Você já passou por depressão?
Você está passando por depressão agora? Você já passou por burnout? Você está
se sentindo esgotado agora? Você já ficou tão sobrecarregado pela ansiedade que
mal consegue respirar neste momento, quanto mais contemplar o futuro? Este
devocional não trata de teologia abstrata ou conceitual, mas de algo mais
pragmático e prático.
E todos nós sabemos o quão
importante esse tema é: muitos de nós já sofremos, ou estamos sofrendo, de
depressão, esgotamento, ansiedade ou estresse. Eu me incluo nesse grupo de
pessoas porque, para ser absolutamente honesto com você, já sofri períodos de
depressão no passado e, em algumas ocasiões, de esgotamento e ansiedade
profunda.
O contexto é essencial para
entendermos Elias. Três dias antes, ele havia enfrentado
sozinho os 450 profetas de Baal e os 400 de Aserá, provando que apenas Yahweh é
o Deus verdadeiro.
Ao saber da vitória, a rainha
Jezabel ordena sua morte. Elias já estava sob grande estresse físico, emocional
e espiritual, por isso não surpreende que tenha se esgotado e sofrido um
colapso.
Diante das ameaças de Jezabel,
Elias se intimida e foge. Ele perde de vista o poder de Deus, cujas
intervenções milagrosas acabara de experimentar, e sucumbe ao medo e à
ansiedade diante do futuro.
E assim lemos no verso 3
que Elias “se levantou e fugiu para salvar a vida, e veio para Berseba”.
Mas isso era completamente contraditório ao lugar onde Deus queria que ele
estivesse, porque no verso 15 Deus diz: “Vá, retorne ao deserto de Damasco”.
Elias está completamente desnorteado.
O perigo é que a depressão ou o
esgotamento podem nos levar a escolher o isolamento — “fez uma jornada de um
dia pelo deserto”. Isso é importante, porque nos mostra que Elias, durante
sua depressão, estava se afastando de tudo e de todos. Todos nós devemos ter
absoluta certeza de que não estamos sozinhos em nossos momentos sombrios da
vida e que podemos receber apoio e compreensão uns dos outros.
A depressão e o esgotamento
resultam em pensamentos confusos e caóticos que não fazem sentido algum. No verso
3, Elias “fugiu para salvar a vida”, e no verso seguinte ele ora: “Ó
Senhor, tira minha vida”. Por um lado, queria continuar lutando, mas, por
outro, desejava simplesmente se render, desistir e morrer. Elias estava
completamente esgotado e, como o verso 5 afirma de forma clara: “Então
ele se deitou e adormeceu”. A depressão é completamente exaustiva, mental e
fisicamente.
Vejamos
como Deus tratou Elias passo a passo.
O que Deus fez é absolutamente
crucial: deixou Elias dormir. Deus sabia que o profeta estava exausto,
então simplesmente o deixou descansar. Isso é importante: Deus não começa com
sermão, mas com repouso. O corpo exausto precisava parar. O tratamento divino
começa respeitando a limitação humana. Deus tratou seu profeta exaurido de
maneira cuidadosa, progressiva e profunda.
Em seguida, Deus enviou um anjo
para acordá-lo e dizer: “Levanta-te e come”. Deus trata o profeta de
forma concreta. Antes de lidar com a crise espiritual e emocional, Ele supre
fome, sede e fraqueza. Esta cena do anjo se repete, mostrando que a restauração não é instantânea. Deus
entende que há esgotamentos que exigem tempo, repetição e paciência. É um
cuidado integral. Depois de um tempo, uma vez reanimado, Elias caminha até
Horebe, o monte de Deus (1 Reis 19:8). Depois do cuidado físico, vem o cuidado
espiritual mais profundo. Deus não apenas alivia sintomas; Ele conduz Elias à
Sua presença.
Há um paralelo impressionante entre
Elias em 1 Reis 19 e Pedro na narrativa evangélica de João 21. Nos dois casos,
o servo de Deus está abatido: Elias, exausto e sem forças para continuar; Pedro,
frustrado, envergonhado e marcado pela culpa da negação. E, nos dois casos,
Deus começa pela restauração concreta da pessoa antes de retomar a missão.
Elias recebe sono, pão e água. Pedro recebe o alimento preparado por Jesus e o
convite: “Vinde, comei”. Em ambos, não se inicia com cobrança, mas com
acolhimento.
Somente após esse cuidado
inicial, vem algo mais profundo. Elias, reanimado, caminha até Horebe, onde é
conduzido à presença de Deus e ouve Sua voz no sussurro. Pedro, depois de comer
com Jesus, é levado a um encontro direto com o Senhor, no qual seu interior é
tratado por meio da pergunta repetida: “Tu me amas?”. Ou seja, Deus não apenas alivia
o cansaço de Elias, assim como Jesus não apenas oferece consolo a Pedro;
ambos conduzem o servo restaurado a um nível mais profundo de reencontro,
cura interior e realinhamento vocacional.
O movimento é semelhante nos dois
textos: primeiro o corpo é reequilibrado, depois a alma é restaurada,
e pôr fim a vocação é renovada. Elias é fortalecido para continuar a atividade
profética; Pedro é restaurado para voltar a pastorear. Assim, tanto em Horebe
quanto à beira do mar da Galileia, vemos que o agir de Deus é integral: Ele
alimenta, escuta, cura, revela Sua presença e devolve sentido à missão.
A experiência de Elias também é a
nossa. Por isso, anime-se: assim como Deus não abandonou o profeta, mas cuidou
e o renovou, Ele continua a fazer o mesmo conosco hoje.
Permita-se
descansar, alimente-se, renove sua comunhão e, então, levante-se e siga ao
Senhor, pois ainda há caminhos a trilhar e obras a realizar em Sua presença.
Pare & Pense
§ O que Elias nos ensina sobre limites?
§ O que significa renovar a comunhão com
Deus?
§ Como perceber a presença de Deus na
exaustão?
§ Que passos devemos dar para prosseguirmos?
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