sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Leitura Devocional – A autoridade soberana de Jesus sobre o caos e o chamado à fé confiante [Lucas 8:22–25]

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Este episódio está inserido em Lucas 8, capítulo que enfatiza o poder da Palavra de Deus e a necessidade de uma resposta de fé. Após ensinar por parábolas e redefinir a verdadeira família como aqueles que ouvem e praticam a Palavra, Lucas apresenta uma sequência de milagres que revelam a autoridade de Jesus sobre a natureza, os demônios, a enfermidade e a morte. A tempestade acalmada, portanto, não é apenas um milagre isolado, mas parte de uma revelação progressiva da identidade de Cristo e um teste da fé dos discípulos.

A iniciativa de atravessar para o outro lado do Lago da Galileia (conhecido também por Mar da Galileia) é de Jesus, e não dos discípulos — “Passemos para a outra margem”. Não é uma ordem imperativa, mas um convite à ação conjunta. Jesus está conduzindo os discípulos, envolvendo-os na ação (“vamos”). Este convite reflete o seguimento de Jesus — “segue-me” —, o que implica, como vemos no texto, que devemos seguir a Jesus mesmo quando o caminho leva a uma tempestade.

Esta região do Lago da Galileia era conhecida por tempestades súbitas, o que proporcionava um cenário peculiar que serviria para testar a fé dos discípulos. Enquanto navegavam, Jesus adormeceu — o termo utilizado no texto original significa “adormecer profundamente”. O verbo sugere não um simples cochilo, mas um sono profundo, ressaltando o cansaço real de Jesus e, assim, a realidade de sua natureza humana. [Nota: é importante para Lucas que Teófilo, a quem escreve, entenda que Jesus assumiu a plenitude de nossa humanidade]. Sobreveio, então, uma violenta tempestade de vento; o termo utilizado para “tempestade” descreve um vendaval súbito e devastador, enquanto “vento” especifica sua natureza, de modo que a expressão enfatiza a intensidade e o caráter ameaçador do fenômeno, não se tratando de uma perturbação comum, mas de um evento específico, não corriqueiro.

Como consequência, o barco corria perigo real de naufrágio. O verbo utilizado no texto original significa “estar em perigo” ou “correr risco” e o tempo verbal indica uma ação contínua, isto é, eles permaneciam em perigo. Isso evidencia que a ameaça era real, progressiva e prolongada, aumentando a tensão do relato e o desespero crescente dos discípulos.

O contraste, portanto, é marcante e biblicamente significativo: de um lado, o sono profundo e tranquilo de Jesus; de outro, o perigo crescente e o caos que ameaçava os discípulos. A narrativa lucana deseja ressaltar simultaneamente a verdadeira humanidade de Cristo, que se cansa e dorme, e prepara o leitor para a manifestação de sua autoridade soberana sobre as forças da natureza.

Em pânico, eles clamam: “Mestre, Mestre, estamos perecendo!”. O título (rabi) utilizado significa “aquele que tem autoridade”, enfatizando o reconhecimento da autoridade de Jesus, mas as palavras de súplica revela o estado angustiante e desesperador deles. Jesus, então, se levanta e “repreende”, isto é, dirige uma ordem firme e autoritativa, ao vento e à fúria das águas. O mesmo verbo é usado quando Ele repreende demônios, sugerindo que exerce autoridade soberana sobre toda a criação. Não é uma oração, mas uma ordem. O resultado é imediato: tudo “cessou”, ou seja, parou imediata e completamente, então houve “bonança”, indicando calma absoluta e plena tranquilidade. Assim como Deus tem autoridade sobre o mar no Antigo Testamento (cf. Salmos 107:29), Jesus revela sua autoridade divina.

O foco do texto, porém, não é a tempestade, mas a fé. “Onde está a vossa fé?”, pergunta Jesus. A expressão utilizada destaca a como confiança ativa e perseverante. Os discípulos não estavam sem fé — afinal, recorreram a Ele —, mas sua era fraca, imatura e dominada pelo medo.

O verdadeiro problema não era a tempestade,

mas a incapacidade de confiar em Cristo no meio dela.

Esta narrativa de Lucas nos oferece ao menos três verdades fundamentais:
Jesus é plenamente humano — Ele dorme profundamente, se cansa e compartilha nossa condição;
Jesus é plenamente divino — Ele repreende o vento e o mar e domina o caos com autoridade soberana;
e a fé é testada nas crises — a pergunta de Jesus confronta diretamente a confiança dos discípulos, mostrando que a fé verdadeira não é provada na calmaria, mas na tempestade. [na linguagem do salmista (23) não é nos pastos verdejantes e águas tranquilas, a fé é provada nas travessias dos vales da sombra da morte].

Dessa forma, a estrutura do texto revela uma progressão clara:

Obediência

crise inesperada

clamor em desespero

revelação do poder de Cristo

confronto da fé

e revelação de Sua identidade.

Devocionalmente, a passagem ensina que os discípulos estavam na tempestade justamente porque obedeciam a Jesus. Isto nos traz ensinamentos preciosos para quando estivermos atravessando tempestades repentinas e violentas onde parece que vamos perecer:

A presença de Cristo não impede tempestades, mas garante segurança final

Seu silêncio não implica em ausência de Cristo, mas o exercício da soberania Dele

Muitas vezes, experimentaremos situações em que parece que Cristo está dormindo, todavia, Ele continua no controle

O maior perigo não é a tempestade, mas a incredulidade

As crises revelam nossa fraqueza e a glória de Cristo.

A fé cresce e amadurece quando entendemos de fato quem Jesus Cristo é. Por isso, a pergunta final permanece: “Quem é este?” Quanto mais conhecemos Cristo, mais confiamos nele.

Esta pequena narrativa de Lucas é um convite permanente para olharmos além das tempestades e contemplar o Senhor soberano sobre o mar e as tempestades.

Nenhuma crise escapa ao Seu controle.

A nossa segurança não está na ausência de tempestades, mas na presença de Cristo na nossa vida. Quando Ele está presente, o caos nunca tem a palavra final. E a pergunta Dele aos discípulos continua ecoando: “Onde está a vossa fé?”

VAMOS ORAR

Senhor Jesus,

aumenta a minha fé!

Amém.

 

Utilização livre desde que citando a fonte
Guedes, Ivan Pereira
Mestre em Ciências da Religião.
me.ivanguedes@gmail.com
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