sábado, 10 de julho de 2021

Viajando no Evangelho de Marcos: Prólogo (1.1-13)[1]

 


Vimos no texto anterior o nosso roteiro como preparação para nossa viagem pela narrativa evangélica escrita por João Marcos. Hoje iniciaremos nossa jornada examinando a primeira Perícope[2] que se constitui em uma espécie de prólogo[3] do texto narrativo.[4]

A perícope é composta por três pequenas unidades literárias estreitamente unidas onde o evangelista registra os eventos que precedem imediatamente o início do ministério público de Jesus e ao mesmo tempo serve como uma introdução a toda narrativa evangélica por ele elaborada, fornecendo ao leitor pistas essenciais para a compreensão do que vira a seguir.

Na primeira unidade (v. 1-8) o evangelista apresenta a figura João Batista, sublinhando seu papel profético à semelhança do profeta Elias como o precursor do Messias; a segunda unidade (v. 9-11) apresenta Jesus de Nazaré como aquele a quem João havia apontado, registrando sua autenticação divina no momento em que se submete ao batismo efetuado por João Batista; e na terceira e última unidade (v. 14-15) Jesus é impelido pelo Espírito Santo para o deserto onde vai se preparar espiritualmente e ao final terá a primeira vitória sobre Satanás – onde Adão falhou, Jesus venceu. No último capítulo (16) Jesus terá assegurado definitivamente a Vitória sobre Satanás e a morte, para todos os que nele vierem a crer.

Primeira Unidade Literária (1.1-8)

João Marcos escolheu cuidadosamente as seis primeiras palavras de sua narrativa:[5]Princípio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus” (v.1):[6]

Princípio (ἀρχή, archē):[7] não apenas no sentido cronológico, mas no sentido de origem, causa ativa – de maneira que Jesus Cristo é a nova gêneses (cf. Gn 1.1). No Evangelho de Jesus está a semente (a origem, o princípio) de um novo mundo, uma Nova Criação (2 Co 5.17).

Evangelho:[8] “boas novas; boas notícias” Jesus não apenas anunciara o evangelho, mas Ele mesmo é as Boas Novas. Marcos está comunicando aos seus leitores de que em Jesus ocorre um evento histórico que haverá de proporcionar salvação para toda humanidade.

Temos aqui um contexto profético veterotestamentário = Isaias (61.1s) fala das boas novas que o Messias trará; o primeiro texto que Jesus leu na sinagoga falava da libertação dos oprimidos (cf. Lc 4.17s); Deus está presente (Is 40.9) e no controle (Is 52.7) de tudo que estará sendo narrado, ou seja, Deus no começo, no meio e no fim.

Jesus Cristo:[9] O nome composto = Jesus[10] (o Senhor salva) e Cristo[11] (messias, ungido – a esperança de Israel); quando Marcos compõe sua narrativa está combinação nominal já havia se convertido em nome próprio. Jesus Cristo é o cumprimento de toda Esperança contida nas Escrituras do Primeiro Testamento. As palavras pronunciadas pelo velho sacerdote Simeão, quando toma o bebê Jesus em suas mãos resume toda a expectativa dos crentes israelitas em todos os tempos: “Ele, então, o tomou em seus braços, e louvou a Deus, e disse: Agora, Senhor, despedes em paz o teu servo, Segundo a tua palavra; pois já os meus olhos viram a tua salvação, a qual tu preparaste perante a face de todos os povos; luz para iluminar as nações, e para glória de teu povo Israel” (Lc 2.25-32).

Filho de Deus:[12] O evangelista eleva o tom e declara com todas as letras que Jesus não é um homem comum. Ele está escrevendo sobre aquele que sendo Deus assumiu a nossa humanidade (1.1,14). Ele é mais do que qualquer um dos profetas, como Elias ou o próprio Batista, pois Jesus é o próprio Filho de Deus e o evangelista irá concluir sua narrativa com está mesma declaração, agora pronunciadas pela boca de um centurião romano: “verdadeiramente, este homem era Filho de Deus(15.39).[13]

Então, este título declara quatro verdades importantes em relação a Jesus:

1. Ele é verdadeiramente humano – Ele tem um nome humano – Jesus.

2. Ele é verdadeiramente divino – Ele é o Messias prometido. Ele é o Filho de Deus.

3. Ele é verdadeiramente único – Ele é tanto a humanidade quanto a deidade em uma Pessoa.

4. Ele é a verdadeira fonte de Boas Notícias – Só Jesus é a fonte da salvação!

João Batista e seu ministério (1.2-8)

Voz Profética (v.2-3): a sua vinda não fora acidental, mas amplamente preparada em cada um de seus detalhes, como tão bem as narrativas iniciais de Mateus e Lucas esclarecem; Marcos em suas palavras iniciais não deixa qualquer dúvida sobre essa preparação declarando que João Batista é o cumprimento das profecias (Malaquias 3.1 e Isaías 40.3); a primeira frase é de Malaquias (400 anos antes) “Eis que envio o meu mensageiro diante da tua face, que preparará o teu caminho diante de ti” – a segunda proferida 700 anos antes pelo profeta Isaías o mais evangélico dos profetas: “A voz de quem clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas”.[14] Ambos os profetas olham para frente – “Deus está para agir” – e o Batista irá apontar para Jesus e dirá = “Deus já está agindo” a promessa está sendo cumprida.

João Batista e sua Mensagem: Ele surge do deserto – trazendo à memória judaica o Êxodo efetuado por meio de Moisés – agora Deus inicia um Novo Êxodo por meio de seu Filho Jesus Cristo. Se no primeiro os israelitas estavam escravos dos egípcios; agora eles estavam escravos de um sistema legalista religioso – representado no Templo e seus Sacerdotes. Os que querem OUVIR a voz de Deus tem que SAIR e ir para o Deserto (deixa meu povo ir falou Moises à Faraó).

João Batista rompe um silêncio de 400 anos (Malaquias a Marcos) – o povo espera que Deus torne a falar por meio da voz profética (Malaquias predisse que um novo Elias será levantado por Deus Malaquias 4.5-6) e João Batista é esse novo Elias; e curiosamente em toda sua narrativa Marcos não faz qualquer retrato falado de Jesus – nada ficamos sabendo da pessoa de Jesus; todavia, o evangelista faz uma descrição minuciosa do Batista. Por que?

Justamente porque Marcos deseja fazer a ligação direta entre João Batista e o profeta Elias. A mensagem do Batista é o cumprimento da Profecia – “Preparai o Caminho do Senhor (Messias); endireitai suas veredas”. Assim como a mensagem de Elias era para toda a nação israelita e conclamava todos ao arrependimento e a reconciliação com Deus, a mensagem do Batista é radical para todos: pobres, ricos; sacerdotes, levitas: arrependei-vos! Assim como Elias denuncia os pecados do rei Acabe e Jezabel (1 Reis 19-22), o Batista vai denunciar a relação irregular de Herodes Antipas e seu relacionamento imoral com Herodias (Salomé), esposa de seu irmão Herodes Filipe I, sendo está a causa de sua decapitação (Mc 6.14-29; cf. Mt 14.1-12; Lc 9.7-9).

Arrependimento (metanoia) é uma mudança deliberada do coração e da mente; confessando os pecados (reconhecendo que está vivendo longe da vontade de Deus) e se submetendo ao batismo (representação externa/visível do arrependimento interno/invisível). A genuína tristeza pelo pecado conduz à uma conversão e que envolve uma completa mudança de vida (novo nascimento). O arrependimento implica em perdão – que estará disponível plenamente em Jesus Cristo.

E João Batista tem plena consciência disso: ele declara que está para surgir, ainda naqueles dias, alguém que é MAIOR do que ele; pois, ainda que João seja um grande profeta, Jesus é de uma ordem de grandeza diferente – Jesus é o Filho de Deus e plenamente cheio do Espírito Santo e Poder – o batismo efetuado por Jesus, segundo as próprias palavras do Batista, não é com água, mas com fogo purificador.

As palavras de João Batista em relação a Jesus demonstram o caráter e a humildade dele: “não sou digno nem mesmo de desamarrar os cordões de suas sandálias” – que era a função do menor escravo em uma casa. Esta humildade faltará aos próprios discípulos no Cenáculo – assim, como falta a nós hoje.

Essa primeira referência ao Espírito Santo tem como objetivo linkar Jesus com a Salvação prometida nas Escrituras do Primeiro Testamento e que implicava no derramar do Espírito Santo (Joel 2.28s; Ezequiel 36.26s) que haverá de se cumprir após sua ascensão, no transcorrer da festa do Pentecostes.

Conclusão desta primeira unidade (1.2-8): o evangelista declara que a vinda do Batista inicia o cumprimento das antigas promessas de Salvação (Messiânicas); ele prepara o caminho do Senhor (Messias), onde o povo por meio de seu arrependimento e batismo são preparados para receber a Salvação. O cenário está pronto – então no verso 9 diz Marcos: JESUS CRISTO VEIO!

Vamos Orar! Espírito Santo capacita-nos a compreendermos a tua palavra e que possamos te louvar continuamente por tão grande salvação que nos foi dada graciosamente por meio de Jesus Cristo. Que possamos seguir o modelo de João Batista e sermos também porta-vozes desta preciosa mensagem de arrependimento e perdão efetuada por meio de Cristo. Amém!

 

Utilização livre desde que citando a fonte
Guedes, Ivan Pereira
Mestre em Ciências da Religião.
Universidade Presbiteriana Mackenzie
me.ivanguedes@gmail.com
Outro Blog
Historiologia Protestante
http://historiologiaprotestante.blogspot.com.br/

 

Questões Para Reflexão

1) Que outros livros da Bíblia começam com a palavra começo?

2) O que significa a palavra “Evangelho”?

3) O que é significativo sobre os títulos dados ao assunto deste evangelho?

Cristo:

Filho de Deus:

4) Quais os dois profetas que Marcos cita em relação ao ministério de João Batista?

5) Quem formava o auditório de João Batista e de onde vinham?

6) Quais eram os temas centrais da pregação de João Batista?

7) Por que Marcos se preocupa em descrever a pessoas de João Batista? Qual a relação disso com a sua missão?

8) Qual a diferença fundamental entre o batismo de João Batista e o batismo de Jesus Cristo.


Referências Bibliográficas
Utilizadas neste artigo
ALLEN, Clifton J. (Ed.). Comentário Bíblico Broadman: Novo Testamento. Tradução de Adiei Almeida de Oliveira. 3ª edição. Rio de Janeiro: Junta de Educação Religiosa e Publicações, 1986. Vol. 8 [Mateus e Marcos].
BURKITT, William. Expository Notes, with Practical Observations, on the New Testament. Philadelphia: Sobin & Ball, 1844. [Mark].
CRANFIELD, C. E. B. The Gospel According to Saint Mark. Nova Iorque e Londres: Cambridge University Press, 1959. [The Cambridge Greek Testament Commentary].
FARRER, AUSTIN. A Study in St. Mark. New York; Oxford University Press, 1952.
Referências Complementares
EARLE, Ralph, SANNER, A. Elwood e CHILDERS, Charles L. Comentário Bíblico Beacon – Mateus a Lucas. v. 6. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.
SPROUL, R. C. St. Andrew’s Expositional Commentary Mark. Michigan: Reformation Trust Publishing, 2011.
POHL, Adolf. O Evangelho de Marcos Comentário Esperança. Tradução Hans Udo Fuchs. Curitiba, PR: Editora Evangélica Esperança, 1998.
HENDRIKSEN, William. Comentário do Novo Testamento – Marcos. Tradução Elias Dantas. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2003.
Artigos Relacionados
Viajando no Evangelho de Marcos: Estabelecendo o Roteiro
Evangelho Segundo Marcos: Autoria e Título
Evangelho Segundo Marcos: Data, Tema, Propósito
NT – Introdução Geral
Contexto Histórico dos Evangelhos


[1] Este material foi preparado para pequenas devocionais matinais as quais estou acrescentando algum material novo e principalmente as notas de rodapé. Deste modo você pode ler somente o corpo do texto ou se aprofundar um pouco mais examinando as notas.

[2] Perícope: do grego "recortar" refere-se a uma seção (parágrafo) de texto delimitado a partir de seu conteúdo. A divisão do texto bíblico em versículos, com raras exceções, não respeita as perícopes do texto hebraico e grego e em alguns casos acaba por descaracterizar o texto e dificultar sua análise hermenêutica.

[3] Uma seção introdutória explicando o que acontece antes da ação principal.

[4] Alguns defendem a opinião de que a primeira perícope de Marcos consiste em 1.1-15.

[5]O primeiro versículo não é meramente um título. Ê uma nota-chave para o livro, como um todo” (ALLEN, 1986, p. 326).

[6] Austin Farrer chama essas palavras iniciais de “uma semente, da qual crescerão as sentenças seguintes” (FARRER, 1952, apud ALLEN, 1986, p. 326).

[7]Aqui é usado sem o artigo definido indicação de que funciona como um título. Arche é usado 4x em Marcos (1.1; 10.6; 13.8 e 13.19 – cf. Gn 1.1; Jo 1.1,2ss; 1Jo 1.1ss). Cranfield cita dez possíveis pontos de vista sobre a relação de 1.1 com o livro como um todo (1959, p. 34-35).

[8] O termo vai sofrendo uma evolução em sua abrangência: Primariamente, como aqui em Marcos, significava especificamente a vida e obra de Jesus Cristo; posteriormente passou a identificar está e as demais literaturas produzidas pelos evangelistas e depois passou a abranger todas as literaturas neotestamentária.

[9]Este evangelho é chamado de Evangelho de Jesus Cristo, porque Cristo, como Deus, é o Autor deste evangelho, e também o principal sujeito e assunto dele. Ainda que São João Batista seja o precursor da mensagem evangélica, mas o próprio Cristo foi o primeiro e principal autor, e da mesma forma o principal assunto dela; pois tudo o que é ensinado no evangelho diz respeito à pessoa e aos escritórios de Cristo, ou aos benefícios recebidos por ele, ou aos meios de usufruir desses benefícios dele”. (BURKITT, 1844).

[10]O nome "Jesus" é a transliteração grega do nome hebraico "Josué". Significa "Jeová é Salvação". Jesus é um nome humano e revela a razão pela qual Jesus veio a este mundo. Jesus veio a este mundo para salvar pecadores perdidos, e seu nome "Jesus" declara sua pessoa e sua missão.

[11] Isso identifica Jesus como o "Messias judeu", ou "o Ungido". O nome "Cristo" declara sua posição. Jesus é retratado como aquele que salvará seu povo de seus inimigos.

[12] Alguns manuscritos não trazem essa declaração, mas em uma ampla maioria ela é parte integrante do texto. E está em perfeita harmonia com toda a narrativa marcana.

[13] Contudo, são singularmente apropriadas dentro da narrativa marcana: os demônios o declaram (3.11; 5.7) e em duas ocasiões o Pai faz a declaração forma da filiação divina dele (1.11 batismo; 9.7 transfiguração).

[14] Era uma prática hermenêutica dos escritores bíblicos moldarem a citação de dois textos bíblicos mantendo a nomenclatura de apenas um deles, demonstrando a qual dos dois colocava sua ênfase teológica. No caso especifico de Marcos ele quer enfatizar as palavras dos profetas Isaías, o mais antigo, e a reforça com o eco destas palavras em Malaquias, que quase trezentos anos depois faz referência à mesma promessa. Pensar que Marcos não se utilizou desta prática e que as palavras de Malaquias foram inseridas posteriormente por copistas é uma pressuposição altamente questionável. A opção pela tradução “no profeta Isaías(NIV), em vez de “nos profetas(FIEL) demonstra o equivoco da primeira e a coerência da segunda tradução.  

quarta-feira, 23 de junho de 2021

Os Dez Mandamentos & As Bens Aventuranças



            Houve um tempo, creio que poucos evangélicos atuais se lembram, de que a vida cristã refletia um compromisso moral-ético estritamente bíblico. Um tempo em que havia somente dois Caminhos – o ético e moralmente certo e o ético e moralmente errado. Mas então chegou o chamado pós-modernismo, que até hoje não se encontra dois filósofos que o definam igualmente, e as novas gerações – mas também uma grande parcela da antiga – desesperados para saírem do armário ético-moral em que estavam escondidos – abraçaram com avidez a “adaptação” evangélica desta nova modalidade de moralidade “evangélica” em que o “sim, sim e o não, não” e o que passa disso “é do diabo”, foi completamente exonerado e entrou o “não é bem assim” que tem prevalecido em setores cada vez amplo do evangelicalismo brasileiro e mundial.

            Os Dez Mandamentos e as Bem Aventuranças, que estão inseridas na Bíblia Cristã desde suas origens e que serviram de bússola ético-moral para a uma vida cristã genuína por dois mil anos ainda continuam ocupando seus espaços nas páginas da Bíblia (não sei por quanto mais tempo), mas não mais como única diretriz para o vivencial evangélico.

Enquanto nos primórdios da Igreja Cristã os “catecúmenos ou neófitos na fé cristã” tinham que antes de serem inseridos na comunidade memorizarem estes dois conjuntos de diretrizes e recitá-los em público, como testemunho de seu compromissos em vivencia-los em todas as esferas de suas vidas, esses dois parâmetros ético-moral foram sendo paulatinamente “esquecidos” pelas lideranças, pregadores e professores evangélicos, de maneira que as gerações mais recentes de “evangélicos” pouco ou quase nada sabem a respeito deles e por consequência não possuem nenhum compromisso de vivencia-los, como não tem compromisso algum de vivenciar o próprio Evangelho.

Todavia, ambos os conjuntos normativos continuam valendo, pois fazem parte de “toda Escritura” que são inspiradas por Deus e, portanto, continuam sendo úteis para deixar claro o que é verdadeiro, para confrontar o mal (maldade), para corrigir os que vivem nas práticas erradas e para ensinar a maneira certa de viver (2Tm. 3.16-17). E se há uma maneira certa para se viver, existe também uma forma errada de se viver. De maneira que tanto os Dez Mandamentos, quanto as Bem Aventuranças constituem a forma certa de se viver e os que os rejeitam ou alienam de suas práticas vivenciais estão optando pela forma errada de viver.

Abaixo temos em paralelo os dois conjuntos de normas que devem nortear a vivência cristã-evangélica. Isso nos possibilitara não uma comparação, mas uma visão mais ampla destes dois preciosos textos bíblicos. A partir desta leitura simples, sem uma análise mais detalhada de cada ponto deles, poderemos desenvolvermos uma prática bíblica saudável espiritual e correta em suas dimensões ético-moral. Isso não é pouca coisa, visto que vivemos em um mundo influenciado pelo maligno que instiga a natureza humana pecaminosa para proliferar toda sorte de pensamentos impuros; ansiedade pelo prazer carnal; idolatria, feitiçaria, (isto é, incentivo à atividade dos demônios); ódio e luta; ciúme e ira; esforço constante para viver em função de si próprio; queixas e críticas; o sentimento de que todo mundo está errado, menos aqueles que são do seu próprio grupinho; e falsa doutrina, inveja, assassinato, embriaguez, divisões ferozes e toda essa espécie de coisas (Gl 5.19-21).

 

Dez Mandamentos

(Êxodo 20.1-17; Deuteronômio 5.6-21)

Bem Aventuranças

(Mateus 5.1-12)

Eu Sou Javé, o SENHOR, teu Deus, que te fez sair da terra do Egito, da casa da escravidão!

Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus.

 

Não terás outros deuses além de mim.

Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados.

"Não farás para ti nenhum ídolo, nenhuma imagem esculpida, nada que se assemelhe ao que existe lá em cima, nos céus, ou embaixo na terra, ou mesmo nas águas que estão debaixo da terra. Não te prostrarás diante desses deuses e não os servirás, porquanto Eu, o SENHOR teu Deus, sou um Deus ciumento, que puno a iniquidade dos pais sobre os filhos até a terceira e quarta geração dos que me odeiam, mas que também ajo com amor até a milésima geração para aqueles que me amam e guardam os meus mandamentos.

Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra.

Não pronunciarás em vão o Nome de Javé, o SENHOR teu Deus, porque Javé não deixará impune qualquer pessoa que pronunciar em vão o Seu Nome.

Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça porque eles serão fartos.

 

Lembra-te do dia do sábado, para santificá-lo.

Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia.

Honra teu pai e tua mãe.

Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus.

Não matarás

Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.

Não adulterarás

Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus.

Não furtarás

Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguiram e, mentindo, disserem todo mal contra vós por minha causa.

Não darás falso testemunho contra o teu próximo

Alegrai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram aos profetas que foram antes de vós.

Não cobiçarás a casa do teu próximo, nem a mulher de teu próximo; nem seus servos, animais ou coisa alguma que lhe pertença.

 

Utilização livre desde que citando a fonte

Guedes, Ivan Pereira

Mestre em Ciências da Religião.

me.ivanguedes@gmail.com

Outro Blog

Historiologia Protestante

http://historiologiaprotestante.blogspot.com.br/

 

Referências Bibliográficas

Os Dez Mandamentos

ALTER, Robert e KERMODE, Alter (Orgs.). Guia Literário da Bíblia. Tradução Raul Fiker tradução; Revisão de tradução Gilson César Cardoso de Souza. São Paulo: Fundação Editora da UNESP, 1997. - (Prismas).

COELHO FILHO, Isaltino Gomes. A Atualidade dos Dez Mandamentos. São Paulo: Êxodus, 1997.

DeYOUNG, Kevin. Os Dez Mandamentos: significado, importância e motivos para obedecer. tradução de Abner Arrais e Ubevaldo G. Sampaio. São Paulo: Vida Nova, 2020.

SILVADO, Luiz Roberto Soares. A Ética Cristã nos Dez Mandamentos. Curitiba: A.D. Santos Editora, 2017.

SOARES, Esequias. Os Dez Mandamentos: valores divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Rio de Janeiro: CPAD.

WADE, Loron. Os Dez Mandamentos: Princípios divinos para melhorar seus relacionamentos. Tradução Eunice Scheffel do Prado. 2ª ed. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2010.

As Bem-Aventuranças

CARSON, D. A. Carson. O Sermão do Monte: Exposição de Mateus 5—7. São Paulo: Vida Nova, 2020.

CARVALHO, César Moisés. O Sermão do Monte: A Justiça Sob a Ótica de Jesus. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

FERGUSON, Sinclair B. Sermão do Monte. Tradução Elmer Pires. São Paulo: Editora Trinitas, 2019.

LLOYD-JONES, D. Martin. Estudos no Sermão do Monte. Tradução de João Bentes. São José dos Campos: em português 1984. Ed. Fiel. (Reimpressões 1989 a 2012).

MAYFIELD, James L. The Sermon on the Mount: A Personal Encounter with the Wisdom of Jesus. Eugene, OR: Wipf & Stock Publishers, 2011. [O Sermão da Montanha: Um Encontro Pessoal com a Sabedoria de Jesus].

OLIVEIRA, Nelci Silvério de. O sermão da montanha. Goiânia: AB, 2001.

STASSEN, Glen Harold. A Thicker Jesus: Incarnational Discipleship in a Secular Age. Westminster John Knox Press, 2012 [Um Jesus Mais Grosso: Discipulado Encarnacional em uma Era Secular].

STOTT, John R. A mensagem do Sermão do Monte. Tradução: Yolanda M. Krievin. São Paulo: ABU Editora, 1989, 2ª ed. Série: A Bíblia Fala Hoje. [Título anterior: Contracultura Cristã]. 

Artigos Relacionados

Síntese Bíblica – Êxodo

https://reflexaoipg.blogspot.com/2016/02/sintese-biblica-exodo.html?spref=tw

Leitura & Reflexão Bíblica: Êxodo Capítulo 1

https://reflexaoipg.blogspot.com/2018/11/leitura-reflexao-biblica-exodo-capitulo.html?spref=tw

Os Paradoxos da Felicidade nas Bem Aventuranças

https://reflexaoipg.blogspot.com/2017/08/os-paradoxos-da-felicidade-nas-bem.html?spref=tw

O Evangelho Vivencial

https://reflexaoipg.blogspot.com/2020/01/o-evangelho-vivencial-mateus.html?spref=tw

APOCALIPSE – Bem Aventurados os Mortos que Morrem no Senhor

https://reflexaoipg.blogspot.com/2018/09/apocalipse-bem-aventurados-os-mortos.html?spref=tw

 

 


sexta-feira, 18 de junho de 2021

Filemom: Características Peculiares da Epístola

 


1. Foi escrito pelo apóstolo Paulo. Timóteo é nomeado coemitente.

2. Foi escrito em Roma durante a primeira prisão de Paulo, por volta de 62 d.C.

3. É uma carta de tom estritamente particular, ainda que Paulo estenda sua saudação à pequena comunidade que funcionava na casa de Filemom. As epístolas a Timóteo e Tito, embora dirigidas a uma pessoa, tratavam de assuntos envolvendo toda a igreja.

4. A carta é principalmente uma solicitação a um cristão chamado Filemom para receber de volta um escravo fugitivo chamado Onésimo. O escravo havia fugido de seu dono, e chegando em Roma, acaba encontrando o apóstolo Paulo que o evangeliza e o leva a professar a fé Cristo. Então Paulo o mandou de volta a Filemom com esta carta.

5. A carta é uma joia de beleza literária. Este fato é quase universalmente admitido. A epístola às vezes foi comparada a uma carta de Plínio, o jovem (um governador romano por volta de 90 d.C.), que escreveu a um amigo instando-o a não condenar de volta à escravidão um ex-escravo que o havia ofendido. A carta de Plínio também é cheia de graça e beleza, mas não tem os fundamentos espirituais nem a fervorosa seriedade da carta a Filemom.

6. O próprio Onésimo é um dos portadores da carta a Filemom. Ele viajou com Tíquico, que entregou as cartas aos Efésios e aos Colossenses. Observe que os mesmos homens entregaram Colossenses e Filemom (Cl 1.1; Fm 1); que Paulo se autodenomina prisioneiro em ambas as epístolas (Cl 4.10; Fm 1); que as mesmas pessoas enviam saudações em ambas as epístolas (Cl 4.12-14; Fm 23-24) e que em Colossenses 4.7-9 Onésimo é chamado de "um de vocês '' e que Tíquico deve dar-lhes notícias pessoais.

7. Embora Filemom seja uma carta particular, ela foi considerada uma escritura inspirada pela igreja desde o início. Até Marcião, um dissidente herético do final do século II, que rejeita muitos documentos neotestamentário, incluiu esta pequena carta em sua lista resumida de epístolas paulinas autênticas. Orígenes, um dos líderes cristãos no início do século III cita os versos 9 e 14 como Escritura.

8. Muitos líderes cristãos do quarto século desaprovaram a epístola e pensaram que tratava de um assunto muito insignificante para ser parte das Escrituras. Eles estavam interessados ​​apenas em controvérsias de credibilidade e autoridade eclesiástica. Todavia, muito antes deles Tertuliano e Eusébio (em sua História Eclesiástica), de igual forma, a colocam entre as cartas evidentemente paulinas: verdadeira, genuína e reconhecida e além desses, também Jerônimo Crisóstomo e Teodoro de Mopsuéstia (ou Teodoro de Antioquia) defenderam esse precioso documento habilmente.

9. É difícil para nós acharmos que o assunto em discussão em Filemom é de pouco valor. Paulo está tratando da vida de um convertido (Onésimo), portanto, irmão em Cristo. Onésimo é, portanto, um representativo de todos os cristãos que se encontravam e ainda hoje se encontram em situações semelhantes. Nos dias do apóstolo Paulo, talvez a metade da população de Roma — centenas de milhares de pessoas — era composta de escravos. Muitos historiadores afirmam que o Império Romano precisava de meio milhão de escravos todo ano para construir monumentos, trabalhar nas minas, lavrar os campos e suprir servos para as enormes vilas dos abastados. Essa pequena carta de Paulo é um oásis pois mostra que os princípios do Evangelho trazem o bem para nós em todas as situações da vida, pequenas e grandes.

10. A carta apresenta o conceito de DEVER de forma muito vívida. Onésimo deviria cumprir seu dever, apesar de sua mudança de condição espiritual em Cristo. O apóstolo faz um jogo de palavras com o nome “Onésimo” que significa “útil” no verso 11 quando escreve: “antes [Onésimo] não foi útil para você, mas agora é útil para você e para mim”.

 

Utilização livre desde que citando a fonte
Guedes, Ivan Pereira
Mestre em Ciências da Religião.
me.ivanguedes@gmail.com
Outro Blog
Historiologia Protestante
http://historiologiaprotestante.blogspot.com.br/

 

Artigos Relacionados

Filemom: Introdução Geral

https://reflexaoipg.blogspot.com/2020/03/filemom-introducao-geral.html?spref=tw

As Epístolas Paulinas: Introdução Geral

https://reflexaoipg.blogspot.com/2018/02/nt-as-epistolas-paulinas-introducao.html?spref=tw

Cartas ou Epístolas?

http://reflexaoipg.blogspot.com.br/2016/07/cartas-ou-epistolas.html

Paulo: Informações Biográficas

http://reflexaoipg.blogspot.com.br/2016/07/paulo-informacoes-biograficas.html

Epístolas Paulinas: Data e Autoria Conservadoras e Liberais

http://reflexaoipg.blogspot.com/2016/07/epistolas-paulinas-data-e-autoria.html?spref=tw

Referências Bibliográficas

BARCLAY, William. El Nuevo Testamento comentado. Buenos Aires (Argentina), Asociación Editorial la Aurora, 1974.

BROWN, Raymond. Introdução ao Novo Testamento. São Paulo: Paulinas, 2004 (Coleção Bíblia e história Série Maior).

BERKHOF, Louis. New Testament Introduction. Eerdmans, 1915, Scanned and Edited Mike Randall.

BRUCE, F. F. Merece Confiança o Novo Testamento? São Paulo: Junta Editorial Cristã, 1965.

GARDNER, Paul (Editor). Quem é quem na Bíblia Sagrada. Tradução Josué Ribeiro. São Paulo: Vida, 1999.

HALE, Broadus David. Introdução ao estudo do Novo Testamento. Trad. Cláudio Vital de Souza. Rio de Janeiro: JUERP, 1983.

HAWTHORNE, G. F., MARTIN, R. P., & REID, D. G. Dictionary of Paul and his letters. Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 1993. [p. 706].

HENDRIKSEN, William. Comentário do Novo Testamento - 1 e 2 Tessalonicenses, Colossenses e Filemom. São Paulo: Tradutores Ezia C. Mullins, Hope Gordon Silva, Valter G. Martins. São Paulo: Cultura Cristã, 2007.

KUMMEL, Werner Georg. Introdução ao Novo Testamento. São Paulo: Paulus, 1982.

TENNEY, Merrill C. (Org.). Enciclopédia da Bíblia, v. 2. Tradução da Equipe de colaboradores da Cultura Cristã. São Paulo: Cultura Cristã, 2008.