terça-feira, 13 de janeiro de 2026

LEWIS – Cartas do Inferno (leitura reflexiva – carta 1)

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Preâmbulo

Cartas do Inferno, escrito por C. S. Lewis em 1942, é uma obra satírica e profundamente reflexiva sobre a vida espiritual e moral. O livro apresenta uma série de cartas escritas por Screwtape, um demônio experiente, para seu sobrinho Wormwood, um aprendiz. Nessas cartas, Screwtape ensina como manipular e desviar os humanos do caminho da fé cristã, revelando, de forma irônica, os perigos e armadilhas que cercam a vida cotidiana.

A genialidade da obra está em inverter a perspectiva: ao acompanhar os conselhos de um demônio, o leitor descobre, quais são as armadilhas e falácias do diabo e quais são as virtudes e práticas que deve utilizar para neutraliza-las e fortalecer sua vida espiritual.

A Primeira Carta[1]

Nas primeiras cinco cartas, dois termos relevantes são distrações e superficialidade. O objetivo de Screwtape[2] é ensinar seu pupilo Wormwood[3] a evitar argumentos racionais e a usar jargões, distrações cotidianas e amizades mundanas para afastar o paciente da fé (novo convertido ou neófito na fé cristã). Todo o esforço inicial deve ser em manter a pessoa ocupada com a chamada “vida real” e longe de reflexões profundas.

Nesta primeira carta, Screwtape oferece a Wormwood o método para manter sua influência sobre o paciente humano (recém-convertido). Ele alerta que levantar argumentos racionais não constitui a melhor arma, uma vez que tais argumentos podem aguçar o pensamento crítico e levar a pessoa a refletir sobre verdades universais. O melhor método é usar jargões, distrações e a pressão da vida cotidiana para manter a mente do paciente ocupada e, assim, mantê-lo a uma distância segura da fé.

Dessa forma, podemos perceber que a tática do demônio é preencher a mente das pessoas com o “fluxo da vida real” — jornais, rotinas, barulho das ruas — ou qualquer outra coisa que as afaste de qualquer reflexão profunda.

Assim, a carta estabelece o tom da obra: uma crítica à superficialidade moderna e ao perigo de se perder em distrações, sem buscar um sentido maior.

 

Meu caro Screwtape,

Tomo nota do que você diz sobre orientar a leitura de seu paciente e cuidar para que ele veja bastante seu amigo materialista. Mas não está sendo um pouco ingênuo? Parece que você supõe que o argumento seria o meio de mantê-lo fora das garras do Inimigo. Isso poderia ter sido verdade se ele tivesse vivido alguns séculos atrás. Naquele tempo, os humanos ainda sabiam razoavelmente bem quando algo estava provado e quando não estava; e, se estava provado, eles realmente acreditavam. Ainda ligavam o pensar ao agir e estavam dispostos a alterar seu modo de vida como resultado de uma cadeia de raciocínio. Mas, com a imprensa semanal e outras armas semelhantes,[4] nós mudamos bastante isso.

Seu homem está acostumado, desde menino, a ter uma dúzia de filosofias incompatíveis dançando juntas dentro de sua cabeça. Ele não pensa nas doutrinas como “verdadeiras” ou “falsas”, mas como “acadêmicas” ou “práticas”, “ultrapassadas” ou “contemporâneas”, “convencionais” ou “implacáveis”. O jargão, não o argumento, é seu melhor aliado para mantê-lo longe da Igreja. Não perca tempo tentando fazê-lo pensar que o materialismo é verdadeiro! Faça-o pensar que é forte, austero, corajoso — que é a filosofia do futuro. É esse tipo de coisa que lhe importa.

O problema do argumento é que ele desloca toda a luta para o terreno do Inimigo. Ele também pode argumentar; ao passo que, na propaganda prática do tipo que estou sugerindo, ele tem se mostrado, há séculos, muito inferior ao nosso Pai lá embaixo. Pelo próprio ato de argumentar, você desperta a razão do paciente; e, uma vez desperta, quem pode prever o resultado? Mesmo que um raciocínio específico possa ser torcido para terminar a nosso favor, você descobrirá que fortaleceu nele o hábito fatal de prestar atenção às questões universais e de retirar sua atenção do fluxo das experiências sensoriais imediatas. Seu trabalho é fixar a atenção dele nesse fluxo. Ensine-o a chamá-lo de “vida real” e não deixe que pergunte o que ele quer dizer com “real”.

Lembre-se, ele não é, como você, um espírito puro. Nunca tendo sido humano (oh, essa abominável vantagem do Inimigo!), você não percebe o quanto eles são escravizados pela pressão do ordinário. Uma vez tive um paciente, um ateu convicto, que costumava ler no Museu Britânico. Um dia, enquanto lia, vi um raciocínio em sua mente começando a seguir o caminho errado. O Inimigo, é claro, estava ao seu lado num instante. Antes que eu percebesse, vi meu trabalho de vinte anos começar a vacilar. Se eu tivesse perdido a cabeça e tentado uma defesa por meio de argumentos, teria sido derrotado. Mas não fui tão tolo. Ataquei imediatamente a parte do homem que estava mais sob meu controle e sugeri que já era hora de almoçar.

O Inimigo presumivelmente fez a contra-sugestão (você sabe como nunca conseguimos ouvir claramente o que Ele lhes diz?) de que aquilo era mais importante do que o almoço. Pelo menos penso que essa deve ter sido sua linha, pois quando eu disse: “De fato. Importante demais para enfrentar no fim de uma manhã”, o paciente se animou bastante; e quando acrescentei: “Muito melhor voltar depois do almoço e tratar disso com a mente fresca”, ele já estava a meio caminho da porta. Uma vez na rua, a batalha estava vencida. Mostrei-lhe um jornaleiro gritando o jornal do meio-dia e um ônibus nº 73 passando, e antes que chegasse ao fim dos degraus eu já lhe havia incutido a convicção inalterável de que, quaisquer ideias estranhas que pudessem surgir na cabeça de um homem quando estava sozinho com seus livros, uma boa dose de “vida real” (por “vida real” ele entendia o ônibus e o jornaleiro) bastava para mostrar que “esse tipo de coisa” simplesmente não podia ser verdade. Ele sabia que havia escapado por pouco e, anos depois, gostava de falar sobre “aquele senso inarticulado de realidade que é nossa salvaguarda final contra os desvios da mera lógica”. Ele agora está seguro na casa de nosso Pai.

Começa a perceber o ponto? Graças a processos que pusemos em ação neles séculos atrás, eles acham quase impossível acreditar no que é estranho enquanto o familiar está diante de seus olhos. Continue insistindo na ordinariedade das coisas. Acima de tudo, não tente usar a ciência (quero dizer, as ciências reais) como defesa contra o Cristianismo. Elas o encorajarão positivamente a pensar em realidades que não pode tocar nem ver. Houve casos tristes entre os físicos modernos. Se ele tiver de se meter em ciência, mantenha-o na economia e na sociologia; não o deixe escapar dessa inestimável “vida real”. Mas o melhor de tudo é não deixá-lo ler ciência alguma, e sim dar-lhe uma grande ideia geral de que já sabe tudo e que tudo o que por acaso tenha ouvido em conversas casuais e leituras é “resultado da investigação moderna”. Lembre-se de que você está aí para confundi-lo. Pelo modo como alguns de vocês, jovens demônios, falam, qualquer um pensaria que nosso trabalho fosse ensinar!

Seu afetuoso tio,

Screwtape

 

Utilização livre desde que citando a fonte
Guedes, Ivan Pereira
Mestre em Ciências da Religião.
me.ivanguedes@gmail.com
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Questões Para Reflexão

1.  As muitas distrações têm ocupado todo o seu dia e a sua mente, deixando você sem tempo para uma reflexão mais profunda sobre a comunhão com Cristo e a Palavra de Deus?

2.   Sua fé se tornou automática e sem reflexão, de maneira que você aceita o que parece prático ou moderno?

3.  Naqueles momentos em que sente sua razão despertar, você para e pensa ou apenas deixa para depois? 

4. Já percebeu como aquilo que você conhece bem parece sempre mais “real” do que aquilo que é modismo passageiro? Como isso influencia suas escolhas e no que você crê?

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Referências Bibliográficas

DURIEZ, Colin. Manual Prático de Nárnia (A Field Guide to Narnia). Tradução Celso Roberto Paschoa. Osasco, SP: Novo Século Editora, 2005.

LEWIS, C. S. Cartas de um diabo a seu aprendizSão Paulo: Martins Fontes, 2005.

_____________. The A of Z C. S. Lewis - an encyclopedia of his life, thought and writings. Oxford, England: Published by Lion Books, 2013.

_____________. J.R.R. Tolkien e C.S. Lewis: O dom da Amizade. Tradução Ronald Kyrmse. Rio de Janeiro: Harper Collins, 2018.

MCGRATH, Alister. A vida de C. S. Lewis - do ateísmo às terras de Nárnia. Tradução Almiro Pisetta. São Paulo-Lisboa: Mundo Cristão, 2013.

________________. Conversando com C. S. Lewis. 1 ed. São Paulo: Planeta, 2014.



[1] Tradução mecânica livre a partir do texto em inglês.

[2] Screwtape: nome inventado por Lewis que sugere algo “torcido” ou “deformado” (literalmente, “fita de parafuso”), evocando a astúcia e a perversão demoníaca.

[3] Wormwood: significa “absinto” em inglês, planta de sabor amargo que, na Bíblia (Apocalipse 8:11), simboliza juízo e destruição, refletindo a amargura espiritual que o aprendiz deve provocar em seu paciente.

[4] Para nós hoje sem dúvida alguma a televisão e atualmente a internet.

domingo, 4 de janeiro de 2026

Gênesis 1 – Verbos Principais e Relevância Textual – בָּדַל (badal)

 

Céu com estrelas e planetas

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Gênesis 1:6 — interlinear

וַיֹּאמֶר

אֱלֹהִים

יְהִי

רָקִיעַ

בְּתוֹךְ

הַמָּיִם

וִיהִי

מַבְדִּיל

בֵּין

מַיִם

לָמָיִם

e disse

Deus

haja

firmamento

no meio de

as águas

e seja

separando

entre

águas

e águas

Gênesis 1:7 — interlinear

וַיַּעַשׂ

אֱלֹהִים

אֶת־הָרָקִיעַ

וַיַּבְדֵּל

בֵּין

הַמַּיִם

e fez

Deus

o firmamento

e separou

entre

as águas

אֲשֶׁר

מִתַּחַת

לָרָקִיעַ

וּבֵין

הַמַּיִם

אֲשֶׁר

מֵעַל

לָרָקִיעַ

וַיְהִי־כֵן

que

debaixo de

o firmamento

e entre

as águas

que

acima de

o firmamento

Como vimos no artigo anterior (cf. artigos relacionados) os verbos no hebraico bíblico carregam não apenas ação, mas também nuances de tempo, aspecto e relação com Deus. Desta forma o hebraico bíblico trabalha com uma lógica mais ligada ao aspecto da ação (se ela está completa ou em andamento) do que à cronologia linear.

Neste segundo artigo veremos o verbo בָּדַל (badal) sua conexão com o verbo anterior בָּרָא (bara) e algumas de suas implicações teológicas.

Gênesis 1:6–13

(texto hebraico)

Gênesis 1:6–13 — Hebraico 

6. וַיֹּאמֶר אֱלֹהִים יְהִי רָקִיעַ בְּתוֹךְ הַמָּיִם וִיהִי מַבְדִּיל בֵּין מַיִם לָמָיִם׃

7. וַיַּעַשׂ אֱלֹהִים אֶת־הָרָקִיעַ וַיַּבְדֵּל בֵּין הַמַּיִם אֲשֶׁר מִתַּחַת לָרָקִיעַ וּבֵין הַמַּיִם אֲשֶׁר מֵעַל לָרָקִיעַ וַיְהִי־כֵן׃

8. וַיִּקְרָא אֱלֹהִים לָרָקִיעַ שָׁמָיִם וַיְהִי־עֶרֶב וַיְהִי־בֹקֶר יוֹם שֵׁנִי׃

9. וַיֹּאמֶר אֱלֹהִים יִקָּווּ הַמַּיִם מִתַּחַת הַשָּׁמַיִם אֶל־מָקוֹם אֶחָד וְתֵרָאֶה הַיַּבָּשָׁה וַיְהִי־כֵן׃

10. וַיִּקְרָא אֱלֹהִים לַיַּבָּשָׁה אֶרֶץ וּלְמִקְוֵה הַמַּיִם קָרָא יַמִּים וַיַּרְא אֱלֹהִים כִּי־טוֹב׃

11. וַיֹּאמֶר אֱלֹהִים תַּדְשֵׁא הָאָרֶץ דֶּשֶׁא עֵשֶׂב מַזְרִיעַ זֶרַע עֵץ פְּרִי עֹשֶׂה פְּרִי לְמִינוֹ אֲשֶׁר זַרְעוֹ־בוֹ עַל־הָאָרֶץ וַיְהִי־כֵן׃

12. וַתּוֹצֵא הָאָרֶץ דֶּשֶׁא עֵשֶׂב מַזְרִיעַ זֶרַע לְמִינֵהוּ וְעֵץ עֹשֶׂה־פְּרִי אֲשֶׁר זַרְעוֹ־בוֹ לְמִינֵהוּ וַיַּרְא אֱלֹהִים כִּי־טוֹב׃

13. וַיְהִי־עֶרֶב וַיְהִי־בֹקֶר יוֹם שְׁלִישִׁי׃

מַבְד  v.6) – “aquele que separa”, indicando ação em curso conforme a palavra divina.

וַיַּבְדֵּל  (v.7) – ação efetivada por Deus, cumprindo o decreto criacional.

Hebraico: בָּדַל

Transliteração: badal

Traduções: separou, distinguiu, dividiu

Comentário Textual

No primeiro capítulo de Gênesis, o verbo בָּרָא (bara’) aparece apenas no início (Gn 1.1), indicando o ato criador soberano de Deus que inaugura o universo. Exegeticamente, neste verso, ele ainda não traz a ideia de ação continuada.  Entretanto, a ausência de sua repetição ao longo do capítulo não dilui seu relevante significado, ao contrário, revela que a criação não é apenas um evento pontual, e sim um processo contínuo, desdobrado em atos de ordenação e separação. É nesse contexto que surge o verbo בָּדַל (badal), usado para descrever como Deus organiza o que foi criado, separando luz das trevas, águas de cima e de baixo, terra firme e mares.

Gerard Van Groningen, em sua expressiva obra, propõe que a criação deve ser entendida como um movimento dinâmico e não estático que vai da origem ao propósito final. Nesta perspectiva, o ato criador não se encerra em Gn 1.1, mas se prolonga ao longo das etapas subsequentes da narrativa bíblica, demostrando que Deus conduz o cosmos rumo à consumação. Assim, bara’ e badal não são verbos isolados, mas complementares: Deus cria e continua a ordenar. Enquanto o primeiro descreve o ato criador de Deus, o segundo descreve a ordenação progressiva dessa criação. De maneira que, a narrativa bíblica quer enfatizar estas duas verdades – Deus cria e continua interagindo com está criação a conduzindo ao propósito por Ele mesmo estabelecido.

Nesse ponto, é possível estabelecer uma relação analógica com o ato salvador realizado pelo Espírito Santo na vida dos pecadores. Assim como a criação não se limita ao ato inicial, mas avança rumo à sua consumação, a obra salvífica do Espírito não se restringe ao momento único da conversão; ela se desenvolve continuamente, conduzindo o crente até o estágio final da glorificação (Romanos 8.29–30).

A perspectiva de Calvino é particularmente oportuna. Para ele, as ações subsequentes de separar luz e trevas, águas e firmamento são expressões da sabedoria divina que dá forma ao mundo. Assim, a criação não consiste apenas em trazer algo à existência, mas também em dispor todas as coisas em ordem, de modo que o ser humano, que ainda será criado, encontre um cosmos apto a ser habitado e que, simultaneamente, reflita a glória do Criador.

Hansjörg Braumer, em seu comentário, destaca que este mesmo verbo (badal) é utilizado na elaboração fecundante da Legislação de Israel, fazendo distinção entre o que deve ser santo e o que permanece comum (Levítico 10.10). Então ele faz o link com a criação: o Deus que organiza o cosmos é o mesmo que organiza a comunidade, chamando-a a viver em santidade.

Por estas perspectivas podemos concluir que Gênesis 1 nos apresenta uma teologia da criação que harmoniza origem e ordenação, existência e santidade. Desta forma, Bara’ inaugura a realidade, e badal a estrutura; revelando que Deus não apenas nos dá vida, mas igualmente nos dá propósito.

Leitura Devocional

Em Gênesis 1 vemos que Deus não somente cria (bara’), mas continua interagindo ordenando e separando (badal), de maneira que transforma o caos em cosmos, preenchendo o vazio e trazendo luz onde havia apenas escuridão.  E quando adentramos ao Novo Testamento essa verdade ganha ainda mais profundidade. O mesmo Deus que criou o mundo é aquele que, em Cristo, está realizando uma Nova Criação.

O apostolo Paulo faz uma conexão preciosa quando declara: “Se alguém está em Cristo, é nova criatura [criação]; as coisas antigas já passaram; eis que tudo se fez (2 Coríntios 5:17). Aqui, o ato criador de Deus se prolonga na vida espiritual: Ele não apenas nos chama à existência (conversão, novo nascimento), mas nos separa para viver em santidade, trazendo paz onde havia caos, luz onde havia trevas e propósito onde havia vazio.

Para Reflexão

Pense em áreas do seu coração ou da sua rotina que ainda estão em “caos” ou “sem forma”. Tem orado pedindo que Deus traga ordem, luz e propósito, assim como fez na criação?

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Como você pode viver hoje de forma consciente dessa obra contínua de Deus, usufruindo da ação santificador do Espírito Santo?

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Utilização livre desde que citando a fonte
Guedes, Ivan Pereira
Mestre em Ciências da Religião.
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Referências Bibliográficas

BRAUMER, Hansjörg. Comentário Esperança Antigo Testamento – Gênesis. Volume 1. São Leopoldo: Editora Sinodal, 2014.

CALVINO, João. Comentário sobre o Livro de Gênesis. São Paulo: Editora Paracletos, 1999.

VAN GRONINGEN, Gerard. From Creation to Consummation. Chicago: Moody Press, 1996.