Meu nome é Saulo de Tarso. Fui educado aos pés de Gamaliel, zeloso
pela Lei e pela tradição religiosa judaica. Não apenas presenciei, mas fui
autorizado a dar autenticidade legal ao apedrejamento de um líder cristão
chamado Estevão (Atos 7:58–8:1). Ele insistia em proclamar que Jesus era o
Messias. O tiramos de dentro da sinagoga e o arrastamos para fora dos portões
de Jerusalém. Ali, ele foi apedrejado até a morte. Todos os participantes lançaram
suas capas aos meus pés, conforme os ritos judiciais judaicos.
Algum tempo depois, recebi documentos que me autorizavam a ir para
Damasco e ali prender cristãos, mesmo que tivesse que arrancá-los à força de
dentro de suas casas (Atos 9:1-2). Municiado por uma pequena guarda a serviço
do Sinédrio, parti para cumprir minha missão.
Mas no meio da estrada, uma luz mais forte que o sol me envolveu.
Caí por terra e ouvi a voz: ‘Saulo, Saulo, por que me persegues?’ (Atos 9:3-4).
Tremendo, perguntei: ‘Quem és, Senhor?’ E Ele respondeu: ‘Eu sou Jesus, a quem
tu persegues’ (Atos 9:5).
Cego, fui conduzido à cidade. Ali, pelas mãos de Ananias, recuperei
a visão e recebi o Espírito Santo (Atos 9:17-18). Aquele encontro mudou tudo:
de perseguidor, tornei-me mensageiro.
Voltei a Damasco, preguei, mas logo fui perseguido e tive de fugir
descendo num cesto pelas muralhas (Atos 9:23-25). Em Jerusalém, muitos ainda
temiam meu nome (Atos 9:26). Foi Barnabé quem acreditou em mim, quem me
apresentou aos apóstolos e testemunhou da obra de Cristo em minha vida (Atos
9:27). Ainda assim, a oposição era forte, e fui enviado para Tarso, minha
cidade natal (Atos 9:30).
Ali permaneci por alguns anos,
amadurecendo o chamado. Até que Barnabé veio me buscar (Atos 11:25). ‘Paulo, há
uma obra em Antioquia. Vem comigo.’ Antioquia se tornou meu lar missionário, o
lugar onde os irmãos, em oração e jejum, ouviram o Espírito dizer: ‘Separai-me
Barnabé e Saulo para a obra’ (Atos 13:2).
Foi ali que recebi não apenas um chamado, mas um envio. De
Antioquia, tracei meu primeiro roteiro missionário. O coração ardia, os pés
estavam prontos, e a graça me sustentava. Eu sabia: a estrada seria longa,
cheia de lutas e vitórias, mas Cristo seria meu guia."
Perguntas para Reflexão
1.
Qual
foi o “caminho de Damasco” na minha vida – o momento em que Cristo me encontrou
e transformou?
2.
Tenho
buscado meu “tempo de Arábia” – silêncio e aprendizado na presença de Deus?
3.
Quem
tem sido meu “Barnabé” – aquele que me encoraja e acredita no meu chamado?
Utilização livre desde que citando a fonte
Guedes, Ivan Pereira
Mestre em Ciências da Religião.
me.ivanguedes@gmail.com
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Historiologia Protestante
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Bibliografia Interativa
BRUCE, F. F. Paul: Apostle of the Heart Set Free. — Obra
clássica que explora a liberdade espiritual de Paulo após sua conversão,
conectando-se ao tema da transformação no caminho de Damasco.
DUNN, JAMES D. G. Paul: Apostle of the Spirit. — Analisa a
espiritualidade paulina e o papel do Espírito Santo na formação de sua
identidade cristocêntrica, em sintonia com o período na Arábia.
WRIGHT, N. T. Paul: A Biography. — Apresenta uma leitura
biográfica e teológica da jornada de Paulo, relacionando sua reconstrução
interior ao envio missionário em Antioquia.
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