quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Predestinação: uma palavra que irrita muita gente

 Uma imagem contendo objeto, no interior, relógio, escuro

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Há poucos termos que irritam tantas pessoas quanto a palavra predestinação. Vivemos tempos em que a Palavra de Deus e seus ensinamentos estão sob ataque como nunca antes. A predestinação é um dos ensinos mais violentamente atacados. Por que as pessoas se ressentem desse termo? Qual é a razão da inimizade que muitos demonstram em relação a ele?

O ser humano natural nunca apreciou as verdades bíblicas, pois, por natureza, é orgulhoso e não deseja se submeter a um Deus soberano. As pessoas preferem um deus maleável, que possa ser influenciado e até mesmo manipulado. Ao longo da história da igreja cristã, sempre houve tentativas contínuas de ofuscar ou minimizar a soberania de Deus, abrindo mais espaço para o ser humano e seu papel na salvação. O apóstolo Paulo, em seu documento mais maduro, após mais de vinte anos de caminhada com Cristo, escrevendo aos cristãos que viviam na capital do Império Romano, declara esta maravilhosa e extraordinária verdade: “Porque dele, e por ele, e para ele, são todas as coisas.” Essas palavras sintetizam a essência e o cerne do ensino bíblico da predestinação.

          A questão, na verdade, não está no termo em si - predestinação ou eleição -, mas nas imagens distorcidas que lhe foram atribuídas. A imagem de um ser humano nas garras de um Deus tirano, que vive ameaçando todos com o inferno, é uma caricatura. Muitos, ainda que afirmem crer nesse ensino bíblico, não têm coragem de declará-lo abertamente. Outros dizem que é um assunto para o seminário, mas não para os púlpitos ou para conversas com pessoas mais simples. Contudo, nenhuma dessas coisas tem realmente a ver com a predestinação, pois ela está amalgamada nas páginas das Escrituras.

É certo que não temos acesso a uma lista dos predestinados e outra dos réprobos; por isso, o evangelho deve ser proclamado como fonte de conforto para todos aqueles que creem. Os incrédulos jamais aceitam o ensino da predestinação, assim como não aceitam quaisquer outros ensinos que emanam das páginas das Escrituras. Nas Escrituras, a predestinação não é motivo de medo ou repúdio, mas de louvor e adoração Efésios 1.

A oferta de salvação é dirigida apenas àqueles que possuem as marcas da eleição, e eles não têm palavra para os não convertidos. Esta interpretação é completamente equivocada e alienada do ensino bíblico sobre essa doutrina.

Devemos sempre ter a certeza de que falamos biblicamente e não imaginativamente sobre essa doutrina. Isso não é fácil, mas é possível com muita oração e estudo da Palavra de Deus. Uma exigência se impõe de forma absoluta: não permitir que a razão humana decaída seja nosso guia. Lembremos as palavras do salmista: “Lâmpada para os meus pés é a tua palavra, e luz para o meu caminho” (Salmo 119:105).

As palavras do salmista não são apenas poéticas, mas constituem o cerne da discussão sobre as doutrinas bíblicas. Elas nos lembram que a verdadeira interpretação das Escrituras deve ser teocêntrica, colocando Deus no centro. Quando a leitura se torna antropocêntrica, centrada no homem, a Palavra perde seu caráter diretivo, tornando-se apenas um reflexo das limitações humanas. O salmista, porém, nos mostra que somente a Palavra de Deus ilumina o caminho e conduz com segurança.

Assim, diante do ensino autoritativo da predestinação, não nos curvamos ao medo ou à dúvida, mas nos erguemos em louvor e adoração, certos de que a soberania de Deus é nossa segurança e sua Palavra, nossa guia infalível.

O ensino bíblico não deve se iniciar em outro lugar a não ser no vale da depravação humana e somente então devemos iniciar a nossa subida até o cume da montanha da predestinação.

O ensino paulino sobre a predestinação não está desconectado do que ele ensina antes e depois. Nos capítulos anteriores (1–3), o apóstolo faz uma tomografia completa da raça humana decaída, concluindo, sem qualquer subterfúgio, que tanto judeus quanto gentios (todas as raças e etnias) vivem alienados de Deus e, por isso, ficam aquém da glória de Deus. Além disso, todos estão incluídos no pecado de Adão e, portanto, vivem expostos à ira de Deus. Isso inclui você e eu, todos nós. Como tão bem declara Davi, após ser confrontado com seus pecados pelo profeta Natã: “Eis que fui moldado na iniquidade, e no pecado minha mãe me concebeu” (Salmo 51:5). Somente quando sentimos a depravação de nossos corações — a inimizade contra Deus, o poder do pecado e a escravidão de nossas concupiscências — entendemos que não somos vítimas, mas plenamente responsáveis pelo que fazemos ou deixamos de fazer, e que teremos de prestar contas a Deus.

De maneira que, quando somos levados à conversão pela ação graciosa do Espírito Santo — ou seja, sem qualquer mérito de nossa parte —, as únicas palavras que devemos pronunciar são: “Ó Deus, eu pequei; eu mereço a Tua ira e não a Tua misericórdia.”

O mais grave problema do ser humano é que temos a tendência natural de nos fazer parecer mais apresentáveis do que a Bíblia nos descreve. Essa forma distorcida de autoimagem nos impede de compreendermos corretamente a verdade sobre nós mesmos e não nos curvamos humildemente diante da Palavra de Deus. Davi estava tranquilo, achando que era um bom rei, até que Natã o confrontou com a realidade de seus pecados: “Senhor, de fato, seria totalmente justo se nunca olhasses para mim; isso é tudo o que eu mereço.” É aqui que precisamos estar, e é exatamente aqui que Deus nos quer: “Ó Deus, sê propício a mim, pecador” (Lucas 18:13).

Quando chegamos neste ponto começaremos a entender as palavras de João: "Mas nisto se manifestou o amor de Deus, que enviou ao mundo o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (cf. 1 João 4:9 e João 3:16). Apesar da nossa miserável situação, a porta da graça começa a se abrir, na verdade é escancarada! Apesar de sermos completamente impotentes para nos salvarmos por nossas próprias forças e capacidade - Deus toma a iniciativa de fazer algo sobre a nossa situação. Ele decidiu dar Seu Filho e enviá-Lo às pessoas que estão perdidas no vale do pecado. Está é a mensagem do Evangelho para todos os pecadores!

Então poderemos cantar:

Graça maravilhosa, quão doce é o som
Que um pecador salvou como eu!
Perdido eu estava, mas me encontrou,
Cego fui, mas hoje vejo bem.

(Graça Maravilhosa - Amazing Grace)  

Mas Deus vai infinitamente mais do que anunciar que há uma salvação disponível. Ele não apenas indica o único Caminho de salvação – Jesus Cristo. Ele nos conduz até a cruz! Deus em Sua infinita misericórdia envia mensageiros que trazem as boas novas do Evangelho! Esses mensageiros devem chamar os pecadores ao arrependimento e à fé.

Quando falamos em eleição, devemos começar com o fato de que Cristo é pregado e é oferecido gratuitamente aos pecadores desesperançados. Portanto, torna-se um privilégio de escolha ouvir essas boas novas de salvação. Milhões de pessoas já pereceram e outro milhões perecerão sem ter ouvido nada sobre Cristo, o único nome debaixo do céu pelo qual devemos ser salvos. De maneira que, você e eu estamos incluídos no número de pessoas que podem ouvir as palavras de salvação. Por quê? É uma escolha soberana de Deus! É eleição de Deus! O fato de que você, diferente de muitos outros, possa ouvir a Palavra da salvação faz parte da eleição.

Deus vem até você e diz: "Não tenho prazer em sua morte, pecador, mas em seu arrependimento e em sua vida". Em outro lugar: "A vós, ó homens, eu chamo; e a minha voz é para os filhos do homem" (Provérbios 8:4). Isso inclui você, pois você é um ser humano, não é? Reconheça isso como um milagre e venha ouvir sempre que a Palavra de Deus for pregada. Lembre-se de que por trás do pregador está um Deus compassivo e gracioso que enviou Seu Filho ao mundo para salvar pecadores por Sua própria boa razão.

Lembre-se de que a ira de Deus permanece sobre aqueles que não crêem neste evangelho, mas a todos os que ouvindo creem, são por Cristo libertados da ira de Deus e da destruição, e recebem o dom da vida eterna conferido a eles. Este é um eco de João 3:36: "Aquele que crê no Filho tem a vida eterna, e aquele que não crê no Filho não verá a vida; mas a ira de Deus permanece sobre ele". Infelizmente são relativamente poucos os que mostram evidências de uma fé verdadeira e vital em Cristo.

Que contraste enorme! É um ou outro — o evangelho é o bom aroma de vida para os que creem, mas fedor de morte para os que o rejeitam (2 Coríntios 2:16). Todo ser humano está em um campo ou outro. Não há meio termo. Ou somos crentes ou descrentes; ou somos libertados da maldição ou ainda estamos sob essa maldição.

Os que rejeitam o Evangelho sempre têm desculpas. Chegam mesmo a dizer que não foram salvos porque, aparentemente, não agradou ao Senhor fazê-lo. Alegam que tentaram buscar o Senhor, mas que Ele, aparentemente, não está disposto a ser encontrado: “Eu orei, fui à igreja, li a Bíblia, vivo uma vida honesta, mas não me converti porque Deus tem que fazer isso.” É pura falácia!

Jesus declara de forma categórica: “E não quereis vir a mim para que tenhais vida” (João 5:40). Não é uma pergunta, mas uma afirmação. Não querem vir porque preferem os seus pecados. Você quer ser seu próprio mestre. Você não quer se submeter ao senhorio de Cristo. Você não quer se curvar diante da soberania absoluta de Deus. Você não quer se colocar à disposição Dele.

Admita-o e curve-se diante desta verdade. Diga: “Senhor, eu sei que isso é verdade. Sei que a culpa é minha”. A situação miserável do pródigo começa a mudar no momento em que “caindo em si” declara: “Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho” (Lucas 15:17–19).

Ele não culpa o pai, nem as circunstâncias, nem os amigos; assume responsabilidade plena por sua condição. Ao declarar “não sou digno”, confessa que o pecado destruiu qualquer mérito humano diante de Deus. Essa frase é a quebra definitiva do orgulho humano, pois a natureza pecaminosa tende a se justificar, mas aqui o filho renuncia a toda pretensão. Ele não reivindica direitos, não exige posição, apenas admite sua condição miserável.

Além disso, “não sou digno” revela a consciência da distância espiritual. O pecado não apenas arruinou sua vida material, mas o afastou do pai. É a linguagem da separação: o pecador entende que não pode, por si mesmo, restaurar a comunhão perdida. Contudo, paradoxalmente, é justamente nesse momento de reconhecimento da indignidade que o pródigo está pronto para receber a graça - o pai não o trata conforme sua confissão de miséria, mas o recebe com amor, veste-o com a melhor túnica e o restaura como filho (Lucas 15:22).

Assim, “não sou digno” não é apenas um lamento, mas o ponto de virada. É quando o homem reconhece sua miséria que Deus revela sua graça abundante, mostrando que a restauração não depende do mérito humano, mas da misericórdia divina.

O apostolo Paulo resume tudo isso em uma única frase: “Pela graça sois salvos, mediante a fé”. É possível pensar que isso não faz sentido. Mas é isso que a Palavra de Deus ensina! Se você não crê, a culpa é sua, e se você crê, é tudo obra de Deus. Essa é a verdade, quer você a entenda ou não.

Então se tudo provém de Deus, não tem nada que eu possa fazer! Como o pródigo você pode cair de joelhos agora mesmo e declarar: NÃO SOU DIGNO! NÃO SOU DIGNO! Comece onde Deus começa. Ele vem até você e lhe revela a terrível verdade sobre você mesmo. Ele também vem até você com as boas novas do Evangelho. Há salvação para os pecadores que se humilham, reconhecem sua pecaminosidade e imploram por Sua misericórdia.

A pergunta errada é: "Eu sou eleito?". A pergunte certa é: "Eu Sou chamado e sou convidado?" A resposta para essa pergunta é um sim inquestionável! Você é chamado; você está convidado; Sim!

 

Utilização livre desde que citando a fonte
Guedes, Ivan Pereira
Mestre em Ciências da Religião.
me.ivanguedes@gmail.com
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