quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Apocalipse: A Mensagem e Temas Centrais (1ª Parte)


            O Apocalipse nos revela o mundo espiritual fazendo uso de figuras de nosso mundo terrestre, mas do ponto de vista do céu. Nos mostra o Projeto Divino da História Humana desde Jardim do Éden até o novo Céu e a nova Terra. O propósito do livro é para encorajar cristãos em tempos difíceis, mostrar a eles que Deus está em pleno controle, apesar do surgimento de regimes tirânicos que se alternam temporariamente no controle, que muitas vezes perseguem os cristãos e até mesmo os matam.
            O livro não foi planejado para mostrar o futuro da história em termos de eventos específicos, ou para nos tornar vidente apocalíptico, mas ele revela que a história mundial segue princípios gerais. Por exemplo: continuará a ocorrer guerras, escassezes, pestilências e outros desastres; a Igreja será perseguida pelos poderes mundiais que martirizarão cristãos. Ele mostra também que os desastres naturais são advertências de Deus para o mundo.
            O simbolismo do livro o habilita para ser interpretado à luz das circunstâncias mutáveis ao longo da história do desenvolvimento do evangelho. A besta pode ser Roma no tempo de João; em outro tempo ela pode ser a igreja Católica Romana, ou a Rússia ou a China. Ao longo da história da Igreja sempre existiram aqueles que perseguiram a Igreja de Deus, e a estas perseguições o livro registra e faz referência. Isto pode ser visto nas seções paralelas em que cada uma se concentra em um aspecto da era cristã a partir do nascimento de Jesus movimentando-se em direção à sua segunda vinda e ao fim dos tempos. O livro se concentra a principio, no início, mas como o livro progride acaba por concentrar-se cada vez mais com o fim em lugar de o início.
Temas Principais
A Soberania de Deus: O Apocalipse foi escrito para mostrar quem está no controle. Revela Deus assentado no trono (4), que simboliza seu Reino e Soberania. Mostra Jesus como Senhor dos senhores e Rei dos Reis. O revela derrotando seus inimigos com os exércitos do céu (a igreja) sendo liderado por ele (19.14). A questão central é quem é Senhor: é Cristo ou é o Estado? Evidente que este tema não agrada os ouvidos sensíveis de muitos crentes, que tem muita dificuldade em se submeterem à vontade soberana de Deus. Assim como os israelitas antes muitos crentes se rebelam continuamente ao exercício da vontade soberana de Deus, eles querem um Deus serviçal, mas não um Deus soberano.
O Cristão Sob a Perseguição: O Apocalipse foi escrito no começo de um período de perseguições intermitentes por parte do Império Romano que passou a exigir a adoração do Imperador debaixo de uma lei marcial. Uma vida mais cômoda podia ser ganha simplesmente seguindo a multidão e abrindo mão dos padrões de Deus, afinal, um pouco de adoração ao Imperador tornaria a vida um tanto mais fácil. O contexto revela que o mal estava atacando tudo que era bom; a licenciosidade abundava; os conceitos maus controlavam a sociedade. Era como se Deus não estivesse em nenhum lugar, e não estivesse se importando com tudo isto. Os cristãos estão sendo perseguidos, alguns estão até sendo martirizados e a fé dos cristãos esta debaixo de ataque intenso. Os cristãos estão esperando o retorno de Cristo, mas ele não veio ainda (qualquer semelhança com nossos dias atuais não é mera coincidência).
            O livro é então escrito para ser enviado aos santos e revelar-lhes que o Deus Eterno está soberanamente no controle de todos e cada um dos eventos mundiais e Ele mesmo julgará a humanidade. Ele permite o mal no mundo, mas Ele vencera no fim, juntamente com os Seus santos, as forças do mal. Mostra que os santos devem seguir o exemplo de Jesus e renunciar suas vidas por sua fé como um testemunho do Evangelho de Cristo. Os inimigos dos santos serão derrotados no fim: o diabo; os poderes políticos; os poderes do falso religioso; o perseguidor da Igreja; a sedução do mundo e suas filosofias. Os juízos de Deus manifestados na humanidade são Sua resposta às orações dos santos. Os crentes devem suportar pacientemente até o fim e permanecerem fiéis até a morte, pois eles alcançarão a vitória acima dos seus inimigos, da mesma maneira que Jesus teve que morrer a fim de ser vitorioso acima de Satanás. Por fim, Deus vindicara seus eleitos e Sua justiça será manifestada em toda a terra, mas isto não acontecera durante a vida da maioria dos santos. Satanás é o grande enganador, que engana o mundo e o faz curvar-se diante de seus aliados, a besta e o falso profeta, e somente aqueles quem conhecem e creem em Deus e em Sua palavra resistirão a eles. Jesus retornará e seus inimigos serão derrotados, julgados e eternamente castigados, os crentes irão estar com seu Senhor para sempre e Ele habitará com eles. O Apocalipse abrange a história mundial inteira desde a ascensão de Cristo até o fim dos tempos. A sua acusação é contra aqueles que falham em glorificar Deus como Criador e Senhor, perseguem a Igreja e se negam a se arrependerem de seus pecados.  O Apocalipse é o último livro da bíblia e as chaves para sua interpretação estão inseridas tanto no Primeiro Testamento quanto no Segundo Testamento e na compreensão dos eventos contemporâneos do dia a dia.
            A mensagem principal do Apocalipse, quanto à perseguição, pode ser sumarizada pela advertência da carta à igreja em Esmirna: “Não temas as coisas que tens de sofrer. Eis que o diabo está para lançar em prisão alguns dentre vós, para serem postos à prova, e tereis tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida” (2.10). Aqui encontramos a primeira advertência de João relativo à perseguição da Igreja. A igreja é advertida para ser fiel até a morte e eles receberão a coroa da vida que é ilustrada pela nova Jerusalém e o rio da vida que nasce do trono. Não há porque temer a morte, pois depois da morte eles irão estar com o Senhor e reinarão com Ele para sempre. Existe uma morte para temer e é a segunda morte que é o lago de fogo e aqueles que adoram a besta irão para lá. A descrição dada dos santos mostra que eles são perseguidos por causa de seu testemunho de Jesus e por causa da Palavra de Deus, e as duas testemunhas revelam que seu testemunho é parte do plano de Deus, pois sem eles a sétima trombeta, que introduz o Reino de Deus, não poderá ser tocada.
O Perigo de Flertar com o Mundo:       Se as advertências sobre a perseguição da Igreja são um propósito do Apocalipse, outra é a advertência sobre o compromisso com o mundo (seu sistema hedonista e materialista influenciado por Satanás). Isto é registrado nas cartas dirigidas a Pergamo e Tiatira. Jesus adverte os crentes para não assumir compromisso com o mundo e assim também compartilhe de seus pecados e de suas terríveis consequências (18.4), Sua Igreja, como Sua Noiva, deve ser imaculada (14.4 ss). O livro se refere basicamente a dois grupos de pessoas na Terra, primeiramente aqueles que adoram a besta e sua imagem e recebe a marca da besta, eles serão atormentados para sempre. O segundo grupo são aqueles que não adoram a besta, mas se mantém obedientes a Deus e à sua fé em Jesus, estes reinarão com Ele para sempre no paraíso de Deus. É também uma advertência a sonolência, exortando os cristãos a acordarem.
As Recompensas dos Vencedores: Adverte também que nossas ações feitas na Terra se relacionam diretamente com o nosso destino depois da morte tanto para castigo quanto para recompensa. As recompensas para aqueles que vencem são esboçadas no fim de cada uma das cartas às sete igrejas enquanto castigo para o que desiste é mostrado em 21.8. Diante do grande trono branco os mortos serão julgados de acordo com o que eles fizeram. Em 22.12 Jesus anuncia que Ele está vindo sem demora, “e comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras”. Na introdução à maioria das cartas para as sete igrejas Ele declara que “conheço suas ações”. Em 2.23 ele anuncia a igreja em Tiatira que ele retribuirá cada um de acordo com suas ações. Em 14.13 aqueles que morrem no Senhor descansarão de seu labor e que suas ações o seguirão, a única coisa que levaremos para a eternidade serão as nossas ações feitas enquanto no corpo. Em 14.9 aqueles que adoram a besta e sua imagem serão atormentados com enxofre em chamas para sempre, enquanto aqueles que são vitoriosos sobre a besta e sua imagem entoarão a canção de Moisés e do Cordeiro (15.2, 3) e reinarão com Deus para sempre (22.5).
A Genuína Adoração em Oposição a Falsa Adoração: A temática da adoração é peculiar na narrativa do Apocalipse. É um divisor de águas entre aqueles que adoram a Deus e aqueles que adoram ídolos e João é claro em declarar que só Deus deve ser adorado conforme 9.20. Aqueles que adoram a besta e sua imagem são culpados de idolatria e serão castigados com tormento eterno. Em 13.4 João deixa claro que pessoas adorarão o dragão, isto é Satanás, que dará a sua autoridade à besta. Os capítulos 4 e 5 retratam a adoração tanto a Deus quanto ao Cordeiro. O anjo em 14.7 lidera aqueles que vivem na Terra para adorarem aquele que fez os céus, a Terra, o mar e as fontes da água e em 14.9-12 nós vemos o castigo daqueles que adoram a besta e sua imagem e recebem sua marca na fronte ou na mão. Duas vezes João é repreendido porque ele adora um anjo em vez de Deus. Os idólatras são consignados para o lago ardente de enxofre e fogo e excluídos para sempre da Nova Jerusalém. A primeira taça é despejada sobre aqueles que adoram a besta e sua imagem. Aqueles que não adoram a besta e suas imagens reinam com Cristo por mil anos.

Utilização livre desde que citando a fonte
Guedes, Ivan Pereira
Mestre em Ciências da Religião.
me.ivanguedes@gmail.com
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Referências Bibliográficas
ALEXANDER H. E. Apocalipse. São Paulo: Ed. Ação Bíblica do Brasil, 1987.
ASHCRAFT, Morris. Comentário Bíblico Broadman, v.12, ed. JUERP, 3ª ed., 1983.
CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento Interpretado, v. 6, ed Milenium, São Paulo, 1988.
CLARKE, Adam, The New Testamento of Our Lord and Saviour Jesus Christ. Nova York: Abingdon-Cokesbury Press, vol. II, s. d.
CORSINI Eugênio. O Apocalipse de São João. São Paulo: Edições Paulinas, 1984.
DOUGLAS J. D. O Novo Dicionário da Bíblia. São Paulo: Ed. Vida Nova, 2001.
HENDRIKSEN, William. Mais Que Vendedores - Interpretação do livro do Apocalipse. São Paulo:  ed. CEP, 1987.
LAYMON, Charles M. The Book of Revelacion. Nova York: Abingdon Press, 1960.
LADD, George. Apocalipse – Introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 2008.
McDOWELL, Edward A. O Apocalipse – Sua Mensagem e Significação. Rio de Janeiro: Casa Publicadora Batista, 1960.

SUMMERS Ray. A Mensagem do Apocalipse. Rio de Janeiro: Ed. JUERP, 1980.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Os Herodes no Segundo Testamento


            O nome Herodes aparece muitas vezes nas narrativas evangélicas e no livro de Atos. Todavia, não se trata de apenas um Herodes, mas no transcorrer das narrativas são citados diversos Herodes que de forma direta ou indireta se entrelaçam com os acontecimentos relacionados a Jesus Cristo e no desenvolvimento do cristianismo na região da Palestina e do Império Romano. Abaixo citamos cada um dos Herodes e algumas informações relevantes sobre cada um deles.    
Herodes o Grande: Esse é o primeiro a ser citado nas narrativas evangélicas. Ele governou os judeus de 40 a 4 A.C., portanto, reinava nos dias do nascimento de Jesus Cristo.  Nasceu em cerca de 73 A.C. Era descendente de Edom (idumeu ou edomita), um povo que sempre guerreou com os israelitas e que havia sido conquistado e levado ao judaísmo por João Hircano (o primeiro dos Macabeus), em cerca de 130 A.C. Assim sendo, os Herodes, não eram judeus de nascimento e o único vinculo que tinham era a religião judaica. Herodes o Grande havia sido nomeado procurador da Judeia em cerca de 47 A.C. e a região da Galileia pouco mais tarde também ficou debaixo de seu controle.
Depois do assassinato do imperador César, Herodes caiu nas graças dos imperadores Marco Antônio e Otávio, recebendo deles o título de “rei dos judeus”. Opunha-se politicamente aos descendentes dos Macabeus, os quais, tendo por nome de família o apelativo Hasmon, eram chamados de Hasmoneanos. Estes controlavam Israel antes da dominação romana, e se ressentiam do governo de Herodes. Para amenizar esta belicosidade ele se casou com uma mulher pertencente a essa família, Mariane, neta do antigo sumo sacerdote Hircano II. Evidente que isso não era suficiente e o sempre ardiloso e maquiavélico Herodes mandou assassinar um por um, até que se livrou de todos eles, incluindo a própria Mariane, e até mesmo os filhos que teve com ela. Havia um ditado popular que dizia: “Melhor ser um porco do que ser filho de Herodes”.
Qualquer pessoa que despertasse a desconfiança de Herodes corria risco de morte. Foi por essa razão que Herodes ordenou a matança dos inocentes, em Belém da Judéia (cf. Mt 2), depois que os Sábios do Oriente vieram procurando o novo rei dos judeus (Jesus) e antes de seu falecimento ordenou que seu próprio filho, Antípatre, fosse morto. Igualmente, providenciou para que, após a sua morte, todos os seus nobres fossem assassinados, para que não houvesse falta de lamentadores por ocasião de sua morte. Morreu de uma enfermidade fatal do estômago e dos intestinos.
Mas nem tudo foi terror. Herodes o Grande, se tornou famoso por suas notáveis atividades como construtor. Suas grandes obras foram realizadas não só em seus próprios domínios, mas até mesmo em cidade estrangeiras (por exemplo, Atenas). Ele reedificou a cidade de Samaria (dando-lhe o nome de Sebaste, em honra ao imperador). Reparou a torre de Estrato, na costa do mar Mediterrâneo, fez ali um porto artificial e o chamou de Cesaréia. 
Mas a sua obra de arquitetura mais famosa foi a reconstrução do Templo de Jerusalém. Seu objetivo foi ultrapassar a beleza e riqueza da construção realizada por Salomão. Seu objetivo foi o de pacificar os judeus, devido as suas traições e matanças, que envolveram muitos líderes, incluindo sacerdotes. Entretanto, os judeus jamais lhe puderam perdoar o extermínio da família dos Hasmoneanos (Macabeus).
Arquelau: Nas moedas cunhas em seu período de reinado ele foi chamado de Herodes o etnarca. Ao morrer Herodes o grande repartiu o seu reino em três partes designando uma parte a cada um de seus filhos: A Judéia e a Samaria ficaram com Arquelau (Mt 2.22), a Galileia e Peréia ficaram com Antipas, e os territórios do nordeste couberam a Filipe (ver Lc 3.1). O imperador Augusto ratificou essa nova configuração territorial. Arquelau era o filho mais velho de Herodes, por sua esposa samaritana, Maltace e ele deu continuidade ao programa de construções iniciada por seu pai Herodes o Grande. Infelizmente também herdou todas as características negativas do pai, conseguindo excedê-lo em crueldade e impiedade, tornando seu governo intolerável. Uma delegação enviada da Judéia e da Samaria a Roma conseguiu a remoção de Arquelau. Desta forma, a Judéia tornou-se uma província romana e passou a ser governada por procuradores nomeados pelo imperador.
Herodes, o Tetrarca. (cf. Lc 3.19 e 9.7). Também ficou conhecido por  Antipas. Era filho mais novo de Herodes e Maltace. Os distritos da Galileia e da Peréia eram os seus territórios. Foi esse rei que João Batista confrontou em sua pregação, pois ele havia se divorciado da sua esposa (filha do rei dos nabateus, Aretas IV), a fim de casar-se com Herodias, esposa de seu irmão Herodes Felipe (não o tetrarca de 3.1). Com a insistência do Batista ordena sua prisão, pois temia perder a popularidade e assim enfrentar uma revolta popular. Posteriormente influenciado pela “esposa” Herodias acaba por executar o Batista por decapitação. Foi Antipas que teve um breve encontro com Jesus, quando do julgamento deste (Lc 23.7). Também se destacou por suas construções. Edificou a cidade de Tibério. A troca de esposa lhe custou caro, porquanto Aretas IV, usando tal coisa como justificativa, declarou guerra e derrotou definitivamente a Herodes Antipas, que terminou os seus dias no exílio.
Herodes Agripa: Identificado apenas por rei Herodes, em Atos 12.1. Era filho de Aristóbulo e neto de Herodes o Grande. Era sobrinho de Herodes o Tetrarca (Antipas) e irmão de Herodias. Após a execução de seus pais, em 7 A.C., foi levado a Roma e ali criado. Teve de abandonar Roma por causa de pesadas dívidas, e subsequentemente foi favorecido por Antipas. Por ter ofendido o imperador Tibério, foi encarcerado; mais tarde, porém, quando esse imperador morreu, foi posto novamente em liberdade. Posteriormente recebeu os territórios do nordeste da Palestina como seus domínios, e quando Antipas, seu tio, foi banido, herdou o domínio da Galileia e a Peréia. No reinado do imperador Cláudio recebeu o controle da Judéia e a Samaria. Assim, Agripa finalmente reinou o equivalente aos domínios de seu avô, Herodes o Grande.
Agripa procurou obter o apoio dos judeus, e aparentemente grande foi a medida de sucesso alcançado. Nesse intuito de agradar os judeus perseguiu os apóstolos e seguidores do Cristo (At 12.2 – e matou Tiago, irmão de João). Sua morte súbita e horrível é registrada por Lucas em Atos 12.23, sendo ali atribuída ao julgamento divino: 
“Herodes, tendo-o procurado e não o achando, submetendo as sentinelas a inquérito, ordenou que fossem justiçadas. E, descendo da Judéia para Cesaréia, Herodes passou ali algum tempo. Ora, havia séria divergência entre Herodes e os habitantes de Tiro e de Sidom; porém estes, de comum acordo, se apresentaram a ele e, depois de alcançar o favor de Blasto, camarista do rei, pediram reconciliação, porque a sua terra se abastecia do país do rei. Em dia designado, Herodes, vestido de trajo real, assentado no trono, dirigiu-lhes a palavra; e o povo clamava: É voz de um deus e não de homem! No mesmo instante, um anjo do Senhor o feriu, por ele não haver dado glória a Deus; e, comido de vermes, expirou” (Atos 12:19-23).
            O historiador judeu Josefo confirma a morte virulenta desse Herodes, após não recusar ser chamado de “deus”:
 Quanto a isto o rei não os repreendeu, nem rejeitou sua ímpia bajulação. Mas, estando ele presente, e depois olhou para cima, viu uma coruja pousada numa corda sobre sua cabeça, e imediatamente entendeu que este pássaro era o mensageiro de más notícias, como tinha sido antes mensageiro de boas notícias; e caiu na mais profunda tristeza. ... Uma dor severa também apareceu no seu abdome e começou de maneira muito violenta. Ele portanto olhou para seus amigos e disse: "Eu, a quem chamais deus, estou presentemente chamado a partir desta vida; enquanto a Providência assim reprova as palavras mentirosas que vós agora mesmo me disseram; e eu, que por vós fui chamado imortal, tenho que ser imediatamente afastado depressa para a morte..." Quando ele acabou de dizer isto, sua dor se tornou violenta. Desse modo, ele foi carregado para dentro do palácio; e o rumor espalhou-se por toda parte, que ele certamente morreria dentro de pouco tempo... E quando ele tinha se esgotado muito pela dor no seu abdome durante cinco dias, ele partiu desta vida” (Antiguidades, XIX, 7.2).
Agripa I: Com ele encerra-se a dinastia herodiana. Ele era filho da Agripa (acima), cujo fim trágico está relacionado em (Atos 12.20-23), e tinha apenas dezessete anos de idade no momento da morte de seu pai, em 44 dC. Ele não conseguiu o reino da Judéia, que foi colocado sob o governo de um procurador; mas na morte de seu tio Herodes em 48 dC, ele recebeu a soberania dessa região do imperador Cláudio, e com ela a superintendência do Templo e a nomeação dos sumos sacerdotes. Quatro anos depois, recebeu as tetrarquias que tinham sido governadas por seus tios Felipe e Lisânias (Lc 3.1), com o título de rei. Em 55 dC, o imperador Nero aumentou seu reino adicionando algumas das cidades da Galileia (Josefo Antologia. Xix. 9, § 1; xx. 1, § 3; 8, § 5). Procurou, com grande empenho, evitar o conflito entre os judeus e os romanos (66 D.C.), mas fracassou na tentativa. Permaneceu fiel a Roma. Nas narrativas do livro de Atos ele é conhecido devido ao seu encontro com o apóstolo Paulo (Atos 25.13 – 26.32). Ele viveu para ver a destruição de Jerusalém, e morreu sob Trajano (100 dC) aos setenta e três anos. Seu filho único, também chamado Agripa, passou a governar alguns dos territórios que haviam pertencido a seu pai. Suas duas filhas Berenice (At 25.13) e Drusila (At 24.24), foram outras pessoas sobreviventes de sua família.

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Guedes, Ivan Pereira
Mestre em Ciências da Religião.
Universidade Presbiteriana Mackenzie
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Historiologia Protestante
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Referências Bibliográficas
ANDRADE, Claudionor de. Geografia Bíblica: a geografia da Terra Santa é uma das maneiras mais emocionantes de se entender a história sagrada. 13ª. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.
CARSON, D. A., MOO, Douglas J. e MORRIS, Leon. Introdução ao Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1997.
DOUGLAS, J. D. O Novo Dicionário da Bíblia. São Paulo: Vida Nova, 1995.
HALE, Broadus David. Introdução ao Estudo do Novo Testamento. São Paulo: Hagnos, 2001.
JEREMIAS, Joachim. Jerusalém no Tempo de Jesus: pesquisa de história econômico-social no período neotestamentário. 4 ed. São Paulo: Paulus, 1983.
OTZEN, Benedikt. O Judaísmo na Antiguidade: a História política e as correntes religiosas de Alexandre Magno até o Imperador Adriano. São Paulo: Paulinas, 2003.
REICKE, Bo. História do Tempo do Novo Testamento. São Paulo: Ed. Paulus, 1996.
SAULNIER, Christiane & ROLLAND, Bernard. A Palestina nos tempos de Jesus. 7ª ed. São Paulo: Paulinas, 1983.

SCHUBERT, Kurt. Os Partidos Religiosos Hebraicos da época Neotestamentária. 2 ed. São Paulo: Paulinas, 1979.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Apocalipse: Jesus Cristo Glorificado


            Quando lemos as páginas das narrativas evangélicas que compõe o nosso Segundo Testamento [NT] temos uma percepção de Jesus humano, que nasceu e viveu e morreu em tudo semelhante a nós, mas como bem disse Paulo, “porém sem pecado”. Desta forma não é difícil nos identificarmos com Ele e de nos aproximarmos dele. É por esta razão que muitos não “cristãos” e até mesmo aqueles que não apreciam a religião gostam de falar e usar Jesus como exemplo e modelo. É o mártir da paz; é o pedagogo por excelência; é o modelo de ser humano e etc. Não é difícil gostar e apreciar o Jesus evangélico.
            Mas quando lemos o livro do Apocalipse contemplamos um Jesus Cristo totalmente diferente: revestido de glória, poder e majestade. No último livro da bíblia Jesus Cristo está assentado no Trono e reina soberanamente sobre toda a terra. Esse Jesus Cristo exaltado não agrada as pessoas; elas ficam chocadas e horrorizadas com esse Jesus que derrama o juízo sobre as nações; elas não podem suportar um Jesus que estabelece sua vontade soberana como padrão para a raça humana; eles rejeitam violentamente esse Jesus que julgará os vivos e os mortos e que lançara os condenados no inferno juntamente com o diabo e seus anjos. E atualmente até mesmo grande parcela dos evangélicos tem ignorado esse Jesus que perscruta as mentes e os corações; esse Jesus que jamais se deixa controlar por pseudos líderes; a grande maioria dos evangélicos ignora ativa e passivamente esse Jesus do Apocalipse, pois não querem se curvar diante dele e adora-lo, pois o que realmente desejam é apenas se servir Dele para saciarem suas necessidade de poder e riqueza. Mas é esse Jesus Cristo ressuscitado, ascendido e glorificado que se revela em toda sua plenitude nas páginas do último livro da bíblia; é esse Jesus Cristo ressuscitado, ascendido e glorificado que precisamos conhecer e proclamar diante desse quadro de decadência moral e religiosa que a sociedade brasileira tem vivenciado. Não haverá esperança alguma para o Brasil se não proclamarmos a tempo e fora de tempo e por todos os meios possíveis esse Jesus Cristo ressuscitado, ascendido e glorificado.
            O primeiro verso do Apocalipse declara que o livro é “Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu para mostrar aos seus servos as coisas que em breve devem acontecer,...”. Esta declaração pode ser interpretada de dois modos, como o “Apocalipse daquele que é Jesus Cristo” ou como o “Apocalipse que vem de Deus e mediado através de Jesus Cristo”. Não há razão para se discutir, pois ambas são verdadeiras. O Apocalipse nos revela o Cristo ressurreto, ascendido e glorificado como nenhum outro livro na bíblia.  Nele encontraremos muitos títulos divinos dados a Jesus Cristo. Logo no inicio do livro Jesus não é chamado de Justo ou Messias, que eram as ênfases de Jesus em sua vida terrestre em sua função de Salvador, conforme registrado nos Evangelhos. Cristo revela sua origem divina porque ele é Deus.
Mike Biclke em seu livro “Uma paixão por Jesus” diz que a fim de vencer a perseguição e as tentações do mundo é necessário conhecer a Jesus na intimidade. Meditando nas descrições de Jesus fornecida no Apocalipse é possível alcançarmos esta intimidade.
            Em 1.1 encontramos que Deus deu a Jesus Cristo o Apocalipse para mostrar a seus servos o que deve logo acontecer. De modo direto no começo do livro Jesus pode ser visto como o Senhor mostrando a seus servos o que lhes reserva o futuro próximo.
            Em 1.5-7 Jesus Cristo é descrito como.
A fiel testemunha.
O primogênito dos mortos.
O soberano dos reis da Terra.
Aquele que nos ama e nos libertou de nossos pecados por seu sangue.
Aquele que nos constituiu para sermos um reino e sacerdotes para servir a seu Deus e Pai.
Pois a ele pertence a glória e o poder para sempre.
Aquele que virá novamente e todo o mundo o verão.
            Em 1.13 nós achamos “um semelhante a filho de homem” no meio das sete igrejas. Esta ênfase em sua humanidade, a qual nunca perdeu mesmo quando ele ascendeu ao céu, revela que o universo é controlado por um homem, o primeiro entre muitos irmãos. Então segue uma descrição deste homem glorioso “com vestes talar e cingido, à altura do peito, com uma cinta de ouro. A sua cabeça e cabelos eram brancos como alva lã e como a neve; os olhos, como chama de fogo; os pés, semelhantes ao bronze polido, como que refinado numa fornalha; a voz, como voz de muitas águas. Tinha na mão direita sete estrelas, e da boca saía-lhe uma afiada espada de dois gumes. O seu rosto brilhava como o sol na sua força” (1.13-16). A visão dele foi o bastante para fazer João cair aos seus pés como se morto. Jesus então se refere a alguns de seus títulos divinos (o “eu sou”).
Eu sou o Primeiro e o Último.
Eu sou o que Vive; Eu estive morto, e agora sou aquele que vive para sempre.
Eu possuo as chaves da morte e do inferno.
            Então, vêm as cartas dirigidas às sete igrejas, enviadas por aquele que caminha no meio delas e cujos olhos ardentes observam sua condição. Ele elogia o que é bom e reprova e corrige o que é ruim. Ele mesmo se apresenta e promete recompensas divinas para aqueles que permanecerem fieis:
I. Eféso. Estas coisas diz aquele que conserva na mão direita as sete estrelas e que anda no meio dos sete candeeiros de ouro (2.1).
II. Esmirna. Estas coisas diz o primeiro e o último, que esteve morto e tornou a viver (2.8).
III. Pergamo. Estas coisas diz aquele que tem a espada afiada de dois gumes (2.12).
IV. Tiatira. Estas coisas diz o Filho de Deus, que tem os olhos como chama de fogo e os pés semelhantes ao bronze polido (2.18).
V. Sardes. Estas coisas diz aquele que tem os sete Espíritos de Deus e as sete estrelas (3.1).
VI. Filadélfia. Estas coisas diz o santo, o verdadeiro, aquele que tem a chave de Davi, que abre, e ninguém fechará, e que fecha, e ninguém abrirá (3.7).
VII. Laodicea. Estas coisas, diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus (3.14).
            Em Ap 5 vemos Cristo como o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, como aquele que triunfou. Ele está de pé no centro do trono de Deus cercado pelos seres viventes e entre os anciãos ocupando o centro do céu. Ele é então introduzido como “um Cordeiro como tendo sido morto” (5.6 - cf. Isaías 53.7).
            Em 5.7 Ele é o único que tem o direito, em toda criação, de tomar o rolo da mão do Pai. Ele é então louvado pelos quatros ser viventes como aquele que é merecedor de abrir os selos. “Digno és de tomar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação e para o nosso Deus os constituíste reino e sacerdotes; e reinarão sobre a terra” (5.9,10).
            Ele é então louvado pelos anjos como aquele que é merecedor. “Digno é o Cordeiro que foi morto de receber o poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e louvor” (5.12).
            Ele é então louvado por toda a criação. “Àquele que está sentado no trono e ao Cordeiro, seja o louvor, e a honra, e a glória, e o domínio pelos séculos dos séculos” (5.13). Jesus é adorado junto com Deus.
            Em Ap 6 ele é aquele que abre os sete selos para revelar o conteúdo do rolo.
            Em 7.14 nós temos a extraordinária descrição da grande multidão que lavaram suas vestes no sangue do Cordeiro e se fizeram puros. Em 7.17 nós achamos o Cordeiro descrito como o Pastor que os conduz às fontes da água viva.
            Em 12.5 ele é descrito como aquele “que há de reger todas as nações com cetro de ferro”.
            Em 13.8 o livro da vida pertence ao Cordeiro que foi morto antes da criação do mundo.
            Em 14.14 ss., ele é aquele que fará a ceifa da Terra.
            Em 19.7 o Cordeiro é o Noivo que espera pela Igreja sua Noiva que já esta sendo preparada para o casamento.
            Em 19.11 ss., encontramos umas das mais completas descrições do Cordeiro e Sua vitória sobre seus inimigos. “Vi o céu aberto, e eis um cavalo branco. O seu cavaleiro se chama Fiel e Verdadeiro e julga e peleja com justiça. Os seus olhos são chama de fogo; na sua cabeça, há muitos diademas; tem um nome escrito que ninguém conhece, senão ele mesmo. Está vestido com um manto tinto de sangue, e o seu nome se chama o Verbo de Deus; e seguiam-no os exércitos que há no céu, montando cavalos brancos, com vestiduras de linho finíssimo, branco e puro. Sai da sua boca uma espada afiada, para com ela ferir as nações; e ele mesmo as regerá com cetro de ferro e, pessoalmente, pisa o lagar do vinho do furor da ira do Deus Todo-Poderoso. Tem no seu manto e na sua coxa um nome inscrito. REI DOS REIS E SENHOR DOS SENHORES”.
            Ap 19.17-21 descreve a vitória final do Cordeiro sobre a besta e o falso profeta e seu exército, a vitória sobre Satanás é descrito no capítulo 20.
            Em 21.22 descobrimos que o Deus Todo-poderoso e o Cordeiro são o Templo da nova Jerusalém e o Cordeiro é a luz da Nova Jerusalém.
            Em 22.1 descobrimos que a fonte do rio da vida brota do trono de Deus e do Cordeiro.
            Em 22.12 Jesus testemunha que Ele está vindo em breve, e Ele mesmo é que recompensará o íntegro e o mau conforme suas ações.
            Ele é descrito em 22.13 com os títulos divinos de o “Alfa e o Omega, o Primeiro e o Último, o Início e o Fim”. O que se constitui sem dúvida alguma em um dos melhores textos para demonstrar a divindade de Cristo.
            Em 22.16 ele se descreve como sendo “a Raiz e a Descendência de Davi, e a brilhante Estrela Matutina”.
            Finalmente, ele é o Cristo que testemunha quanto à verdade deste livro e que reafirma. “Sim, eu estou vindo em breve”.

Utilização livre desde que citando a fonte
Guedes, Ivan Pereira
Mestre em Ciências da Religião.
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Referências Bibliográficas
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