Quinta-feira à noite – Oração no Getsêmani
Estamos Caminhando com Jesus em seus últimos momentos antes da
Cruz. Estamos utilizando o roteiro exposto na gravura acima e utilizando, para
cada ponto, a seguinte estrutura:
- Leitura bíblica
- Comentário
- Pergunta para reflexão
É importante ressaltar que não se trata de comentários extensos,
pois o objetivo desta série é torná-la um roteiro devocional para o tempo da
Páscoa, mais precisamente na semana derradeira, criando a sensação de estarmos
vivenciando estes momentos com Jesus. Apesar da concisão, manteremos a
fidelidade à exposição exegética e expositiva, respeitando as perícopes e,
sempre que possível, as interconexões entre os evangelistas e suas respectivas
narrativas.
Que o Espírito Santo nos guie na compreensão e aplicação de Sua Palavra em
nossas mentes e corações. Amém!
Leitura:
Os textos apresentados abaixo são paráfrases, ou seja, traduções
livres mas sempre fiéis ao sentido dos textos gregos.
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Mateus 26:36-46 |
Marcos 14:32-42 |
Lucas 22:39-46 |
|
Jesus foi com seus discípulos a um lugar chamado Getsêmani. Ele
pediu que se sentassem enquanto ia orar, levando consigo Pedro, Tiago e João.
Começou a sentir uma tristeza profunda e disse a eles que sua alma estava
angustiada até a morte, pedindo que permanecessem acordados com Ele. Então,
afastou-se um pouco, caiu com o rosto em terra e orou: “Pai, se possível,
afasta de mim este cálice; mas que seja feita a tua vontade, não a minha.”
Voltando, encontrou os discípulos dormindo e perguntou a Pedro: “Vocês não
puderam vigiar comigo nem por uma hora? Vigiem e orem para não caírem em
tentação; o espírito está disposto, mas a carne é fraca.” Ele se afastou novamente e orou pela segunda vez, repetindo sua
entrega à vontade do Pai. Ao voltar, os encontrou dormindo outra vez, pois
estavam exaustos. Pela terceira vez, orou com as mesmas palavras. Depois,
retornou e disse: “Vocês ainda dormem e descansam? Chegou a hora: o Filho do
Homem está sendo entregue nas mãos dos pecadores. Levantem-se, vamos! Aquele
que me trai já está chegando.”
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Jesus foi com seus discípulos a um lugar chamado Getsêmani e
disse: “Sentem-se aqui enquanto eu vou orar.” Levou consigo Pedro, Tiago e
João, e começou a sentir grande angústia e tristeza. Ele lhes disse: “Minha
alma está profundamente triste, quase até a morte. Fiquem aqui e vigiem.” Então, afastou-se um pouco, caiu no chão e orou: “Pai, se
possível, afasta de mim este cálice; mas que seja feita a tua vontade, não a
minha.” Voltando, encontrou os discípulos dormindo e disse a Pedro: “Simão,
você está dormindo? Não conseguiu vigiar nem por uma hora? Vigiem e orem para
não caírem em tentação. O espírito está disposto, mas a carne é fraca.” Ele se afastou novamente e orou, repetindo as mesmas palavras. Ao
voltar, encontrou-os dormindo outra vez, pois seus olhos estavam pesados.
Eles não sabiam o que responder. Pela terceira vez, Jesus voltou a orar e, ao
retornar, disse: “Vocês ainda dormem e descansam? Basta! Chegou a hora: o
Filho do Homem está sendo entregue nas mãos dos pecadores. Levantem-se,
vamos! O traidor já está chegando.”
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Jesus saiu e foi, como costumava fazer, para o monte das
Oliveiras, e os discípulos o acompanharam. Ao chegar, disse a eles: “Orem
para não caírem em tentação.” Então, afastou-se um pouco, ajoelhou-se e orou:
“Pai, se quiseres, afasta de mim este cálice; contudo, que seja feita a tua
vontade, não a minha.” Um anjo do céu apareceu para fortalecê-lo. Em profunda angústia,
Jesus orava com ainda mais intensidade, e seu suor caía como gotas de sangue
que escorriam até o chão. Depois, levantou-se da oração, voltou até os
discípulos e os encontrou dormindo, exaustos de tristeza. Ele lhes disse:
“Por que estão dormindo? Levantem-se e orem, para que não caiam em tentação.”
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Chegou a hora! Após comer a ceia no Cenáculo com os discípulos e
lhes ensinar as últimas lições do discípulo, Jesus sai em direção ao Monte das
Oliveiras (cerca de 1 km, o que corresponde a uma caminhada de aproximadamente
10 a 15 minutos), pois ali havia um jardim chamado Getsêmani onde poderia orar
tranquilamente (provavelmente já havia feito isso antes).
Ao chegarem no jardim Ele separa Pedro, Tiago e João para estarem
mais próximos enquanto ora. Tomado por profunda angústia, declara: “A minha
alma está profundamente triste até à morte.”
Jesus então se afasta um pouco mais e ora ao Pai pedindo, se
possível, que o cálice [da cruz] passe dele, mas reafirma sua submissão: “Contudo,
não seja como eu quero, mas como tu queres.”
Enquanto isso, os discípulos, se entregam ao cansaço e dormem.
Jesus volta três vezes, encontra-os dormindo e os exorta: “Vigiai e
orai, para que não entreis em tentação.”
Lucas acrescenta que sua agonia era tão intensa que seu suor se
tornou como gotas de sangue caindo ao chão, e que um anjo lhe apareceu para
fortalecê-lo. Ao final, Jesus desperta os discípulos e anuncia que chegou a
hora: o Filho do Homem está sendo entregue nas mãos dos pecadores.
Comentário:
A narrativa e/ou relatos do Getsêmani representa um dos momentos
mais profundos da revelação da humanidade de Cristo. Após ensinar, curar e
demonstrar autoridade divina, Jesus agora se apresenta em extrema
vulnerabilidade diante de todas as atrocidades que haverá de ser submetido.
Os evangelistas que escrevem em momentos distintos suas narrativas,
e registram apenas o essencial dentro de suas perspectivas. O cenário é comum
aos três: Jesus entra no jardim para orar antes da traição e aprisionamento. O
lugar não é casual. O Getsêmani (do hebraico/aramaico gat-šĕmānê,
“prensa de azeite”) torna-se simbolicamente o lugar onde o Messias é “pressionado”
pela agonia espiritual. Assim como as azeitonas eram esmagadas para produzir
óleo, Cristo é esmagado pela antevisão da cruz. Tem plena consciência dos
detalhes do que está por vir.
Mateus e Marcos coloca em destaque a agonia profunda de Jesus. As
expressões gregas usadas indicam angústia intensa, quase esmagadora. Não se
trata de medo comum da morte, mas da consciência do peso do pecado que ele
carregaria. O “cálice” mencionado na oração é uma metáfora
veterotestamentária frequentemente associada ao juízo divino. Jesus contempla
não apenas a dor física da crucificação, mas o peso do julgamento que recairia
sobre ele em favor da humanidade. O Rev. Lloyd-Jones seguindo a tradição
reformada afirma que o Getsêmani não é apenas preparação, mas já o início da
expiação, pois Cristo enfrenta a realidade do juízo divino.
Lucas, por sua vez, acrescenta dois detalhes importantes: a
presença de um anjo fortalecendo Jesus e o suor como gotas de sangue. Os
comentaristas reformados concordam que os dois detalhes de Lucas não são meras
notas históricas, mas revelam a profundidade da batalha espiritual e humana
de Jesus: o anjo como expressão do sustento divino e o suor como sangue como
expressão da intensidade da agonia interior. Lucas deseja enfatizar a
intensidade da luta espiritual e física travada naquele momento. O Salvador
enfrenta ali uma batalha interior (mental) decisiva antes da batalha externa da
cruz.
Ao mesmo tempo, o contraste com os discípulos é evidente.
Enquanto Jesus vigia e ora, eles dormem. A exortação “vigiai e orai”
revela uma verdade espiritual permanente: a fraqueza humana torna a vigilância
espiritual indispensável. Em sua narrativa Lucas repete a exortação em duas ocasiões: antes
de Jesus se afastar para orar e novamente quando retorna, reforçando o
chamado à vigilância. O espírito pode estar disposto, mas
a natureza humana é fraca [como vemos na traição de Iscariotes, na negação de
Pedro e na fuga dos demais discípulos].
O ponto culminante do texto não é a angústia, ainda que seja
intensa, mas a submissão. A oração de Jesus expressa a perfeita
obediência filial: “não seja feita a minha vontade, mas a tua.” A luta
interior intensa culmina na vitória da submissão. A redenção não se dá
apenas na cruz, mas já aqui, quando Cristo se submete plenamente a
sorver cada gota do cálice da ira de Deus, em favor daqueles que haverão de serem
salvos. Aqui se revela o coração da redenção. O Jesus Cristo, segundo
Adão, escolhe obedecer onde o primeiro falhou.
Assim, o Getsêmani nos ensina que a vitória espiritual nasce no
secreto da oração [entra em teu quarto, fecha a porta e ore em secreto]. Antes
da cruz pública, houve a rendição silenciosa no jardim. A vitória na cruz foi alcançada
primeiro no coração obediente do Filho.
Reflexão
1. O que Jesus nos ensina no Getsêmani sobre enfrentar a angústia?
Resposta: Que devemos levar nossas dores e temores a Deus em oração,
confiando em sua vontade.
2. O que significa o “cálice” que Jesus menciona em sua oração?
Resposta: O sofrimento da cruz e o juízo de Deus que Cristo carregaria
pelos pecados da humanidade.
3. Por que Jesus ordena aos discípulos que vigiem e orem?
Resposta: Porque o espírito pode estar disposto, mas a carne é fraca, e
somente a vigilância em oração nos guarda da tentação.
4. Qual é a principal lição da oração de Jesus: “não seja feita a
minha vontade, mas a tua”?
Resposta: Que a verdadeira obediência consiste em submeter plenamente
nossa vontade à vontade de Deus.
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