segunda-feira, 26 de setembro de 2016

O MUNDO DO APOSTOLO PAULO: A Filosofia

Nos dias de Paulo haviam diversas correntes filosóficas que moldavam a maneira de pensar das pessoas daqueles dias. Em Atos dezessete encontramos o apostolo discursando no centro filosófico de Atenas e entre estes haviam epicureus e estoicos, que eram duas das correntes mais influentes da época.
Quem eram estes? Vejamos de maneira muito sucinta suas ideias acerca de Deus, do ser humano e do mundo, para podermos compreender melhor a mensagem proclamada por Paulo e seus companheiros.
O estoicismo e o epicurismo eram filosofias que propunham libertas as pessoas de suas preocupações quanto a vida.
O estoicismo, fundado por Zenão, era materialista e panteísta. Eles criam que tudo estava ligado à matéria. A forma mais elevada da matéria era a natureza divina e permeava todo o universo. Era chamada de fogo, Zeus um deus. Criam que este “fogo” divino ou deus, gerou o universo e um dia retomaria novamente o universo mediante um grande incêndio. Este ciclo de criação e destruição (pelo fogo) se repete eternamente.
O estoicismo é, portanto, determinista. As cousas são como são e não podem ser mudadas. Para encontrar a verdadeira felicidade, eles criam que devia-se entender o curso da natureza mediante a razão e simplesmente aceitar as cousas como são. Se mostravam insensíveis a tudo.
Em contraste com esta forma de pensar estoica, Paulo ensina que Deus é uma pessoa e não parte do universo. Também ensinava que haveria um juízo vindouro, e não uma destruição gigantesca que levaria a outro ciclo. O conceito de uma história linear, com começo, meio e fim era algo completamente novo para o pensamento da época do início do cristianismo.
Por sua vez os epicureus (escola fundada por um ateniense chamado Epicuro de Samos [341-270 a.C.] no ano 300 a.C., aproximadamente) e se concentrava na felicidade do indivíduo, ainda que tomassem uma direção totalmente distinta dos contemporâneos estoicos. Eles criam que o caminho da felicidade era através da maximização do prazer, dando-se mais destaque aos prazeres da mente do que aos prazeres físicos, pois para eles mais importante é com quem se come do que o que se come. A paz se buscava através de uma vida tranquila e contemplativa, entre uma comunidade de amigos. Demonstravam pouco interesse por política e pela sociedade, bem como o casamento, Epicuro era celibatário, e tinham como palavra de ordem "viva o agora". Entretanto, apesar de defender a felicidade e/ou prazer como ponto central de sua filosofia, paradoxalmente, Epicuro se referia à vida como “dom amargo”. Qualquer semelhança com a Sociedade atual não é mera coincidência.
Os epicureus eram materialistas, porém não eram panteístas. Eles criam que o universo foi formado a partir de átomos que caíam do espaço e que acidentalmente chocavam-se entre si, e com o tempo formaram as estrelas, os planetas e a própria vida humana. Quando morremos, simplesmente nos dissolvemos e tornamo-nos novamente átomos. Eles criam em deuses, porém pensavam que eram como os seres humanos, mas de uma ordem mais elevada. Estes deuses habitavam alguma parte do espaço, desfrutando uma vida de prazer e tranquilidade e não tinham nada a ver com os seres humanos. Para eles os sacrifícios e rituais tinham apenas propósitos estéticos, pois não criam que os seres humanos devessem se preocupar com os deuses.
Por fim, é preciso destacar a diferença entre o epicurismo e outra escola filosófica o hedonismo. Embora o primeiro declare o prazer como o único valor intrínseco, a sua defesa da ausência de dor como o maior prazer e a sua proposta da vida simples tornam-no distinto; o hedonismo, por sua vez, enfatiza os prazeres sexuais e incentiva a busca do prazer intensamente, mesmo que implique em práticas masoquistas.
A mensagem pregada por Paulo contrariava esta forma de pensar dos epicureus. O apostolo ensinava que Deus se relacionava com sua criação e nos criou com a capacidade de nos relacionarmos com Ele. Um juízo futuro também se chocava com o pensamento deles.
Ainda que durante seu ministério no mundo grego, Paulo às vezes se utilizava de terminologias e conceitos filosóficos e até mesmo citava seus poetas, a mensagem cristã era muito distinta deles. Toda evangelização e missão deve se esforçar por fazer pontes entre a mensagem do evangelho e a forma de pensar da pessoa ou etnia a que se propõe alcançar. Todavia, se faz necessário marcar com toda clareza os pontos fundamentais e imutáveis do Evangelho. Se falharmos neste ponto acabaremos descaracterizando a mensagem e perdendo completamente o foco.

 Utilização livre desde que citando a fonte
Guedes, Ivan Pereira
Mestre em Ciências da Religião.
Universidade Presbiteriana Mackenzie
me.ivanguedes@gmail.com
Outro Blog
Historiologia Protestante
http://historiologiaprotestante.blogspot.com.br/


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