Uma das táticas para minimizar o valor da Bíblia é restringi-la a
tão somente um livro religioso. Este esforço tem como objetivo subliminar
minimizar a Soberania de Deus. Mas quando examinamos a mensagem bíblica é fácil
perceber que nada acontece no mundo sem a ação divina.
Em Gênesis é Deus quem trás à existência o mundo e todos os seres
vivos, incluindo os seres humanos. Todas as nações têm suas origens a partir
dos descendentes de Noé.
A origem da nação Israelita, longe de restringir a ação de Deus,
apenas comprova que a História humana está a serviço do propósito soberano de
Deus. É Deus quem dá origem e preserva a pequena nação israelita e a torna o
Seu instrumento para que introduza o Salvador das nações – Jesus Cristo.
Mas é na literatura dos profetas que podemos ver repetidamente como
Deus interage continuamente na História Mundial. A leitura dos profetas da
história das nações é algo extraordinário. Apenas como um exemplo as profecias
de Amós é composta a partir dos juízos de Deus sobre as nações e depois com
Israel e Judá, em um testemunho contundente que todos os povos estão debaixo do
escrutínio da justiça divina.
Portanto, as mensagens dos profetas não são abstrações religiosas
de um único povo ou etnia, mas respostas concretas às circunstâncias políticas,
sociais e religiosas não somente de Israel e Judá, mas de todas as nações,
povos e etnias – conectando diretamente com o último imperativo de Jesus Cristo
antes de sua ascensão: “Portanto, ide, fazei discípulos de todas as nações,
batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a
guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos
os dias até à consumação do século” (Mt 28.19–20).
O termo “nações” no grego é de abrangência ampla em seu sentido: Povos (grupos
humanos organizados); Nações (entidades políticas ou culturais) e Grupos étnicos
(definidos por língua, cultura, ancestralidade). De maneira que o imperativo de
Jesus possui alcance universal, ecoando a teologia profética do Antigo
Testamento: Deus é Senhor da história de todos os povos, e sua revelação
e redenção não estão restritas a Israel (cf. Gn 12.3; Is 49.6; Am 9.7; Ap 7.9).
Profetas e os Impérios Mundiais
Os profetas bíblicos não falaram a Israel e Judá de maneira isolada
ou abstrata, mas anunciaram a palavra do SENHOR em profunda interação com os
acontecimentos políticos, militares e sociais que envolviam o Antigo Oriente
Próximo. Assíria, Babilônia e Pérsia formam o pano de fundo histórico no qual a
mensagem profética se desenvolve, revelando que Deus governa não apenas a
história de Israel, mas também o curso dos grandes impérios mundiais. Isaías
e Miquéias exerceram seu ministério durante o período de expansão do Império
Assírio (séculos VIII–VII a.C.), interpretando a ascensão assíria como
instrumento do juízo divino contra a infidelidade do povo, ao mesmo tempo em
que afirmavam que esse mesmo império seria responsabilizado por sua arrogância
e violência (Is 10.5–15; Mq 5.5–6). Jeremias e Ezequiel, por sua
vez, profetizaram no contexto da hegemonia do Império Babilônico,
oferecendo uma leitura teológica da queda de Jerusalém e do exílio não como
mero fracasso político, mas como expressão do juízo de Deus sobre Judá, sem que
isso anulasse a esperança de restauração e de uma nova aliança (Jr 25.8–11; Ez
36.24–28). Já Ageu e Zacarias atuaram sob a dominação do Império
Persa, especialmente durante o reinado de Dario I, encorajando o
povo que retornara do exílio a retomar a reconstrução do templo e a
reorganização da vida comunitária, interpretando o favor persa como parte do
agir soberano de Deus na história e antecipando uma restauração futura de
caráter escatológico (Ag 1.1–8; Zc 4.6–10; 6.12–13).
Assim, a literatura profética demonstra que os impérios do mundo,
embora exerçam poder real e concreto, permanecem subordinados ao governo de
Deus e são apresentados como instrumentos temporários dentro de seus desígnios
redentivos, reforçando a convicção de que a História Humana se desenrola sob o Senhorio
absoluto de Yahweh.
Portanto, embora os profetas falassem em primariamente para Israel
e Judá, suas mensagens transcendem fronteiras nacionais e se conectam
com os grandes impérios da Antiguidade. Eles oferecem uma leitura teológica da
história mundial, mostrando que o Deus de Israel é também o Senhor das nações.
Retomando o início deste artigo, a Bíblia contém uma mensagem
Mundial, tendo em Israel e Judá seus instrumentos peculiares para que a Mensagem
da Salvação por meio de Jesus Cristo pudesse ser realizada e proclamada para
todas as nações, povos e raças.
Referências Bibliográficas
ABERNETHY, Andrew T. The Book of Isaiah and God’s Kingdom: A Thematic-Theological Approach. Downers Grove: IVP Academic, 2016.
Apocalipse: Interpretação Amilenista e Distinções
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Apocalipse: Contrastes Literários no Apocalipse com Referências
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Apocalipse: Glossário - A e B
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Apocalipse: Seu Valor e Relevância
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