|
JESUS
DIANTE DO SINÉDRIO |
||
|
Evento |
Mateus
26:59–66 |
Marcos
14:55–64 |
|
Líderes
buscam testemunhas |
v.59 — os
principais sacerdotes e o Sinédrio procuram falsas testemunhas para
condená-lo à morte |
v.55 — os
principais sacerdotes e o conselho procuram testemunhas para condená-lo à
morte |
|
Inconsistência
das testemunhas |
v.60 — muitas
testemunhas falsas, mas nenhuma é consistente |
v.56 — muitos
dão falso testemunho, mas não são concordantes |
|
Acusação
sobre o templo |
v.61 — “Posso
destruir o templo… e reconstruí-lo em três dias” |
v.57–58 —
“Destruirei este templo… e em três dias edificarei outro, não feito por mãos” |
|
Pergunta do
sumo sacerdote |
v.62 — “Nada
respondes?” |
v.60–61 — o
sumo sacerdote pergunta acerca das acusações |
|
Declaração
messiânica direta |
v.63 — sob
juramento, Jesus diz: “Tu o disseste” e cita Daniel 7 / Salmo 110 |
v.62 — “És tu o
Cristo, o Filho do Bendito?” — Jesus responde: “Eu sou”
+ Daniel 7 / Salmo 110 |
|
Reação |
v.65 — o sumo
sacerdote rasga as vestes e declara blasfêmia |
v.63 — o sumo
sacerdote rasga as vestes e declara blasfêmia |
|
Veredicto |
v.66 — todos
concordam que Ele merece a morte |
v.64 — todos o
condenam como digno de morte |
O Sinédrio
- Composição: 71 membros — sumo sacerdote, anciãos e
escribas.
- Jurisdição: Lei religiosa e civil, embora casos de
pena de morte exigissem aprovação romana.
- Local:
Provavelmente ocorreu no palácio do sumo sacerdote, e não na
oficial “Sala das Pedras Lavradas” no templo (pois
foi durante a noite).
Irregularidades Legais
De acordo com a tradição jurídica judaica (Mishná, Tratado Sinédrio
4), julgamentos capitais:
- Não podiam ocorrer à noite.
- Não podiam ser decididos no
mesmo dia (um dia de espera era
permitido para possibilitar misericórdia).
- Exigiam testemunho consistente
de duas ou mais testemunhas
(Deuteronômio 19:15).
Portanto, este julgamento violou todas essas regras, revelando sua motivação
política em vez de justiça.
A Declaração sobre o Templo
- Trata-se de uma citação distorcida das
palavras anteriores de Jesus em João 2:19: “Destruí este templo, e em
três dias o levantarei.”
- Jesus estava se referindo ao seu próprio
corpo, mas as autoridades interpretaram suas palavras de forma literal,
transformando-as em acusação.
- Essa acusação funcionou como uma tentativa
de enquadrar Jesus como alguém que ameaçava o templo, algo extremamente
grave no contexto religioso e político de Jerusalém.
O Silêncio de Jesus
Durante grande parte do interrogatório, Jesus permaneceu em
silêncio diante das acusações.
Esse silêncio cumpre a profecia do Servo Sofredor em Isaías 53:7: “Foi
oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao
matadouro”.
Os evangelistas apresentam o comportamento de Jesus diante do
tribunal como cumprimento consciente dessa profecia. Ele não reage às acusações
falsas nem tenta defender-se judicialmente, mostrando que sua missão não seria
evitada por meio de argumentação ou resistência.
A Declaração Messiânica
Quando o sumo sacerdote pergunta diretamente: “És tu o Cristo, o
Filho do Bendito?”
Jesus responde afirmativamente e faz referência a duas passagens do
Antigo Testamento:
- Daniel 7:13–14 — o Filho do Homem que vem nas nuvens e
recebe domínio eterno.
- Salmo 110:1 — aquele que se assenta à direita de Deus.
Com essa resposta, Jesus revela sua identidade messiânica e divina.
A Acusação de Blasfêmia
Ao ouvir a declaração de Jesus, o sumo sacerdote rasga suas vestes
e declara:
“Blasfemou!”
Rasgar as vestes era uma expressão pública de dor intensa,
indignação ou horror religioso. A ação indicava que algo extremamente grave
havia ocorrido — seja uma tragédia, uma blasfêmia ou uma afronta à santidade de
Deus. Para o Sinédrio, a afirmação de Jesus significava reivindicar igualdade
com Deus, o que eles interpretaram como blasfêmia.
O Veredicto
O conselho então declara: “É réu de morte”.
Esse comentário ressalta um ponto crucial do contexto histórico e
jurídico da época: o Sinédrio (o conselho judaico) tinha autoridade religiosa,
mas não podia aplicar a pena de morte durante a ocupação romana. Portanto,
mesmo considerando Jesus culpado de blasfêmia, eles precisavam recorrer a
Pôncio Pilatos, o qual detinha a autoridade legal para confirmar ou rejeitar a
sentença de morte.
implicações Teológicas
Esse episódio mostra verdades profundas e paradoxais que nos
desafiam a fé e a compreensão espiritual:
·
Rejeição
do Messias: Mesmo sendo o cumprimento das
promessas divinas, Jesus é rejeitado pelos líderes religiosos que deveriam
reconhecê-lo. Isso evidencia que a percepção humana decaída é limitada e
obscurecida pelo orgulho e pelo preconceito.
·
Justiça
humana versus divina: O julgamento diante do Sinédrio
mostra a fragilidade e a injustiça do sistema humano. Em contraste, a justiça
de Deus é perfeita, sábia e soberana, e mesmo situações aparentemente injustas
entram no Seu plano redentor.
·
O
paradoxo: Enquanto os homens julgam Jesus, Ele, que é o Juiz
de toda a terra, permanece paciente e sereno. Isso nos lembra que a
autoridade suprema está nas mãos de Deus e que nada escapa ao Seu controle.
Este episódio nos desafia a confiar na soberania de Deus mesmo
quando enfrentamos rejeição, injustiça ou incompreensão — Ele está à frente de
todas as situações e cumpre Seus propósitos perfeitos.
O tribunal do Sinédrio torna-se assim uma ironia
dramática da história da redenção:
os homens julgam aquele que um dia julgará todas
as nações.
Utilização livre desde que citando a fonte
Guedes, Ivan Pereira
Mestre em Ciências da Religião.
me.ivanguedes@gmail.com
Outro Blog
Historiologia Protestante
http://historiologiaprotestante.blogspot.com.br//
Apoie a continuidade deste blog
Artigos Relacionados
Pôncio Pilatos: Herói ou Vilão?
http://reflexaoipg.blogspot.com.br/2016/02/poncio-pilatos.html
Julgamento de Jesus
http://reflexaoipg.blogspot.com.br/2016/02/pascoa-julgamento-de-jesus.html
A Crucificação e Morte no Evangelho Segundo João
http://reflexaoipg.blogspot.com/2017/02/a-crucificacao-e-morte-no-evangelho.html?spref=tw
Galeria da Páscoa: A Negação de Pedro
http://reflexaoipg.blogspot.com/2017/03/galeria-da-pascoa-negacao-de-pedro.html?spref=tw
A Oração que faz Diferença (Getsêmani)
http://reflexaoipg.blogspot.com/2016/03/a-oracao-que-faz-diferenca-pascoa.html?spref=tw
A Última Viagem de Jesus para Jerusalém
http://reflexaoipg.blogspot.com.br/2016/03/pascoa-ultimaviagem-lucas-9.html
Betânia: Lugar de Refrigério e Vida
http://reflexaoipg.blogspot.com.br/2016/02/betania-um-lugar-de-refrigerio-e-vida.html
Contexto Social e Político da Palestina
http://reflexaoipg.blogspot.com.br/2016/02/contexto-social-e-politico-da-palestina.html
Nenhum comentário:
Postar um comentário