quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Profetas: No Contexto Histórico Mundial

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Uma das táticas para minimizar o valor da Bíblia é restringi-la a tão somente um livro religioso. Este esforço tem como objetivo subliminar minimizar a Soberania de Deus. Mas quando examinamos a mensagem bíblica é fácil perceber que nada acontece no mundo sem a ação divina.

Em Gênesis é Deus quem trás à existência o mundo e todos os seres vivos, incluindo os seres humanos. Todas as nações têm suas origens a partir dos descendentes de Noé.

A origem da nação Israelita, longe de restringir a ação de Deus, apenas comprova que a História humana está a serviço do propósito soberano de Deus. É Deus quem dá origem e preserva a pequena nação israelita e a torna o Seu instrumento para que introduza o Salvador das nações – Jesus Cristo.

Mas é na literatura dos profetas que podemos ver repetidamente como Deus interage continuamente na História Mundial. A leitura dos profetas da história das nações é algo extraordinário. Apenas como um exemplo as profecias de Amós é composta a partir dos juízos de Deus sobre as nações e depois com Israel e Judá, em um testemunho contundente que todos os povos estão debaixo do escrutínio da justiça divina.

Portanto, as mensagens dos profetas não são abstrações religiosas de um único povo ou etnia, mas respostas concretas às circunstâncias políticas, sociais e religiosas não somente de Israel e Judá, mas de todas as nações, povos e etnias – conectando diretamente com o último imperativo de Jesus Cristo antes de sua ascensão: “Portanto, ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” (Mt 28.19–20).

O termo “nações” no grego é de abrangência ampla em seu sentido: Povos (grupos humanos organizados); Nações (entidades políticas ou culturais) e Grupos étnicos (definidos por língua, cultura, ancestralidade). De maneira que o imperativo de Jesus possui alcance universal, ecoando a teologia profética do Antigo Testamento: Deus é Senhor da história de todos os povos, e sua revelação e redenção não estão restritas a Israel (cf. Gn 12.3; Is 49.6; Am 9.7; Ap 7.9).

Profetas e os Impérios Mundiais

Os profetas bíblicos não falaram a Israel e Judá de maneira isolada ou abstrata, mas anunciaram a palavra do SENHOR em profunda interação com os acontecimentos políticos, militares e sociais que envolviam o Antigo Oriente Próximo. Assíria, Babilônia e Pérsia formam o pano de fundo histórico no qual a mensagem profética se desenvolve, revelando que Deus governa não apenas a história de Israel, mas também o curso dos grandes impérios mundiais. Isaías e Miquéias exerceram seu ministério durante o período de expansão do Império Assírio (séculos VIII–VII a.C.), interpretando a ascensão assíria como instrumento do juízo divino contra a infidelidade do povo, ao mesmo tempo em que afirmavam que esse mesmo império seria responsabilizado por sua arrogância e violência (Is 10.5–15; Mq 5.5–6). Jeremias e Ezequiel, por sua vez, profetizaram no contexto da hegemonia do Império Babilônico, oferecendo uma leitura teológica da queda de Jerusalém e do exílio não como mero fracasso político, mas como expressão do juízo de Deus sobre Judá, sem que isso anulasse a esperança de restauração e de uma nova aliança (Jr 25.8–11; Ez 36.24–28). Já Ageu e Zacarias atuaram sob a dominação do Império Persa, especialmente durante o reinado de Dario I, encorajando o povo que retornara do exílio a retomar a reconstrução do templo e a reorganização da vida comunitária, interpretando o favor persa como parte do agir soberano de Deus na história e antecipando uma restauração futura de caráter escatológico (Ag 1.1–8; Zc 4.6–10; 6.12–13).

Assim, a literatura profética demonstra que os impérios do mundo, embora exerçam poder real e concreto, permanecem subordinados ao governo de Deus e são apresentados como instrumentos temporários dentro de seus desígnios redentivos, reforçando a convicção de que a História Humana se desenrola sob o Senhorio absoluto de Yahweh.

Portanto, embora os profetas falassem em primariamente para Israel e Judá, suas mensagens transcendem fronteiras nacionais e se conectam com os grandes impérios da Antiguidade. Eles oferecem uma leitura teológica da história mundial, mostrando que o Deus de Israel é também o Senhor das nações.

Retomando o início deste artigo, a Bíblia contém uma mensagem Mundial, tendo em Israel e Judá seus instrumentos peculiares para que a Mensagem da Salvação por meio de Jesus Cristo pudesse ser realizada e proclamada para todas as nações, povos e raças.

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Utilização livre desde que citando a fonte
Guedes, Ivan Pereira
Mestre em Ciências da Religião.
me.ivanguedes@gmail.com
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Referências Bibliográficas
ABERNETHY, Andrew T. The Book of Isaiah and God’s Kingdom: A Thematic-Theological Approach. Downers Grove: IVP Academic, 2016.
ACKROYD, Peter R. Historians and Prophets: Essays on the Prophetic Literature of the Old Testament. London: SCM Press, 1991.
ARMERDING, Carl E.; GASQUE, W. Ward (Ed.). A Guide to Biblical Prophecy. Eugene: Wipf and Stock, 2002.
BARTON, John. Oracles of God: Perceptions of Ancient Prophecy in Israel after the Exile. London: Darton, Longman and Todd, 1986.
HAYS, J. Daniel; LONGMAN III, Tremper. The Message of the Prophets: A Survey of the Prophetic and Apocalyptic Books of the Old Testament. Grand Rapids: Zondervan, 2010.
HESCHEL, Abraham J. The Prophets. New York: Harper and Row, 1962.
SEITZ, Christopher R. Prophecy and Hermeneutics: Toward a New Introduction to the Prophets. Grand Rapids: Baker Academic, 2007.
* Estas obras desenvolvem a argumentação de que a mensagem dos profetas não está restrita a Israel e Judá, mas também se estende às nações e ao cenário mundial da Antiguidade. Os autores procuram demonstrar como os profetas interpretaram os grandes impérios e a história universal sob a ótica da soberania de Deus.
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