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sexta-feira, 15 de maio de 2026

Quiz – Babel: o Epicentro da Arrogância Humana

1. Qual era o objetivo dos homens ao construir a Torre de Babel?

  • a) Criar um templo para adorar a Deus.
  • b) Fazer para si um nome e evitar serem espalhados pela terra.
  • c) Construir uma fortaleza contra inimigos.
  • d) Criar um observatório astronômico.

2. Qual foi a resposta de Deus ao projeto da torre?

  • a) Ele destruiu a torre com fogo.
  • b) Ele confundiu a língua dos homens.
  • c) Ele enviou um dilúvio.
  • d) Ele permitiu que concluíssem a obra.

3. O que a narrativa de Babel explica sobre a humanidade?

  • a) A origem das diversas línguas e nações.
  • b) O surgimento da idolatria.
  • c) A invenção da escrita.
  • d) O início da agricultura.

4. Segundo o artigo, qual é o perigo da “unanimidade” sem Deus?

  • a) Não há perigo algum.
  • b) Torna-se instrumento de rebelião coletiva.
  • c) Gera prosperidade e paz.
  • d) Fortalece a fé.

5. O que a torre simboliza na reflexão bíblica?

  • a) A ambição humana de alcançar os céus por meios próprios.
  • b) A comunhão perfeita entre os povos.
  • c) A sabedoria divina.
  • d) A promessa de Abraão.

6. Como Deus demonstrou a pequenez da obra humana?

  • a) Ele precisou “descer” para ver a torre.
  • b) Ele enviou anjos para destruí-la.
  • c) Ele ignorou o projeto.
  • d) Ele fez chover sobre a cidade.

7. Qual foi o efeito imediato da confusão das línguas?

  • a) O projeto entrou em colapso e os homens se dispersaram.
  • b) Os homens aprenderam novas línguas.
  • c) A torre foi concluída mesmo assim.
  • d) Os povos se uniram ainda mais.

8. Qual personagem bíblico surge logo após Babel como parte do plano redentor de Deus?

  • a) Moisés.
  • b) Abraão.
  • c) Davi.
  • d) Noé.

👉 Para saber mais, leia o artigo completo: Babel – o Epicentro da Arrogância Humana (Gn 11:1-9)

terça-feira, 5 de maio de 2026

Evangelho Segundo João — “Eu Sou”: a eternidade de Cristo

 

Segundo artigo da série “Eu Sou”: a identidade divina de Jesus

Na introdução desta série, observamos que a expressão “Eu Sou” não surge no Evangelho de João como uma fórmula isolada, mas carrega profundas ressonâncias veterotestamentárias. Desde a revelação do nome divino em Êxodo 3 até as declarações do Senhor em Isaías, essa linguagem está associada à identidade exclusiva de Deus, à sua fidelidade à aliança e à sua presença salvadora [GUEDES, 2026].

Agora, ao chegarmos a João 8.58, encontramos uma das declarações mais solenes de Jesus no quarto Evangelho: “Antes que Abraão existisse, Eu Sou”. Com essas palavras, Jesus não apenas afirma sua existência anterior ao patriarca; ele revela uma identidade que ultrapassa os limites do tempo, da história e das categorias humanas comuns.

Essa declaração aparece em um momento de intenso conflito. Jesus está dialogando com judeus que questionam sua autoridade, sua origem e sua relação com Deus. Ao longo do capítulo 8, o debate cresce em tensão até chegar ao seu ponto mais alto. Quando Jesus declara sua relação singular com Abraão e, mais ainda, sua existência anterior a ele, seus ouvintes entendem que algo muito maior está sendo dito. Por isso, pegam pedras para apedrejá-lo.

João não registra essa reação por acaso. Ela mostra que as palavras de Jesus foram compreendidas como uma reivindicação de identidade divina. O problema, para seus opositores, não era apenas cronológico, como se Jesus estivesse dizendo ser mais antigo que Abraão. O escândalo estava na forma da afirmação: “Eu Sou”.

O contexto do conflito

João 8 é marcado por uma série de contrastes: luz e trevas, liberdade e escravidão, verdade e mentira, filiação divina e filiação pecaminosa. Jesus havia declarado: “Eu sou a luz do mundo”. Em seguida, passou a confrontar seus ouvintes com a necessidade de crer nele. A incredulidade deles não era simples falta de informação; era resistência à revelação.

Nesse contexto, Jesus afirma: “Se não crerdes que Eu Sou, morrereis nos vossos pecados”. A fé exigida por Jesus não é apenas aceitação de um ensino moral, mas reconhecimento de sua pessoa. O destino espiritual dos ouvintes está ligado à forma como respondem à sua identidade.

O conflito avança quando Jesus fala sobre verdadeira liberdade. Seus opositores alegam ser descendentes de Abraão e, por isso, não se consideram escravos. Jesus, porém, desloca a discussão da descendência física para a condição espiritual. Ser filho de Abraão não é apenas pertencer a uma linhagem histórica, mas andar na fé e na obediência que caracterizaram o patriarca.

É nesse cenário que a figura de Abraão se torna central. Para os judeus, Abraão era o pai da nação, o depositário das promessas, o grande patriarca da aliança. Ao afirmar sua relação com Abraão, Jesus toca em um dos pontos mais sensíveis da identidade judaica.

Abraão e a promessa

Jesus declara: “Abraão, vosso pai, alegrou-se por ver o meu dia; viu-o e regozijou-se”. Essa frase é profundamente significativa. Jesus não trata Abraão apenas como personagem do passado, mas como alguém que, de algum modo, olhou para o cumprimento futuro das promessas de Deus.

Desde Gênesis, Abraão aparece ligado à promessa de bênção para todas as famílias da terra. Nele, Deus inicia uma história que alcançaria Israel e, por meio de Israel, as nações. A promessa feita ao patriarca apontava para algo maior do que descendência numerosa e terra prometida. Ela carregava uma expectativa messiânica.

Ao dizer que Abraão se alegrou por ver o seu dia, Jesus se apresenta como o cumprimento da esperança abraâmica. O “dia” de Cristo é o tempo da realização das promessas. Aquilo que Abraão contemplou de longe encontra sua plenitude na pessoa de Jesus.

Os ouvintes, porém, interpretam a afirmação de modo superficial e cronológico: “Ainda não tens cinquenta anos e viste Abraão?”. A pergunta revela incompreensão. Eles pensam apenas em termos de idade humana. Jesus responde em outro nível, revelando sua eternidade.

“Antes que Abraão existisse”

A primeira parte da declaração já seria extraordinária: “Antes que Abraão existisse...”. Jesus afirma sua anterioridade em relação ao patriarca. Mas João não apresenta essa anterioridade apenas como precedência temporal. A frase prepara o leitor para algo mais profundo.

Abraão “existiu”, isto é, veio a ser dentro da história. Ele teve um começo. Foi chamado por Deus, peregrinou, recebeu promessas, gerou descendência e morreu. Por maior que fosse sua importância na história da redenção, Abraão continuava sendo criatura. Sua existência era derivada, temporal e dependente.

Jesus, porém, não diz simplesmente: “antes que Abraão existisse, eu existia”. Se dissesse isso, já afirmaria preexistência. Mas ele vai além. Ele declara: “Eu Sou”.

Essa diferença é decisiva. Abraão veio a existir; Cristo simplesmente é. Abraão pertence à sucessão dos tempos; Cristo transcende o tempo. Abraão recebeu promessas; Cristo é aquele em quem as promessas se cumprem. Abraão olhou para o dia de Cristo; Cristo é o Senhor da história para a qual Abraão apontava.

Essa compreensão se harmoniza com o prólogo do Evangelho: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”. João já havia apresentado Jesus como aquele que existia antes da criação, antes da história humana e antes de todos os acontecimentos narrados nas Escrituras. Como já desenvolvido em estudo anterior, João localiza Jesus no princípio e o apresenta como aquele que transcende o tempo e o espaço [GUEDES, 2022].

“Eu Sou”

A segunda parte da declaração é o centro do texto: “Eu Sou”. Aqui, a expressão não aparece acompanhada de predicado, como em “Eu sou o pão da vida” ou “Eu sou a luz do mundo”. Trata-se de uma declaração absoluta. Jesus não diz apenas o que ele faz ou o que oferece; ele revela quem ele é.

Essa forma absoluta remete ao pano de fundo veterotestamentário da revelação divina. Em Êxodo 3, Deus se revela a Moisés como “Eu Sou o que Sou” e envia Moisés aos filhos de Israel dizendo: “Eu Sou me enviou a vós”. Nos profetas, especialmente em Isaías, Deus declara sua singularidade com fórmulas que expressam sua identidade exclusiva, sua soberania e sua capacidade de salvar.

Quando Jesus toma essa linguagem para si, ele não está apenas usando uma expressão comum. Ele se coloca no espaço da autorrevelação divina. Suas palavras apontam para uma identidade que não pode ser reduzida à de profeta, mestre ou enviado extraordinário. Ele é o Filho eterno, aquele que revela plenamente o Pai.

Por isso, João 8.58 está entre os textos mais importantes para a cristologia do quarto Evangelho. Jesus não é apresentado apenas como alguém que conhece Deus, fala sobre Deus ou age em nome de Deus. Ele é aquele em quem Deus se faz conhecido. Esse é um dos eixos da cristologia joanina: o Filho revela o Pai de maneira plena, compartilhando da glória e da natureza divina [GUEDES, 2017].

A reação dos ouvintes

A reação dos judeus confirma a força da declaração: “Então pegaram em pedras para atirarem nele”. Eles compreenderam que Jesus havia dito algo muito mais grave do que uma afirmação de antiguidade. A tentativa de apedrejamento revela que entenderam suas palavras como blasfêmia.

Se Jesus tivesse apenas afirmado existir antes de Abraão, ainda haveria escândalo. Mas a forma “Eu Sou” intensifica a afirmação. Para seus opositores, Jesus estava se apropriando de uma linguagem pertencente ao próprio Deus. O conflito, portanto, não gira apenas em torno de interpretação bíblica, mas da identidade de Jesus.

João utiliza essa cena para conduzir o leitor a uma decisão. Seus personagens rejeitam Jesus e pegam pedras. O leitor, porém, é convidado a reconhecer nele o Verbo eterno. A narrativa não é neutra. Ela confronta cada pessoa com a pergunta central do Evangelho: quem é Jesus?

Essa pergunta percorre todo o quarto Evangelho. Desde o prólogo até a confissão de Tomé, João apresenta sinais, discursos e conflitos que apontam para a identidade de Cristo. O objetivo não é apenas informar, mas conduzir à fé. O próprio evangelista declara que escreveu para que seus leitores creiam que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenham vida em seu nome.

A eternidade de Cristo

A declaração “Antes que Abraão existisse, Eu Sou” revela a eternidade de Cristo. Ele não começou a existir em Belém. A encarnação marca sua entrada na história humana, mas não o início de sua existência. O Filho já era antes da criação. Ele estava com Deus e era Deus.

Essa verdade é essencial para a fé cristã. Se Jesus fosse apenas um homem especialmente usado por Deus, não poderia revelar plenamente o Pai. Se fosse apenas um profeta, não poderia ser a vida do mundo. Se fosse apenas uma criatura exaltada, não poderia receber a fé, a honra e a confiança que pertencem a Deus. Mas João apresenta Jesus como o Verbo eterno que se fez carne.

A eternidade de Cristo também dá profundidade à sua obra redentora. Aquele que morre na cruz não é apenas um mártir justo, mas o Filho eterno que se entrega voluntariamente. Aquele que ressuscita não é apenas alguém favorecido por Deus, mas o Senhor da vida. Aquele que promete salvação não é apenas mensageiro da esperança, mas a própria esperança encarnada.

Por isso, a fé em Jesus não é simples admiração religiosa. É reconhecimento de sua identidade. Crer nele é receber aquele que veio do Pai, revela o Pai e conduz ao Pai. Rejeitá-lo é permanecer nas trevas, porque nele a luz de Deus brilhou de forma definitiva.

Abraão, Cristo e a história da redenção

Ao colocar Abraão no centro desse debate, João mostra que Jesus não está separado da história de Israel. Pelo contrário, ele é o cumprimento dela. Abraão recebeu promessas; Cristo realiza essas promessas. Abraão aguardou o dia da salvação; Cristo inaugura esse dia. Abraão creu no Deus que promete; o Evangelho chama seus leitores a crerem no Filho em quem a promessa se cumpre.

Essa relação impede duas leituras equivocadas. A primeira seria ler Jesus como se ele surgisse desconectado do Antigo Testamento. A segunda seria ler o Antigo Testamento como se ele pudesse ser plenamente compreendido sem Cristo. João nos conduz por outro caminho: o Deus que chamou Abraão é o mesmo que se revela no Filho. A história da aliança encontra em Jesus sua plenitude.

Assim, João 8.58 não diminui Abraão; antes, coloca o patriarca em seu devido lugar dentro da história da redenção. Abraão é grande porque recebeu a promessa. Cristo é maior porque é o cumprimento da promessa. Abraão viu de longe e se alegrou. Cristo é aquele em quem a alegria prometida se torna realidade.

Conclusão

A declaração “Antes que Abraão existisse, Eu Sou” é uma das afirmações mais profundas de Jesus no Evangelho de João. Nela, encontramos preexistência, eternidade, cumprimento das promessas e reivindicação de identidade divina. Jesus não apenas antecede Abraão; ele transcende o tempo. Não apenas conhece o plano de Deus; ele é o centro desse plano. Não apenas anuncia a salvação; ele é o Salvador.

A reação dos ouvintes mostra que suas palavras não foram neutras. Elas exigiam resposta. Alguns pegaram pedras. João, porém, escreve para que seus leitores façam o caminho oposto: não rejeitem o Filho, mas creiam nele; não permaneçam nas trevas, mas recebam a luz; não morram em seus pecados, mas encontrem vida em seu nome.

No próximo artigo, passaremos de uma declaração absoluta para uma das grandes declarações com predicado no Evangelho de João: “Eu sou o pão da vida”. Nela, veremos como Jesus se apresenta como aquele que satisfaz a fome mais profunda do ser humano e cumpre, em si mesmo, a provisão de Deus para o seu povo.

Referências bíblicas principais

Gênesis 12.1-3; 15.1-6;
Êxodo 3.13-15;
Isaías 41.4; 43.10-13; 44.6;
João 1.1-18; 8.12-59; 20.30-31.

Utilização livre desde que citando a fonte

Guedes, Ivan Pereira

Mestre em Ciências da Religião.

me.ivanguedes@gmail.com

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Historiologia Protestante

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Referências bibliográficas

GUEDES, Ivan Pereira. Evangelho Segundo João — “Eu Sou”: a identidade divina de Jesus [introdução à série]. Reflexão Bíblica, 28 abr. 2026. Disponível em: https://reflexaoipg.blogspot.com/2026/04/evangelho-segundo-joao-eu-sou.html. Acesso em: 5 maio 2026.

GUEDES, Ivan Pereira. A Cristologia no Evangelho Segundo João. Reflexão Bíblica, 29 jul. 2017. Disponível em: https://reflexaoipg.blogspot.com/2017/07/a-cristologia-no-evangelho-segundo-joao.html. Acesso em: 5 maio 2026.

GUEDES, Ivan Pereira. EVANGELHO DE JOÃO: Jesus sempre existiu. Reflexão Bíblica, 18 ago. 2022. Disponível em: https://reflexaoipg.blogspot.com/2022/08/evangelho-de-joao-jesus-sempre-existiu.html. Acesso em: 5 maio 2026.

Bibliografia Ampla

CALVINO, João. Comentário do Evangelho Segundo João. São José dos Campos: Fiel.

HENDRIKSEN, William. Comentário do Novo Testamento — João. São Paulo: Cultura Cristã.

BAUCKHAM, Richard. Jesus and the God of Israel: God Crucified and Other Studies on the New Testament’s Christology of Divine Identity. Grand Rapids: Eerdmans, 2008.

CARSON, D. A. The Gospel According to John. Grand Rapids: Eerdmans, 1991.

KÖSTENBERGER, Andreas J. John. Grand Rapids: Baker Academic, 2004.

 

terça-feira, 28 de abril de 2026

Evangelho Segundo João — “Eu Sou”: a identidade divina de Jesus [introdução à série]

 

Entre as muitas marcas literárias e teológicas do Evangelho segundo João, poucas são tão densas quanto a expressão “Eu Sou”. Por meio dela, Jesus revela sua identidade divina, situa sua missão no horizonte da revelação veterotestamentária e conduz o leitor ao reconhecimento de que, nele, o Deus da aliança se fez plenamente conhecido. Em João, Jesus não apenas anuncia a vida; ele é a vida. Não apenas aponta para a luz; ele é a luz. Não apenas ensina o caminho; ele é o caminho. Não apenas promete a ressurreição; ele é a ressurreição e a vida.

Essa característica se harmoniza com o modo peculiar pelo qual João constrói sua narrativa. Diferente dos Sinóticos, o quarto Evangelho apresenta discursos mais longos, linguagem mais conceitual e diálogos que frequentemente se desenvolvem em exposições teológicas mais amplas. Como já observamos em estudo anterior, João não contradiz os Sinóticos, mas os complementa, oferecendo uma perspectiva própria, mais íntima e teologicamente densa da pessoa e da obra de Cristo [GUEDES, 2022b].

Essa linguagem, contudo, não surge no vazio. Antes de aparecer no Evangelho segundo João, a fórmula “Eu Sou” já estava carregada de profundas ressonâncias veterotestamentárias. O pano de fundo mais evidente encontra-se em Êxodo 3, quando Deus se revela a Moisés no episódio da sarça ardente. Diante da missão de libertar Israel do Egito, Moisés pergunta pelo nome daquele que o envia. A resposta divina é majestosa: “Eu Sou o que Sou”. E Deus acrescenta: “Assim dirás aos filhos de Israel: Eu Sou me enviou a vós”.

Essa autorrevelação não apresenta Deus como uma ideia abstrata, distante ou impessoal. O Deus que se revela como “Eu Sou” é o Deus vivo, presente, fiel à sua aliança e comprometido com a redenção do seu povo. Ele é aquele que vê a aflição de Israel, ouve o seu clamor, conhece o seu sofrimento e desce para livrá-lo. Portanto, o nome revelado a Moisés comunica tanto a majestade da autoexistência divina quanto a proximidade da presença salvadora de Deus.

Esse pano de fundo se amplia especialmente nos profetas, sobretudo em Isaías. Em diversas passagens, o Senhor declara sua singularidade com expressões que ecoam a fórmula “Eu Sou”. Ele é o primeiro e o último; antes dele nenhum deus se formou, e depois dele nenhum haverá. Ele é aquele que anuncia o fim desde o princípio, sustenta o seu povo e realiza soberanamente os seus propósitos. Assim, no Antigo Testamento, a expressão se associa à identidade exclusiva do Senhor, à sua fidelidade à aliança, ao seu domínio sobre a história e à sua capacidade de salvar.

É precisamente nesse horizonte que as palavras de Jesus devem ser ouvidas no Evangelho segundo João. Quando Jesus diz “Eu Sou”, ele não está apenas usando uma forma comum de identificação pessoal. Em muitos contextos, sua declaração carrega uma força teológica muito maior. Ela insere sua pessoa no espaço da revelação divina. Jesus fala e age como aquele em quem o Deus de Israel se torna conhecido de maneira plena, definitiva e encarnada.

O próprio prólogo do Evangelho prepara o leitor para essa compreensão: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”. João não começa sua narrativa em Belém, no ministério de João Batista ou no início das atividades públicas de Jesus. Ele recua para antes da criação. Como já desenvolvido em artigo sobre a preexistência de Cristo, João localiza Jesus no princípio e o apresenta como aquele que transcende o tempo e o espaço, antes de todos os acontecimentos da história humana [GUEDES, 2022a].

Dessa forma, as declarações “Eu Sou” não introduzem uma cristologia estranha ao Evangelho. Elas desdobram, ao longo da narrativa, aquilo que o prólogo já afirmou de maneira concentrada. O Verbo que estava com Deus e era Deus agora fala dentro da história. O Criador entra no mundo criado. Aquele por meio de quem todas as coisas foram feitas caminha entre os homens, conversa com pecadores, confronta religiosos, cura enfermos, ressuscita mortos e, em cada gesto, revela a glória do Pai.

Isso se torna particularmente claro em João 8.58, quando Jesus declara: “Antes que Abraão existisse, Eu Sou”. A frase não apenas afirma a preexistência de Cristo; ela reivindica uma identidade que ultrapassa as categorias humanas ordinárias. A reação dos seus ouvintes confirma a gravidade da declaração: eles pegam pedras para apedrejá-lo. O conflito nasce porque entendem que Jesus não está simplesmente dizendo ser anterior a Abraão, mas apropriando-se de uma linguagem associada à autorrevelação do próprio Deus.

Por isso, a apropriação da expressão “Eu Sou” por Jesus deve ser lida como parte essencial da cristologia joanina. Jesus não é apenas o mensageiro de Deus, mas o Filho que revela o Pai. Ele não é apenas aquele que fala em nome de Deus, mas aquele em quem a glória de Deus se manifesta. Ele não é apenas o enviado que aponta para a salvação, mas aquele em cuja pessoa a salvação prometida se cumpre. Esse é um dos eixos centrais da cristologia joanina: Jesus é o Filho que revela plenamente o Pai, compartilha sua natureza divina e torna conhecido o Deus invisível [GUEDES, 2017b].

O evangelista João utiliza essa fórmula como um marcador narrativo cuidadosamente distribuído ao longo do seu relato. Algumas declarações aparecem acompanhadas de imagens concretas: “Eu sou o pão da vida”, “Eu sou a luz do mundo”, “Eu sou a porta”, “Eu sou o bom pastor”, “Eu sou a ressurreição e a vida”, “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida”, “Eu sou a videira verdadeira”. Em cada uma delas, Jesus revela um aspecto de sua pessoa e de sua missão. Ele satisfaz a fome do mundo, ilumina as trevas, abre o acesso à salvação, guarda suas ovelhas, vence a morte, conduz ao Pai e comunica vida aos que permanecem nele.

Outras declarações aparecem de forma absoluta, sem predicado explícito. São momentos de especial solenidade. Jesus diz à mulher samaritana: “Eu o sou, eu que falo contigo”. Afirma aos seus opositores: “Se não crerdes que Eu Sou, morrereis nos vossos pecados”. Declara antes dos acontecimentos finais: “Desde já vos digo, antes que aconteça, para que, quando acontecer, creiais que Eu Sou”. E, no jardim, quando os soldados vêm prendê-lo, responde: “Sou eu”; e aqueles que o buscavam recuam e caem por terra. João constrói, assim, uma rede de declarações que orienta o leitor a reconhecer em Jesus mais do que um mestre, profeta ou operador de sinais.

Essas expressões funcionam como janelas abertas para a identidade de Cristo. Cada uma delas retoma temas do Antigo Testamento, responde a necessidades humanas concretas e avança a narrativa em direção à cruz e à ressurreição. Não são frases isoladas para ornamentar a memória devocional da igreja, embora também alimentem profundamente a piedade cristã. Elas são peças estruturais do Evangelho. Por meio delas, João organiza a revelação progressiva de Jesus diante dos discípulos, das multidões, dos líderes religiosos e, finalmente, do próprio leitor.

Nesse sentido, a série que iniciamos não pretende apenas comentar expressões conhecidas do Evangelho de João. Nosso propósito é acompanhar o movimento da própria narrativa joanina. Primeiro, examinaremos o pano de fundo veterotestamentário da expressão “Eu Sou”, observando como ela se relaciona com a revelação do nome divino, com a aliança e com a redenção. Depois, veremos como Jesus se apropria dessa linguagem para revelar sua identidade divina e sua missão messiânica. Em seguida, analisaremos as principais declarações “Eu Sou” no Evangelho segundo João, considerando seu contexto narrativo, suas raízes bíblicas e sua contribuição para a cristologia do quarto Evangelho.

Esse caminho também dialoga com o propósito declarado do próprio evangelista. João afirma que os sinais foram registrados “para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome”. Em estudo anterior sobre a ocasião e o propósito do quarto Evangelho, observamos que João escreve para confrontar o incrédulo com a verdade acerca de Cristo e, ao mesmo tempo, fortalecer a fé daqueles que já creem [GUEDES, 2017a]. As declarações “Eu Sou” servem exatamente a esse propósito: elas revelam quem Jesus é e convocam o leitor à fé.

Ao final, esperamos perceber que a pergunta central de João continua diante de cada leitor: quem é Jesus? O Evangelho não foi escrito apenas para informar, mas para conduzir à fé. As declarações “Eu Sou” revelam que a vida prometida por Deus não se encontra em uma ideia, em uma instituição ou em uma mera tradição religiosa, mas na pessoa do Filho.

Portanto, quando Jesus diz “Eu Sou”, João nos convida a ouvir mais do que uma frase. Convida-nos a contemplar a glória daquele que estava no princípio com Deus, que se fez carne, que habitou entre nós e que, em sua própria pessoa, revela o Deus que salva.

 

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Guedes, Ivan Pereira

Mestre em Ciências da Religião.

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Próximo artigo da série

Evangelho Segundo João — “Eu Sou” no Antigo Testamento: o Deus que se revela e redime

Referências bibliográficas

GUEDES, Ivan Pereira. Evangelho Segundo João: Ocasião e Propósito. Reflexão Bíblica, 1 fev. 2017. Disponível em: https://reflexaoipg.blogspot.com/2017/02/evangelho-segundo-joao-ocasiao-e.html. Acesso em: 28 abr. 2026.

GUEDES, Ivan Pereira. A Cristologia no Evangelho Segundo João. Reflexão Bíblica, 29 jul. 2017. Disponível em: https://reflexaoipg.blogspot.com/2017/07/a-cristologia-no-evangelho-segundo-joao.html. Acesso em: 28 abr. 2026.

GUEDES, Ivan Pereira. EVANGELHO DE JOÃO: Jesus sempre existiu. Reflexão Bíblica, 18 ago. 2022. Disponível em: https://reflexaoipg.blogspot.com/2022/08/evangelho-de-joao-jesus-sempre-existiu.html. Acesso em: 28 abr. 2026.

GUEDES, Ivan Pereira. Evangelho João – Peculiaridades em Relação aos Sinóticos. Reflexão Bíblica, 13 nov. 2022. Disponível em: https://reflexaoipg.blogspot.com/2022/11/evangelho-joao-peculiaridades-em.html. Acesso em: 28 abr. 2026.

domingo, 1 de junho de 2025

O Discipulado de Abrão - A Paciência de Deus (Gênesis 12.10-20)


Nos versos anteriores vimos como Deus pacientemente esperou e chamou novamente Abrão. Muitas vezes, confundimos a paciência de Deus com morosidade ou lentidão, mas, na verdade, se não fosse essa maravilhosa paciência divina, não apenas Abrão, mas todos nós seríamos reprovados no Vestibular do Discipulado de Deus.

Abrão recebeu o chamado de Deus em Ur dos Caldeus, onde vivia com seus familiares—pai, irmãos e sobrinhos. A ordem foi simples e direta: “Sai da tua terra e do meio da tua parentela e vai para uma terra que te mostrarei.”

Essa ordem exigia fé, e essa fé exigia a difícil separação dos vínculos familiares e sociais mais íntimos. Abrão obedeceu prontamente, mas não totalmente. Ele parou em Harã, cidade natal de seu pai, e ali permaneceu. Somente após a morte de seu pai, Deus tornou a falar com ele, repetindo a mesma ordem: “Sai da tua terra e do meio social/familiar e vai para uma terra que te mostrarei.”

Quantas vezes Deus se cala diante de nossa negligência! Agora, finalmente, Abrão segue em direção à terra de Canaã, mas leva consigo seu sobrinho , o que lhe causara muita dor de cabeça.

Como é difícil obedecer a Deus! E como Ele é paciente com nossa falta de fé e obediência!

O Perigo de Estar Fora do Centro da Vontade de Deus

Em Gênesis 12.10-20, vemos que a Bíblia relata a história real, sem retoques. Deus não usa photoshop para tornar os personagens bíblicos “perfeitos”. Mais uma vez, Abrão se desvia do propósito de Deus.

Diante de uma seca terrível, ele não consulta a Deus e decide sair de Canaã (o lugar da vontade de Deus) para ir ao Egito (fora da vontade divina). Quantas vezes tomamos decisões com base nas circunstâncias e não na vontade e propósito de Deus!

Ao se aproximar do Egito, Abrão combina com Sara para que, se forem questionados, ela diga que são irmãos, pois teme que o matem para tomá-la como esposa.

Embora tecnicamente não seja uma mentira, a omissão também é um pecado. Quantas vezes justificamos nossas ações de maneira semelhante, esquecendo que tanto mentir quanto omitir, que meia-verdade é uma mentira inteira aos olhos de Deus!

Na medida em que Abrão se afasta da vontade de Deus, sua história se complica. Como ele havia previsto, a beleza de Sara chamou a atenção dos servos do Faraó, que logo a levaram para o palácio.

Imediatamente, Faraó enviou um dote de compensação para Abrão, oficializando a transação cerimonial do casamento. Mas antes que Faraó consumasse essa união, Deus interveio enviando uma praga ao palácio real.

Faraó percebe que é um castigo divino e rapidamente devolve Sara a Abrão, questionando por que ele amaldiçoou sua casa.

A Ironia da Situação

Abrão foi chamado por Deus para abençoar todas as famílias da terra, mas, devido às suas atitudes erradas, tornou-se uma maldição na vida do povo de Faraó. Então, surge a pergunta essencial: Temos sido bênção ou maldição na vida das pessoas?

Lições da História de Abrão

Podemos destacar algumas atitudes negativas de Abrão e Sara:

·        Egoísmo – Abrão pensa apenas em si ao tomar certas decisões.

·        Conivência – Sara concorda com seus erros e, posteriormente, influênciara Abrão a gerar um filho com sua serva Hagar.

Mesmo diante da clara desobediência de Abrão, Deus usa a raiva de Faraó para expulsa-lo de volta a Canaã. Se não fosse isso, ele poderia ter ignorado o chamado divino e se estabelecido definitivamente no Egito.

Às vezes Deus tem que nos expulsar da nossa zona de conforto, para não perdermos o foco do Seu chamado e Propósito para as nossas vidas.

Mas uma lição preciosa está embutida nessa situação constrangedora de Abrão, e de todo crente genuíno. Deus é fiel, mesmo quando não somos. Como está escrito em 2 Timóteo 2.13: "Se somos infiéis, Ele permanece fiel, pois não pode negar a Si mesmo."

Nada do que Abrão e Sara fizeram pegou Deus de surpresa, mas Abrão precisava aprender sobre fé e obediência.

Assim como , que declarou ao final de sua jornada: "Antes eu conhecia Deus de ouvir falar, mas agora o conheço de fato e de verdade."

Ou como Paulo, que pediu três vezes para que Deus lhe tirasse o espinho na carne, e ouviu: "A minha graça te basta."

Deus Nunca Nos Abandona, apesar de nossas falhas!

Muitas vezes, Deus permite que passemos por momentos difíceis para entendermos Sua vontade e propósito. Mas em nenhum momento Ele nos abandona!

Que possamos confiar em Sua fidelidade e buscar obedecer a Ele com fé.

Vamos orar!

Utilização livre desde que citando a fonte
Guedes, Ivan Pereira
Mestre em Ciências da Religião.
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sábado, 15 de março de 2025

Sermão: Seja Você Uma Bênção (Genesis 12.1-2)

 

   E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome;
e tu serás uma bênção”

Abraão é um dos personagens bíblicos mais extraordinário. Deus o escolheu e o abençoou de forma maravilhosa. A sua vida tornou-se um modelo para todo crente em todos os tempos e lugares.

Esses dois versos registram um momento crucial na narrativa bíblica em que Deus fala diretamente com Abrão. Ele é desafiado a deixar para trás tudo o que é familiar – sua terra, portanto sua comunidade e até mesmo seus laços familiares – para entrar no desconhecido unicamente confiado na promessa de Deus. Estes versos revelam a essência da fé: confiar e obedecer à Palavra de Deus sem conhecer todos os detalhes ou resultados. O escritor de Hebreus oferece uma definição desta fé de Abrão:

"Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem."

Mas quero que pensemos hoje na última frase do verso dois: E assim você será (da forma verbal hebraica qal imperativo - indicando comando, ordem ou instruções direta) uma bênção”

Deus vai estabelecer formalmente sua Aliança com Abrão somente no capítulo 15.18, aqui trata-se sim do chamado oficial de Deus e suas promessas, bem como o propósito deste chamado.

É necessário lembrarmos de que neste momento Abrão tem aproximadamente 75 anos e Sarai tem 65 anos e o detalhe é que ela não pode gerar filhos, visto que é estéril (Gn 12.4). Independentemente deste fato, Deus promete que fara de Abrão um pai de uma imensa dinastia, de muitas nações. Somente um Deus soberanamente onipotente pode fazer tal promessa, quando todas as circunstâncias revelam uma impossibilidade humanamente intransponível. Mas para Deus não há impossíveis!

As palavras do comentarista bíblico Rick Warren[1] são oportunas: "Não somos salvos fazendo promessas a Deus; somos salvos crendo nas promessas de Deus para nós”

1) Deus chamou (escolheu) Abrão para que ele fosse uma Bênção.

Abraão era da cidade de Ur dos Caldeus – a cidade era conhecida por sua produção de artefatos religiosos, portanto, viviam na e da idolatria.

Mas Deus manifestou Sua graça salvadora na vida de Abraão e o TIROU daquela condição de idolatra e se revelou a ele de forma pessoal fazendo primeiramente uma Promessa e posteriormente a ratificando em uma ALIANÇA.

Em nenhum momento Abraão toma a iniciativa, tudo é uma iniciativa da Graça de Deus.

Um dos textos mais extraordinários da bíblia que se refere a Abraão é que ele foi chamado AMIGO DE DEUS.

De idolatra para Amigo de Deus – que transformação.

E porque Deus o chamou\escolheu?

SEJA UMA BÊNÇÃO!

Jesus fez uma declaração semelhante em relação a cada um de nós:

EU ESCOLHI CADA UM DE VOCÊS, e não vocês que me escolheram, portanto, IDE sejam uma bênção - E ANUNCIEM O EVANGELHO A TODA CRIATURA.

Da mesma forma que Abraão foi CHAMADO para ser uma bênção a todas as famílias da Terra, eu e você fomos chamados para sermos uma bênção a todas as pessoas (povos, etnias).

E a maior bênção que podemos dar a qualquer pessoa é a Mensagem do Evangelho Salvador de Jesus Cristo.

Paulo entendeu isso como poucos: usei todos os meios lícitos para comunicar o Evangelho; falei do Evangelho a tempo e fora de tempo; aproveitei cada oportunidade para falar de Cristo.

DEUS ESCOLHEU eu e você para que sejamos uma Bênção – comunicando a MENSAGEM DE SALVAÇÃO A TODAS AS PESSOAS.

2) Deus o abençoou e o tornou grande para que ele fosse uma bênção.

Poucos crentes foram tão abençoados e engrandecidos como Abraão.

Mas toda e cada uma das bênçãos que Abraão recebeu das mãos de Deus tinha um propósito: ABENÇOAR A VIDA DE OUTRAS PESSOAS.

OBSERVAÇÃO: Deus nunca proibiu Abrão de USUFRUIR das bênçãos recebidas. Todavia, ele precisava ter sempre na mente e no coração de que DEVERIA USAR todas as bênçãos recebidas (da Divina mão) para abençoar outras pessoas além dele e de seus familiares.

O grande problema da Nação Israelita é que eles se esqueceram disso e se tornaram um povo egoísta, orgulhoso e arrogante.

O resultado deste comportamento foi que Deus retira suas bênçãos e os envia para o cativeiro – primeiro o Assírio e posteriormente o babilônico. Tudo que acumularam virou cinzas, ou foram saqueados.

Jesus faz um alerta aos seus discípulos (e a nós): “Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem, e onde os ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam nem roubam; porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração” (Mateus 6.19-21).

Cada gota das chuvas de bênçãos que Deus derrama sobre a vida do crente, da família ou da igreja é para que sejamos BÊNÇÃO PARA OUTRAS PESSOAS.

Calvino nunca teve muitas posses e seu testamento demonstra o quão pouco ele acumulou no transcorrer da sua vida. Mas poucos abençoaram tantas vidas em tantos lugares como João Calvino.

As bênçãos de Deus são como o óleo da botija da viúva de Serepta, nos dias do profeta Elias. Quanto mais óleo ela tirava, mais óleo surgia.

PARAFRASEANDO: Quanto mais ABENÇOAMOS A VIDA DE OUTRAS PESSOAS, mais bênçãos Deus derrama sobre as nossas vidas.

Quando nos negamos (ou nos omitimos) a ser uma bênção na vida de outras pessoas, Deus fecha a torneira das bençãos celestiais...e muitas vezes recebemos apenas gotas benditas, quando poderíamos estar recebendo chuvas de bênçãos.

CONCLUSÃO

Vamos nos comprometer a Sermos Bênção a cada dia na vida de outras pessoas – sejam elas quais forem.

Vamos ser ABENÇOADORES e não ACUMULADORES...

Sejamos como Barnabé e nunca como Ananias e Safira.

Barnabé abençoou a vida de muitas pessoas, pois não vivia para si mesmo;

Ananias e Safira foram ACUMULADORES, pois viviam em função deles;

O Espírito Santo aprovou a vida de Barnabé, mas reprovou a vida daquele casal.

QUE SEJAMOS ABENÇOADOS E ABENÇOADORES.

OREMOS!

 

Utilização livre desde que citando a fonte
Guedes, Ivan Pereira
Mestre em Ciências da Religião.
Universidade Presbiteriana Mackenzie
me.ivanguedes@gmail.com
Outro Blog
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[1] WIERSBE, Warren W. Be Obedient. Published by Victor Books, 1991 [p. 22].