado na bigorna do inferno.

            O apóstolo toma conhecimento de que os recém-cristãos da região da Galácia estavam abandonando o Evangelho que ele havia lhes anunciado, por uma mistura sincretista espúria e maligna. Imediatamente toma sua pena, tinta e pergaminho e se põe a escrever-lhes em tom pastoral severo, exortando-os de maneira contundente a não darem ouvido a quem quer fosse que estivesse lhes ensinando qualquer outra mensagem, além daquela que eles haviam ouvido do próprio Paulo. Pois qualquer um, mesmo que ele próprio lhes ensinasse outro evangelho deveria ser anatematizado (amaldiçoado).

            Esta correspondência paulina tem sido o instrumento precioso do Espírito Santo para exortar e corrigir a igreja cristã por todos os séculos até os dias atuais. Mais do que nunca precisamos nos debruçar sobre esse documento inspirado e apreendermos seus ensinos e aplica-los à vida das igrejas e dos cristãos do século XXI.

            Nunca houve e nunca haverá outro evangelho a não ser o Evangelho que emana das páginas bíblicas. Voltemos ao genuíno Evangelho.

Autor e Título:

Paulo identifica-se como o autor desta epístola com as palavras, “Paulo um apóstolo”. Além de alguns estudiosos do século 19, ninguém questionou seriamente sua autoria. De todas as epístolas sem dúvida alguma essa trás as marcas característica do apostolo dos gentios - Paulinissima Paulinarum – é altamente biográfica. Depois de ampla e profunda pesquisa, em relação a todas as questões acadêmicas e literárias envolvendo esse documento neotestamentário o Dr. Findlay declara de forma contundente: “Não há a menor dúvida quanto a autoria, integridade, ou autoria apostólica da Epístola aos Gálatas que tem chegado até nós desde tempos remotos”. (1982).
O título é “Pros Gálatas” [Para os Gálatas], sendo endereçada para “as igrejas da Galácia”. Nenhuma cidade especifica é mencionada no endereço, mas apenas a região da Galácia - o único exemplo desse tipo nas epístolas de Paulo. Em termos gerais, sabemos que grande parte do que hoje é conhecido como Turquia era a Galácia daqueles dias. Seus habitantes eram "gauleses", ou "galli", que significa "povo nobre e guerreiro". A Galácia abrangia uma extensão bastante ampla que incluía, em si, regiões como Capadócia, Bitínia, Ponto, Licaonia e Frígia, ao Norte e cidades como Icônico, Listra, Derbe e até Antioquia (a de Pisídia) ao Sul.  Os gálatas eram cidadãos de vilas interioranas, em vez de habitantes de grandes centros urbanos, de maneira que as comunidades cristãs estavam espalhadas por toda a região da Galácia, sem um grande centro em particular – seriam pequenas comunidades locais.

Data: 49 ou 55 d.C.

A data de quando Paulo escreveu esta carta depende do destino da carta. Existem duas opiniões principais - A Galácia do Norte e Galácia do Sul. Ryrie resume e escreve:
 No momento da escrita desta carta o termo “Galácia” era usado tanto para se referir a questão geográfica quanto para a questão política. A primeira e mais antiga se referia a Ásia Central Secundária, com as cidades ao norte - Pisidian Antioquia,  Iconium, Listra, e Derbe; o posterior se referia a província romana (organizada em 25 a.C.) isso incluiu distritos meridionais e somente àquelas cidades mencionadas. Se a carta foi escrita para os cristãos da Galácia do Norte, as igrejas foram fundadas na segunda viaje missionária e a epístola foi escrita na terceira viajem missionária, ou de Éfeso (por volta de d.C. 53) ou mais tarde (sobre 55) da Macedônia. A favor disto é o fato que Lucas parece usar “Galácia” só para descrever Galácia do Norte (Atos 16:6; 18:23).
Se a carta foi escrita para os cristãos da Galácia do Sul, as igrejas foram fundadas na primeira viajem missionária, a carta foi escrita depois do fim desta viajem (provavelmente de Antioquia, 49 D.C., tornando-a a mais antiga das epístolas de Paulo), e o conselho de Jerusalém (Atos 15) esteve reunido posteriormente. A favor desta data é o fato que Paulo não menciona a decisão do Concílio de Jerusalém que estava relacionado diretamente com as questões dos judaizantes, indicando que o Concílio ainda não tinha acontecido (1978, p. 1863).

Tema e Propósito:

A Epístola aos Gálatas foi o grito de batalha da Reforma Protestante do Século XVI porque ela distingue-se como um Manifesto de Paulo da Justificação pela Fé. Então tinha sido traduzida como “a escritura da Liberdade Cristã”. Lutero tinha Epístola em especial consideração. A Epístola sustenta uma polêmica poderosa contra os Judaizantes e seus ensinos legalistas. Eles ensinavam, entre outras coisas, que várias das práticas cerimoniais do Velho Testamento estavam ainda relacionadas à Igreja. Deste modo, o apóstolo escreve para refutar este evangelho falso com base na Lei e obras e demonstrar a superioridade da justificação pela fé e a santificação pelo Espírito Santo.
Além disto, estes Judaizantes não só proclamavam um evangelho falso, mas buscavam desacreditar o apostolado de Paulo. Nos primeiros dois capítulos, Paulo defende seu apostolado e mensagem. Nestes dois capítulos Paulo demonstra convincentemente que seu apostolado e sua mensagem vieram por revelação do Cristo ressurreto. Depois, nos capítulos 3 e 4 ele expõe a doutrina genuína da graça, a doutrina da justificação pela fé somente. Alguns, porém, retrucaram imediatamente que tal doutrina levaria a licenciosidade, então o apóstolo demonstra que a liberdade Cristã não significa de modo algum autorização para qualquer tipo de licenciosidade ou depravação. Deste modo, os capítulos 5 e 6 demonstram claramente que os cristãos devem aprender a viver pelo poder do Espírito e que não devem manifestar os frutos da carne (pecado) mas o fruto do Espírito (santificação).

Termos Importantes:

A frase “justificação pela fé” e “liberdade da Lei” formam as palavras centrais da epístola.

Versos Centrais:

·         2:20-21. logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim.21  Não anulo a graça de Deus; pois, se a justiça é mediante a lei, segue-se que morreu Cristo em vão.
·         5:1 Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão. 
·         5:13-16. Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade; porém não useis da liberdade para dar ocasião à carne; sede, antes, servos uns dos outros, pelo amor.14  Porque toda a lei se cumpre em um só preceito, a saber: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.15  Se vós, porém, vos mordeis e devorais uns aos outros, vede que não sejais mutuamente destruídos.16  Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne. 

Capítulo Chave:

                   O fato de que os crentes não estão debaixo da Lei de nenhuma maneira significa a liberdade para fazer como bem lhe agrada, mas o poder para fazer o que devemos mediante a graça de Deus por meio do Espírito. Assim, o capítulo 5 é fundamental. Nossa liberdade nunca deve ser usada “como uma oportunidade para satisfazer a carne”, mas como uma base para amarmos um ao outro na força do Espírito Santo (5.13, 16, 22-25).

Cristo como Visto em Gálatas:

Através de Sua morte todos os crentes morreram para a Lei e através de Cristo receberam a vida (2.20), os crentes foram livrados da escravidão (5:1f.) e trazidos a uma posição de liberdade. O poder da cruz fornece libertação da maldição da lei, do poder de pecado, e da natureza pecaminosa (1.4; 2.20; 3.13; 4.5; 5.16, 24; 6.14).

Esboço:

I. Pessoal. O Evangelho da Graça, defesa da Justificação pela Fé (1.1-2.21)
A. Introdução (1.1-9)
B. O Evangelho da Graça Veio por Revelação (1.10-24)
C. O Evangelho da Graça foi Aprovado pela Igreja em Jerusalém (2.1-10)
D. O Evangelho da Graça foi Vindicado na Repreensão de Pedro, o Líder dos Apóstolos (2.11-21)
II. Doutrinal. O Evangelho da Graça, Justificação pela Fé Explicada (3.1–4.31)
A. A Experiência dos Gálatas. O Espírito foi recebido por Fé, Não por Obras (3.1-5)
B. O Exemplo de Abraão. Ele foi Justificado por Fé, Não por Obras (3.6-9)
C. A justificação é por Fé, Não pela Lei (3.10–4.11)
D. Os Gálatas Receberam Suas Bênçãos por Fé, Não por Lei (4.12-20)
E. A Lei e a Graça São Mutuamente Exclusivas (4.21-31)
III. Prático. O Evangelho da Graça, Justificação pela Fé Aplicada (5.1–6.18)
A. A Posição da Liberdade. Permanente (5.1-12)
B. A Prática da Liberdade. Sirva e Ame Um ao outro (5.13-15)
C. O Poder da Liberdade. Liberdade no Espírito (5.16-26)
D. O Desempenho da Liberdade. Faça o bem a Todos as pessoas (6.1-10)
E. Conclusão (6.11-18)

Utilização livre desde que citando a fonte
Guedes, Ivan Pereira
Mestre em Ciências da Religião.
Universidade Presbiteriana Mackenzie
me.ivanguedes@gmail.com
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Referências Bibliográficas
BARCLAY, William. El Nuevo Testamento comentado. Buenos Aires (Argentina), Asociación Editorial la Aurora, 1974.
BROWN, Raymond. Introdução ao Novo Testamento. São Paulo. Paulinas, 2004 (Coleção Bíblia e história Série Maior).
CARSON, D. A., MOO, Douglas J. e MORRIS, Leon. Introdução ao Novo Testamento. São Paulo. Ed. Vida Nova, 2007.
CATRON, James L. R. Nuevo Testamento - panorámica general. EUA. Editorial ECS Ministries, 2010. [1ª Ed. Digital].
FINDLAY, G. G., The Epistle to the Galatians. The Expositor’s Bible, vol. 5. Grand Rapids. Baker Book House. 1982.
GUTHRIE, Donald. Gálatas – Introdução e Comentário.  São Paulo. Vida Nova, 2008.
HALE, Broadus David. Introdução ao estudo do Novo Testamento. Trad. Cláudio Vital de Souza. Rio de Janeiro. JUERP, 1983.
HARRISON, Everett F. Introducción al Nuevo Testamento. Traducido por Norberto Wolf. Michigan. Subcomisión Literatura Cristiana déla Iglesia Cristiana Reformada, 1987.
HAWTHORNE, Gerald F. e MARTIN, Ralph P. e REID, Daniel G. (Org.). Dicionário de Paulo e suas cartas. 2ª ed. São Paulo. Edições Loyola, 2008.
RYRIE, Charles Caldwell. The Ryrie Study Bible. Chicago. Moody Press, 1978.
TENNEY, Merrill C. Gálatas – Escritura da Liberdade Cristã. São Paulo. Vida Nova, 1967.
TENNEY, Merrill C. (Org.). Enciclopédia da Bíblia. V.3. São Paulo. Cultura Cristã, 2008.
WENHAM, G. J. e Outros. Nuevo comentario biblico siglo veintiuno - Nuevo Testamento. Espanha. Editorial Mundo Hispano, 2003.  

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Natal: Cantada Natalina Segundo Lucas – Glória in Excelsis (Lc 2.14)



Lucas continua a compor sua pequena e impressionante cantada natalina.[1] O primeiro cântico teve como solista nada menos do que a própria Maria (Magnificat) e depois temos mais um solo entoado agora por Zacarias (Benedictus). Então o evangelista registra agora o refrão do que foi o terceiro cântico, entoado pelo maior e mais extraordinário coral de anjos.[2] Este cântico recebe o titulo de Glória.
A última palavra deste refrão (eudokia) que em português é traduzida “boa vontade” RC e “quer bem” RA também pode ser traduzida por “benevolência/beneplácito” e é uma palavra rara no vocabulário do NT. Podemos encontrá-la na oração de louvor de Jesus: “Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes e as revelaste às criancinhas; assim é, ó Pai, porque assim te aprouve” (Lc 10.21).
Este cântico está perfeitamente conectado com o cântico anterior (Benedictus) ao utilizar a palavra “paz” que é a última palavra do cântico de Zacarias e se conectará ao próximo cântico (de Simeão) através do termo “glória”, que Lucas retomara após a ressurreição no dialogo de Jesus com os dois discípulos de Emaús (Lc. 24.26).
Como característica literária de Lucas este terceiro cântico trás também o contraste céu/terra uma vez que o nascimento de Jesus implica que enquanto Deus é glorificado no céu aos homens na terra é oferecida a paz.
Esta paz somente é possível por causa da encarnação do Filho de Deus que haverá de por meio de seu sacrifício no calvário reconciliar (pacificar) o ser humano pecador com o Deus eterno (Rm 5.1,1; 2 Co 5.18-21).
Aos anjos resta apenas glorificarem a Deus nas alturas (céus), pois jamais tinham presenciado tamanha manifestação da bondade de Deus e/ou seu beneplácito para com aqueles aos quais elegeu por sua graça.
paz  aqui cantada será uma realidade tão somente na vida daqueles que são alvos desta graça salvadora de Deus (Is 26.3,12; Ag 2.9; Zc 9.10; Lc 1.78,79; Jo 14.27; 16.33; Rm 5.1; Ef 2.14,17; Co 1.20). A obra da reconciliação que estabelece a paz entre o pecador e Deus começa e se conclui unicamente na e pela graça divina, pois nenhum ser humano é merecedor ou pode alcança-la por seus próprios esforços.
Impactados por tão extraordinária mensagem os pastores deixam tudo (como faram posteriormente os discípulos) e vão verificar in loco este sinal anunciado. “Vendo-o, contaram a palavra que lhes fora dita a respeito do menino” (v.17). Ao compartilharem a mensagem eles tornam-se preceptores dos próprios discípulos que ao final receberão a grande comissão de irem e proclamarem a mensagem da reconciliação.
Ao registrar que “todos os que os ouviram ficavam maravilhados...” (v.18) e que eles “voltam, glorificando a Deus” (v.20) Lucas amplia e engloba seus leitores que também é chamado a glorificarem a Deus por tudo o que acabam de lhes ser compartilhado.
            Cada uma das composições da Cantata Natalina nos envolve em uma atmosfera de alegria e louvor. Louvam os personagens humanos: Zacarias, Isabel, Maria, os pastores, os anciões Simeão e Ana que somados às vozes angelicais formam o grande Coral. Esta atmosfera se manifesta nos lares, no campo e no templo – em todo lugar. Uma alegria que não pode ser contida e que extravasa e extrapola!
            O plano redentor de Deus está sendo manifestado e não há obstáculo que possa impedir sua concretização – nem toda maldade humana e nem o inferno inteiro podem se opor aos desígnios do Altíssimo. Por esta razão o jubilo não pode ser contido e permeia a todos através dos cânticos.
No Primeiro Testamento temos um conjunto de cento e cinquenta cânticos (Saltério/Salmos);[3] o último livro do cânon bíblico (Apocalipse) contém as mais extraordinárias composições hínica que extrapolam o tempo e espaço. As primeiras comunidades cristãs incorporaram desde os primeiros momentos os cânticos em suas reuniões e liturgias; os cristãos martirizados cantavam diante de seus algozes e da plateia ensandecida e seus cânticos penetravam aquelas mentes empardecidas e quebrantava aqueles corações enrijecidos pelo pecado e violência.
            Nestes dias turbulentos e onde aparentemente o mal parece ser incontido, como cristãos podemos a plenos pulmões entoarmos os cânticos que manifestam a glória e o poder do nosso Deus, pois o Natal é um testemunho perene de que Somos Mais do Que Vencedores por causa Daquele que nos amou!
Glória a Deus nos mais altos céus,
e paz na terra àqueles  a quem Deus quis derramar sua graça!”
            Na mesma proporção em que os cristãos pós-modernos perdem a capacidade de se emocionar e contemplar a glória de Deus e de apreender o valor imensurável da paz que emana da cruz, o cristianismo perde seu maior poder de atração e torna-se uma luz pálida no meio das tensas trevas que permeia a sociedade humana.
Glória que sobe do homem a Deus, da terra ao céu.
Paz que desce de Deus ao homem, do céu à terra.
Glória a Deus nos mais altos céus,
e paz na terra   a quem Deus quis derramar sua graça!”

O cântico dos anjos revela porque existe o Natal:
a glória de Deus e a nossa paz.

Precisamos urgentemente resgatar essa genuína mensagem do Natal!

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Guedes, Ivan Pereira
Mestre em Ciências da Religião.
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Referências Bibliográficas
ASH, Anthony Lee. O Evangelho Segundo Lucas. Tradução Neyd V. Siqueira. São Paulo: Editora Vida Cristã, 1980.
BETTENCOURT, Estevão. Para Entender os Evangelhos.  Rio de Janeiro: Agir, 1960.
CARSON D. A., DOUGLAS, J. Moo & MORRIS, Leon. Introdução ao Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1997.
CASALEGNO, Alberto. Lucas – a caminho com Jesus missionário. São Paulo: Edições Loyola, 2003.
CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento Interpretado – versículo por versículo, v. II. São Paulo: Millenium, 1987.
________________________. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, v.3. São Paulo: Candeia, 1995.
LEAL, João. Os Evangelhos e a Crítica Moderna. Porto: Livraria Apostolado da Imprensa, 1945.
MORRIS, Leon L. Lucas – introdução e comentário. São Paulo: Edições Vida Nova, 2008. [Série Cultura Cristã].
TENNEY, Merrill C. O Novo Testamento - sua origem e análise, 2a ed. São Paulo: Vida Nova, 1972.


[1] Os mais antigos cânticos judaico-cristãos palestinos, os hinos das cartas de Paulo, nas quais Cristo é considerado o centro de todo o desígnio salvífico de Deus Fp 2.6-11; Ef 1.3-14; Cl 1.15-20), e o prólogo do Evangelho de João (Jo 1.1-18), cume da composição de hinos do Novo Testamento.
[2] Anjo é a palavra grega para “Mensageiro”. Eles aparecem desde cedo na Bíblia. Suas manifestações são chamadas de “angelofania”.
[3] Mas o gênero literário de “hino” não aparece somente no Saltério: encontramo-lo ao longo de toda a Bíblia, desde o Pentateuco (Dt 32), passando pelos Profetas anteriores (Jz 5; 1 Sm 2.1-10; 2 Sm 22) e posteriores (Is 12.1-6), segundo a terminologia hebraica, até chegar aos livros sapienciais (Jó, Cantares).

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

BÍBLIA CAPÍTULO A CAPÍTULO – Epístola aos Gálatas 1


"Cristo nos redimiu da maldição da Lei, tornando-se uma maldição para nós ..." (Gálatas 3.13).[1]

            O objetivo dessa série é adquirirmos uma visão panorâmica do conteúdo de cada livro bíblico explorando capítulo a capítulo. Vamos explorar juntos!
A epístola aos Gálatas[2] foi provavelmente a primeira correspondência escrita pelo apóstolo Paulo a uma das muitas comunidades que ele havia iniciando durante sua primeira viagem missionária. Esta correspondência tem o tom pessoal, portanto está carregada de intensidade emocional. É uma das correspondências mais ardentes e apaixonadas de Paulo. O melhor de tudo é que Gálatas é um dos livros mais profundos quando se trata de entender a natureza e o processo da salvação. Sem mais tardar vamos para o primeiro capítulo desta epístola importante para a igreja primitiva e para a Igreja de todos os tempos.
Explorando
Paulo estabeleceu a comunidade cristã na região da Galácia durante suas primeiras viagens missionárias. Depois de deixar a área, ele escreveu a carta aos Gálatas, pois, depois de sua saída algumas pessoas adentram no meio deles e começaram a ensinar coisas estranhas à mensagem evangélica que o apóstolo lhes havia anunciado.
Paulo começou a carta identificando-se como autor, o que é importante. Algumas epístolas do Segundo Testamento não são tão claras em identificar seu autor, mas Paulo se certificou de que seus destinatários soubessem que o conteúdo da correspondência era dele. O restante dos cinco primeiros versículos é uma saudação padrão para o seu dia.
Nos versículos 6-7, Paulo expressa o principal motivo de sua correspondência:
Estou surpreso que vocês estejam tão longe daquele que os chamou pela graça de Cristo e tão rapidamente se voltam para um evangelho diferente não que exista outro evangelho, mas há quem os perturbem e querem mudar as boas novas sobre o Messias.
O que havia acontecido é que depois que Paulo partiu da Galácia, um grupo de “cristãos” judeus entrou na região e começou a repudiar o evangelho da salvação [unicamente pela graça] que Paulo havia pregado. Essas pessoas eram frequentemente chamadas de "judaizantes" porque alegavam que os discípulos de Jesus deveriam continuar a cumprir todas as regras da lei do Primeiro Testamento - incluindo circuncisão, sacrifício, cumprimento de dias santos e mais.
Quando isso chega ao conhecimento de Paulo sua reação é imediata, pois ele era completamente contra a mensagem dos judaizantes. O apóstolo identificou imediatamente o que aqueles falsos mestres estavam querendo fazer, transformar o Evangelho [da graça] em um processo de salvação através de obras [da Lei]. De fato, os judaizantes desejavam trazer o movimento cristão de volta a uma forma legalista do judaísmo.
Por essa razão, Paulo gasta as primeiras linhas dessa correspondência  [capítulo 1] estabelecendo sua autoridade e qualificações como apóstolo de Jesus. Paulo recebeu a mensagem do evangelho diretamente de Jesus em um encontro sobrenatural (ver Atos 9.1-9).
Paulo havia passado a maior parte de sua vida como estudante da Lei do Primeiro Testamento. Ele era um judeu zeloso, um fariseu, e dedicara sua vida a seguir o mesmo sistema que os judaizantes agora ensinavam. Desta forma, poucos conheciam como ele o fracasso desse sistema legalista, especialmente à luz da morte e ressurreição de Jesus.
É por esta razão que Paulo usou Gálatas 1.11-24 para explicar sua conversão no caminho para Damasco, seu contato direto com Pedro e os outros apóstolos em Jerusalém e seu trabalho anterior de ensinar a mensagem do evangelho na Síria e na Cilicia.
Verso Central
Como já dissemos, repito: Se alguém lhe anunciar um evangelho contrário ao do que vocês receberam [através de mim], que a maldição esteja com ele! (Gálatas 1.9).
Paulo havia ensinado fielmente o evangelho àqueles primeiros cristãos da Galácia. Ele proclamou a verdade de que Jesus Cristo estava morto e ressuscitou, para que todos os homens pudessem experimentar a salvação e o perdão dos pecados como um presente gracioso recebido pela fé - não como algo que eles poderiam ganhar através de boas obras [esforço próprio]. E se tinha algo que Paulo não tolerava era aqueles que tentavam negar ou corromper a verdade.
Aprendendo
v  Como comentamos acima, o tema central deste capítulo é a repreensão de Paulo aos Gálatas por dar ouvidos as ideias corruptas dos judaizantes. Paulo queria que não houvesse mal-entendido - o evangelho que ele havia anunciado/ensinado a eles era a única verdade, qualquer outro evangelho se constituía em uma nefasta distorção da mensagem original.
v  Paulo deixou claro sua credibilidade como apóstolo de Jesus Cristo, pois uma das maneiras pelas quais os judaizantes tentaram desautorizar o ensino evangélico de Paulo era a de minar sua autoridade e desacreditar seu caráter apostólico.
v  Os judaizantes muitas vezes tentaram intimidar aqueles cristãos gentios e, portanto nada conheciam da mensagem do Primeiro Testamento (Torá/Lei) tentando impressioná-los com sua familiaridade e conhecimento das Escrituras.
v  Paulo queria ter certeza de que os gálatas entendessem que ele tinha mais conhecimento da lei judaica do que qualquer um dos judaizantes. Além disso, ele havia recebido uma revelação direta de Jesus Cristo sobre a mensagem do evangelho – e foi essa a mesma mensagem que ele havia lhes ensinado, sem qualquer mudança ou distorção.

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Guedes, Ivan Pereira
Mestre em Ciências da Religião.
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Referências Bibliográficas
BARCLAY, William. El Nuevo Testamento comentado. Buenos Aires (Argentina), Asociación Editorial la Aurora, 1974.
BROWN, Raymond. Introdução ao Novo Testamento. São Paulo: Paulinas, 2004 (Coleção Bíblia e história Série Maior).
CARSON, D. A., MOO, Douglas J. e MORRIS, Leon. Introdução ao Novo Testamento. São Paulo: Ed. Vida Nova, 2007.
CATRON, James L. R. Nuevo Testamento - panorámica general. EUA: Editorial ECS Ministries, 2010. [1ª Ed. Digital].
COLLINS, R. F. Latters that Paul did not write (Wilmington, Glazier, 1988).
GUTHRIE, Donald. Gálatas – Introdução e Comentário.  São Paulo: Vida Nova, 2008.
HALE, Broadus David. Introdução ao estudo do Novo Testamento. Trad. Cláudio Vital de Souza. Rio de Janeiro: JUERP, 1983.
HARRISON, Everett F. Introducción al Nuevo Testamento. Traducido por Norberto Wolf. Michigan: Subcomisión Literatura Cristiana déla Iglesia Cristiana Reformada, 1987.
HAWTHORNE, Gerald F. e MARTIN, Ralph P. e REID, Daniel G. (Org.). Dicionário de Paulo e suas cartas. 2ª ed. São Paulo: Edições Loyola, 2008.
REUSS, Eduard. The sacred scriptures of the New Testament, v. 1. Boston: Houghton, Mifflin e Company, 1884.
TENNEY, Merrill C. Gálatas – Escritura da Liberdade Cristã. São Paulo: Vida Nova, 1967.
WENHAM, G. J. e Outros. Nuevo comentario biblico siglo veintiuno - Nuevo Testamento. Espanha: Editorial Mundo Hispano, 2003.  





[2] O termo Galácia foi usado tanto como étnico quanto político na época de Paulo. Poderia se referir a duas regiões distintas do Oriente Médio - o que os estudiosos modernos chamam de "Galácia do Norte" e "Galácia do Sul". A nossa opção é pela Galácia do Sul, pois entendemos que essa e não aos tessalonicenses se constitui na primeira correspondência paulina das que foram preservadas no cânon neotestamentário.

sábado, 23 de novembro de 2019

A Dinastia Omridas



            Os livros de Reis inseridos no cânon do Primeiro Testamento e/ou Antigo Testamento não tem a pretensão de oferecer uma ampla visão de cada reinado, mas é uma seleção daqueles acontecimentos que se relacionam diretamente com a linhagem messiânica. Essa é a razão pela qual alguns reinados são minimizados e outros maximizados.
Após a morte do rei Salomão, a Monarquia Unida se dissolveu e se dividiu nos Reinos Divididos de Israel no norte e Judá no sul. Como a linhagem davídica se manteve no reino do Sul, as sucessões foram menos traumáticas e com períodos mais longos. O contrário ocorre no reino do Norte, pois a ausência de uma linhagem real definida oferecia ocasiões para várias revoltas e reviravoltas de maneira que as sucessões são mais intensas e violentas.
Uma das dinastias que surgiram e desapareceram na história de Israel foi a omrida. Todavia, quando lemos os relatos bíblicos temos a impressão de que o reinado de Omri[1] foi irrelevante para a nação israelita (Reino do Norte). Mas, quando vamos pesquisar a história geral[2] descobrimos que a dinastia omrida (Omri, Acab, Acazias, Jorão e Atalia) foi uma das mais importantes da nação israelita (Norte). É possível percebermos a relevância dessa dinastia, pois muito tempo depois de terem saído de cena, Israel ainda era referido pelos monarcas assírios como a Terra de Omri.
            Nada consta sobre os ancestrais de Omri, nem mesmo o nome de seu pai ou de sua tribo. Omri fundou a 3ª dinastia de Israel (precedida pelas de Jeroboão e de Baasa). Os textos bíblicos que contém os relatos da dinastia omrida estão no final do primeiro livro de Reis e o inicio do segundo livro: Omri (1Rs 16.15 — 28), Acab (1Rs 16.29 - 22.40), Acazias (1Rs 22.52 - 2Rs 1.18), Jorão (2Rs 3.1 - 9.29) e Atalia (2Rs 11.1 - 25). Esta dinastia reinou entre os anos de 884- 836 AEC, sobre Israel Norte e em Judá.
            Omri antes de ser coroado rei do Norte tinha sido um general do rei Elá (1Rs 16.15-28), filho e sucessor do rei Baasa (1Rs 16.8-14). Como Elá reinou por um período pequeno de dois anos (1Rs 14.8) é provável que Omri já ocupasse o posto de general do exercito desde os dias do pai dele. A narrativa coloca Omri liderando o exército nas fronteiras de Gibeton, uma das cidades filisteias, enquanto orei Elá permaneceu em Tirza, uma das capitais do Reino do Norte (Israel)[3].
            Todavia, outro comandante responsável pela metade dos carros, chamado Zimri,[4] não estava no cerco da cidade filisteia, mas havia permanecido na capital (16.9). Aproveitando a ocasião Zimri mata o rei (1Rs 16.9) e assume o trono. Mas a leitura indica que esse ato foi feito à revelia do apoio das forças políticas vigentes, pois quando a notícia chega ao acampamento militar imediatamente Omri e aclamado rei por “todo o povo”, leia-se o exército. Retornam rapidamente para Tirza e ali fazem um cerco à capital.
            Acuado Zimri se refugia no palácio real, mas o local foi incendiado e Zimri morreu carbonizado. Quando tudo parece caminhar para a ascensão de Omri surge um novo postulante ao trono, provavelmente outro comandante, chamado Tibne, filho de Ginate, que possui forte apoio de outras alas do exercito. Por um período de aproximadamente quatro anos houve intensa disputa entre os dois postulantes ao trono, até que as forças lideradas por Omri venceram a disputa e impôs a derrota à Tibni (1Rs 16.22), dando inicio assim uma dinastia que permanecerá reinando no Norte por um período relevante de quase cinquenta anos (884-836 AC).
            Em seus primeiros seis anos Omri reinou a partir de Tirza, mas entendia que estrategicamente não era a melhor localização e de difícil defesa contra os inimigos. Então o rei compra uma colina ao oeste de Tirza, cujo dono era Semer e constrói nela a nova capital do reino de Israel (Norte) e lhe dá o nome de Samaria[5] (1Rs 16.24), provavelmente em homenagem ao antigo dono, que deveria ser uma pessoa de grandes posses e influência política naquela época.
A nova capital foi fortificada de forma a poder suportar longos sítios (1Rs 16.23, 24). Inscrições em cuneiforme também o chamam de fundador dela, e foi também o local de seu sepultamento. (1Rs 16.28). Era localizada perto de Dor e Siquém, uma rota comercial importante entre Leste-Oeste, interligada pela Estrada do Rei, no extremo leste, e a Via Maris que perpassava o litoral. Por aqui passavam o transporte dos produtos (bens de luxo como peles de animais, marfim e incenso) para o porto de Dor e o forte comercio com a Fenícia, incluindo ouro, prata e estanho trocado entre o sul da Arábia e a Mesopotâmia. A localização era estratégica também pelo fato de que a partir de Samaria Omri podia vigiar os movimentos do reino de Judá (Sul).  Aqui temos os três passos que consolidaram a dinastia onrida: ascensão de Onri ao trono de Israel (Norte); a construção de Samaria como a nova capital dos israelitas; o inicio da dinastia dos onridas que perdurara por pelo menos quarenta e cinco anos.
            Omri foi o primeiro rei de Israel (Norte) que teve o nome referendado em documentos extras bíblicos. Em seu período relativamente curto de doze anos e posteriormente com seu filho Acab, a nação do Norte experimenta um período de grandes construções públicas e ampliação de seu território. Consolida sua aliança com Fenícia através do casamento entre seu filho Acab e a princesa fenícia Jezabel e investe na intensificação do comércio tanto marítimas como nas rotas comerciais em Gilead. Desta forma Israel aparece pela primeira vez no cenário internacional. Essas referências a Omri em fontes extra-bíblica parecem indicar que o reino do norte de Israel emergiu como uma grande potência regional na Síria-Palestina sob Omri, perpetuando seu nome na Assíria, e eventualmente a casa de Omri tornou-se sinônimo do reino do norte de Israel na Assíria, mesmo quando os reis de Israel não mais vieram de sua linhagem. Referir-se a uma dinastia por seu fundador é habitual nas inscrições reais assírias. No entanto, as inscrições reais assírias continuaram a designar o reino do norte de Israel como “bīt Humri”, "casa de Omri", até o século VIII AC, muito depois da aniquilação da dinastia de Omri em 841 AC.
            A dinastia onridas manteve uma politica de aliança com o reino de Judá (Sul). Omri iniciou essa aproximação com o rei Asa de Judá (Sul).   A consolidação desta aliança vem através do casamento da filha de Omri – Atalia - com Josafa, filho do rei do sul.
Uma das realizações políticas mais importantes de Omri foi o restabelecimento de boas relações com Zidon, a terra dos fenícios, cuja amizade ajudou a aumentar a riqueza e o poder do rei Davi e do rei Salomão durante seus reinos. Aqui também, Omri afirmou a aliança política por casamento. Seu filho Acabe casou-se com Jezabel, filha do rei de Sidom. No entanto, a estreita associação entre os dois países exerceu uma influência muito ruim sobre a vida religiosa e cultural de Israel. Essa dupla proporcionou um dos mais nefastos períodos do reino de Israel-Judá. Introduziram o culto a Baal, não apenas trazendo os profetas baalitas, mas construindo um templo para o deus cananeu-fenício; assassinaram os sacerdotes que se opunham a seus cultos idolatras; confiscaram propriedades de seus súditos e perseguiram violentamente os profetas Elias e Eliseu, que foram sempre uma espinha de peixe em suas gargantas. A situação declinou rapidamente após a morte de Acabe e Josafá e essa triste dinastia chega a um fim abrupto por volta de 843 AC com a morte de Jezabel e seus descendentes.

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Guedes, Ivan Pereira
Mestre em Ciências da Religião.
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[1] Em hebraico ( עָמְרִי), uma forma reduzida do hebraico עָמְרִיָּה, Omriyya, "YHVH é minha vida"); nome aparece grafado na Septuaginta (LXX) como Ambri e a Vulgata optou por Amri.
[2] Evidências extrabíblicas do rei Messa de Moabe, rei Shalmaneser III da Assíria e outras. A inscrição de Mesha é particularmente interessante – ela foi encomendada pelo rei de Messa de Moabe, aparentemente no final de seu reinado. O texto relata as principais realizações do reinado de Mesha. Em particular, menciona Omri, rei de Israel, porque Mesha acabou com o domínio israelita sobre Moabe e recuperou todo o território moabita ao norte da antiga cidade de Madiba. Existem outras inscrições, como a chamada inscrição monolítica de Shalmaneser III, que data do século IX aC. Chamado Obelisco Negro, onde são inscritos os nomes dos reis de Israel e Judá: Omri, Acabe, Jeú, a Casa de Davi.
[3] A relevância de Tirza, como capital do reino do Norte Israel, abrange um período que vai desde cerca de 931-842 AC, até ser substituída pela nova capital, Samaria.
[4] Na LXX o nome transliterado é Zambri e a Vulgata optou por Zamri, mas a melhor grafia seguindo as regras gramaticais hebraicas é mesmo Omri.
[5] A cidade permaneceu por cerca de cento e cinquenta anos, até 720 AC.