terça-feira, 14 de novembro de 2017

Natividade: Galeria de Lucas: Anunciação à Maria (Lucas 1.25-56)


Continuamos a nossa prazerosa tarefa de apresentarmos os quadros maravilhosos pintados (escritos) por Lucas em sua narrativa evangélica. No primeiro quadro temos o anuncio feito pelo anjo à Zacarias com relação à fecundação sobrenatural de João Batista, uma vez que Isabel era estéril.
Em seu segundo quadro Lucas vai descrever para nós o anuncio, feito pelo mesmo anjo, à Maria de que ela foi escolhida por Deus para gerar, também de forma sobrenatural, o Messias que todos os israelitas crentes aguardavam ansiosamente e dos quais as páginas do Primeiro Testamento tanto mencionavam. Apreciemos este belíssimo quadro e nos esforcemos por visualizar suas minúcias e detalhes lucano.
Paralelos e Contrastes: Ambos os quadros podem ser colocados lado a lado, pois são contemporâneos - do anuncio a Zacarias ao anuncio a Maria se passam apenas seis meses. O mensageiro das maravilhosas noticia é o mesmo anjo Gabriel (v.26). Mas na medida em que Lucas vai "pintando" diversos contrastes surgem - no primeiro a figura de um homem, idoso, casado, sacerdote e morador da Judéia; no segundo a figura de uma mulher, jovem, noiva (virgem) e moradora da Galileia.
O Anuncio: O anjo Gabriel, assim como fizera com Zacarias, revela-se a Maria e comunica-lhe a mensagem de Deus. "Alegra-te" (v.28) é a expressão utilizada nos profetas do AT ao se referir "à filha de Sião" em relação à manifestação da graça salvadora que Deus haveria de realizar na vida de Seu povo, enviando-lhes um Salvador (Sf 3.14; Zc 9.9). O anjo continua: "agraciada e/ou favorecida" (v.28,30) é um verbo que indica a ação continua de Deus na vida de Maria. Ela não era alvo do favor de Deus apenas naquele momento do anuncio ou apenas durante a gestação, mas foi antes, estava sendo naquele momento especifico e seria continuadamente alvo da graça Divina. Aqui ela constitui o modelo de todos os crentes do passado e do presente, pois a graça de Deus se manifesta em nossas vidas todo o tempo e o tempo todo. Outra expressão usada pelo anjo à Maria: "o Senhor está contigo" é amplamente utilizada na primeira parte da bíblia para garantir àqueles que Deus escolheu para uma determinada missão a certeza de que Ele mesmo estaria providenciando todas as coisas referentes à tarefa a ser realizada (Gn 26.3,24; 28.15; Ex 3.12; Js 1.5; Jz 6.12,16; Jr 1.8,19; 15.20).
O nome do bebe: O nome JESUS que deveria ser dado ao bebe já anuncia o propósito para qual estava para nascer "o Senhor salva" e a sua grandeza será totalmente distinta da de João Batista e de qualquer outro bebe já nascido, pois ele será o "Filho do Altíssimo" (v.32) e "Filho de Deus" (v.34). À Maria o anjo comunica maiores detalhes sobre a obra que será realizada pelo bebe a nascer - ele "receberá o trono de Davi, seu pai" e "reinará sobre a casa de Jacó" e diferentemente de todos os demais reis o Seu "reino não terá fim" (vv. 32,33), que se constitui de forma clara na designação dele como o Messias aguardado por todos os crentes israelitas (como veremos nos próximos quadros). Entretanto, este Rei será desprezado por Israel e suas lideranças religiosas, sendo acolhido pelos mais simples e pelos párias da sociedade.
Maria: Diante de toda a revelação angelical, Maria fica perplexa: "como é que vai ser isso, seu eu não conheço homem algum?" (v.34). Ainda que tomada de indescritível surpresa, o coração de Maria em momento algum duvidou de tudo quanto o anjo lhe comunicara, em contraste com a dúvida de Zacarias. Então o anjo lhe tranquiliza dizendo que o próprio Espírito Santo fecundará seu útero - "o poder do Altíssimo te cobrirá com sua sombra" (v.35). Nesta expressão não há nenhuma conotação sexual (como acontecia nos panteões gregos e romanos), mas se refere à presença gloriosa de Deus que envolvia totalmente o Tabernáculo (Ex 40.35), onde também se descreve que a nuvem da glória de Deus "cobria com sua sombra" o Tabernáculo. Lucas não esta preocupado em defender a virgindade de Maria, o que ele deseja é que seus leitores entendam que tudo é uma iniciativa de Deus e que tudo é conduzido segundo o poder de Sua Palavra - daí a conclusão das palavras do anjo: "Nenhuma palavra é impossível para Deus" (v. 37) que se relaciona diretamente com as palavras de Deus a Abraão (Gn 18.14).
Fé e Obediência: As palavras de Maria são uma das mais extraordinárias declarações de fé - "Eu sou a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra" (v. 38). A fé dela será testificada por sua prima Isabel "Feliz aquela que creu que se cumprirá o que lhe foi dito da parte do Senhor" (v. 45). Maria acolhe as palavras do anjo confiando tão somente na graça de Deus em seu favor. Mas sua fé não é passiva, ela se dispõe nas mãos de Deus como "serva do Senhor". Diferentemente de Zacarias que foi resistente, ela voluntariamente se dispõe a fazer a vontade de Deus - é fato que Deus não precisa da autorização e nem mesmo da boa vontade de qualquer ser humano para realizar Seus propósitos (o profeta Jonas é um triste exemplo), mas apesar disto, Deus sempre espera que seus servos se ofereçam voluntariamente para realizar Sua vontade. É aqui que a fé de Maria brilha mais intensamente.
Conclusão
Se alguém fosse "pintar" um quadro a nosso respeito, o que será que mais chamaria atenção do pintor e daqueles que posteriormente contemplassem o quadro. Neste quadro "pintado" por Lucas sobre Maria, realça aos olhos de quem o contempla a , a submissão, a disposição dela em participar ativamente dos propósitos de Deus. Em nenhum momento se acovardou, economizou, questionou ou procurou quaisquer desculpas para não realizar a tarefa que estava sendo colocada em suas mãos para realizar.
Que ao contemplarmos este segundo quadro da Galeria Natalina de Lucas, possamos perceber e absorver esta fé e disposição de Maria em acolher e realizar a vontade de Deus.

Utilização livre desde que citando a fonte
Guedes, Ivan Pereira
Mestre em Ciências da Religião.
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Referências Bibliográficas
ASH, Anthony Lee. O Evangelho Segundo Lucas. Tradução Neyd V. Siqueira. São Paulo: Editora Vida Cristã, 1980.
BETTENCOURT, Estevão. Para Entender os Evangelhos.  Rio de Janeiro: Agir, 1960.
CARSON D. A., DOUGLAS, J. Moo & MORRIS, Leon. Introdução ao Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1997.
CASALEGNO, Alberto. Lucas – a caminho com Jesus missionário. São Paulo: Edições Loyola, 2003.
CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento Interpretado – versículo por versículo, v. II. São Paulo: Millenium, 1987.
________________________. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, v.3. São Paulo: Candeia, 1995.
LEAL, João. Os Evangelhos e a Crítica Moderna. Porto: Livraria Apostolado da Imprensa, 1945.
MORRIS, Leon L. Lucas – introdução e comentário. São Paulo: Edições Vida Nova, 2008. [Série Cultura Cristã].
TENNEY, Merrill C. O Novo Testamento - sua origem e análise, 2a ed. São Paulo: Vida Nova, 1972.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Natividade: Onde está José?


            Quando pensamos no Natal a figura de Maria surge naturalmente como progenitora do bebe Jesus! Quando as narrativas natalinas de Mateus eram as preferidas pelos comentaristas bíblicos e os pregadores, por ser o primeiro evangelho da Segunda parte da bíblia, sobressaia a figura de José, mas na medida em que as atenções foram sendo direcionadas para as narrativas oferecidas por Lucas é a figura de Maria que se impõe e permanece até os dias atuais.
Dois fatores extras bíblico contribuíram muito para acentuar-se cada vez mais a figura de Maria em detrimento da figura de José. O primeiro foi uma ênfase cada vez maior da Igreja Católica Romana na pessoa de Maria ao ponto de coloca-la onde nenhum texto bíblico jamais imaginou coloca-la, como intercessora junto a Deus em favor dos homens; o segundo fator foi a revolução e/ou movimento feminino que alavancou a mulher a uma posição cada vez mais proeminente na sociedade.
Historicamente podemos encontrar muitas ilustrações, gravuras e quadros onde aparecia com abundancia a figura de José o menino Jesus. Ele segurando o bebe nos braços, ou trabalhando em sua carpintaria com o menino próximo observando-o, ou ainda o jovem Jesus ajudando José nas atividades da carpintaria. Na medida em que Maria vai ocupando o papel de destaque, a figura de José vai desaparecendo até que se desvanece por completo.
Mas quando optamos pela narrativa de Mateus a figura de José recebe um tratamento tão carinhoso e proeminente quanto o de Maria. No primeiro Evangelho José surge ainda na genealogia, não como pai de Jesus, mas como o marido de Maria: “Jacó tornou-se o pai de José, marido de Maria, de quem nasceu Jesus, chamado Cristo” (Mt 1.16). Coube a José o papel importante de tutelar o menino Jesus, participando efetivamente de sua formação, mais ainda, como descendente da linhagem davídica José outorgava legalmente a Jesus o direito ao trono de Davi.
Após a genealogia ficamos sabendo através da narrativa de Mateus como Deus tratou José nesta questão tão delicada do nascimento virginal de Jesus.
A primeira informação é que Maria estava desposada com José, ou como falamos, estavam casados legalmente. Dentro do contexto histórico da época este contrato de casamento era tão sério quanto da consumação na noite nupcial. Era muito comum que mesmo estando legalmente casados ambos ainda por algum tempo não vivessem conjugalmente, quer por razões econômicas ou até que houvesse as condições para se realizar a festa das bodas, que eram sempre muito custosas, mas também muito desejada pelos nubentes e seus familiares e amigos.
É justamente neste interim, entre o contrato de casamento e a noite de núpcias, que Maria é comunicada pelo anjo Gabriel que ela ficara gravida de forma sobrenatural. No relato de Mateus a gravidez dela já é um fato consumado e José esta ciente da situação. Legalmente ele poderia simplesmente anular o contrato de casamento e ir cuidar de sua vida, deixando Maria jogada aos lobos que sempre estão à espreita para destruir a vida de outras pessoas. Mas José era um homem justo e com certeza amava muito Maria e vai procurar uma alternativa que fosse menos desgastante para ela “tinha em vista divorciar-se dela em silêncio”. A prova de que José de fato amava Maria esta em que ele não olha para si mesmo, mas preocupa-se com o bem estar ela; ele esta disposto a assumir parte do desgaste a que ambos seriam submetidos, em uma época em que por muito menos disso a mulher seria expostas a toda sorte de humilhação e aviltamento e no caso especifico de Maria com uma gravidez fora do casamento uma morte por apedrejamento.
É com todas estas preocupações na mente que José vai tentar dormir naquela noite, mas certamente o sono não lhe vem com facilidade. O que fazer e como fazer? “Porém, enquanto ele refletia sobre isto ... Um anjo do Senhor [seria o mesmo Gabriel?] lhe apareceu durante um sonho e disse: José, filho de Davi, não hesites receber Maria, tua esposa, em tua casa, porque o que foi gerado nela é do Espírito Santo” (Mt 1.20).
Não hesites, não precisa ficar duvidoso ou temeroso”, pois tudo que esta acontecendo com Maria e com você vem da parte de Deus! Você como um filho de Davi sabe muito bem que Deus prometera que um descendente dele se assentaria no trono para reinar novamente. As palavras angelicais demonstram o cuidado que Deus tem para com José, assim como teve com Maria. Deus apazigua o coração e a mente de José, pois seu papel é tão importante no desenrolar dos fatos, quanto o papel de Maria.
As palavras seguintes, proferidas pelo anjo, define o propósito de todo este transtorno na vida de José e Maria: “Ela dará à luz um filho, e chamarás o seu nome Jesus, porque ele salvará o seu povo de seus pecados”. Aquela criança que esta sendo gerada em Maria é a concretização de todo o propósito salvador de Deus para o Seu povo e para todas as famílias da terra!
Despertado do sono e sonho revelador, José agiu como todo crente deveria agir - obedeceu a tudo quanto o Senhor lhe falara! Leva Maria para sua casa e quando o menino nasceu deu-lhe o nome de Jesus.
Nestes dias em que a figura paterna anda tão desgastada, a narrativa de Mateus onde realça o papel firme e decidido de José torna-se extremamente relevante! Nestes dias em que os homens muitas vezes são omissos diante de suas responsabilidades, o exemplo de José resplandece como luz nas trevas; nestes dias em que se busca antes de tudo o seu próprio bem estar, a preocupação e o cuidado de José por Maria é algo singular; nestes dias em que a maioria dos crentes ouve cada vez menos a voz de Deus, o fato de José ouvi-la e obedecê-la se constituem em um grande exemplo e modelo para todos os crentes.
Em nenhum outro tempo se faz mais necessário resgatarmos o papel importante de José no desenrolar dos acontecimentos da natividade, quanto nestes últimos dias. As esposas carecem de maridos que olhem para elas e não apenas para si mesmos, os filhos necessitam de pais de caráter como José; a sociedade precisa de homens que não se acovardam diante das adversidades que surgem; as igrejas necessitam de homens que ouçam a voz de Deus e se disponham a obedece-las, pagando o preço de realizarem em e através de suas vidas o propósito de Deus!


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Guedes, Ivan Pereira
Mestre em Ciências da Religião.
Universidade Presbiteriana Mackenzie
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Historiologia Protestante
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Referência Bibliográfica
DOUGLAS, J. D. O Novo Dicionário da Bíblia. São Paulo: Vida Nova, 1995.
EARLE, Ralph. O Evangelho Segundo Mateus. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. [Comentário Bíblico Beacon].
HENDRIKSEN, William. Mateus, v.1 São Paulo: Cultura Cristã, 2001. [Comentário do Novo Testamento].
JEREMIAS, Joachim. Jerusalém no Tempo de Jesus: pesquisa de história econômico-social no período neotestamentário. 4 ed. São Paulo: Paulus, 1983.RIENECKER, Fritz.  Evangelho de Mateus – comentário esperança. Tradução Werner Fuchs. Curitiba-PR: Editora Evangélica Esperança, 1998. 


sábado, 28 de outubro de 2017

Natividade: Galeria de Lucas: Anunciação a Zacarias


Este é o primeiro quadro pintado por Lucas para sua exposição natalina. Ele inicia com a figura de João Batista, para deixar bem claro qual é o papel dele nestes novos tempos da manifestação da graça de Deus não apenas para com Israel, mas também para com todo o mundo.
 “Seu nome é João” (1.63) – desde a escolha do nome do bebê que haverá de nascer encontra-se os indícios desta nova manifestação da graça divina, pois o nome João significa "Deus manifesta graça". Deste modo o nascimento dele indica claramente a todas as pessoas que tomam conhecimento deste evento que se inaugura novos tempos. E tudo quanto o menino necessitara para exercer seu ministério receberá do Espírito Santo, do qual será cheio (v.15). O ponto central de seu ministério já esta definido: "ele fará muitos filhos de Israel retornar [converter] ao Senhor, seu Deus" (v.16; cumprida literalmente em 3.10-18).
“João não é o Messias” - Além desta mensagem central há um propósito secundário nesta narrativa lucana de tirar qualquer dúvida de que João (Batista) não é o Messias. Por um bom tempo criou-se uma confusão sobre a identidade de João, e o próprio Lucas registra isto: "Como o povo estivesse na expectativa e todos cogitassem em seus corações se João não seria o Messias..." (3.15). Lucas quer deixar bem claro desde as primeiras linhas de sua narrativa evangélica de que João exerce a importante função de precursor, aquele que há de preparar os ouvidos e corações do povo para ouvirem e crerem no Messias que esta por chegar para realizar a salvação deles. Portanto, João é o elo entre a mensagem profética do Antigo Testamento e a nova mensagem evangélica do Novo Testamento.           
 “Milagre da fecundação” - O nascimento de João esta intimamente relacionada com acontecimentos similares do Antigo Testamento. É impossível para o leitor das primeiras Escrituras não se lembrar das mulheres como Sara, Rebeca, Raquel (Gn 18.10-11; 25.21; 30.22-23) enquanto toma conhecimento da situação de esterilidade de Isabel. E assim como Deus manifestou seu poder e graça na vida daquelas mulheres, uma vez mais faz nascer vida onde não mais havia possibilidade humana para gerá-la. Os novos tempos inaugurados com o nascimento de João são de vida e salvação.           
 “Contraste” Neste quadro pintado por Lucas o casal piedoso Zacarias e Isabel fazem um contraste com a figura de Herodeso Grande, então governante de toda a Palestina (Judéia). Enquanto Herodes era um dissimulado religioso, pois não sendo descendente judaico se fez prosélito da religião judaica, entretanto toda a sua história é uma prova irrevogável que a "religião" era apenas um instrumento para alcançar seus interesses pessoais, egoístas e esquizofrênicos, e por isso foi rejeitado por Deus. Em contraste temos neste casal a expressão de uma religião genuína e piedosa, centrada na fé que anelava o cumprimento das promessas messiânicas e em um compromisso de obediência à vontade de Deus, de maneira que foram aprovados e abençoados por Deus
 “Do Templo para a Casa” O inicio da narrativa nos coloca no Templo, onde Zacarias exercia sua função de sacerdote, mas ao termino somos transportados para a casa dele e Isabel, onde por um tempo torna-se o lugar da manifestação da graça divina, quando de sua fecundação. Lucas faz em torno de cinquenta referências a casa e na maioria das vezes em relação direta a uma manifestação da graça salvadora de Deus.
Conclusão
Neste primeiro quadro de sua galeria natalina, Lucas já indica os pontos centrais da sua narrativa evangélica. A iniciativa no que concerne à salvação é de Deus, pois somente Ele pode trazer vida onde há apenas morte; João é o instrumento capacitado pelo Espírito Santo para pré-anunciar esta mensagem salvadora a todas as pessoas; a resposta à proclamação das boas novas deve ser a conversão, manifestada na fé que enche os corações de alegria!
Enquanto você contempla este primeiro quadro natalino de Lucas, examine teu coração e responda de forma positiva a esta maravilhosa manifestação da graça de Deus, contida no Evangelho, e faça uma conversão em sua vida. Pare de se afastar e de andar na periferia do relacionamento com Deus - volte-se para Ele agora mesmo. Creia de todo o teu coração para que você possa experimentar como Zacarias e Isabel, desta maravilhosa alegria, que somente o poder de Deus pode produzir na tua vida.
Assim como o nascimento de João marcou o amanhecer de um novo dia na história da raça humana,
 faça deste Natal um amanhecer novo
na sua vida.


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Guedes, Ivan Pereira
Mestre em Ciências da Religião.
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Referências Bibliográficas
ASH, Anthony Lee. O Evangelho Segundo Lucas. Tradução Neyd V. Siqueira. São Paulo: Editora Vida Cristã, 1980.
BETTENCOURT, Estevão. Para Entender os Evangelhos.  Rio de Janeiro: Agir, 1960.
CARSON D. A., DOUGLAS, J. Moo & MORRIS, Leon. Introdução ao Novo Testamento. São Paulo:  ed. Vida Nova, 1997.
CASALEGNO, Alberto. Lucas – a caminho com Jesus missionário. São Paulo: Edições Loyola, 2003.
CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento Interpretado – versículo por versículo, v. II. São Paulo: Millenium, 1987.
________________________. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, v.3. São Paulo: Candeia, 1995.
LEAL, João. Os Evangelhos e a Crítica Moderna. Porto: Livraria Apostolado da Imprensa, 1945.
MORRIS, Leon L. Lucas – introdução e comentário. São Paulo: Edições Vida Nova, 2008. [Série Cultura Cristã].

TENNEY, Merrill C. O Novo Testamento - sua origem e análise, 2a ed. São Paulo: Vida Nova, 1972.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Hermenêutica: Glossário


Acróstico: é uma composição poética onde cada elemento de um acróstico começa com uma letra diferente do alfabeto hebraico em sua ordem crescente. Há nove salmos alfabéticos: 9, 10, 25, 34, 37, 111, 112, 119, 145 - com várias estruturas acrosticas.
Aforismo: declaração breve sucinta de uma verdade ou princípio comum em provérbios e adágios.
Alegoria: tipo de literatura em que o autor usa um simbolismo evidente para sugerir um significado mais profundo. Usa palavras num sentido metafórico, e seu narrativo é claramente fictício - grego "allos" (outro) e "agereyein" (falar, proclamar, isto é; dizer outra coisa do que significa). Constitui-se em uma narração longa, em contraste com a narrativa parabólica que é mais curta. A natureza figurativa da alegoria é tão aparente, que torna impossível e também desnecessário uma interpretação literal (Cf. Ex 6.51-65).
Alegorização: um método de interpretação que busca um significado mais profundo e místico do que o sentido literal oferecido pelo texto. Foi praticado por exegetas judeus de Alexandria (popularizado por Filo de Alexandria) e nos primeiros séculos do cristianismo foi adotado por grande parte dos chamados Pais da Igreja (Cf. Cantares onde o homem representa Cristo e a mulher a Igreja) e perdendo sua força após a Reforma Protestante, mas ainda utilizada por estudiosos evangélicos.
Antropomorfismo: Quando a personificação é usada com relação a Deus, ou seja, membros corporais  ou ações humanas são atribuídas a Ele. Ocorre, por exemplo, quando a Bíblia fala dos dedos de Deus (Sl 8.3), Seus ouvidos (Sl 31.2) ou Seus olhos (II Cr 16.9).
Antropopatia: Aqui emoções e sentimentos humanos são atribuídos a Deus (Dt 13.17; Ef  4.30)
Aplicação: Quando se aplica ao leitor o significado; ou implicações que se originam no padrão do significado.
Antologia: compilação de peças literárias ou passagens selecionadas.
Apocalipse: termo grego que significa revelar, deixar descoberto. É o título do último livro da Bíblia.
Apocalíptica: do verbo grego “revelar” referente aos textos cuja temática é o cenário do fim dos tempos ou “fim do mundo” e da vinda de um mundo novo. Ficou muito popular entre os judeus durante o cativeiro babilônico e o chamado período interbíblico.
Apóstrofe: Do grego "apo" (de) e "strepho" (virar). Recurso literário no qual o escritor se refere às pessoas imaginárias; coisas inanimadas, ou pessoas ausentes naquela hora por razões retóricas (Dt 32.1; 2Sm 18.33; Jr 47.6;). Na personificação, o escritor fala de um objeto como se fosse uma pessoa, enquanto na apóstrofe ele fala com o objeto como se fosse uma pessoa. Quando o salmista falou com o mar: “Que tens, ó mar, que assim foges?... ” (Sl 114.5), empregou uma apóstrofe. Mas, num versículo anterior,  quando falou sobre o mar (“o mar viu isso, e fugiu”, v. 3), fez uso da personificação. Fica claro que mais de uma figura de linguagem podem fazer parte de uma mesma sentença. Os salmistas usam de forma múltipla as figuras de linguagem, neste mesmo Salmo ele declara: “Montes, porque saltais como carneiros? E vós colinas, como cordeiros do rebanho?” onde combina a apóstrofe e o símile.
Autógrafo: é o termo que se refere à edição original de um trabalho particular, escrito ou ditado pelo autor. É a primeira cópia da qual todas as cópias seriam mais tarde reproduzidas.
Cânon: a palavra grega (Kanon) que veio a significar "regra" "medida". No desenvolvimento da literatura bíblico passou a identificar o conjunto ou coleção de literatura que foram aceitos como regra de fé e prática, tanto no judaísmo quanto no cristianismo. Somente os livros contidos no cânon passaram a ter autoridade espiritual.
Canônico: são os livros que após um longo processo de seleção foram incluídos por judeus e cristãos no cânon (bíblia) como tendo autoridade divina.
Complemento: recurso literário em que um personagem serve de contraste para outro.
Convenção: uma convenção literária é qualquer hábito literário ou regra em uso comum. Cada gênero tem suas próprias convenções ou formas de fazer as coisas.
Cosmovisão: são os pressupostos fundamentais  sobre a realidade que estão por trás das crenças e do comportamento de uma cultura. É a ideia que o homem faz do universo É a cosmovisão que oferece resposta ao homem que indaga : “Onde estou? Em meio a que estou agindo? Que relação tenho com estas coisas?”.
Crítica do gênero: um processo pelo qual uma característica retórico-literária é identificada em uma escrita que converte um texto em um tipo de escrita e não em outro.
Crítica forense (do alemão Formgeschichte, para "história formal"): procedimento para a identificação e análise de formas orais antes de serem assimilados na literatura.
Crítica literária: Avaliação escrita ou oral sobre as características de uma determinada produção literária
Criticismo Bíblico: Estudo acadêmico dos textos bíblicos que se utiliza de técnicas aplicadas a outros documentos escritos. Há vários tipos de criticismo. 
Criticismo da Fonte Escrita: Abordagem dos textos bíblicos que tenta distinguir as diferentes fontes escritas que foram utilizadas para compor o formato definitivo do texto bíblico canônico.
Diacrônica: Estudo do texto levando em conta seu desenvolvimento através do tempo.
Drama Poético: Uma série de cenas apresentadas principalmente em formato de verso (Cf. Jó).
Elipse: é quando o escritor omite uma palavra ou palavras cuja falta deixa incompleta a estrutura gramatical, mas cuja compreensão da ideia não é afetada. Às vezes um adjetivo ligado a um substantivo vem substituir ambos. Paulo usa a expressão “Os doze” para representar “os doze apóstolos” (I Co 15.5).
Épico: extensa narrativa escrita em prosa ou poesia (geralmente a segunda), com um estilo elevado que conta a história de um herói lendário ou histórico cujo destino determina o futuro de uma nação ou do mundo.
Eufemismo: o escritor opta por substituir uma expressão desagradável, chocante, penosa ou injuriosa por outra suave ou atenuante que transmita o mesmo significado. Em muitos casos quando o escritor bíblico se refere à morte opta pela expressão adormecer, dormir (At 7.60; I Ts 4.13-15).
Exegese: de origem grega “explicação” aplicada em geral ao conjunto de estudos com o propósito de identificar o sentido genuíno de um texto.
Figura de Linguagem: é uma palavra ou frase colocada de maneira diferente de seu emprego ou sentido original e simples.  Tal palavra ou frase comunica um sentido diferente do literal, todavia verdadeiro (Cf. Fp 3.2; Mt 23.27).
Gênero: tipo de composição literária.
Gênero apocalíptico: forma de literatura profética caracterizada por se concentrar na erradicação final e completa do mal por Deus mesmo e na vitória total de seu povo que reinará para sempre. Isso é transmitido através de mensagens com imagens gráficas, visões e símbolos.
Hebraísmo: certas expressões e maneiras peculiares do idioma hebreu que ocorre em nossas traduções da Bíblia, que originalmente foi escrita em hebraico e em grego. Exemplo: A palavra “filho” usa-se, às vezes, como em quase todos os idiomas, para designar um descendente mais ou menos remoto. Assim é que os sacerdotes, por exemplo, se chamavam filhos de Levi, Mefibosete se chama filho de Saul, embora, em realidade fosse seu neto; do mesmo modo Zacarias se chama filho de Ido, sendo seu pai Berequias, filho de Ido. E assim como “filho” se usa para designar um descendente qualquer, do mesmo modo da palavra “pai” se usa às vezes para designar um ascendente qualquer. Às vezes “irmão” se usa também quando somente se trata de um parentesco mais ou menos próximo; assim, por exemplo, chama-se irmão de Abraão, embora em realidade fosse seu sobrinho. (Gn 14.12-16).
Hermenêutica: de um termo grego “interpretação” é estudo de metodologia e princípios interpretativos bíblicos tendo em vista extrair a mensagem do texto para os dias atuais.
Hipérbole: Exagero poético ou metafórico, figura pela qual uma coisa se representa como sendo maior ou menor do que a realidade, usada para ilustrar coisas à mente e imaginação numa maneira viva (cf. Nm 13.33; 1Co 13. 1).
Hipocatástase: também é uma figura de comparação onde a semelhança é indicada diretamente (Sl 22.16; João 1.29; Atos 20.29; Fp 3.2)
Historia: gênero literário que registra uma série de histórias com sequências de causa e efeito que dão mais peso do que o argumento.
Homilética: vem de um vocábulo grego “entreter-se” (referente ao diálogo), mas acabou por referir-se à forma com que se prega ou se expõe um texto bíblico. É o resultado final da exegese e da hermenêutica.
Inclusão: recurso literário no qual as palavras ou cláusulas são repetidas para incluir ou tornar implícito o material em destaque.
Interrogação: uma palavra do latim que significa "pergunta". Nem toda pergunta é figura retórica, mas quando a pergunta é feita, cuja resposta é evidente, ou seja, não requerendo uma resposta declarada, a interrogação torna-se uma figura retórica (Cf. Gn 18.25).
Ironia: Maneira satírica de se expressar, com sarcasmo e zombaria declarando o sentido contrário, para expor o absurdo do caso (Jó 12.2, 38.21; 1Rs 18.27; 2Co 11.5).
Lamentação: forma de poesia que expressa dor, medo, raiva, vergonha, culpa ou outras emoções sombrias.
Litotes: o escritor opta por utilizar uma frase suavizada ou negativa para expressar uma afirmação. É o oposto da hipérbole. Em Atos 21.39, Paulo disse: “… eu sou judeu, natural de Tarso, cidade não insignificante”, quis dizer que Tarso era uma cidade importante.
Logia: plural de “logion” diminutivo do termo grego “logos” (palavra) com o qual os estudiosos designam as palavras de Jesus que foram preservadas foram das narrativas evangélicas.
Metáfora: uma figura de linguagem que compara dois objetos ou ações revelando semelhança subentendida e declarando que um item ou ação é semelhante a outro (Cf. "Você é o sal da terra” Mt 5.13). É preciso tomar o cuidado para que não se force as metáforas, nem as entenda literalmente.
Metonímia: uma figura de linguagem em que o nome de um objeto é usado para outra coisa com o que está associado (Cf. "por boca [isto é, o testemunho] de duas ou três testemunhas" Mt 18.16).
Narrativa: forma literária que é uma história ou registro de uma série de eventos.
Ocorrência: aparecimento de uma palavra especifica dentro de uma unidade linguística no discurso.
Oximoro: quando o escritor faz a combinação de dois termos opostos ou contraditórios. Em Fp. 3.19, Paulo diz que a glória dos inimigos de Cristo está em sua infâmia; em Romanos 12.1 somos desafiados a sermos “sacrifícios vivos”.
Pacto: significa expressar ou estabelecer e definir uma relação que tenha condições e obrigações para as partes envolvidas.
Parábola: é uma narrativa, mormente breve, mas pode ser extensa, de uma situação imaginária pela qual se propõe uma comparação de objetos, situações ou atos bem conhecidos, tomados da natureza ou da experiência diária dos ouvintes ou leitores primários, de maneira a extrair uma lição moral ou religiosa. Etimologicamente, o nome “parabolê” corresponde ao verbo grego “paraballô”, que literalmente significa por ao lado, comparar.
Paradoxo: expressar algumas verdades aparentemente contraditórias em uma única frase, ou muito próximas. Jesus utiliza com frequência essa linguagem, o exemplo clássico são as bem aventuranças (Mt 5), onde cada uma delas são paradoxais: "Bem-aventurados os que lamentam"; "os mansos ... herdarão a terra"; "Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão saciados”. Todas essas ideias parecem conter contradições, e é por isso que eles são paradoxos.
Paralelismo Hebraico: é a característica fundamental da poesia hebraica. O paralelismo enfatiza o ritmo de pensamento ou ideia em vez de ritmo de palavras ou sons. O conteúdo da ideia é mais importante do que artifícios literários.  No paralelismo hebraico, a primeira linha (ou pensamento) do poema é equilibrada com a segunda ou com as linhas seguintes.  Assim existem estrofes dísticas (dois versos), estrofes trísticas, e até estrofes de quatro ou cinco versos.
Paralelismo antitético: modelo poético hebraico muito comum, onde a segunda linha expressa o oposto do primeiro, afirmando e acentuando a primeira pela segunda, não por sua repetição, mas exatamente por seu oposto (Cf. Sl 1.6; 30.5; 37.21; Pv 10 a 15 usam a palavra "mas").
Paralelismo sinônimo: modelo comum de poesia hebraica em que duas ou mais linhas dizem o mesmo com palavras diferentes; o sentido da primeira linha é repetido na segunda linha exatamente da mesma maneira na segunda frase, apenas com palavras diferentes.  Esta parelha ou dupla chama-se um “dístico” (Cf. Sl 2.4; 19.1; 30.11; 46.1; 50.11,13,19;  92.12; 114.1-8;  Mt 7.7). Podem ser Idênticos - cada elemento é sinônimo (Cf. Sl 24.1) ou Semelhantes - cada elemento é semelhante (Sl 19.2). Paralelismo sintético [construtivo]: um modelo comum de poesia hebraica, onde a segunda linha amplia ou define o significado do primeiro, sem repetir nada (Cf. Sl 103.13). Pode ser de: Conclusão - completa o pensamento da declaração original (Cf. Sl 2.6); Comparação - traça uma analogia da declaração original (Cf. Pv 15.17); Razão - dá uma razão da declaração original (Cf. Pv 26.4) e Conceitual - utiliza o elemento tema da declaração original (Cf. Sl 1.1).
Paremiologia: estudo dos provérbios ou ditos populares dentro de suas respectivas culturas.
Parêntese: composição com a finalidade de exortar.
Personificação: conceito onde um objeto inanimado ou animal é como que colocado ou considerado em lugar de uma pessoa de forma que  são atribuídas características ou ações humanas a tal conceito, objeto ou  animal. A morte é personificada em Rm 6.23; o mesmo se dá com o amor em I Co 13.4-7; Sl 35.10; Is 35.1. A personificação é também conhecida como prosopopeia.
Perícope: do grego "recortar" refere-se a uma seção (parágrafo) de texto delimitado a partir de seu conteúdo. Por causa da divisão do texto bíblico em versículos, muitas vezes dificulta a identificação de uma perícope textual.
Pleonasmo: é a utilização de repetição ou acréscimo de palavras semelhantes. Atos 2.30 quer dizer literalmente “Deus lhe havia jurado com juramento”. A tradução popular da NTLH não traduz os pleonasmos bíblicos, visto que na linguagem portuguesa ela é desnecessária.
Poema: é uma composição literária, geralmente em forma de versos, expressando uma ideia ou um sentimento. Os livros reconhecidos pelos judeus como poéticos são Salmos, Provérbios, e Jó.  Porém, Eclesiastes (um poema filosófico), Cântico dos Cânticos (uma coleção de poemas de amor) e Lamentações (poemas de queixa), de igual modo são poesia, e, portanto, constam em nossa divisão da Bíblia como livros poéticos.
Poesia emblemática: um modelo poético hebraico comum que explica um ponto ou uma verdade usando uma ilustração figurativa como uma das unidades paralelas (por exemplo, Prov. 25:25).
Poesia Lírica: preparados para serem cantados ou salmodiados (Cf. os Salmos). No saltério encontramos a maioria dos tipos de poesia lírica: odes, cânticos, elegias (ternura e tristeza), intercessões, monólogos, visões e rituais.
Poesia Didática: versos poéticos destinados a ensinar verdades e aforismos. Podem ser divididos em dois tipos: Didática Prática (Cf. Provérbios) e Didática Filosófica (Cf. Eclesiastes).
Poesia Idílica: cenas campestres ou pastoris em forma de verso (Cf. Cantares).
Poesia de Elegia: versos que expressam pesar ou lamentação (Cf. Lamentações de Jeremias; 2Sm 1.19-27 - o pranto de Davi por Saul e Jônatas).
Primeiro Testamento: Nas acadêmicas tem se utilizado essa nomenclatura em substituição aos termos “Antigo e/ou Velho Testamento” objetivando uma valorização e melhor apreciação dos escritos contidos na primeira parte da Bíblia cristã.
Prolegômenos: termo derivado de um vocábulo grego que se pode traduzir como “preâmbulos”, utilizado para indicar as noções preliminares necessárias à compreensão de um livro; com a intenção de estabelecer os fundamentos daquilo que vai ser tratado a seguir.
Prosa: uma forma de escrita que se distingue da poesia em que usa modelos de dicção comum.
Provérbio: dizer breve, paradigmático, com formato poético; aforismo, adágio.
Querigma: de um termo grego “proclamação”, corresponde ao verbo “kerysso” (pregar, proclamar). Querigma tornou-se um termo técnico para identificar a pregação primitiva e/ou apostólica centralizada na vida, ministério, morte e ressurreição de Jesus Cristo.
Quiasmo: é um recurso literário onde os elementos relacionados em construções paralelas são invertidos e cruzados formando um X (no grego chiasmos).
Recorrência: retorno de um determinado termo ou de uma unidade linguística no discurso.
Sabedoria (Literatura de): um gênero literário encontrado no Primeiro Testamento que objetiva a comunicação da sabedoria divina; inclui provérbios e Eclesiastes.
Símile: Do latim "simples" (parecido com), figura retórica que desenha uma comparação implícita entre duas diferentes coisas em um ou mais dos seus aspectos. O símile usa palavras como, assim, semelhante a, etc., expressando a semelhança entre os dois. Esta figura é a mais simples e a mais fácil de identificar (Gn 13.10, 16; 15.5; Jz 7.12; Pv 26.18, 19; Is 1.8).
Saltério: referente ao conjunto de salmos que estão inseridos no cânon hebraico.
Segundo Testamento: Nas academias tem sido utilizado esse termo em substituição ao termo “Novo Testamento” no intuito de minimizar uma descontinuação entre a primeira e a segunda parte da Bíblia cristã.
Semântica: estudo da linguagem sob o ponto de vista do sentido das palavras, ou seja, do conceito ou “significado” que elas designam.
Semiótica: também nominada de “análise estrutural”, onde se estudo um texto  deixando de lado a história da sua composição, não se preocupando com as intensões do autor, centrando-se nas relações entre os elementos textuais. Em uma narração objetiva determinar a “estrutura narrativa” e seu “sistema de valores” ali presente.
Símile: uma comparação de duas coisas semelhantes; usa a palavra “como” (Cf. Sl 1.3 “...como a árvore plantada...”).
Sinédoque: Representando o todo por uma parte, ou uma parte pelo todo (Cf. Sl 91.5).
Sinopse: do termo grego “olhar de conjunto”. É a exposição de passagens semelhantes dos evangelhos dispostas em colunas paralelas, para melhor visualização de suas semelhanças e diferenças.
Sinóticos: referente aos três primeiros evangelhos (Mateus, Marcos e Lucas), que por suas muitas semelhanças, podem ser vistos “com um olhar de conjunto” (ou em “sinopse”).
Sitz im Leben: expressão alemã que significa “cenário de vida ou contexto vivencial”, utilizada pela escola da crítica da forma para tentar estabelecer o contexto histórico de determinado livro da bíblia ou determinado registro neles contidos e essa esta expressão se remonta ao estudioso alemão H. Gunkel (1862-1932).  Na exegese bíblica é o esforço para se descrever em que ocasião uma determinada passagem da Bíblia foi escrita, ou seja, qual foi o fato que motivou o surgimento de um determinado gênero literário bíblico.
Tipo: utilizada nos escritos do Segundo Testamento onde algumas pessoas, lugares, objetos, eventos e instituições do Primeiro Testamento são interpretados como se referindo a alguma realidade espiritual futura. Um exemplo é quando João Batista identifica Jesus com o cordeiro pascoal.
Tipológica: é um tipo especifico de interpretação, onde passagens do Primeiro Testamento são interpretados no Segundo Testamento, através de uma simbologia analógica. Esse tipo de hermenêutica foi popularizado pela Escola Alexandrina, mas devido aos abusos deste tipo de interpretação, é prudente limitar seu uso a exemplos específicos registrados no Novo Testamento.
Torá: Termo hebraico muito traduzido por “lei”, mas que também significa “ensino”. Veio a ser o título oficial para os escritos de Moisés (Gênesis até Deuteronômio). Para os judeus, é a divisão com mais autoridade no cânon hebraico.
Trocadilho: quando o escritor faz um jogo de palavras. Em Cantares (1.3) e Eclesiastes (7.1) o escritor faz uso deste artificio literário com as palavras nome e unguento que no hebraico são muito semelhantes (shem e shemen). Em sua carta a Filemom, Paulo intercede em favor de um escravo que havia fugido e faz um trocadilho com o nome dele Onésimo (útil; lucrativo) – “Outrora ele foi inútil, mas agora a ti e a mim muito útil” (verso 11). Paulo visa demonstrar a transformação ocorrida na vida de Onésimo como testemunho de sua conversão.
Unidade literária. Refere-se às divisões principais do pensamento de um livro bíblico. Pode ser formada por uns poucos versículos, por parágrafos ou até capítulos. É uma unidade independente com um assunto central. [Paragrafo, Perícope].
Zoomorfismo: Se o antropomorfismo atribui características humanas a Deus, o zoomorfismo atribui características animais a Deus ou a outros. No Salmo 91.4 o salmista disse: “[Deus] Cobrir-te-á com as suas penas, sob suas asas estarás seguro”. A imagem que vem à mente dos leitores é de pintinhos ou passarinhos protegidos debaixo da galinha ou do pássaro-mãe.
Vaticanus: Manuscrito grego do quarto século d.C. Foi encontrado na biblioteca do Vaticano. Continha originalmente todo o Velho Testamento, os Apócrifos e o Novo Testamento. Contudo, algumas partes foram perdidas (Gênesis, Salmos, Hebreus, as Pastorais, Filemom e Apocalipse). É um manuscrito muito útil para determinar a fraseologia dos originais. É identificado por uma letra “B” maiúscula.
Vulgata. Nome da tradução latina da Bíblia por Jerônimo. Tornou-se a tradução básica ou “comum” para a Igreja Católica Romana. Foi feita por volta do ano 380 d.C.

Utilização livre desde que citando a fonte
Guedes, Ivan Pereira
Mestre em Ciências da Religião.
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