O termo iluminação refere-se à obra do Espírito Santo no crente e na comunidade de fé, capacitando-os a compreender, acolher e aplicar a verdade registrada nas Escrituras (cf. 1Co 2.9–14). Da nossa parte, somos chamados a empregar métodos adequados de interpretação, coerentes com a natureza das Escrituras e com os princípios geralmente aceitos para a compreensão da comunicação escrita [BERKHOF, 1990]. A teologia reformada compreende que a iluminação é inseparável da obediência: o Espírito Santo não apenas abre os olhos para compreender, mas também move o coração para agir. Quando isso não acontece, estabelecemos um teologismo estéril (Tg 1.21–22) e nos tornamos cada vez mais obscurecidos quanto às realidades espirituais [FERGUSON; WRIGHT; PACKER, 1996]. A iluminação, portanto, conduz o crente a assimilar as verdades bíblicas de modo que moldem seu caráter e orientem sua prática cotidiana, como obra contínua do Espírito Santo que aplica eficazmente a Palavra revelada, produzindo transformação espiritual e conformidade com Cristo [GRUDEM, 1999].
Entretanto, é preciso enfatizar que a iluminação não acrescenta
novo conteúdo à revelação bíblica, nem substitui o esforço hermenêutico
responsável [HODGE, 1999]. Antes, descreve a atuação contínua do Espírito
Santo, que torna eficaz, no entendimento e na vida do crente, a Palavra já
revelada e inspirada [WARFIELD, 2005]. Assim, iluminação, interpretação fiel e
obediência prática caminham juntas no crescimento espiritual e teológico
[ELWELL, 1993]. Dessa forma, sermões e estudos elaborados, ainda que fundamentados
nos textos das Escrituras, não possuem caráter inspirativo e, portanto, não
devem ser inseridos como parte integrante delas [WARFIELD, 2005].
Assim, iluminação, interpretação fiel e obediência prática caminham
inseparavelmente no crescimento espiritual e teológico [ELWELL, 1993]. Por
isso, é imperativo que não confundamos a autoridade da Escritura com a produção
humana: sermões e estudos, ainda que fundamentados nos textos bíblicos, não
possuem caráter inspirativo e jamais devem ser inseridos como parte integrante
dela [WARFIELD, 2005]. Cabe ao crente, portanto, submeter-se à Palavra
revelada, permitindo que o Espírito Santo a torne viva e eficaz em sua mente e
em sua vida. Negligenciar essa distinção é enfraquecer a própria fé e reduzir a
verdade divina a meras reflexões humanas.
Utilização livre desde que citando a fonte
Guedes, Ivan Pereira
Mestre em Ciências da Religião.
me.ivanguedes@gmail.com
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Referências Bibliográficas
BERKHOF, Louis. Teologia sistemática. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 1990.
ELWELL, Walter A. (Org.). Dicionário de teologia evangélica. São Paulo: Vida Nova, 1993.
FERGUSON, Sinclair B.; WRIGHT, David F.; PACKER, J. I. (Orgs.). Novo dicionário de teologia. São Paulo: Vida Nova, 1996.
GRUDEM, Wayne. Teologia sistemática. São Paulo: Vida Nova, 1999.
HODGE, Charles. Teologia sistemática. São Paulo: Editora Hagnos, 1999.
WARFIELD, Benjamin B. A inspiração e autoridade da Bíblia. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2005.

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