quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Páscoa: Caminhando com Jesus em Seus Últimos Momentos - (Ceia)

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Estamos iniciando uma Caminhada com Jesus em seus últimos momentos antes da Cruz. Seguiremos o roteiro exposto na gravura acima e utilizaremos, para cada ponto, a seguinte estrutura:
  • Leitura bíblica
  • Comentário
  • Pergunta para reflexão
É importante ressaltar que não se trata de comentários extensos, pois o objetivo desta série é torná-la um roteiro devocional para o tempo da Páscoa, mais precisamente na semana derradeira, criando a sensação de estarmos vivenciando estes momentos com Jesus. Apesar da concisão, manteremos a fidelidade à exposição exegética e expositiva, respeitando as perícopes e, sempre que possível, as interconexões entre os evangelistas e suas respectivas narrativas.
Que o Espírito Santo nos guie na compreensão e aplicação de Sua Palavra em nossas mentes e corações. Amém!
Leitura: Mateus 26:17–20; Marcos 14:16–18 (leia ao menos 2 vezes e em versões diferentes). Os textos apresentados abaixo são paráfrases, ou seja, traduções livres mas sempre fiéis ao sentido dos textos gregos.

Mateus 26:17-20

Marcos 14:16-18

No primeiro dia da festa dos pães sem fermento, os discípulos se aproximaram de Jesus e perguntaram onde Ele desejava que preparassem a refeição da Páscoa. Jesus respondeu que fossem à cidade, procurassem um homem específico e lhe dissessem que o tempo determinado havia chegado, e que Ele celebraria a Páscoa em sua casa com os seus discípulos.

Os discípulos fizeram exatamente como Jesus havia ordenado e prepararam tudo para a refeição pascal.

Quando chegou a noite, Jesus se pôs à mesa com os doze. O momento era solene. A refeição acontecia sob a consciência de que o tempo estava se cumprindo e que os acontecimentos decisivos da redenção estavam prestes a se desenrolar.

 

Os discípulos partiram e foram à cidade. Tudo aconteceu exatamente como Jesus havia dito. Nada saiu do controle. Ali, prepararam a refeição da Páscoa.

Ao cair da tarde, Jesus chegou com os doze. Enquanto estavam à mesa e comiam juntos, Ele falou com firmeza e solenidade:
Eu lhes digo com toda a verdade: um de vocês, alguém que agora come comigo, vai me entregar.”

 

Comentário: Tanto Mateus quanto Marcos situam a narrativa no primeiro dia dos pães sem fermento, ligando explicitamente a última refeição de Jesus à Páscoa judaica. Desta forma, na perspectiva evangélica a morte de Jesus não acontece ao acaso nem apenas por conspiração humana; ela ocorre no contexto do ato redentor por excelência da história de Israel. Ambos os evangelistas querem que o leitor compreenda que a cruz é o cumprimento tipológico do êxodo.
O cordeiro pascal do passado
apenas tipificava ou apontava para o Cordeiro definitivo - Jesus.
Em ambos os relatos, os discípulos encontram tudo como Jesus havia dito. Esses detalhes narrativos não são casuais. Os evangelistas desejam enfatizar que Jesus conhece previamente os eventos e plena consciência do que está e estará por acontecer, inclusive os detalhes. Ainda que seus adversários planejem sua, não são eles que a determina; Ele caminha resoluto em direção à cruz.
  • Em Mateus: “Meu tempo está próximo
  • Em Marcos: o cumprimento exato das instruções
Ambos apontam para a mesma verdade: o tempo da paixão é um tempo determinado por Deus (kairos), não um colapso inesperado da missão de Jesus.
Ambos os evangelistas nos mostram Jesus sentado à mesa com todos os doze discípulos. Não há exclusões, nem separações. Ele partilha o pão com aqueles que o seguiram, aprenderam com Ele e caminharam ao seu lado — inclusive com Iscariotes que iria traí-lo, Pedro que o negaria, Tomé que duvidaria de sua ressurreição e os demais que o deixariam sozinho na hora derradeira.
Mas aqui temos algo precioso e extraordinário - Jesus não espera que seus discípulos estejam perfeitos para se aproximarem dele. Ele nos chama como somos, em processo, ainda débeis e falhos.
Essa mesa nos alerta para o fato de que a fé cristã é um lugar de acolhimento e amizade, entretanto, é também de verdade. Diante de Jesus, o coração humano aparece como ele realmente é. Por isso, a fé não é apenas caminhar com Jesus, mas ser transformar por Ele.
Simultaneamente essa cena traz uma grande esperança para nós. Antes da traição, antes da queda, antes do fracasso, Jesus oferece comunhão. Ele ama antes de sermos fiéis. A graça vem primeiro. Não nos aproximamos de Cristo porque já somos fortes e capazes, mas porque somos totalmente dependentes do seu amor que nos sustenta e nos transforma.
Mateus e Marcos introduzem as palavras de Jesus, anunciando a traição prestes a acontecer, com uma fórmula solene — “em verdade vos digo” — para destacar a gravidade do momento e chamar lhes a atenção. A traição nunca foi um acidente periférico, mas parte central do drama da redenção, revelando que a rejeição a Jesus não vem apenas de opositores externos, mas nasce dentro do próprio círculo discipular. Assim, o foco dos evangelistas não está somente em Judas, mas na fragilidade dos discípulos, em todos os tempos e lugares, quando são confrontados com o custo real de seguir a Cristo de fato e de verdade.
Nem Mateus nem Marcos descrevem longamente o ambiente, a refeição ou as emoções externas. A narrativa é contida, quase sóbria. Este tom literário é proposital para intensifica a densidade teológica. A ênfase não está no drama emocional, mas no significado salvífico do momento. A economia de palavras comunica reverência.
Na leitura de ambos os textos, torna-se claro que Jesus celebra a Páscoa com plena consciência de sua morte iminente, conduzindo os acontecimentos de forma deliberada e obediente ao propósito do Pai.
A cruz, portanto, não é apresentada como uma derrota inesperada, mas como parte do plano soberano de Deus para a redenção.
Nesse contexto, a mesa da comunhão assume um papel revelador: ela manifesta a graça que acolhe e sustenta os discípulos, ao mesmo tempo em que expõe a falibilidade humana no interior da própria comunhão.
Perguntas Para Reflexão
1.     De que maneira reconhecer a cruz como parte do plano soberano de Deus transforma minha forma de enfrentar o sofrimento e a espera?
2.     Ao me aproximar da mesa de Cristo, tenho buscado apenas acolhimento ou também permitido que Ele revele e transforme meu coração?
3.     Diante do custo real de seguir Jesus, onde percebo minha própria fragilidade como discípulo e minha dependência da graça?
 
Utilização livre desde que citando a fonte
Guedes, Ivan Pereira
Mestre em Ciências da Religião.
me.ivanguedes@gmail.com
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