quinta-feira, 2 de novembro de 2023

Eclesiastes: Leitura Devocional (1.1-2)

 

1Palavras do pregador, filho de Davi, rei em Jerusalém.

דִּבְרֵי֙ קֹהֶ֣לֶת בֶּן־דָּוִ֔ד מֶ֖לֶךְ בִּירוּשָׁלִָֽם׃

2Vaidade de vaidades, diz o pregador vaidade de vaidades, tudo é vaidade.

הֲבֵ֤ל הֲבָלִים֙ אָמַ֣ר קֹהֶ֔לֶת הֲבֵ֥ל הֲבָלִ֖ים הַכֹּ֥ל הָֽבֶל׃

O Livro e seu Escritor

Estamos iniciando uma caminhada devocional. Vamos orar para que o Espírito Santo nos conduza à maturidade espiritual e nos abençoe com toda sorte de bênçãos espirituais em Cristo Jesus. Amém!

Numa época como a atual, o estudo deste livro parece ser particularmente apropriado. Nunca, talvez, em qualquer período anterior, este mundo tenha oferecido tantas seduções para fascinar as mentes das pessoas e afastar seus corações de Deus. As conquistas da ciência e as maravilhas da arte combinaram-se para revestir as coisas materiais e terrenas de encantos desconhecidos em tempos mais simples e rudes.

A modernidade dourou tanto o exterior das coisas que lhes conferiu um valor além da realidade nesta sociedade hedonista e materialista. O que importa é o aqui e agora, não sobrando espaço, na mente e no coração das pessoas, para qualquer reflexão sobre a eternidade.

O livro de Eclesiastes foi inserido pelo Espírito Santo no conjunto precioso das literaturas inspiradas — a Bíblia — justamente para servir de alerta aos seus leitores em todas as épocas. A inversão de valores, que troca o espiritual e eterno pelo material e finito, é correr atrás do vento.

Esta tem sido a maior e mais terrível ilusão dos séculos chamados modernidade e pós-modernidade. Na verdade, porém, essa tem sido a ilusão do ser humano desde a queda e seu afastamento de Deus no Jardim do Éden. O livro de Eclesiastes apenas atesta essa triste e mortífera realidade, estampada em múltiplas formas midiáticas.

Depois de quarenta dias de jejum e oração, preparando-se para iniciar seu ministério, Jesus foi tentado por Satanás. Na terceira e última tentação, o tentador levou Jesus para a mais alta das montanhas e ali lhe mostrou os mais poderosos reinos e seu esplendor, com suas riquezas e encantos. Então lhe disse: tudo isso lhe darei se você simplesmente se prostrar e me adorar.

Jesus lhe respondeu, como havia feito nas duas tentações anteriores, utilizando a Palavra de Deus: “Vai-te, Satanás, porque está escrito: ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás” (Mt 4.10).

Esta foi e continua sendo a tática de Satanás para atrair, iludir e destruir a vida de bilhões de pessoas em todos os séculos. A única forma de não cairmos nesse engodo mortífero é nos agarrarmos à Palavra de Deus, como Jesus Cristo nos ensina: está escrito!

Por isso o inferno trabalha vinte e quatro horas por dia e trezentos e sessenta e cinco dias por ano para desacreditar a Bíblia. Satanás sabe que somente na Palavra de Deus, e por meio dela, o ser humano pode resistir às suas tentações ilusionistas. Na mesma proporção em que o crente se afasta da Palavra de Deus, torna-se presa fácil das artimanhas de Satanás.

O livro de Eclesiastes é um perfeito alerta para todos aqueles que têm se afastado da Palavra de Deus e, por conseguinte, do próprio Deus da Palavra. Salomão havia vivido o suficiente para saber que a vida sem Deus, por mais rica e esplendorosa que possa ser, é um vazio, um vapor, uma completa e mortal ilusão.

O filho de Davi, rei de Jerusalém, é o Pregador — קהלת, Koheleth [1] —, cujas palavras somos convocados a ouvir. O termo hebraico pode indicar tanto aquele que reúne o povo quanto aquele que se dirige à assembleia reunida (GUEDES, 2022). Ele inicia seu texto colocando o dedo na ferida daqueles que escolhem viver alienados de Deus: “Vaidade das vaidades; vaidade das vaidades; tudo é vaidade” [2].

Esta frase funciona como uma moldura literária que abre o livro em Ec 1.2 e o fecha em Ec 12.8. O termo hebraico hebel, frequentemente traduzido por “vaidade”, também comunica as ideias de absurdo, frustração, futilidade, ausência de sentido, vazio, vapor e transitoriedade (GUEDES, 2022).

Eclesiastes advertirá, no transcorrer de todo o livro, sobre o absurdo de uma vida sem Deus no centro. O Pregador demonstra, na prática, que absolutamente nada neste mundo pode preencher o vazio da alma humana — nem riquezas, nem prazeres, nem realizações, nem qualquer outro bem criado.

Mas quero concluir com duas palavras preciosas.

Jesus Cristo declara: “Eu vim para que tenham vida, e para que a tenham em abundância” (Jo 10.10).

Paulo escreve: “Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e inabaláveis, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor” (1Co 15.58).

Oremos!

Senhor, queremos declarar que te amamos!

Que a nossa vida somente encontra real significado e sentido em ti.

Que o Espírito Santo permeie a nossa mente e o nosso coração com a tua Palavra, de tal maneira que os nossos olhos e ouvidos não sejam atraídos pelas propostas ilusórias de Satanás, como ocorreu com nossos primeiros pais.

Em nome de Jesus é que oramos. Amém!

Notas de rodapé

[1] A palavra hebraica קהלת, aqui usada, pode significar a pessoa que reúne o povo, ou a pessoa que se dirige a ele quando reunido.

[2] “Vaidade” aparece 22 vezes em 16 versos: Ec 1.2, 14; 2.11, 15, 19, 21, 23, 26; 3.19; 4.4, 7-8, 16; 5.10; 6.2; 12.8.

 

Utilização livre desde que citando a fonte

Guedes, Ivan Pereira

Mestre em Ciências da Religião.

me.ivanguedes@gmail.com

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Referências bibliográficas

GUEDES, Ivan Pereira. Eclesiastes - Introdução ao Livro. Reflexão Bíblica, 3 dez. 2022. Disponível em: https://reflexaoipg.blogspot.com/2022/12/eclesiastes-introducao-ao-livro.html. Acesso em: 30 abr. 2026.

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