sábado, 24 de janeiro de 2026

Reflexão: Decisões e Suas Consequências (1 Samuel 28.1-25)

 

Todas as decisões produzem consequências. Muitas vezes tomamos decisões sem pensar no que elas se transformarão. Davi, para fugir das perseguições implacáveis de Saul, tomou a decisão de ir para as terras dos filisteus. De fato, ficou livre das perseguições do rei israelita, mas os desdobramentos dessa decisão produziram um dilema: apoiaria os filisteus contra o exército israelita de Saul? Se revoltaria contra seu próprio povo?

Por sua vez a narrativa acompanha a derrocada final de Saul, tanto espiritual quanto material. Completamente mergulhado em suas neuroses e completamente alienado de Deus (o sacerdote Samuel havia falecido), ele vai recorrer às orientações condenáveis de uma vidente, em um ato desesperado de afronta aos princípios da Aliança de Deus.

Mas a Providência divina, uma vez mais, preserva a vida de Davi, mesmo em meio a dilemas e perseguições, e deixa Saul seguir o seu próprio caminho de ruína. Aqui temos uma ilustração viva da composição poética do Salmo primeiro: “O Senhor conhece o caminho do justo, mas o caminho do ímpio perecerá”. O salmo fornece a chave para entendermos o contraste entre a preservação de Davi e a derrocada de Saul.

Na narrativa vemos Saul está completamente desconectado de Deus. Apesar de tentar todos os meios legítimos — Urim, profetas e sonhos — Deus não fala por nenhum deles. A repetição intensifica a tragédia: o silêncio de Deus não é um capricho, mas consequência da desobediência acumulada de Saul (1Sm 13; 15).

Mas, em vez de se humilhar diante de Deus, o rei procura, em meios espúrios, uma orientação para sua vida (Deuteronômio 18:10–12). Este é o retrato do ser humano alienado de Deus por causa do pecado. Não conseguindo ouvir a voz de Deus, busca para si outras vozes. O resultado será o mesmo de Saul: a morte. O livro de Provérbios alerta para essa terrível escolha e suas consequências: “Há caminhos que parecem certos ao homem, mas o fim deles conduz à morte” (Provérbios 14:12; cf. 16:25).

O mesmo Saul havia expulsado os necromantes (cf. Lv 19:31; Dt 18:10–12); agora, ordena que lhe tragam uma necromante. A obediência anterior — a expulsão dos médiuns — não havia sido resultado de uma piedade duradoura, mas apenas um ato de propaganda político-religiosa superficial. Quando Deus não é reconhecido como Senhor, passa a ser buscado apenas como recurso funcional. Contudo, Deus jamais se ilude com declarações vazias, pois Ele sonda o coração.

O verso 8 marca o fundo do poço de Saul — um rei sem coroa, autoridade ou verdade. Há perda total de identidade; seu disfarce externo revela a fragmentação interna. Já não sustenta publicamente sua condição de ungido. É o fim melancólico de quem vive afastado de Deus, escondendo quem é para justificar decisões erradas.
O que Saul encontra não é resposta positiva, mas condenação explícita. As palavras ouvidas repetem o que Deus já havia dito e ele ignorara em 1 Samuel 15.

No verso 16 surge uma das frases mais pesadas da Escritura: “O Senhor se tornou teu adversário”. A história de Saul caminha para o fim como um rei sem palavra, sem força e apoiado por quem não pertence ao povo da aliança.

    Pare & Pense

§ Você tem orado a Deus antes de tomar decisões?

§ Qual o resultado quando se afasta de Deus?

§ Como lidamos com o “silêncio de Deus?

§ Estamos nos escondendo de quem somos?

 

Utilização livre desde que citando a fonte

Guedes, Ivan Pereira

Mestre em Ciências da Religião.

me.ivanguedes@gmail.com

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