Inspiração é um termo teológico derivado do latim spiro (“soprar”), usado para descrever o processo pelo qual Deus guiou os autores das Escrituras. O que escreveram foi, ao mesmo tempo, fruto de suas próprias palavras e a própria Palavra de Deus. Deus “soprou” suas verdades por meio das mentes e personalidades de seus porta-vozes. Assim, por meio de escritos inspirados pelo Espírito, preservou um registro histórico e teológico de suas obras e o concedeu ao seu povo como meio de graça, para que confiassem nele e lhe obedecessem plenamente. Diante de nossa limitação e pecaminosidade, necessitamos dessa orientação e sabedoria divinas; a Escritura foi inspirada com esse propósito.
A inspiração não deve ser entendida como ditado mecânico, mas como a ação de Deus que envolveu integralmente os autores bíblicos em seus contextos históricos e pessoais. O resultado foi sempre a Palavra de Deus ao ser humano por meio do ser humano (2Tm 3.16; 2Pe 1.20–21), portando plena autoridade divina. Tecnicamente, aplica-se aos autógrafos (manuscritos originais), e não às cópias ou traduções. Muitos teólogos defendem a inspiração verbal (que alcança as próprias palavras) e plena (plenary, que abrange toda a Bíblia), posição que corresponde ao entendimento dos profetas, de Cristo e dos apóstolos, além de refletir a tradição histórica da igreja. Desde o Iluminismo, porém, tornou-se comum negar essa perspectiva, apontando supostas imprecisões e limitações da linguagem. Tais objeções, fundamentadas em pressupostos antissobrenaturalistas (rejeição da intervenção divina), podem ser rejeitadas como infundadas, visto que Jesus afirmou a plena confiabilidade das Escrituras (Mt 5.17–20).
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