terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Cântico dos Cânticos e Suas Interpretações


            Poucos textos bíblicos revelam uma ambiguidade tão grande em sua interpretação quanto o texto romântico de Cantares. Um comentarista judeu medieval, Saadia, disse que o Cântico dos Cânticos é um livro para o qual a chave foi perdida (cf. TANNER, 1997, p. 23-46).
A grande maioria daqueles que dele se aproximam tem duas reações extremas e contratantes: espiritualizam cada vírgula e ponto de sua narrativa esvaziando-o de qualquer vestígio de sensualidade e sexualidade, ou pendularmente vão para o outro extremo, erotizando cada frase e cada cena entre os amantes que em muitos casos transforam a linda relação dos personagens vulgar e desfigurando totalmente sua mensagem bíblico-religiosa. O comentarista bíblico Elissen (1999) afirma: "poucos livros da Bíblia têm sido tão incompreendidos como Cantares [Cântico dos Cânticos]”.
            Esse pequeno livro bíblico tem sido interpretado das mais diversas formas e utilizado para fundamentar as mais discrepantes teses religiosas e sociais, como bem sintetiza Cavalcanti em sua interessante abordagem dessa literatura bíblica:
Desde seu reconhecimento como livro sagrado, o Cântico tem sido objeto das mais diversas e múltiplas tentativas de interpretação para justificar o parti pris dos exegetas quanto à sua natureza.
Entre os judeus, registram-se 134 comentários interpretativos ao Cântico dos Cânticos entre os séculos XI c XV c mais de quinhentos a partir do século XVI2. Na literatura cristã, mais particularmente católica, o comentário ao Cântico chegou a constituir-se num verdadeiro subgênero da exegese bíblica. Raro é o mosteiro medieval onde não sejam encontrados manuscritos com comentários sobre o livro. Pope resenha uma centena de comentários medievais e pelo menos quatrocentos comentários gerais ou sobre aspectos particulares do Cântico entre o século XVI e o ano de publicação de sua exaustiva obra, ao fim do terceiro quartel do século XX, numa bibliografia cm que só estão mencionados praticamente livros em alemão, francês, holandês, inglês, italiano e latim.
Tantas e tão disparatadas interpretações ao longo dos séculos contribuíram para tornar ainda mais obscuro o poema e do emaranhado delas é preciso ressaltar apenas aquelas mais consistentes e verossímeis, deixando de lado as que são evidentemente delirantes (2005, p. 47).
Para uma compreensão correta do significa e da mensagem do livro de Cantares é preciso levar em conta o fato de que ele se insere dentro de um conjunto de documentos bíblicos, ou seja, sua identidade esta diretamente vinculada à sua presença no Cânon hebraico.[1] Evidente que este fato por si mesmo não responde a priori a questão da origem do poema ou as influências que possa ter sofrido, mas também não pode ser simplesmente ignorado. O centro gravitacional do texto continua sendo a tradição judaico-cristã.
Essa longa e variada história interpretativa do Cântico dos Cânticos pode ser sintetizada em três grupos:[2]
a. Interpretações alegóricas: que resistem em destacar o amor erótico como o principal assunto do Cântico dos Cânticos, interpretando sua linguagem e figuras incisivas sempre à luz de princípios religiosos e de metáforas matrimoniais, reforçada por semelhanças com outros textos bíblicos.
b. Interpretações naturalistas: pendularmente tratam a narrativa como sendo livro que retrata delicada e sensivelmente o amor erótico, ainda que não rompam totalmente com a intertextualidade bíblica e estabeleçam pontes teológicas, socioculturais e antropológicas entre o Cântico dos Cânticos e a experiência do amor humano.
c. Interpretações míticas: que tentam estabelecer um paralelo entre os mitos eróticos do Antigo Oriente, especialmente os casamentos hierogâmicos[3] e a relação entre as divindades e a sexualidade humana .
Interpretações Alegóricas
            Desde quando aceito como parte integrante do cânon veterotestamentário a literatura de Cantares criou no mínimo um incomodo para os zeladores das literaturas religiosas judaicas.[4] Desta forma, para minimizar o desconforto de inserir um texto onde não há uma única menção do nome de Deus e nem faz quaisquer referência cultual, os intérpretes judeus utilizaram o método alegórico para fazer uma relação do amor entre Deus e a nação de Israel, e os intérpretes cristãos seguiram a mesma trilha mudando a relação para o amor entre Cristo e Sua noiva, a igreja. Mas tanto os judeus quanto os cristãos foram tecendo detalhes cada vez mais minuciosos que acabaram por exorbitarem o sentindo do texto em favor de uma interpretação fantasiosa. Como tão bem expressa Jacques Liébaert concluindo que o método alegórico transforma a Bíblia numa “floresta de símbolos” (2000, p. 101).
De acordo com o dicionário de teologia Vida a “alegoria é uma história em que os pormenores correspondem a um significado ‘oculto’, ‘mais elevado’ ou ‘mais profundo’, que o revelam”. Para o comentarista bíblico-teológico Walter Kaiser a interpretação alegórica:
“assume que existe uma comparação não expressa no texto bíblico que permite ao intérprete fazer uma relação ao sentido terreno, literal e o sentido celestial, mais profundo, para aumentar o tom espiritual, impacto e significado do que de outra forma seria material terreno, apagado e datado´´. Kaiser (2007, p. 208).
Uma das poucas vozes dissonantes na Idade Média foi Nicolau de Lira (1270-1349), que resgata do limbo a interpretação literal da Bíblia. Isso foi primordial para que outros expoentes importantes também retornassem a este estilo de interpretação e posteriormente influenciando fortemente Lutero e grande parte dos comentaristas bíblicos reformados. João Calvino (1509-1564), reconhecido por sua capacidade exegética, não se utilizou da interpretação alegórica das Escrituras, optando pelo método histórico e gramatical.
Interpretação Alegórica Judaica
            Os rabinos judeus aconselhavam seus jovens a não lê-lo até que eles tivessem 30 anos de idade, para que eles não inflamassem "as chamas da luxúria”.
Traços da interpretação alegórica do Cântico dos Cânticos são encontrados tão cedo quanto o Mishnah judaico[5] e seguida também no Targum.[6] Prosseguiu esta interpretação no período medieval através dos comentaristas judeus Saadia, Rashi e Ibn Ezra. O Targum interpreta o livro como expressão do amor misericordioso de Deus para com o Seu povo que se manifesta em diversos períodos da história hebraica do Êxodo até a vinda do Messias (CAVALCANTI, 2005, p. 49). Em sua dissertação de mestrado Silva coloca um modelo elaborado por Raphael Loewe, da divisão do Cântico dos Cânticos, em cinco partes, onde o Targum interpreta alegoricamente toda história de Israel:
A) Cant. I,2-III,6. Refere-se ao Êxodo, à revelação sinaítica, ao bezerro de ouro; os méritos dos patriarcas e a construção do tabernáculo. O tema repetido é a entrada triunfal de Israel a Canaã, como o clímax.
B) Cant. III,7-V,1. Refere-se ao templo de Salomão e sua dedicação. A devoção dos sacerdotes. Deus convida Israel a compartilhar o templo e compara sua castidade à da noiva.
C) Cant. V,2-VI,1. Refere-se ao pecado de Israel, à perda das duas tribos e meia. Israel narra confidentemente sua paixão por Deus. Os profetas o ajudam a redescobrir seu amor por meio do arrependimento.
D) Cant. VI,2-VII,11. Aqui Deus aceita sua oração, ele louva sua devoção ao culto e à inteligência rabínica.
E) Cant. VII,12-VII,14. Refere-se ao exílio causado pelo Império Babilônio. A noiva (Israel) pede a Deus que seja acessível a suas orações. Israel pede para que seja renovada a intimidade com Deus para sempre. Deus lhe assegura que os gentios não poderão dissolver seu amor e que a devoção de Israel à Torá no exílio será recompensada.
Partindo desse modelo o biblista brasileiro Tércio Machado Siqueira, conclui que a alegria da libertação do Egito e da restauração do povo é tanta que a tradição judaica viu por bem compará-la à alegria do noivo e da noiva, como faz o profeta Jeremias, expondo como equivalentes a voz de júbilo e a voz de alegria, a voz do noivo e a voz da noiva ( SIQUEIRA, 1995, p. 27).
De acordo Meir Matzliah Melamed ainda hoje os judeus interpretam o livro de Cantares como sendo “símbolo do amor de Deus pela Congregação de Israel, sendo o dia de sábado seu intermediário” e que “apesar das expressões de amor e nostalgia parecerem referir-se ao amor humano e à beleza física feminina, seu objetivo não é outro senão descrever alegoricamente as virtudes do povo de Israel e sua fidelidade ao Criador e a Seus preceitos, como também o amor de Deus a Seu povo predileto” (2001, p. 648 e 655).
Interpretação Alegórica Cristã[7]
Posteriormente os comentaristas cristãos seguiram a mesma linha interpretativa judaica, substituindo as figuras de modo a contemplar no texto poético a relação de Jesus como noivo e a Igreja como noiva. A escola alegórica dominou o cenário interpretativo do século III ao XVI, mas passou a ser alvo crescente de muitas críticas e desde o século XVIII foi perdendo espaço em decorrência de novas formas interpretativas.
Quando de fato este ponto de vista foi adotado pela primeira vez por cristãos não é conhecido. Temos evidência de que existe já era adotado Hipólito (cerca 200 d.C.), embora tenhamos apenas fragmentos de seu comentário. Orígenes tornou-se o grande campeão da interpretação alegórica do Cântico dos Cânticos.[8] Além de uma série de homilias, ele produziu um comentário em dez volumes sobre o livro.[9] Ele foi influenciado pela interpretação judaica e por seu contemporâneo mais velho Hipólito, mas é preciso realçar o fato de que ele também foi fortemente influenciado duas correntes de pensamento de sua época: o ascetismo e as tendências gnósticas que consideravam o mundo material como o mal. Fazendo uma junção dos conceitos platônicos e gnósticos em relação à sexualidade, Orígenes foi desnaturalizando (desumanizando) o Cântico e transformando-o em um drama espiritual livre de toda carnalidade (humanidade). Os leitores-ouvintes eram fortemente admoestados a mortificarem a carne e a não tomarem nem a linguagem e nem as figuras do texto sagrado como referência às funções sexuais, mas todo o ensino do livro tinha que ser aplicar tudo para a vida espiritual do cristão.
Para o professor de filosofia Paul P. Gilbert em sua “Introdução à teologia medieval” (1999, p. 39-41) na Idade Média os exegetas cristãos entendiam que o texto bíblico possuía, além do sentido literal, mais três sentidos: Alegórico ou dogmático – a procura pela verdade cristológica do texto; Moral ou ético - a procura pela ética comportamental do viver cristão; Anagógico [místico] ou escatológico – a procura pela relação mística com Deus ou do Reino de Deus. Esses quatro "sentidos" foram sintetizados por Agostinho da Dácia em seu fa­moso dístico de 1827: "a letra ensina os fatos nos quais crês alegoricamente, que realizas moralmente e na direção dos quais tendes anagogicamente".
A interpretação alegórica dos detalhes do texto de Cantares é extremamente abundante, mas os exemplos a seguir são suficientes se ter uma ideia de como o texto foi tratado. Aquele que é trazido para as câmaras do rei (1.4) são aqueles que Cristo trouxe para Sua igreja; os seios da amada em (4.5) são identificados como representativo das duas partes da bíblia cristã (o Velho e o Novo Testamento); e a “colina do incenso" em (4.6) é uma referência àqueles cristãos que crucificam seus desejos carnais e por isso são exaltados ou recebidos como cheiro suave ao Senhor.
As vozes dissidentes ao longo desses períodos foram raras e nulas.[10] Os maiores líderes cristãos adotaram esta abordagem hermenêutica. Não menos do que o grande teólogo Agostinho[11] assumiu esse mantra, chegando mesmo a defender de que a única finalidade para a relação sexual é a procriação e, indo onde ninguém foi, afirmava que antes da queda [pecado] de Adão não foi necessário a relação sexual" (GLICKMAN, 1976, p. 176).
Outro nome relevante, Jerônimo (331-420), que produziu a Vulgata Latina, enalteceu a forma de interpretar de Orígenes e abraçou a maioria de seus pontos de vista, resultando que ele foi o maior instrumental da introdução da interpretação alegórica nas igrejas ocidentais. O piedoso Bernardo de Clairvaux (1909-1153) pregou oitenta e seis sermões sobre o Cântico dos Cânticos, utilizando apenas os dois primeiros capítulos, tomado por uma obsessiva interpretação alegórica no esforço de purificá-la de qualquer sugestão de "luxúria carnal". 
Mais comentários foram escritos sobre Cantares na Idade Média do que sobre qualquer outro livro do Antigo Testamento: só a partir do século XII temos umas trinta obras. E mesmo após o grande movimento da Reforma Protestante no século XVI, muitos líderes e estudiosos reformados se aproximaram do livro alegoricamente, incluindo John Wesley, Matthew Henry,[12] E. W. Hengstenberg, C. F. Keil, e H. A. Ironside.
No Brasil colonizado por um catolicismo ilustrado e posteriormente recolonizado por um protestantismo inoculado pelo pietismo, somente restou a ambos arraigar-se na interpretação alegórica do livro de Cantares. Foi a única forma de “conter” os ímpetos carnais e sensuais de uma população tropical e carnavalesca, que transpira sensualidade.
Ainda que os evangélicos brasileiros sejam herdeiros de seguimentos protestantes que optaram pela interpretação histórica-gramatical, por exemplo os calvinistas, na prática o que se tem é na verdade uma interpretação alegórica, ou talvez algo ainda mais nocivo para qualquer livro, seu completo ostracismo. Nas pregações dominicais e nos encontros de estudos bíblicos o pequeno Cântico dos Cânticos é quase que totalmente ignorado. É como se as lideranças não soubessem o que fazer com essa literatura inspirada. Não ousam tira-la do cânon bíblico, mas também não se encorajam para pregá-la, estuda-la e inseri-la em suas liturgias dominicais. Essa atitude é profundamente lamentável, visto que a sociedade brasileira está completamente à deriva no caos da imoralidade e promiscuidade, sem um farol que lhes possa apontar os perigos dos rochedos fatídicos, que a levaram ao naufrágio mortal.
Uma luz no final do túnel, para o livro de Cantares, começa a surgir. Muito timidamente e contida nos centros acadêmicos os biblicistas evangélicos tentam se desvencilhar dessa camisa de força alegórica e começam a fazerem uso de outras ferramentas hermenêuticas para explorarem toda a riqueza contida dentro dessa literatura bíblica e expô-la novamente para os ouvidos e corações carentes de uma expressão amorosa límpida e saudável. Pois como disse o apóstolo Paulo: “toda a Escritura é útil para.....”.

Utilização livre desde que citando a fonte
Guedes, Ivan Pereira
Mestre em Ciências da Religião.
me.ivanguedes@gmail.com
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Referências Bibliográficas
CAVALCANTI, Geraldo Holanda. O cântico dos cânticos – um ensaio de intepretação através de suas traduções. São Paulo: Editora Universidade de São Paulo, 2005.
DOCKERY, David S. (Org.). Manual bíblico vida nova. [Tradução Lucy Yamakami, Hans Udo Fuchs, Robison Malkomes]. São Paulo: Vida Nova, 2001.
ELLISEN, Stanley A. Conheça Melhor o Antigo Testamento. São Paulo: Editora Vida, 1999.
FITZMYER, Joseph. A Bíblia na igreja. São Paulo: Loyola, 1997.
GILBERT, Paul P. Introdução à teologia medieval. São Paulo: Loyola, 1999.
GLICKMAN, S. Craig. A Song for Lovers. Downers Grove, IL: InterVarsity, 1976.
MAIZTEGUI GONÇALVES, Humberto Eugenio. Amor plural: unidade e diversidade nas tradições do Cântico dos Cânticos. (Tese Doutorado em Teologia). São Leopoldo: Escola Superior de Teologia, 2005. [Orientador Prof. Dr. Nelson Kilpp].
KEIL, C. F. e DELITZSCH, Franz. Commentary on the Old Testament - The Song of Solomon.  Massaschusetts: Hendrickson Publishers, 2006. [edition originally published by T. & T. Clark, Edinburgh, 1866-91.
KERMODE, Frank; ALTER, Robert Edmond. Guia literário da Bíblia. São Paulo: Fundação Editora da UNESP, 1997.
JARDILINO, José Rubens L. e LOPES, Leandro de Proença.  Cântico dos cânticos: parte do cânon sob censura. Núcleo de Estudos Religião e Sociedade – Pontifícia Universidade Católica – SP. Revista Nures, no 13 – Setembro/Dezembro 2009 – http://www.pucsp.br/revistanures.
LASOR, William S., HUBBARD, David A. e BUSH Frederic W. Introdução ao Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1999.
LIÉBAERT, Jacques. Os padres da Igreja, séc. I-IV. São Paulo: Loyola, 2000.
MELAMED, Meir Matzliah. Torá a Lei de Moisés. São Paulo: Editora Sêfer, 2001.
MESTERS, Carlos. Sete chaves de leitura para o Cântico dos Cânticos. In: Estudos Bíblicos Nº 40. Petrópolis/São Leopoldo: Vozes/Sinodal, 1993.
ORR, R. W. Cântico dos Cânticos. In: BRUCCE, F. F. (org.) Comentário bíblico NVI – Antigo e Novo Testamento [tradução: Valdemar Kroker]. São Paulo: Editora Vida, 2008.
PELLETIER, Anne-Marie. O Cântico dos Cânticos. Trad. José Maria da Costa Villar. São Paulo: Paulus, 1995. (Cadernos Bíblicos n. 68).
SILVA, Reginaldo de Abreu Araujo da. Cântico dos Cânticos e o amor humano: um estudo a partir da psicologia junguiana. (Dissertação Mestrado em Ciência da Religião). São Paulo: PUC, 2007. [Orientador: Prof. Doutor Pedro Lima Vasconcellos].
SIQUEIRA, Tércio Machado. Em memória do amor. In. Amor e Paixão: o Cântico dos Cânticos. Petropólis, RJ: Vozes, 1993. (Coleção Estudos Bíblicos-40).
TANNER, Paul. Bibliotheca Sacra 154: 613. 1997, p. 23-46. [Lecturer in Hebrew and Old Testament Studies, Singapore Bible College, Singapore.]
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TINDO BARBOSA, Marcos César. Análise comparativa de traduções do Cântico dos Cânticos. (Dissertação de Mestrado em Linguística Aplicada). Natal: Universidade Feral do Rio Grande do Norte, 2012. [Orientador: Profa. Dra. Hozanete Lima; Co-orientador: Prof. Dr. Márcio Dantas].
YOUNG, Edward J. Una introduccion al Antiguo Testamento. USA: Ed. TELL, 1977 [1ª versão espanhol].





[1] As questões de autoria, data, e canonicidade do livro foi sinteticamente abordada em artigo anterior (http://reflexaoipg.blogspot.com.br/search/label/AT%20-%20Cantares)
[2] Carlos Mesters propõe uma outra série histórica de interpretação de Cantares: interpretação natural ou empírica, interpretação mítica ou cultural, interpretação popular ou histórica e a interpretação mística ou alegórica.
[3] Hierogâmico: Casal ou casamento sagrado.
[4] Filo, o mais importante alegorista judeu-alexandrino, disse que a alegorização é necessária para evitar expressões aparentemente contraditórias ou impróprias de Deus.
[5]Mishná, também conhecida como Mixná ou Mixna (em hebraico משנה, "repetição", do verbo שנה, ''shanah, "estudar e revisar") é uma das principais obras do judaísmo rabínico, e a primeira grande redação na forma escrita da tradição oral judaica, chamada a Torá Oral. Embora a Mishná tenha sido definido por volta de 200 d.C., as opiniões expressas dentro dela muitas vezes datam de vários séculos antes. Na Mishna está escrito: “O mundo inteiro não e digno do dia em que o Cântico dos Cânticos foi dado a Israel. Todos os livros são santos, mas o Cântico dos Cânticos e o mais santo de todos”.
[6] Targum: è uma versão do Antigo Testamento para o aramaico em prol dos judeus que retornam do cativeiro, a partir da tradução oral do texto hebraico nas sinagogas (quando o povo não entendia mais o hebraico), posteriormente foi preservado por escrito. O Targum judaico apresenta o poema do Cântico como uma síntese da História de Israel desde Moisés, evocando a libertação do Egito, a lei, a construção do Templo, o exílio e o retorno.
[7] Segundo Joseph Fitzmyer (1997, p. 91), dentre os comentaristas bíblicos da antiguidade que se destacaram no método alegórico estão Orígenes (185-254), Clemente (150-250), Dionísio Magno (†264) Atanásio(296-373), Dídimo, o cego (313-398), Gregório de Nissa (330-395), Basílio(330-379), Cirilo de   Alexandria (†444) e Gregório Magno (540-604).
[8] Defendeu a alegoria, pois ele acreditava que a Bíblia estava repleta de enigmas, parábolas, afirmações de sentido obscuro e problemas morais. Orígenes desconsiderou quase que totalmente o sentido literal e normal das escrituras.
[9] Infelizmente, a maioria dos manuscritos gregos de Origens sobre o Cântico dos Cânticos foi perdida ou destruída. Quatro livros foram traduzidos para o latim por Rufinus e duas homilias foram traduzidas por Jeronimo. 
[10] Os líderes da igreja em Antioquia percebendo que o sentido literal das escrituras estava se perdendo com o método de interpretação alegórico de Alexandria, resgataram o estudo dos textos bíblicos nas línguas originais e a partir de então produziram diversos comentários sobre os livros da Bíblia. Para eles o elo entre o Antigo e o Novo Testamento eram as profecias e a tipologia, ao invés da alegoria. A interpretação para eles, também podia incluir a linguagem figurada. Dois dos maiores intérpretes desta escola foram: Teodoro (350-428) e João Crisóstomo (354-407).
[11] Dizia ele que o grande teste para saber se uma passagem tem sentido alegórico é o do amor. Se uma interpretação apresenta algum sentido contraditório, o texto deve ser alegorizado.
[12] Matthew Henry, século XVII, insistiu na visão espiritualizada (alegórica) e advertiu contra a leitura de Cantares "com mente carnal" e segundo ele essa interpretação traz perigo de "morte" e "veneno".

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