sábado, 3 de dezembro de 2022

Eclesiastes - Introdução ao Livro


Total de capítulos: 12
                       Total de versículos: 222 
Tempo aproximado de leitura: 35 minutos

O livro de Eclesiastes é um dos cinco livros poéticos do Antigo Testamento. Compreendendo uma porção significativa da literatura sapiencial bíblica, esses livros — Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes e Cantares de Salomão — possuem caráter profundamente pessoal e contêm algumas das reflexões mais densas e penetrantes da história humana.

Muitos estudiosos não hesitaram em enumerá-lo entre os livros mais difíceis do Cânon Sagrado. No período da Antiguidade e no transcorrer da Idade Média, na ausência de expositores mais cuidadosos, abundaram comentários alegóricos extravagantes, que mais confundiram os leitores do que os ajudaram a compreender a mensagem do livro.

O reformador João Calvino não produziu nenhum comentário específico sobre Eclesiastes, ainda que tenha feito inúmeras citações dele em suas obras. Martinho Lutero, por sua vez, reconheceu que Eclesiastes é “um dos livros mais difíceis de toda a Escritura” e criticou os comentários anteriores por terem obscurecido o propósito do livro, tanto por falta de compreensão do objetivo do autor quanto por dificuldades relacionadas à língua hebraica e ao estilo peculiar do texto (LUTHER, 1972, p. 3).

Quando se lê Eclesiastes pela primeira vez, pode-se achá-lo confuso e difícil de entender. À primeira vista, parece uma estranha mistura de fé e fatalismo. Em alguns momentos, o escritor parece resignado diante da frustração e da futilidade da vida; em outros, parece sugerir que se deve aproveitar tudo o que oferece alguma satisfação. Entretanto, quando se lê o livro com mais atenção, percebe-se que o escritor está fazendo um alerta: Deus sabe o que está acontecendo, e um dia responderemos diante dele.

Dessa forma, a grande pergunta do livro é: qual é o sentido da vida? Onde Deus entra na equação da sua existência?

Uma das razões pelas quais os evangélicos dos séculos XX e XXI minimizam ou menosprezam a leitura e o estudo de Eclesiastes é que o escritor expõe, de forma clara e sem subterfúgios, a abordagem superficial e triunfalista de parte do cristianismo contemporâneo. O livro confronta os leitores com os problemas reais de vivermos em uma sociedade hedonista e materialista.

Eclesiastes é um discurso inoportuno para os ouvidos sensíveis das atuais gerações evangélicas.

Se, nas gerações de meus pais e avós, muitas pessoas deixavam tudo para desfrutar do Evangelho, no tempo presente muitos “crentes” — como se tivessem esquecido o fim para o qual foram salvos — estão prontos para deixar o Evangelho e mergulhar de corpo e alma nos prazeres deste mundo. O escritor de Eclesiastes descreve, em imagens vívidas, que tudo o que essa sociedade oferece é tão somente vaidade, sim, vaidade das vaidades.

O livro inteiro confronta a tendência do ser humano de querer ser Deus em vez de confiar em Deus. Eclesiastes nos ensina que só podemos nos aproximar de Deus com base em quem ele é, e não com base naquilo que “definimos” que ele seja. As pessoas, de forma geral, e um número crescente de evangélicos, vivem como quem pode ter tudo, saber tudo, experimentar tudo, alcançar tudo, ser feliz em tudo e ter todas as respostas para tudo. Mas a realidade é que somente Deus pode ser e fazer tudo isso; nós não somos ele.

A chave para compreender corretamente esse livro está na frase: “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria” (Pv 9.10). A verdadeira sabedoria consiste em reconhecer a nossa própria limitação e aprender continuamente a confiar no Deus soberano, que conhece e sabe todas as coisas. Como em toda a Bíblia, a fé é indispensável, pois sem ela pouca coisa — ou nada — faz sentido nas Escrituras.

Unidade do livro

As aparentes contradições levam muitos a afirmar precipitadamente que o livro é uma obra de vários autores, cada um apresentando sua própria visão da vida. Mas, quando estudado sem preconceito ideológico, percebe-se claramente que o mesmo escritor examina a vida humana sob diversos aspectos. Ele não tem dúvidas, porém, sobre a direção certa a ser tomada, e afirma isso com todas as letras.

Título e autoria

O título do livro, “Eclesiastes”, é a tradução grega da palavra hebraica Qoheleth ou Koheleth, que deriva da palavra hebraica qahal, “assembleia” ou “congregação”. Desse modo, Qoheleth é aquele que se dirige à assembleia.

O termo refere-se a um pregador ou professor que está diante de seu auditório para expor ou ensinar suas teses. Essa palavra é encontrada nos dois primeiros versículos, bem como em Ec 1.12; 7.27; 12.8-10: “Palavras do Pregador, filho de Davi, rei em Jerusalém. Vaidade das vaidades, diz o Pregador, vaidade das vaidades; tudo é vaidade” (Ec 1.1-2).

Embora o nome de Salomão não apareça no livro, os dois primeiros versículos o identificam como “filho de Davi, rei em Jerusalém”. Tanto judeus quanto os primeiros cristãos atribuíram o livro a ele. Além disso, as referências à sua grande sabedoria em Ec 1.16, aos seus vastos projetos de construção em Ec 2.4-6 e à sua abundante riqueza em Ec 2.7-9 reforçam essa identificação, em diálogo com a narrativa bíblica sobre Salomão em 1Rs 3.12; 7.1-12 e 2Cr 9.3-28.

Data de escrita

O conteúdo do livro sugere que Salomão o escreveu em idade mais avançada, provavelmente por volta de 930-945 a.C., quando faz uma retrospectiva de sua própria vida.

Em Ec 2.1-11, ele descreve suas grandes obras, riquezas, indulgências e prazeres. Nos capítulos 11 e 12, escreve sobre experiências relacionadas ao envelhecimento. Em seguida, aplica essas experiências aos jovens, especialmente em Ec 11.9—12.1, para que eles aprendam com sua trajetória.

Tema

Em suas declarações iniciais e finais, Salomão destaca a vaidade e a futilidade da vida. Sem Deus, a vida é vazia e sem sentido. Ele utiliza duas expressões-chave — “vaidade” e “debaixo do sol” — que aparecem ao longo do livro como uma espécie de refrão. “Vaidade” traduz a palavra hebraica hebel, que significa sopro, vapor, transitoriedade ou vazio. Dessa forma, o escritor deixa claro que uma vida na qual Deus está fora da equação é sem sentido e vazia.

O escritor pretende levar seus ouvintes e leitores a uma reflexão sobre o sentido da vida: como você está vivendo? Salomão teve tudo do bom e do melhor; portanto, tinha meios e recursos para explorar todos os caminhos em sua busca por satisfação. Mas o resultado não foi aquilo que ele esperava, pois uma vida sem Deus é uma completa ilusão. A morte é implacável: “Então, o pó voltará à terra, como era, e o espírito voltará a Deus, que o deu. Vaidade das vaidades, diz o Pregador; tudo é vaidade” (Ec 12.7-8).

O escritor conclui sua obra com uma nota sóbria. A felicidade e a satisfação reais e verdadeiras estão somente em Deus: “teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo homem. Porque Deus há de trazer a juízo todas as obras, até as que estão escondidas, quer sejam boas, quer sejam más” (Ec 12.13-14).

Há uma linha divisória entre o crente e o incrédulo. Os crentes sabem que vivem esta vida “sob as mãos de Deus” (Ec 9.1) e que Deus está no controle de todas as coisas. Há muitas realidades acontecendo além daquilo que os olhos podem ver e que os sentimentos podem perceber. O incrédulo vive alienado de Deus e, portanto, sem o discernimento correto das coisas, preferindo viver na ilusão a encarar a realidade nua e crua da vida.

Assim, uma vida com propósito e significado somente é encontrada por aqueles que aprendem a discernir a vontade de Deus e a confiar nele. Foi por isso e para isso que Cristo morreu na cruz: para que o ser humano perdido e desorientado pudesse chegar novamente a Deus.

O pecado danificou totalmente o “GPS” do ser humano, de modo que ele, por si só, não é capaz de encontrar o caminho certo que o leve a Deus. Por isso, Jesus Cristo precisou vir ao mundo: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14.6).

Propósito

Em seu comentário sobre Eclesiastes, Gary H. Everett destaca alguns propósitos do livro, organizando sua leitura em dimensões doutrinária, histórica, didática e exortativa (EVERETT, 2013).

Propósito doutrinário e apologético: estabelecer e defender a reivindicação central do Pentateuco de que YHWH é o Deus verdadeiro.

Propósito histórico: registrar uma expressão antiga da literatura de sabedoria, revelando aspectos da mentalidade da cultura hebraica e das culturas em meio às quais Salomão produziu literatura sapiencial.

Propósito didático: instruir e aconselhar os jovens acerca do verdadeiro significado da vida. O jovem costuma ser caracterizado por uma paixão por explorar e experimentar a existência. Pode pensar, por exemplo, que a verdadeira sabedoria consiste em acumular grande quantidade de experiências e conhecimento. Salomão, porém, acumulou vasta sabedoria e descobriu que isso não era suficiente. Talvez o jovem também suponha que a vida seja mais bem aproveitada quando alguém vive despreocupadamente e se entrega aos prazeres. Salomão igualmente experimentou isso e não encontrou satisfação.

O Pregador ensina que servir ao Senhor e obedecer aos seus mandamentos é a verdadeira essência da vida. Ele mostra que devemos viver nossa breve estada nesta terra com alegria, aprendendo a encontrar propósito nas tarefas diárias enquanto caminhamos no temor do Senhor. Devemos reconhecer os dons desta vida — sabedoria, alegria, trabalho e riqueza — como bênçãos de Deus.

Eclesiastes nos ensina quão pouco este mundo pode satisfazer a alma humana separada do serviço a Deus. O livro afirma que, em meio às injustiças, anormalidades e lutas da vida que estão além do nosso controle, existe um Deus que interage continuamente com os assuntos da humanidade. Podemos nos consolar com o fato de que haverá um dia de prestação de contas para todos. Nenhum livro das Sagradas Escrituras aprofunda essa verdade de modo tão incisivo quanto Eclesiastes.

Propósito exortativo e querigmático: exortar os filhos de Israel a servirem ao Senhor Deus de todo o coração, obedecendo aos seus mandamentos por meio do temor do Senhor. Israel foi chamado a testemunhar às nações sobre o Deus vivo e verdadeiro por meio das bênçãos divinas resultantes de sua obediência.

A relevância de Eclesiastes para hoje

Eclesiastes é relevante porque trata de temas que continuam atuais: injustiça contra os pobres (Ec 4.1-3), política desonesta (Ec 5.8), líderes incompetentes (Ec 10.6-7), impunidade que encoraja novas práticas perversas (Ec 8.11), materialismo (Ec 5.10) e nostalgia idealizada pelos “bons velhos tempos” (Ec 7.10).

Enquanto passamos por Eclesiastes, algumas orientações práticas devem nos acompanhar:

  1. Não enterre a cabeça na areia, fingindo que os problemas não existem.
  2. Encare a vida honestamente, mas veja-a da perspectiva de Deus.
  3. Use a sabedoria dada por Deus, mas não espere resolver todos os problemas nem responder a todas as perguntas.
  4. Obedeça à vontade de Deus e desfrute de tudo o que ele lhe dá.
  5. A morte está chegando; portanto, esteja preparado.
  6. Moisés resume bem essa necessidade: “Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio” (Sl 90.12).

A pergunta que permanece é: sua vida é uma rotina monótona ou uma aventura diária vivida diante de Deus?

 

Utilização livre desde que citando a fonte.

Guedes, Ivan Pereira
Mestre em Ciências da Religião
me.ivanguedes@gmail.com

Outro blog:
Historiologia Protestante
http://historiologiaprotestante.blogspot.com.br/

Seja um apoiador deste blog 

 


Referências bibliográficas

EVERETT, Gary H. The Book of Ecclesiastes. In: Study Notes on the Holy Scriptures: Using a Theme-based Approach to Identify Literary Structures. January 2013 Edition. Disponível em: https://www.studylight.org/commentaries/eng/ghe/ecclesiastes.html. Acesso em: 30 abr. 2026.

LUTHER, Martin. “Notes on Ecclesiastes”. In: Luther’s Works. v. 15. Edited by Jaroslav Pelikan and Hilton C. Oswald. Translated by Jaroslav Pelikan. St. Louis: Concordia Publishing House, 1972. p. 3-187.

Artigos relacionados

Artigos relacionados

Livros Poéticos e Sabedoria - Tempo da Autoria
http://reflexaoipg.blogspot.com/2016/06/livros-poeticos-e-sabedoria-tempo-da.html    

Provérbios: Introdução Geral
https://reflexaoipg.blogspot.com/2021/02/proverbios-introducao-geral.html

Cântico dos Cânticos – Introdução
http://reflexaoipg.blogspot.com/2016/02/cantico-dos-canticos-introducao.html

Os Livros Poéticos e de Sabedoria - Canonicidade e Posição no Cânon Hebraico/Cristão
http://reflexaoipg.blogspot.com.br/2016/02/os-livros-poeticos-e-de-sabedoria_9.html

Cânones do Antigo Testamento
http://reflexaoipg.blogspot.com.br/search/label/VT%20-%20C%C3%A2non

Quadro Comparativo dos Cânones do Antigo Testamento
http://reflexaoipg.blogspot.com.br/2016/02/quadro-comparativo-dos-canones-do.html

 

sábado, 26 de novembro de 2022

Reflexão - Nabucodonosor Reconhece a Soberania de Deus

            Nenhum outro atributo do caráter de Deus foi e continua sendo rejeitado radicalmente pelos incrédulos do que a Soberania dele. Assim, nem um outro tem sido tão questionado e minimizado pelos pseudos evangélicos do século XX e principalmente do atual século XXI como o ensino bíblico de que Deus é totalmente Soberano sobre tudo e sobre todos. Aumenta dia-a-dia o numero de pseudos líderes evangélicos que sentem vergonha de ensinar e pregar que Deus é Soberano. Preferem se curvarem diante das ideologias nefastas e cartilhas de suas bíblias de politicamente (in)correto, do que crerem e proclamarem que há um Deus soberano e que tudo e todos terão que se curvarem diante dele.

            A grande questão que temos de enfrentar é: QUEM ESTA NO COMANDO DESTE MUNDO? O mundo que você assiste na TV ou lê nos jornais.

            Um Deus reinando supremo no Céu, geralmente é bem aceito; que Ele faça o quem bem entender nos céus, é um conceito quase universalmente aceito. E assim, cada vez mais as pessoas vão filosofando e teorizando, e banindo Deus para longe dos “negócios humanos”.

Tais “pensadores” não apenas negam que Deus tenha criado tudo, por uma ação pessoal e direta, como também repudiam qualquer ideia ou conceito que indique uma ação de Deus no mundo. A maioria das pessoas crê que tudo surgiu e se move guiada pela força impessoal e abstrata das chamadas “lei da Natureza”. Assim, o Criador é completamente banido da Sua própria criação. Então não deve nos surpreender a atitude da maioria das pessoas que O excluem completamente dos negócios humanos.

QUEM ESTA NO COMANDO DESTE MUNDO?

Se de fato acreditarmos nas declarações claras e positivas da Bíblia, não há nenhuma duvida. Pois em suas páginas se afirmam, continuamente, que Deus está no trono do universo; que o cetro está em Suas mãos; que Ele está conduzindo todas as coisas conforme Seu propósito e vontade.

A Bíblia afirma, não só que Deus criou todas as coisas, mas também que Deus está interagindo e conduzindo todas as Suas obras. Ela afirma que Deus é o "Todo-poderoso", que o Seu propósito é irreversível, que Ele é o soberano absoluto sobre todas as coisas, tanto na terra como nos céus.

E não pode ser de outra maneira. Pois só há duas alternativas possíveis: Deus ou tem que reger, ou ser regido; conduzir, ou ser conduzido; realizar a Sua própria vontade, ou ser contrariado pelas Suas criaturas. Crendo, portanto, no fato de que Deus é o Rei dos reis e Senhor dos senhores, investido com sabedoria perfeita e poder ilimitável, a conclusão óbvia é que Deus esta, como sempre esteve e sempre estará no Controle de todas as cousas.

Há muitos textos bíblicos que ensinam claramente esta verdade, e os Salmos é rico em afirma-las:

“Nos céus, estabeleceu o SENHOR o seu trono, e o seu reino domina sobre tudo”. (Salmo 103:19).

“No céu está o nosso Deus e tudo faz como lhe agrada”.  (Salmo 115:3).

“Com efeito, eu sei que o SENHOR é grande e que o nosso Deus está acima de todos os deuses. Tudo quanto aprouve ao SENHOR, ele o fez, nos céus e na terra, no mar e em todos os abismos”. (Salmo 135:5-6).

Definição

Uma definição de “soberania” pode ser: soberania é possuir poder e autoridade suprema de forma que uma pessoa está no pleno controle e pode realizar tudo o que lhe agrada[1].

Podem ser achadas várias outras definições semelhantes sobre a soberania de Deus, em vasta literatura sobre os atributos divinos:

“Sendo infinitamente elevado acima da mais elevada criatura, Ele é o Altíssimo, o Senhor dos céus e da terra. Não sujeito a ninguém, não influenciado por nada, absolutamente independente; Deus age como Lhe apraz, somente como Lhe apraz, sempre como Lhe apraz. Ninguém consegue frustra-lo nem impedi-lo”.[2]

Em um mundo dominado por ideologias racionalistas e materialistas, não se deveria esperar que as pessoas abraçassem com entusiasmo uma doutrina como a da soberania de Deus:

“O Deus deste século [vinte e um] não se assemelha mais ao Soberano Supremo das Escrituras Sagradas do que a bruxuleante e fosca chama de uma vela se assemelha à glória do sol do meio-dia. O Deus de que se fala atualmente no púlpito comum, comentado na escola dominical em geral, mencionado na maior parte da literatura religiosa da atualidade e pregado em muitas das conferências bíblicas, assim chamadas, é uma ficção engendrada pelo homem, uma invenção do sentimentalismo piegas. Os idólatras do lado de fora da cristandade fazem "deuses" de madeira e de pedra, enquanto que os milhões de idólatras que existem dentro da cristandade fabricam um Deus extraído de suas mentes carnais. Na realidade, não passam de ateus, pois não existe alternativa possível senão a de um Deus absolutamente supremo, ou nenhum deus. Um Deus cuja vontade é impedida, cujos desígnios são frustra­dos, cujo propósito é derrotado, nada tem que se lhe permita chamar Deidade, e, longe de ser digno objeto de culto, só merece desprezo”.[3]

Seria de se esperar que o evangélico abraçasse a doutrina da soberania de Deus como bíblica e verdadeira. Todavia, isto tem ocorrido somente em princípio, mas não necessariamente na prática.

Verdadeiramente Deus é plenamente soberano. Isso significa que Ele é o ser mais eminente, Ele controla tudo, a vontade dele é absoluta, e Ele faz tudo conforme lhe agrada. Nos sermões, estudos bíblicos, orações e cânticos se afirmam essas verdades bíblicas absolutas, até que Deus faça algo que nós não aprovamos ou que contraria nossos planos e desejos. Enquanto Deus está nos dando o que queremos Ele é soberano, mas quando Deus se nega a atender nossa oração ou tem a ousadia de tirar algo de nós, então nossa reação imediata é de resistir à doutrina da soberania dele. Em lugar de acharmos conforto nela, ficamos irritados, confusos e até mesmo decepcionados com Deus. Se Ele pode fazer tudo que lhe agrada, por que Ele permite que soframos? Esse nosso “problema” é decorrido de uma distorção desta doutrina e um conhecimento deficiente a respeito de Deus.

Por tudo isto, torna-se vital que cada Cristão venha a entender corretamente este atributo de Deus que é a Sua soberania. O atributo da soberania de Deus irrita muitas pessoas, inclusive muitos cristãos. Mas a soberania Deus é claramente ensinada na Bíblia e nela esta o único fundamento básico da genuína fé cristã. Nós temos que examinar a palavra de Deus e rogar ao Espírito Santo que nos ensine o que precisamos saber no que se refere a esta extraordinária e preciosa verdade.

Um Rei da Babilônia Declara a Soberania de Deus

Quando procuramos na Bíblia uma definição concisa da Soberania divina, somos surpreendidos, pois não a encontraremos na pena de Paulo, ou na Lei de Moisés, nem ainda na boca dos grandes profetas como Isaías ou Jeremias. A definição mais clara a respeito da soberania de Deus vem dos lábios de Nabucodonosor, o rei da Babilônia:

“Mas ao fim daqueles dias, eu, Nabucodonosor, levantei os olhos ao céu, tornou-me a vir o entendimento, e eu bendisse o Altíssimo, e louvei, e glorifiquei ao que vive para sempre, cujo domínio é sempiterno, e cujo reino é de geração em geração. Todos os moradores da terra são por ele reputados em nada; e, segundo a sua vontade, ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes? Tão logo me tornou a vir o entendimento, também, para a dignidade do meu reino, tornou-me a vir a minha majestade e o meu resplendor; buscaram-me os meus conselheiros e os meus grandes; fui restabelecido no meu reino, e a mim se me ajuntou extraordinária grandeza. Agora, pois, eu, Nabucodonosor, louvo, exalto e glorifico ao Rei do céu, porque todas as suas obras são verdadeiras, e os seus caminhos, justos, e pode humilhar aos que andam na soberba.”

Daniel 4.34-37.

Este reconhecimento da soberania de Deus é feito por um homem que conheceu mais sobre soberania humana que qualquer outro em toda a história da humanidade. Entre os reis da história, Nabucodonosor foi o maior (Daniel 2.37). Ele é “a cabeça de ouro” (Daniel 2.38). Quando comparado o seu reino, com os impérios mundiais anteriores e posteriores são descritos como “inferiores” (cf. 2.39-43). Quando Daniel falou a Belsazar, filho e sucessor de Nabucodonosor, o que ele havia construído monstra a extensão inigualável de seu domínio e autoridade:

Ó rei [Belsazar], foi a Nabucodonosor, teu predecessor, que o Deus Altíssimo deu soberania, grandeza, glória e majestade. Devido à alta posição que Deus lhe concedeu, homens de todas as nações, povos e línguas tremiam diante dele e o temiam. A quem o rei queria matar, matava; a quem queria poupar, poupava; a quem queria promover, promovia; e a quem queria humilhar, humilhava.

Daniel 5.18-19.

Nabucodonosor foi um homem poderoso militar e politicamente. Regeu uma Nação poderosa (a Babilônia) com um punho ferro, e a Babilônia dominou todos os outros poderes mundiais daqueles dias. Era ele o comandante que derrotou e destruiu Jerusalém e que enviou a maioria dos judeus para o cativeiro babilônico. Como os moradores de Judá pareciam insignificantes e impotentes contra tal poder de Nabucodonosor, e realmente eles eram.

Mas o Deus das Escrituras é o verdadeiro e grande Deus. Deus escolheu demonstrar sua soberania sobre a história das nações da terra trazendo Nabucodonosor de joelhos em submissão e adoração a Ele.

Há uma declaração bíblica que revela toda a grandeza e soberania de Deus, onde não apenas os “Nabucodosor” que se sentem poderosos, mas todos os habitantes da terra terão que declarar igualmente a Soberania dele:

Porquanto está escrito: “Por mim mesmo jurei, diz o Senhor, diante de mim todo o joelho se dobrará e toda língua confessará que Eu Sou Deus”.

Romanos 14.11 

 

Utilização livre desde que citando a fonte
Guedes, Ivan Pereira
Mestre em Ciências da Religião.
me.ivanguedes@gmail.com
Outro Blog
Historiologia Protestante
http://historiologiaprotestante.blogspot.com.br/

 

Artigos Relacionados

Grandes Perguntas: Como Lidar com as Tragédias? https://reflexaoipg.blogspot.com/2019/08/grandes-perguntas-como-lidar-com-as.html?spref=tw

SALMO 2 - A Reação dos Ímpios à Soberania de Deus https://reflexaoipg.blogspot.com/2022/07/salmo-2-reacao-dos-impios-soberania-de.html?spref=tw

Apocalipse: A Soberania de Deus https://reflexaoipg.blogspot.com/2018/04/apocalipse-soberania-de-deus.html?spref=tw

O Cuidado Pastoral de Deus

https://reflexaoipg.blogspot.com/2016/09/salmo-231-o-cuidado-pastoral-de-deus.html?spref=tw

Como Conhecer a Deus?

https://reflexaoipg.blogspot.com/2019/03/pequenas-reflexoes-como-conhecer-deus.html?spref=tw

TEMPUS FUGIT

https://reflexaoipg.blogspot.com/2016/01/tempus-fugit.html?spref=tw



[1] “A aversão que muitos têm a este atributo de Deus provém de o considerarem separado das outras atribuições dando  a impressão de que Deus pode ser despótico e não tomar em consideração o bem das criaturas. ‘A soberania de /Deus não é a de um déposta caprichoso, mas a do único Ser sábio, gracioso, reto e santo. Assim considerando, este atributo é tão digno de Deus que não se pode compreender que sem ele Deus fosse Deus’”. Comentário e citação de Alfredo Borges Teixeira, Dogmática Evangélica, Ed. Pendão Real, São Paulo, 1976, p.89.

[2] A. W. Pink, Os Atributos de Deus, Ed. PES, São Paulo, 1985, pp.31-32.

[3] A. W. Pink, 1985, p. 28.

quinta-feira, 24 de novembro de 2022

Natividade no Livro de Isaías (7.14) - Matthew Henry

Para entendermos corretamente a mensagem contida neste capítulo, temos que entender o seu contexto histórico (2 Reis 16), que trata do reinado de Acaz, um dos mais perversos dentre os reis de Judá (Reino do Sul), conhecido por sua hipocrisia e covardia. Ele chegou ao ponto de sacrificar seu filho pelo fogo, e sacrificar e queimar incenso aos ídolos nos altos e debaixo de toda árvore frondosa.

No início do reinado de Acaz, o rei Rezin da Síria (Aram) fez um pacto com Peca rei de Israel (Efraim) para conquistarem o reino de Judá. Durante a guerra Peca chegou a matar 120 mil judeus em um só dia; enquanto Rezin capturou centenas. Ambos conquistar a cidade de Jerusalém, mas Deus a preservou. Apesar da corrupção de Acaz, Deus através do profeta Isaías, prometeu que a cidade ficaria a salvo destes ataques, pois tanto a cidade quanto os seus moradores eram Dele.

Isaías toma como ponto de partida esta promessa de salvação de Jerusalém e seus moradores, para profetizar sobre uma Salvação com dimensões atemporal. E que se estenderia muito além de Judá e Jerusalém abrangendo todas as nações e etnias, cumprindo desta forma os termos da aliança estabelecida com Abraão pelo qual Deus o usaria para “ser uma benção a todas as famílias da terra”.

E o sinal de que Deus estaria realizando esta salvação mundial é que uma criança haveria de nascer, de forma sobrenatural, e que lhe seria dado o nome de Emanuel, e pelo qual toda profecia Messiânica se cumpriria.

Este capítulo 7 pode ser esboçado da seguinte forma:

1. Um pacto entre Rezim, rei da Síria, e Peca, rei de Israel contra Acaz (v.1).

2. Acaz fica com medo (v.2).

3. Isaías faz uma promessa a Acaz (v.3-9).

4. Acaz se abstém de pedir um sinal (v.10-13).

5. O sinal divino: nascimento de uma criança - Emanuel (v.14-16).

6. A Assíria, a aliada, torna-se inimiga (v.17-25).

 

I S A Í A S  7.14

Por isso o Senhor mesmo lhes dará um sinal: a virgem ficará grávida e dará à luz um filho, e o chamará Emanuel.

[Nova Versão Internacional]

Por isso, Deus vai dar um sinal - quer vocês queiram, quer não. Uma virgem terá um filho! E ela; chamará o nenê de Emanuel (que significa "Deus está conosco").

[Bíblia na Linguagem de Hoje]

Portanto o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel.

[Almeida Revisada]


Comentário de  Matthew Henry sobre a Bíblia – Isaías 7.14

Versos 10,11 - Deus, por meio do profeta, faz uma oferta graciosa a Acaz, de confirmar as predições anteriores, e a sua fé neles, com o sinal ou o milagre que ele escolhesse: “Pede para ti ao Senhor, teu Deus, um sinal”.

Verso 12 - Acaz rudemente recusa esta oferta graciosa, e (o que não é maneira de tratar com nenhum superior) rejeita a cortesia e a despreza (v. 12): “Não o pedirei”. A verdadeira razão pela qual ele não desejava pedir um sinal era o fato de que, dependendo dos assírios, de seus exércitos e de seus deuses, para ajudá-lo, ele não desejava ter nenhuma dívida com o Deus de Israel, ou colocar-se sob obrigações com Ele.

Verso 13 - O profeta repreende a ele e à sua corte, a ele e à casa de Davi, a toda a família real, pelo seu desprezo à profecia, e ao pouco valor que davam à reve­lação divina.

VERSO 14 - O profeta, em nome de Deus, lhes dá um sinal: Vocês não pedirão um sinal, mas a descrença do homem não tornará sem efeito a promessa de Deus: “O mesmo Senhor vos dará um sinal” (v. 14), um sinal duplo.

1. Um sinal geral da sua boa vontade para com Israel e a casa de Davi. Vocês podem concluir que Ele tem misericórdia reservada para vocês, e que vocês não foram abandonados por Deus, por maior que sejam a sua aflição e os seus perigos atuais; pois da sua nação, da sua família, o Messias nascerá, e vocês não podem ser destruídos enquanto esta bênção estiver em vocês, bênção que será apresentada, (1) De maneira gloriosa: pois, embora lhes fosse dito, frequentemente, que Ele nasceria entre vocês, eu lhes digo ainda mais, que Ele nascerá de uma virgem, o que irá significar ao mesmo tempo o poder divino e a pureza divina com que Ele será trazido ao mundo. Ele será uma pessoa extraordinária, pois não nascerá por geração normal. Ele será Santo, jamais maculado pelas contaminações comuns da natureza humana, e, por isto, incontestavelmente adequado para que lhe seja entregue o trono do seu pai Davi. Isto, embora devesse se cumprir mais de 500 anos mais tarde, era um sinal encorajador para a casa de Davi (e a eles, sob este título, a profecia é dirigida, v. 13), e uma certeza de que Deus não os abandonaria. Efraim [Israel-Reino do Norte], realmente, invejava Judá (cap. 11.13), e procurava a destruição daquele reino, mas não poderia ser bem sucedido; pois “O cetro não se arredará de Judá... até que venha Siló”, Gn 49.10. Aqueles a quem Deus destina para a grande salvação podem aceitar como um sinal o fato de que não serão tragados por nenhuma dificuldade com que se depararem no caminho. (2) O Messias será apresentado em uma gloriosa missão, envolvido em seu nome glorioso: “Será o seu nome Emanuel” - Deus conosco, Deus na nossa natureza, Deus em paz conosco, em concerto conosco. Isto se cumpriu quando o chamaram Jesus - o Salvador (Mt 1.21-25), pois, se Ele não tivesse sido Emanuel - Deus conosco, não poderia ter sido Jesus - o Salvador. Este era outro sinal da benevolência de Deus com a casa de Davi e a tribo de Judá; pois aquele que pretendia realizar esta grande salvação entre eles, sem dúvida, iria realizar para eles todas aquelas outras salvações que seriam os tipos e modelos desta, como se fossem prelúdios a esta. Aqui está um sinal para vocês, não embaixo nas profundezas ou em cima nas alturas, mas na profecia, na promessa, no concerto feito com Davi, que vocês não desconhecem. A semente da promessa será Emanuel, Deus conosco; que esta palavra console vocês (cap. 8.10), que Deus é conosco, e (cap. 8.8) que a sua terra é a terra do Emanuel. Que o coração da casa de Davi não se mova, então (v. 2), nem Judá tema a subida do filho de Tabeal (v. 6), pois nada pode se impor sobre o Filho de Davi que será Emanuel. Observe que os consolos mais fortes, em épocas de aflição, são aqueles que são obtidos de Cristo, do nosso relacionamento com Ele, do nosso interesse nele e das nossas expectativas nele e por Ele. Desta criança, ainda está predito (v. 15) que embora não venha a nascer como nascem outras crianças, mas sim de uma virgem, Ele será realmente e verdadeiramente um homem, e que será amamentado e criado como as outras crianças: “Manteiga e mel comerá”, assim como as outras crianças, particularmente as crianças daquela terra que mana leite e mel. Embora seja concebido pelo poder do Espírito Santo, não será, apesar disto, alimentado com o pão dos anjos (ou dos poderosos, Salmos 78.25), mas, como lhe convinha, será, em tudo, semelhante aos seus irmãos, Hebreus 2.17. Nem Ele, sendo nascido por geração extraordinária, será homem imediatamente, mas, como as outras crianças, progredirá gradualmente, passando pelos diversos estágios da infância e da juventude, até o da idade adulta, e crescendo em sabedoria e estatura, finalmente será forte em espírito, e alcançará a maturidade, de modo, a saber, como “rejeitar o mal e escolher o bem”. Veja Lucas 2.40,52. Observe que as crianças são alimentadas, quando pequenas, para que possam ser ensinadas e instruídas quando tiverem crescido. Elas recebem o seu sustento para que possam ser devidamente educadas.

2 - Aqui está outro sinal em particular da rápida destruição destes príncipes poderosos que agora eram um terror para Judá (v. 16). Antes que este menino (assim pode ser interpretado), este menino que agora tenho em meus braços (ele não se refere a Emanuel, mas a SearJasube, seu próprio filho, ao qual tinha recebido instruções de levar consigo, como um sinal, v. 3) saiba rejeitar o mal e escolher o bem (e aqueles que vissem a sua estatura e disposição atual facilmente seriam levados a conjeturar quanto tempo isto tardaria para acontecer), antes que este menino seja três ou quatro anos mais velho, a terra de que te enfadas, estas forças confederadas de israelitas e sírios, com os quais tens tanta inimizade e dos quais sentes tanto terror, será desamparada dos seus dois reis, tanto Peca como Rezim, que estavam em uma aliança tão forte como se fosse reis de um único reino. Isto se cumpriu integralmente; pois dois ou três anos depois disto, Oséias conspirou contra Peca, e o assassinou (2 Rs 15.30) e, antes disto, o rei da Assíria conquistou Damasco e matou Rezim, 2 Reis 16.9. Na verdade, houve um evento que aconteceu imediatamente, e quando este menino carregava a sua predição no seu nome, o que era um penhor e um sinal deste evento futuro. Sear-Jasube significa Um-Resto-Volverá, o que, sem dúvida, aponta para o maravilhoso retorno daqueles duzentos mil cativos que Peca e Rezim tinha levado, que foram trazidos de volta, não pela força, mas pelo Espírito do Senhor dos Exércitos. Leia esta história em 2 Crônicas 28.8-15. Tendo sido cumprido, desta maneira, o nome profético desta criança, sem dúvida isto que também era acrescentado a respeito dele, teria o seu cumprimento; que a Síria e Israel seriam igualmente privadas de seus reis. Uma graça de Deus nos encoraja a esperarmos por outra, motivando-nos a nos prepararmos para outra.

Matthew Henry [1]

 

Utilização livre desde que citando a fonte
Guedes, Ivan Pereira
Mestre em Ciências da Religião.
me.ivanguedes@gmail.com
Outro Blog

 

Referência Bibliográfica

HENRY, Matthew. Comentário Bíblico Isaías. Tradução Valdemar Kroker Haroldo Janzen Degmar Ribas Júnior. CPAD, Rio de Janeiro, 2010.  [Comentário Bíblico Antigo Testamento Isaías a Malaquias – Edição Completa].

Artigos Relacionados

Natal no livro de Isaías (7.14) – Calvino

https://reflexaoipg.blogspot.com/2022/11/natal-no-livro-de-isaias-714.html?spref=tw    
Natal o ano Inteiro: O Esmagador de Serpentes

https://reflexaoipg.blogspot.com/2022/01/natal-o-ano-inteiro-o-esmagador-de.html?spref=tw

Natal: Uma Festa de um Salvador Inigualável

https://reflexaoipg.blogspot.com/2020/09/natal-uma-festa-de-um-salvador.html?spref=tw
Natal e a Plenitude dos Tempos

http://reflexaoipg.blogspot.com/2018/10/natal-e-plenitude-dos-tempos.html
A Manifestação da Humanidade de Jesus

http://reflexaoipg.blogspot.com/2018/10/a-manifestacao-da-humanidade-de-jesus.html
Natal: Entre o Natal e a Páscoa há uma Cruz

http://reflexaoipg.blogspot.com/2018/10/natal-entre-o-natal-e-pascoa-ha-uma.html



[1]Dificilmente há uma pessoa tão conhecida entre os comentaristas bíblicos como Matthew Henry. Desde a publicação de seu primeiro volume (o Pentateuco) em 1706 até o presente, o comentário de Henry foi repetidamente reimpresso, traduzido a outros idiomas, combinado com o comentário de Thomas Scott para formar o comentário de Henry e Scott, ou impresso em formato resumido. Ele tem exercido uma grande influência na formação espiritual de uma multidão de leitores que dele utilizam para devocionais pessoais, ou para preparar-se para o ensino, ou pregação. (Destacados líderes cristãos como George Whitefield e William Carey testemunharam da influência que receberam dele).