Gênesis 1:6 — interlinear
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וַיֹּאמֶר |
אֱלֹהִים |
יְהִי |
רָקִיעַ |
בְּתוֹךְ |
הַמָּיִם |
וִיהִי |
מַבְדִּיל |
בֵּין |
מַיִם |
לָמָיִם |
|
e disse |
Deus |
haja |
firmamento |
no meio de |
as águas |
e seja |
separando |
entre |
águas |
e águas |
Gênesis 1:7 — interlinear
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וַיַּעַשׂ |
אֱלֹהִים |
אֶת־הָרָקִיעַ |
וַיַּבְדֵּל |
בֵּין |
הַמַּיִם |
||||||||
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e fez |
Deus |
o firmamento |
e separou |
entre |
as águas |
||||||||
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אֲשֶׁר |
מִתַּחַת |
לָרָקִיעַ |
וּבֵין |
הַמַּיִם |
אֲשֶׁר |
מֵעַל |
לָרָקִיעַ |
וַיְהִי־כֵן |
|||||
|
que |
debaixo de |
o firmamento |
e entre |
as águas |
que |
acima de |
o firmamento |
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Como vimos no artigo anterior (cf. artigos relacionados) os verbos
no hebraico bíblico carregam não apenas ação, mas também nuances de tempo, aspecto
e relação com Deus. Desta forma o hebraico bíblico trabalha com uma lógica mais
ligada ao aspecto da ação (se ela está completa ou em andamento) do que à
cronologia linear.
Neste segundo artigo veremos o verbo בָּדַל (badal) sua conexão com
o verbo anterior בָּרָא (bara) e algumas de suas
implicações teológicas.
Gênesis 1:6–13
(texto hebraico)
Gênesis 1:6–13 — Hebraico
6. וַיֹּאמֶר אֱלֹהִים יְהִי רָקִיעַ בְּתוֹךְ
הַמָּיִם וִיהִי מַבְדִּיל בֵּין מַיִם לָמָיִם׃
7. וַיַּעַשׂ אֱלֹהִים אֶת־הָרָקִיעַ וַיַּבְדֵּל
בֵּין הַמַּיִם אֲשֶׁר מִתַּחַת לָרָקִיעַ וּבֵין הַמַּיִם אֲשֶׁר מֵעַל לָרָקִיעַ
וַיְהִי־כֵן׃
8. וַיִּקְרָא אֱלֹהִים לָרָקִיעַ שָׁמָיִם
וַיְהִי־עֶרֶב וַיְהִי־בֹקֶר יוֹם שֵׁנִי׃
9. וַיֹּאמֶר אֱלֹהִים יִקָּווּ הַמַּיִם מִתַּחַת
הַשָּׁמַיִם אֶל־מָקוֹם אֶחָד וְתֵרָאֶה הַיַּבָּשָׁה וַיְהִי־כֵן׃
10. וַיִּקְרָא אֱלֹהִים לַיַּבָּשָׁה אֶרֶץ
וּלְמִקְוֵה הַמַּיִם קָרָא יַמִּים וַיַּרְא אֱלֹהִים כִּי־טוֹב׃
11. וַיֹּאמֶר אֱלֹהִים תַּדְשֵׁא הָאָרֶץ דֶּשֶׁא
עֵשֶׂב מַזְרִיעַ זֶרַע עֵץ פְּרִי עֹשֶׂה פְּרִי לְמִינוֹ אֲשֶׁר זַרְעוֹ־בוֹ
עַל־הָאָרֶץ וַיְהִי־כֵן׃
12. וַתּוֹצֵא הָאָרֶץ דֶּשֶׁא עֵשֶׂב מַזְרִיעַ
זֶרַע לְמִינֵהוּ וְעֵץ עֹשֶׂה־פְּרִי אֲשֶׁר זַרְעוֹ־בוֹ לְמִינֵהוּ וַיַּרְא
אֱלֹהִים כִּי־טוֹב׃
13. וַיְהִי־עֶרֶב וַיְהִי־בֹקֶר יוֹם שְׁלִישִׁי׃
מַבְד v.6) – “aquele
que separa”, indicando ação em curso conforme a palavra divina.
וַיַּבְדֵּל (v.7) – ação
efetivada por Deus, cumprindo o decreto criacional.
Hebraico: בָּדַל
Transliteração: badal
Traduções: separou, distinguiu, dividiu
Comentário
Textual
No primeiro capítulo de Gênesis, o verbo בָּרָא
(bara’) aparece apenas no início (Gn 1.1), indicando o
ato
criador soberano de Deus que inaugura o universo. Exegeticamente, neste
verso, ele ainda não traz a ideia de ação continuada. Entretanto, a ausência de sua repetição ao
longo do capítulo não dilui seu relevante significado, ao contrário, revela que
a criação não é apenas um evento pontual, e sim um processo contínuo,
desdobrado em atos de ordenação e separação. É nesse contexto que
surge o verbo בָּדַל (badal), usado para descrever como Deus organiza o que foi criado,
separando luz das trevas, águas de cima e de baixo, terra firme e mares.
Gerard Van Groningen, em sua expressiva obra, propõe que a criação
deve ser entendida como um movimento dinâmico e não estático que vai da origem
ao propósito final. Nesta perspectiva, o ato criador não se encerra em Gn 1.1,
mas se prolonga ao longo das etapas subsequentes da narrativa bíblica, demostrando
que Deus conduz o cosmos rumo à consumação. Assim, bara’ e badal não são verbos
isolados, mas complementares: Deus cria e continua a ordenar. Enquanto o
primeiro descreve o ato criador de Deus, o segundo descreve a ordenação
progressiva dessa criação. De maneira que, a narrativa bíblica quer enfatizar
estas duas verdades – Deus cria e continua interagindo com está criação a
conduzindo ao propósito por Ele mesmo estabelecido.
Nesse ponto, é possível estabelecer uma relação analógica com o ato
salvador realizado pelo Espírito Santo na vida dos pecadores. Assim como a
criação não se limita ao ato inicial, mas avança rumo à sua consumação, a obra
salvífica do Espírito não se restringe ao momento único da conversão; ela se
desenvolve continuamente, conduzindo o crente até o estágio final da
glorificação (Romanos 8.29–30).
A perspectiva de Calvino é particularmente oportuna. Para ele, as
ações subsequentes de separar luz e trevas, águas e firmamento são expressões
da sabedoria divina que dá forma ao mundo. Assim, a criação não consiste apenas
em trazer algo à existência, mas também em dispor todas as coisas em ordem, de
modo que o ser humano, que ainda será criado, encontre um cosmos apto a ser
habitado e que, simultaneamente, reflita a glória do Criador.
Hansjörg Braumer, em seu comentário, destaca que este mesmo verbo
(badal) é utilizado na elaboração fecundante da Legislação de Israel, fazendo
distinção entre o que deve ser santo e o que permanece comum (Levítico 10.10). Então
ele faz o link com a criação: o Deus que organiza o cosmos é o mesmo que
organiza a comunidade, chamando-a a viver em santidade.
Por estas perspectivas podemos concluir que Gênesis 1 nos apresenta
uma teologia da criação que harmoniza origem e ordenação, existência
e santidade. Desta forma, Bara’ inaugura a realidade, e badal
a estrutura; revelando que Deus não apenas nos dá vida, mas igualmente nos dá
propósito.
Leitura Devocional
Em Gênesis 1 vemos que Deus não somente cria (bara’), mas continua
interagindo ordenando e separando (badal), de maneira que transforma o
caos em cosmos, preenchendo o vazio e trazendo luz onde havia apenas escuridão.
E quando adentramos ao Novo Testamento essa
verdade ganha ainda mais profundidade. O mesmo Deus que criou o mundo é aquele
que, em Cristo, está realizando uma Nova Criação.
O apostolo Paulo faz uma conexão preciosa quando declara: “Se
alguém está em Cristo, é nova criatura [criação]; as coisas antigas já
passaram; eis que tudo se fez (2 Coríntios 5:17). Aqui, o ato criador de
Deus se prolonga na vida espiritual: Ele não apenas nos chama à existência
(conversão, novo nascimento), mas nos separa para viver em santidade, trazendo
paz onde havia caos, luz onde havia trevas e propósito onde havia vazio.
Para Reflexão
Pense em áreas do seu coração ou da sua rotina que ainda estão em
“caos” ou “sem forma”. Tem orado pedindo que Deus traga ordem, luz e propósito,
assim como fez na criação?
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Como você pode viver hoje de forma consciente dessa obra contínua de Deus, usufruindo
da ação santificador do Espírito Santo?
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Referências Bibliográficas
BRAUMER, Hansjörg. Comentário
Esperança Antigo Testamento – Gênesis. Volume 1. São Leopoldo: Editora
Sinodal, 2014.
CALVINO, João. Comentário sobre o Livro de
Gênesis. São Paulo: Editora Paracletos, 1999.
VAN GRONINGEN, Gerard. From
Creation to Consummation. Chicago: Moody Press, 1996.

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